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31 de janeiro de 2012

Sobre as questões de saúde, lá e cá.

Acabei de ouvir o médico e professor Manuel Sobrinho Simões discretear, no programa Contra Corrente da SIC Notícias, sobre o serviço nacional de saúde: bom senso; lucidez; inteligência; frontalidade e capacidade de equacionar,de modo convincente, os problemas de eficiência com a defesa dos direitos dos doentes. Se não viu, aceda ao site da SIC Notícias para visualizar o vídeo.

É óbvio que o serviço nacional (e regional) de saúde necessita de recursos financeiros, mas precisa (talvez mais) de tudo aquilo que o professor diz. Eu acentuaria aquilo que enfatizou sobre o carácter imperioso de responsabilizar os doentes na minimização dos factores de risco para a sua saúde. Mas para isso suceder é necessário esclarecer, trabalho dos profissionais de saúde é claro, mas não só - o combate ao consumo do tabaco foi assumido por todos, como deveria sê-lo, por exemplo, o combate ao consumo do açúcar (em todas as suas formas), às más práticas nutricionais (o Correio dos Açores trazia hoje um artigo muito interessante a esse respeito).... O cancro nos Açores combater-se-ia também assim, e se o trabalho fosse feito de modo adequado, não seriam necessários, eventualmente, tão grandes recursos financeiros como isso para obter resultados.

Na política da saúde, como nas outras políticas públicas, o esclarecimento, a responsabilização, e a participação dos cidadãos são condição incontronável de práticas e soluções políticas eficazes (e desculpem lá, eficientes). Ora, a responsabilidade do processo ser iniciado e sustentado impende sobre a classe política (governo e oposição), e o facto de ela não estar neste capítulo à altura é que faz com que alguns (muito poucos) vão aos arames. A política em Portugal, na parte que diz respeito à produção de bens públicos e semi-públicos, é somente uma questão de cobertura orçamental - e depois são aqueles que reclamam da eficácia e de eficiência é que são economicistas: veja-se a irritação do António Barreto com o uso e abuso do epíteto no lançamento de um livro da FFMS sobre a saúde, numa entrevista ao Expresso, em Dezembro passado,se bem me lembro.

E já agora, que tudo isso está ligado, para perceber como é que chegamos aqui, leiam (ainda estou a ler) de Paulo Trigo Pereira, Portugal: Dívida Pública e Défice Democrático, da Fundação Francisco Manuel dos Santos. É informação para os cidadãos, com os economistas a não perderem nada em lê-lo também (as licenciaturas, por vezes, aconteceram há muito).

4 de agosto de 2011

Para lá caminhamos, a nível nacional, e particularmente a nível regional, pelo que muita gente deveria estar preocupada, mais que não fosse porque isso ajuda a redundar num conjunto de doenças duras tais como os cancros que, segundo parece, estas, preocupam mesmo os governantes .... as outras doenças duras não foram referidas pelo Expresso!


"The website Fooducate has taken a look at the annual obesity report issued by Trust for America's Health and the Robert Wood Johnson Foundation. Here are some of the 12 shocking statistics they found:
  • Adult obesity rates rose in 16 U.S. states over the past year, and NOT ONE state decreased
  • Twelve U.S. states now have obesity rates above 30 percent
  • Just 4 years ago, only one state had an obesity rate above 30 percent
  • Obesity rates exceed 25 percent in more than two-thirds of U.S. states
  • Mississippi had the highest rate of obesity (34.4 percent)
  • Colorado was the only state with a rate below 20 percent -- and next year will probably be above
  • Adult diabetes rates increased in 11 states and Washington, D.C. in the past year; in 8 states, more than 10 percent of adults now have type 2 diabetes.
  • High school dropouts have the highest rates of obesity"
Recomenda-se (como é óbvio) a leitura completa.

12 de fevereiro de 2011

Cancro nos Açores

Ouvi, ontem, no Expresso da Meia-Noite, que o Expresso publicado hoje, mas que, aqui, nos Açores, só teremos acesso amanhã, referia a situação do cancro nos Açores. Não sei, portanto, o conteúdo da notícia.  Poderá estar ligada ao estudo do Professor Manuel Coelho e Silva sobre a evolução da expectativa de vida  dos portugueses baseada num sub-conjunto da população escolar dos Açores. 

Mas se referir só o cancro nos Açores, a notícia peca por ser redutora e mal informada. O problema é que nos Açores, relativamente ao Continente, e menos em relação à Madeira, a  taxa de mortalidade - medida pela taxa de mortalidade normalizada - não só quanto ao cancro, mas em relação às doenças mais graves, é significativamente maior. Isso é sabido desde 2005 na base de informação estatística dada pelo INE. Que o assunto leve  6 a 7 anos a aflorar na opinião pública, através da comunicação social continental,  sem que a nível político regional, do governo e oposição,  tenha merecido a devida atenção, discussão e projecção pública, é absolutamente estarrecedor - se as pessoas estão a morrer cá mais do que lá,  em termos  relativos, isso significa que há causas locais, necessariamente, ao nível de comportamento de cada um dos cidadãos, que importa estudar, denunciar, alertar e prevenir, mais, e com mais eficácia do que tem sido feito: o não o fazer releva da negligência criminosa. Obviamente, que o problema não radica no Sistema Regional de Saúde (SRS),  e dos seus profissionais, que nada devem em termos de qualidade e de proficiência aos seus congéneres continentais - o problema está noutro lado.

Não que todos tenham estado distraídos. O autor do blogue Canibais e Reis já me tinha alertado  para o assunto e tinha-me solicitado apoio na obtenção de informação que permitisse perceber e contextualizar a diferença entre os Açores e o Continente - (como seria de esperar, essa informação não abunda)- o meu filho antes, também me tinha referido que os números quanto ao cancro nos Açores eram alarmantes. Referi o assunto aqui. No entretanto, ainda há pouco do tempo, esse blogue abordou o assunto:


[Quanto aos Açores] "....há uns factos pouco conhecidos que talvez se possam explorar. Por exemplo, nas estatísticas de 2005, a mortalidade nos Açores/Madeira (cerca de 900 a 960 mortes/100.000hab/ano) era muitíssimo superior à média do Continente (665 mortes/100.000hab/ano). Repare que é uma diferença enormíssima, quase na casa dos 30%.....

E porquê os Açores têm dobro de mortalidade cardiovascular e muito mais pneumonia/infecções? ....

- Sent using Google Toolbar"

Visitem o blogue para ler a nota na totalidade. Voltarei ao assunto. Como devem ter reparado a questão é política; é de saúde pública; é, pois, do nível que se tem de sensibilidade social; é, deixem-me brincar com coisas sérias, economicista (vejam o défice do SRS); e é, também, de como uma região, que é autónoma, se conhece, se conhece a si própria, ou, enfim, não se conhece: mas, se não se conhece, como pode ser governada bem?

16 de fevereiro de 2010

Isto está a acontecer nos Açores? Obviamente, estou a referir-me à relação entre hábitos alimentares, doenças e despesas do Serviço Regional de Saúde.

Open Left:: Soda mapped vs. diabetes-Michael Pollan on the deeper story & a proposal for taming corporate power: "Jill Richardson at La Vida Locavore has a diary. 'Soda Consumption vs. Diabetes' with some interesting maps--generated from the government's a new online interactive food atlas--particularly these two:  One of the most pernicious ways in which corporate well-being conflicts with human well-being is clearly visible in these two maps, the larger contours of which--the ways in which corporate food makes us sick

Michael Pollan: Of the money we spend on healthcare, about $2.3 trillion, three-quarters of that goes to treat chronic diseases that are preventable. Now, they're not all food-related, but most of them are. You've got smoking and alcoholism in there, and I don't know where you want to count alcoholism. But, you know, upwards of $500 to $750 billion we are spending to deal with the consequences of this diet. It's remarkable it's not a more central part of the conversation. Actually, it's not remarkable. Nothing related to fundamental solutions can get anywhere near the conversation, because everything related to fundamental solutions is a threat to corporate profits, which makes it a target for corporate power. And corporate power likes nothing better than a pre-emptive strike."

6 de dezembro de 2009

Não era sem tempo que alguém nos Açores começasse a dizer isto:

"Hidratos de carbono contribuem para a obesidade "O principal problema dos regimes alimentares seguidos actualmente pela maior parte da população é o excesso de hidratos de carbono, ou seja, as massas, o arroz, a batata, o pão, as bolachas, entre outros. Quem o diz é Frederico Pacheco, nutricionista e responsável pela PH Clinic, um espaço em S. Miguel que lida diariamente com problemas de nutrição e que visa melhorar os regimes alimentares dos seus clientes. 

De acordo com o especialista, cerca de 70% da alimentação do grosso da população açoriana consiste em hidratos de carbono, o que é excessivo, tendo em conta que essa percentagem não deveria superar os 28%. Na maior parte dos casos, tratam-se de alimentos processados, que na opinião do especialista, deveriam ter um menor peso na nossa alimentação. [...]"