19 de janeiro de 2010

Algumas referências sobre Portugal, ou que o referem

Aqui vão algumas das coisas lidas sobre a situação de Portugal. Falam por si.
  • Reduza o seu ordenado, Sr. PM! Srs. Deputados! - Maria Luísa Vasconcelos |Expresso.pt: "Neste descalabro político e orçamental, ou tratamos de ser produtivos, poupados e pioneiros, ou lá iremos parar, outra vez, às medidas de austeridade bem nossas conhecidas, das intervenções do FMI. Ora, tão perto de uma emergência económica nacional, não se percebe como, em Portugal, demora ainda o congelamento da despesa, das progressões nas carreiras, cortes nos níveis salariais de escalão mais elevado. Iniciar estas medidas pelos cargos de eleitos políticos ou de nomeação seria um bom indicador de esforço para o conjunto da economia. Reduza o seu ordenado Sr. PM! Srs. Deputados!O meu também, claro. Sem estas medidas, dificilmente será entendida a subida de impostos que, a seu tempo, não haja dúvidas, mais afligirá as empresas e famílias em Portugal."
  • Pessimismo ou despesismo? Económico  Um dos aspectos mais impressionantes da campanha eleitoral para as legislativas foi a forma como se ignorou por completo a difícil situação económica do país. [...] A maioria alcançada pelas forças políticas mais despesistas, atípica no contexto europeu actual, representa uma vitória do facilitismo sobre o realismo dito "pessimista" que irá ter de se confrontar com a dura realidade económica e financeira atrás descrita. Mas uma coisa é certa. Mais despesismo e falta de rigor nesta fase irão implicar mais impostos em breve e, muito provavelmente, mais desorçamentação com passagem de despesa para os anos futuros, assim se adiando a "factura". Mas mais tarde, ou mais cedo, ela chegará. Dela, os mais jovens não conseguirão escapar.



  • As trajectórias 3Ds | Económico: "Um sem número de políticos reconhecidamente prestigiados tem vindo, mais ou menos conscientemente, a construir um novo modelo ideológico de Estado moderno assente numa trajectória 3 D's (mais Despesa, mais Défice, mais Dívida). [...]"
  • Córtex Frontal: O Empréstimo da República: "O Prof.Engenheiro Tribolet salvou ontem o programa Prós e Contras ao propor que se aproveitasse o centenário da República para lançar um empréstimo interno, possivelmente sob a forma de Obrigações do Tesouro, para fazer face aos problemas financeiros do Estado". À partida, também não desgosto da ideia.


  • FT.com | Money Supply | Is Portugal the new Greece?: "Structural uncompetitiveness, coupled with the constraints of monetary union, mean Portugal will ‘bleed’ economic potential and tax-raising capacity." Não concordo com o comentário feito ao fim sobre a fragilidade relativa (em comparação com a grega) da recuperação portuguesa: penso que é ao contrário.
 

"The misery index is a crude addition of 2010 forecasts of unemployment and the fiscal deficit (as a percentage of GDP)"

  • As fragilidades da economia |Bruno Proença| Económico: "E isto não é um ponto conjuntural. É estrutural. E o documento do Banco de Portugal explica ao pormenor as fragilidades da economia nacional. Baixo nível de qualificação da mão-de-obra; o funcionamento dos mercados de trabalho, do produto e do sistema judicial têm prejudicado o investimento com maior conteúdo tecnológico. Desta forma, é preciso 'melhorar os sistemas de educação, justiça, assim como implementar plenamente as recentes reformas de legislação laboral. Adicionalmente, seria importante assegurar uma regulamentação mais efectiva do mercado do produto de forma a aumentar os níveis de concorrência da economia'. [...] A receita para os problemas nacionais é conhecida há muito tempo. A verdade é que ninguém conseguiu ainda implementá-la de forma consistente"
 

A situação económica dos outros

O que se apresenta abaixo são referências de comentários e análises sobre as outras situações, aparentadas à nossa, na periferia sul e oeste da Zona Euro, lidas nos últimos dois meses. Todas acabam por carrear informação e análise que cruzam com a análise do que se passa, a nível económico e financeiro, em Portugal.
  • Government sacrificing reform on altar of pay cuts - The Irish Times - Tue, Dec 08, 2009: "The savings would have come primarily through staff reductions, which will be the inevitable, permanent and calculable result of the Government’s ongoing recruitment embargo and other policies like the rationalisation of State agencies. The vision that we offered the Government was one where, in exchange for guarantees over pay, pensions and compulsory redundancies, staff would deliver the massive changes in work practices required to ensure that these falling staff numbers would not damage services. The proposed deal included explicit agreement on the redeployment of civil and public servants, within and between organisations, to ensure better services as budgets and staffing declined." (via The Irish Economy » Blog Archive » Public Sector Reform)
  • So What’s It All About, Costas? | afoe | A Fistful of Euros | European Opinion: "As Titus Maccius Plautus reputedly put it, I am a rich man for just as long as I don’t have to pay back my debts, and of debts in Greece there were plenty, especially in the public sector. So the growth we saw in the first eight years of this century was hardly normal, since it was based on a model of growing indebtedness which was always going to fail one day or another. One consequence of this is that no one really knows what “trend” growth in Greece would look like at this point (the same goes for those other two Eurozone “star performers” Spain and Ireland) since we don’t really know how much of recent growth was valid, and how much was due to overheating, and we won’t really start to get a clear picture till we see what the downside is, and how far it runs."
  • FT.com / Columnists / Wolfgang Munchau - Greece can expect no gifts from Europe: "[...] The EU’s authorities, rightly or wrongly, are more afraid of the moral hazard of a bail-out than the possible spillover effect of a hypothetical Greek default to other eurozone countries. If faced with a choice between preserving the integrity of the stability pact and the integrity of Greece, they are currently minded to choose the former. To safeguard what is left of the stability pact, they are determined to link any help to a country’s willingness to comply. Otherwise the EU fears it might lose all leverage over budgetary processes elsewhere in the eurozone.. So instead of helping Greece, the EU might be asking Greece to pay a penalty. [...] The current strategy of the EU is to raise the political pressure – perhaps even provoke a political crisis – with the strategic objective that the Greek government might eventually relent. It is a dangerous strategy that could easily backfire. Even if George Papandreou, the Greek prime minister, were sympathetic to the EU’s demand, he would face enormous political headwinds if he tried to implement draconian austerity measures. [...] The real problem is that the Greek people have not been prepared by their political leaders for what lies ahead. [...]In the absence of help from the eurozone, the Greek government would have to resort to the International Monetary Fund if it were to encounter difficulties refinancing the debt. Unlike Argentina, Greece cannot devalue, and leaving the eurozone is not a realistic policy option either. Latvian-style austerity could thus come one way or the other, with or without default. [...]".
  • Roubini Global Economics - RGE Monitor -- Europe EconoMonitor: Quantifying Eurozone Imbalances and the Internal Devaluation of Greece and Spain "Essentially, what Greece and Spain now face (alongside Ireland, Hungary, Latvia etc) is an internal devaluation which has to serve as the only means of adjustment since, as is evidently clearly, the nominal exchange rate is bound by the gravitional laws of the Eurozone. Now, I am not making an argument about the virtues of devaluation versus a domestic structural correction since it will often be a combination of the two (i.e. as in Hungary). What I am trying to emphasize is simply two things; firstly, the danger of imposing internal devaluations in economies whose demographic structure resemble that of Greece and Spain and secondly, whether it can actually be done within the confines of the current political and economic setup in the Eurozone."
  • FT.com / Columnists / Martin Wolf - The eurozone’s next decade will be tough: "What would have happened during the financial crisis if the euro had not existed? The short answer is that there would have been currency crises among its members. The currencies of Greece, Ireland, Italy, Portugal and Spain would surely have fallen sharply against the old D-Mark. That is the outcome the creators of the eurozone wished to avoid. They have been successful. But, if the exchange rate cannot adjust, something else must instead. That “something else” is the economies of peripheral eurozone member countries. They are locked into competitive disinflation against Germany, the world’s foremost exporter of very high-quality manufactures. I wish them luck."
  • FT.com / Brussels / Economy - EU to plan 10 years of growth: "Equally, it remains open whether the EU should set targets in its 2020 strategy, as some experts advise. “Targets are important policy levers, even if they are not met. They allow countries to compare themselves with others, and provide crucial goals and milestones that policymakers can use to raise awareness,” said Ann Mettler, executive director of the Lisbon Council think-tank."
  • FT.com / Comment / Opinion - Iceland would benefit from paying up: "Dear Icelandic friends, It is painful to observe your agony. A proud and independent nation is forced to vote in a referendum whether to pay billions of euros to the governments of the UK and the Netherlands. If you say No, your country will be seen as an unreliable partner. If you vote for the reimbursement, you will condemn your children to pay for the sins of their fathers. The national debt will balloon to roughly 200 per cent of gross domestic product – one of the highest levels in the world." Este é um finlandês a contar a experiência do seu país de como ser um pagador cumpridor tem consequências positivas no longo prazo.

18 de janeiro de 2010

Algumas sobre globalização, e todas para ler (qualquer delas)

  • The Irish Economy » Blog Archive » Jeffrey Sachs: Rethinking Macroeconomics The politicians posture without understanding the technical underpinnings of the structural challenges: their magnitude, timing, spatial extent, future dynamics, or costs of mitigation and adaptation. The real experts are very far from the podiums and negotiating tables. The macroeconomists, as I’ve stressed, don’t even recognize that medium-term (decadal or even generation-long) programs to address energy, climate, and extreme poverty are vital for sustained economic growth. We will need, urgently, to strengthen global institutions so that they can provide reliable expert guidance, quantification, monitoring, and oversight of global cooperative actions. The data matter, and we are flying blind. We would do well to start the new macroeconomics with three crucial and interconnected challenges: climate and energy security, food and nutrition security (including land use, water use and biodiversity), and poverty reduction.
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  • FT.com / Columnists / Martin Wolf - How the noughties were a hinge of history: "The only truly global power was in rapid relative decline. Not long before, it had won a pyrrhic victory in a costly colonial war. New great powers were on the rise. An arms race was under way, as was competition for markets and resources in undeveloped areas of the world. Yet people still believed in the durability of the free trade and free capital flows that had nurtured prosperity and, many believed, had also underpinned peace. That was how the world looked to many at the end of the “noughties” of the 20th century. Yet catastrophe lay ahead: a world war; a communist revolution; a Great Depression; fascism; and then another world war. The world order – built on competing great powers, imperialism and liberal markets – proved incapable of providing the public goods of peace and prosperity. It took calamity, the cold war and the replacement of the UK by the US as hegemonic power to re-establish stability. That then facilitated decolonisation, unprecedented economic expansion, the collapse of communism and yet another epoch of market-led global integration.  “History does not repeat itself, but it rhymes,” as Mark Twain is supposed to have said. The noughties of the 21st century now have the same fin de regime feeling as those of a century ago. Then the US, Germany, Russia and Japan were on the rise; now it is China and India. Then it was the Boer war; now it is the wars in Iraq and Afghanistan. Then it was an arms race between Germany and the UK; now it is the military build-up in China. Then the protectionism of the US undermined liberal trade; now conflicts between the US and China undermine our ability to tackle climate change. Then the US was isolationist; now China and other rising powers demand untrammelled sovereignty. The noughties of the 21st century were marked by historic changes." 
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  • The Big Picture » Blog Archive » Stiglitz: 6 Harsh lessons We Failed to Learn: "Economics Nobel laureate and Columbia University professor Joseph E. Stiglitz has what very well be the best year end piece I have seen to date"

De acordo com a tese e, por favor, digam a si próprios, face ao que se vê nos gráficos, se isto é sustentável.



Nota: Clicar para aceder a versões maiores

"Don't get me wrong: all efforts to build and develop renewable energy and energy efficient technology are useful and very necessary. My point is that, by themselves, they will not yield any results. To make them work, we need to put an absolute limit to energy use. Imagine that the European Union or the US would decide that in 2020 we can only use as much energy (or electricity) as we do today. Interestingly, all other efforts suddenly make sense. If the share of renewable energy would rise, then the share of non-renewable energy would automatically fall. Energy efficient technology would be automatically transformed in energy savings, and not in extra applications or performance, as it happens now (the energy efficiency paradox)."


Um exemplo da diferença entre eficácia e eficiência


Nota: Clicar para aceder a uma versão maior do gráfico

O gráfico relaciona a despesa per capita em saúde com um indicador, o da expectativa de vida. para diversos países, onde se inclui Portugal. Temos aqui a possibilidade de comparar a eficácia e a eficiência de diversos sistemas de saúde, com a ressalva de inferências, e juízos de valor, só na base de um  indicador, deverem ser feitos com cautela. No entanto, a informação veiculada pelo gráfico é bastante interessante e levanta muitas questões. Deixo a interpretação aos meus leitores como TPC. É óbvio que os EUA é um caso espantoso de ineficácia e de ineficiência absoluta e relativa, neste domínio - convém cruzar esta informação com o que se diz aqui, na referência a Bill Moyers.

United States Health Care Spending « The Baseline Scenario

É um dado a entrar em linha de conta na discussão da sustentibilidade da nossa civilização e da saúde da nossa espécie



"This figure shows the past and future world population as reported by the United Nations. For the future, ranges are shown based on the five different scenarios reported. Future population is one of the key uncertainties in determining future greenhouse gas emission scenarios. The scenarios considered by the Intergovernmental Panel on Climate Change have populations that range from 7 billion to 15 billion in the year 2100." 


Evolução dos preços do petróleo


O gráfico acima reproduz a evolução do preço do petróleo, a preços constantes de 2008, do início da sua exploração até ao presente. Segundo o autor da nota, o Professor João César das Neves só veria aqui mera volatilidade:

"Acho o gráfico muito interessante, acho interessante que João César das Neves (se bem interpreto a conversa) não veja no gráfico qualquer aumento do preço do petróleo, apenas volatilidade (eu não sei contrapor, a volatilidade é indiscutível, se desde o contra-choque petrolífero de 1986 a tendência é de estabilidade volátil ou se é de aumento suave acho que não se pode dizer com segurança a partir deste gráfico)."

Não concordo com aquela opinião (vejam a troca de comentários a este respeito naquele blogue): temos dois períodos outliers: o inicial, e o dos choques exógenos, políticos, do Yom Kippur e da Revolução Iraniana. Retirando-os da análise, temos dois troços: o que vai do inicial até 1972, de tendência ligeira de queda; o outro, de tendência inequívoca de subida - o contra-choque de 1986 veio, tão somente, a repor a tendência anterior a 1972.

ambio: Perplexidades de um ignorante

O futuro deveria definir a agricultura de que precisámos começar a preparar

Um dos critérios para ajuizar do grau de desenvolvimento de um país, ou de uma região, prende-se com a sua capacidade de antever os problemas, o que obriga como requisito, entre outras coisas (as estatísticas, para nomear uma) o levar a cabo uma reflexão estratégica contínua, em todos os domínios. O Haiti, é um bom e triste exemplo, disso, a contrário, no domínio da construção civil, e da sua regulamentação. O Reino Unido, é um bom exemplo, disso, no domínio do abastecimento alimentar futuro (mas não só: os documentos de reflexão da Administração Pública britânica, são uma maravilha).

Aqui, nos Açores, além de na Universidade, há preocupações a este respeito? Estamos a Sudoeste da Grã-Bretanha, no caso de não terem reparado.
  •  Why Britain faces a bleak future of food shortages | Science | The Observer: "Britain faces a 'perfect storm' of water shortage and lack of food, says the government's chief scientist, and climate change and crop and animal diseases will add to future woes. Science is now striving to find solutions"
  • Grow your own food revolution plans to seed unused land | Climate Ark: "The government plans to launch a 'grow your own' revolution by encouraging people to set up temporary allotments or community gardens on land awaiting development or other permanent use. It aims to develop a 'meanwhile' lease to formalise such arrangements between landowners and voluntary groups and is considering establishing a 'land bank' to broker better links and ensure plots are not left idle. Ministers believe the move could foster community spirit and skills as well as improve physical and mental health. Hilary Benn, the environment and food secretary, will announce the plans tomorrow as a part of a long-awaited and much-trailed package to ensure Britain grows more food, wastes less, reduces its dependence on imports, and leads the way in reforming the EU's common agricultural and fishing policies."
  • Britain's Conservatives Take On Megagrocers | The Big Money: "The proposal would create a 'supermarket ombudsman' that would crack down on retailers that force farmers and food processors to cut their prices, and their profit margins. The idea is 'designed to shore up the party’s credentials as champions of the countryside,' reports the Times of London."
  • Climate change warning for UK farmers: "British farming is about to get political, as climate change and rising prices mean food security will become a major issue. Agriculture will increasingly become a political issue, warns ex-NFU boss Sir Ben Gill Climate change will help British farmers in some ways, giving them better growing conditions. But since most of our food is imported, falling yields and increased demand for staple foods like wheat and milk could have serious consequences for UK consumers. The Government is due to outline its latest strategy for agriculture at the Oxford Farming Conference today."

E continua ... mais sobre o mesmo.


Algumas sobre ciência

E não é que aconteceu mesmo uma maça ter despertado Newton para a noção da gravidade.?Quanto aos Boskops, fiquei surpreendido com o artigo referenciado abaixo - nunca tinha ouvido falar desses "muito especiais" nossos antepassados, e em particular, das suas capacidades - mas, a Wikipédia serviu para qualificar a notícia (ver aqui):

E continua ... é importante, sempre, não esquecer os incentivos dos diversos intervenientes em qualquer interactuação dos seres humanos

Leitura, fortemente, recomendada:

Oil Dependence Is a Dangerous Habit « Climate Progress: 

With that kind of money it’s no wonder Big Oil is doing everything in its power to maintain the status quo. The companies are spending record amounts on lobbying to stop clean-energy and climate legislation. The American Petroleum Institute spent $75.2 million for public relations and advertising in 2008, and in the third quarter of 2009 the oil and gas industry outspent all other sectors lobbying on climate change, with Exxon Mobil leading the pack spending $7.2 million.

percentage of crude oil imported by five biggest companies

Oil companies are also the main source of funding for API’s front group, Energy Citizens, which makes false claims that climate change legislation will be a national energy tax and job killer. In reality, passing clean-energy and pollution reduction legislation will be affordable and even save consumers money while creating a net of 1.7 million jobs.

Pois

Is OPEC Looking for $100 Crude? « Climate Progress

Para perceber o mundo, ora bem, são necessárias estatísticas...

E estas são mesmo interessantes, sem mais qualificações (tirem as vossas conclusões sobre o futuro - o artigo deve ser lido na totalidade):

Op-Ed Columnist - The Tel Aviv Cluster - NYTimes.com: "But it’s more likely that Israel’s economic leap forward will widen the gap between it and its neighbors. All the countries in the region talk about encouraging innovation. Some oil-rich states spend billions trying to build science centers. But places like Silicon Valley and Tel Aviv are created by a confluence of cultural forces, not money. The surrounding nations do not have the tradition of free intellectual exchange and technical creativity. For example, between 1980 and 2000, Egyptians registered 77 patents in the U.S. Saudis registered 171. Israelis registered 7,652."

Porque razão uns são assim, e outros, não? Claro que tem que ver com a história, mas quais as características determinantes?

As respostas são variadas, e como estamos a falar de realidades complexas, todas terão alguma capacidade explicativa - a dificuldade está em como destrinçar o contributo relativo de cada uma. O que se diz abaixo, tem interesse, cola com aquilo que se sabe - aliás cruza com a problemática das diferenças em capital social e as consequências disso para a dotação em confiança existente em diferentes sociedades (Robert Putnam).. É óbvio que não acredito que explique tudo

"I think cynicism is often a corrosive force in Europe, especially in France and the countries of southern Europe that I know reasonably well. And I think there is a link between European cynicism and that sense of enfranchisement I found in America. Put rather harshly, bits of Europe are held back by something like the cynicism of the disenfranchised: the natural suspicion, caution and bleakness of those with no real stake in or power over their societies. Such cynicism sees the world as a zero sum game. In the past, this was pejoratively labelled 'peasant cunning'. Giuseppe di Lampedusa wrote about the 19th century Sicilian peasants who, in plain view of their home village on the very next hilltop, would deny any knowledge of its whereabouts if asked for directions by a stranger—just to be on the safe side. Today, Europe suffers from the cynicism of the tax evader who assumes that his political masters are also stealing money, so why fund them? [...]."

Continuar a ler em The narcissism of cynicism | The Economist

17 de janeiro de 2010

Eu costumo dizer isto de modo diferente, mas esta está "no ponto" - não a conhecia

'Efficiency is doing things right; effectiveness is doing the right things.'
 Peter F. Drucker"

Open Left:: Efficiency vs. Effectiveness

E contínua ... e em síntese temos o que se pode ver abaixo



Climate Crock video on cold snap vs. global warming « Climate Progress

Algo escrito sobre educação para a Convenção da Nova Autonomia, em 1996 (III)

NOTAS SOBRE A ARTICULAÇÃO ENTRE ENSINO, DESENVOLVIMENTO E POLÍTICA NOS AÇORES 

(continuação)

 2 - O governo da Nova Autonomia, o ensino nos Açores e o desenvolvimento 

(continuação)


O que pode ser feito, no curto prazo, neste campo e de que forma isso se articula com o trabalho político e potencia toda a actividade na área do ensino? Como é que o Governo Regional da Nova Autonomia pode começar a alterar o estado de coisas neste particular? Algumas pistas... 

Por exemplo, o Governo Regional da Nova Autonomia pode e deve ser um parceiro activo na discussão e na conformação da Política de Educação Nacional, sempre no respeito das necessidades e particularidades locais, e esse facto deve ser do domínio público, constituindo-se como um dos elementos do alertar da opinião pública para as questões da educação. Por exemplo, o Governo Regional da Nova Autonomia deveria acompanhar a implementação da Reforma à Região e deveria pública e políticamente emitir a sua opinião sobre a forma e conteúdo da mesma - a eventual discordância, devidamente fundamentada, sobre determinados aspectos, tornar-se-ia excelente como ponto duma discussão mais alargada das questões da educação. Por exemplo, o Governo Regional da Nova Autonomia deveria denunciar o facilitismo que se instalou no ensino e que é assumido por qualquer professor com quem se fale - isso obviamente teria o mérito adicional e decisivo de alargar a discussão pública sobre as questões do ensino. 

O Estado Regional é o maior empregador da Região e por demais, influencia de forma determinante a dinâmica de  todos os sectores económicos . Por exemplo, o Governo Regional da Nova Autonomia teria o direito e o dever de definir os perfis de conhecimento (níveis de proficiência em diferentes áreas de conhecimento) que seriam requesito de admissão ou requesito preferencial nas admissões na Administração Regional, devendo convencer os sectores económicos a tomarem iguais decisões. Isto, que fica para além do requesito formal de aprovação num dado nível de ensino, feito com a devida antecedência, devidamente dramatizado e fundamentado, poderia tornar-se num instrumento na alteração das expectativas da população quanto ao ensino, obrigando-a a exigir mais dos seus filhos e dos professores dos seus filhos. 

Articulado com o que se disse acima, e ainda como exemplo do que poderia ser feito, o discurso sobre a Educação, mormente no referente aos conteúdos de conhecimento, deveria se assumido por cada membro do Governo da Nova Autonomia,  por cada agente político da Nova Autonomia, ao serem explicitados os desafios com que se confronta cada sector, demonstrando que uma parte da resposta a esses desafios passa necessariamente pela educação. Em cada sector, o discurso político que equaciona o que se passa, o que provavelmente se passará e o que é necessário fazer para haver uma resposta regional adequada, obviamente deverá integrar como tema a educação e o publicitar do contributo indispensável que ela pode e deve dar. Aqui de novo, a afirmação política de que o trabalho na agricultura, na pesca, em todos os sectores produtivos, no futuro, a ter um futuro na Região, obrigará a que assuma um conteúdo funcional totalmente diferente, ir-se-á constituir, se devidamente transmitido e interiorizado, como um elemento determinante na transformação das perspectivas da população sobre o ensino. 

A título de conclusão, e em relação a esta última questão, reafirmar que o Governo da Nova Autonomia terá como tarefa primeira a alteração das perspectivas da população sobre o ensino; tentará criar uma nova opinião pública sobre o ensino, através de tudo o que se disse acima e ainda de mais. É sombranceria não acreditar na capacidade das pessoas perceberem onde estão os seus verdadeiros interesses. Os cidadãos entenderão se for gasto o tempo suficiente na transmissão da mensagem, se houver cuidado com a riqueza do conteúdo e com a forma que assumir essa mensagem. É necessário informação e mais informação; é necessário nomeadamente informação (e formação) dirigida a sectores específicos da população, sobre a questão do ensino. Esses sectores da população, com uma influência marcante na conformação da opinião pública, poderão ser uma das alavancas para a alteração daquelas perspectivas. É necessário a discussão pública dramatizada, informada, informativa, interessante, suportada por agentes políticos de 1º plano, e utilizando os meios mais adequados. É necessário reenobrecer a função do professor primário e do secundário; este terá de readquirir um status que perdeu (os aumentos salariais ajudariam mas não pode passar tudo por aí). De novo a política, o discurso político pode e deve contribuir para isso.

Algo escrito sobre educação para a Convenção da Nova Autonomia, em 1996 (II)

NOTAS SOBRE A ARTICULAÇÃO ENTRE ENSINO, DESENVOLVIMENTO E POLÍTICA NOS AÇORES 

(continuação)

2. O governo da Nova Autonomia, o ensino nos Açores e o desenvolvimento

Como é que o Governo da Nova Autonomia se deve posicionar em relação ao ensino de forma que este cumpra com o seu papel de fautor de desenvolvimento ? Nunca de forma a que a sua acção se reduza a uma única dimensão de intervenção, mas sim. procurando operacionalizar uma intervenção multifacetada, a ser efectuada a partir de diferentes ângulos e com diferentes objectivos, geradora de resultados e de sinergias que potenciando a performance do nosso sistema educativo regional possibilitem que este em retroacção e no tempo, assuma o papel acima referido. Vejamos a actuação dos governos PSD, nesta área, nos primeiros 20 anos da autonomia: - a política da educação foi totalmente apoucada ao dispêndio das verbas orçamentadas para a educação e à mera gestão administrativa do sector; ponto final! Nenhuma reflexão estratégica, nenhuma tentativa de imprimir inflexões que, no quadro das grandes orientações nacionais, acautelassem devidamente as necessidades locais, por preocupações de eficácia mas, também, de respeito pelas nossas características. Não que fosse fácil fazer diferente! Mas nem se tentou fazê-lo, mais que não seja, porque não se percebeu que era necessário fazê-lo diferente e melhor.   

O que pode o Governo da Nova Autonomia fazer de diferente e de melhor nesta área ? Se, obviamente é necessário gastar mais com a educação, é igualmente imperioso gastá-lo de maneira diferente e melhor. Um governo ao desviar recursos para uma actividade como a educação, tem de preocupar-se, em representação dos objectivos e interesses de uma colectividade, com a criação de todo o tipo de condições que assegurem a melhor utilização (os melhores resultados), a utilização mais produtiva desses recursos, averiguando, simultaneamente, se o esforço desenvolvido está a cumprir com as metas apontadas para os objectivos pretendidos. O que fazer ? Deve-se, em primeiro lugar, partir dos objectivos e da precisão das metas a alcançar para esses objectivos - o que se pretende alcançar, o que é necessário alcançar para a população açoriana (quantificação de metas indicativas) nas diferentes áreas de conhecimento (línguas, informática, etc) - já que só dessa forma haverá um apuramento adequado das necessidades em recursos que será necessário mobilizar. O Estado como o principal financiador do ensino tem o duplo dever de financiar como de exigir resultados. Para cumprir de forma correcta com esse duplo dever, tem de formular obectivos e metas e acarrear os recursos necessários à obtenção do pretendido. O Estado, em nome da colectividade, deve ter um papel importante na definição do perfil do serviço a ser produzido pelo sistema educativo.    

Em segundo lugar, haverá que acompanhar de perto, a actividade do sistema, o seu quotidiano. Não de longe, não de forma burocrática, mas sim, de forma sustentada e empenhada, de forma alerta e firme, dialogando com os professores, demonstrando a apreciação pelo trabalho desenvolvido, influenciando comportamentos, inventariando estrangulamentos e potencialidades. Tudo isto feito, obviamente, adentro de um respeito estrito pelos diferentes níveis de autonomia escolar e pedagógica. Uma parte significativa do trabalho dos responsáveis politicos deverá decorrer nas escolas - não deverão visitar as escolas, deverão ir trabalhar para as escolas: a Secretaria Regional da Educação não é um Ministério da Educação à escala, tem de ser algo, que embora com semelhanças, assume necessariamente um papel diferente. A prática da política educacional, se entrosada no conhecimento próximo do quotidiano das escolas, possibilitará potenciar o que de bom está a ser feito, generalizando-o; possibilitará a criação de um clima de experimentação; possibilitará o atalhar das situações menos boas; possibilitará uma programação mais adequada das necessidades futuras de recursos.  

Não há boas escolas, sem bons professores, professores competentes e motivados, mas igualmente não haverá boas escolas, sem alunos aplicados e motivados - não haverá, contudo e ainda, alunos com essas características, sem pais que percebam para que serve a escola e ajam e exijam em conformidade. Por isso mesmo, sendo que melhores resultados no ensino dependem do volume de recursos que puder ser mobilizado para o investimento educativo, não podem depender disso somente e do que se disse anteriormente. É necessário alterar a perspectiva que a população em geral, os pais e os alunos em particular, têm da educação e do saber. Mas isso é objectivamente extremamente difícil, tão difícil que a constatação dessa dificuldade se constitui como argumento para considerar aquelas perspectivas como um estado da natureza insusceptível de ser alterado no curto e médio prazo e nunca em resposta a esforços voluntaristas. Se esta maneira de ver for a correcta, verificando-se não ser possível alterar o estado de coisas neste campo no curto e médio prazo, é de encarar com uma dose significativa de pessimismo as possibilidades do sistema de ensino cumprir adequadamente o seu papel à luz dos desafios, a que a sociedade e economia açorianas não se podem esquivar. Naturalmente, por mera hipótese de discussão. é de admitir que uma adequada (por isso, muito superior) canalização de recursos para a educação e ganhos de produtividade significativos em todos os aspectos da actividade do sistema, possibilitassem suplementar e suprir as deficiências determinadas por uma opinião pública menos esclarecida e motivada: - o pilar escola iria suportar tendencialmente sozinho a tensão do esforço da sustentação do projecto educativo necessário aos Açores. Mas isso é uma cenário académico: a canalização de recursos, referida imediatamente acima, muito dificilmente poderá concretizar-se na dimensão adequada - traduzindo-se num crescimento percentual da despesa orçamentada com a educação muito acima do que tem sido habitual e do que é e será possível - face aos constrangimentos financeiros com que a Região é confrontada. Por tudo isso e de novo, aqueles ganhos de produtividade na actividade do ensino, dificilmente serão obtidos e se obtidos não serão potenciados, sem uma opinião pública virada para a necessidade da educação ascender a níveis mais exigentes de qualidade e esforço. Essa alteração contudo só é susceptível de se ir obtendo paulatinamente. Mas para ter essa opinião pública diferente, no médio e longo prazo, é necessário começar a influenciá-la já.


Algo escrito sobre educação para a Convenção da Nova Autonomia, em 1996 (I)

NOTAS SOBRE A ARTICULAÇÃO ENTRE ENSINO, DESENVOLVIMENTO E POLÍTICA NOS AÇORES

1) Articulação " Ensino - Desenvolvimento" nos Açores   

É consensual o afirmar-se o carácter estratégico determinante da educação no desenvolvimento. Tão consensual que a afirmação se trivializa, desculpando o não aprofundamento da análise de tudo aquilo que torna a afirmação verdadeira e empobrecendo a tarefa da descoberta das saídas que permitiriam uma mais eficiente operacionalização daquele papel da educação na luta pelo desenvolvimento. No caso dos Açores, a trivialização daquela afirmação implica que se esbata - ao nível da análise, do discurso e da prática - a especificidade local da articulação educação « desenvolvimento, especificidade que torna relativamente mais importante e imperiosa a obtenção de desempenhos superiores do sistema educativo açoriano.  A problemática económica nos Açores e as perspectivas da sua evolução futura, fazem com que aqui o ensino revista uma importância estratégica ainda  mais decisiva e  importante do que pode assumir e assume no resto do país.  Porquê ?

 Um crescimento económico sustentado nos Açores é condição sine qua non da viabilidade duma sociedade açoriana que perpetue no século XXI uma história e uma cultura velhas de cinco séculos. Na verdade - e admitindo o melhor cenário quanto à não verificação de alterações bruscas e profundas nas condições ambientais e nos parâmetros políticos internacionais, (esses outros cenários só viriam a acentuar a urgência em equacionar de forma eficaz aquela articulação) - um crescimento económico sustentado e endógeno apropriado, é condição necessária para a fixação das populações, ao possibilitar níveis de vidas que suportem a comparação com os níveis alcançados no continente português e no resto da Europa. Assim não sendo, criar-se-ão, no mínimo, só por isso, incentivos muitos fortes à deslocalização das populações açorianas, acentuando fenómenos demográficos já em curso. Contar indefinidamente com a solidariedade nacional e europeia para suplementar uma performance menos adequada da economia açoriana, colmatando o fosso entre taxas de crescimento do rendimento, previsivelmente (se se não inverter algumas tendências), progressivamente divergentes, é atitude acomodada e perigosa. Essa solidariedade, convenhamos, terá  sempre de estar presente,  mas a economia açoriana tem de crescer o suficiente para manter pelo menos constante, em termos relativos, a necessidade do apoio exterior ao rendimento açoriano, no médio e longo prazo.

 E como se pode verificar esse crescimento económico sustentado e endógeno nos Açores que assegure aquele resultado ? Basicamente, pelo influenciar dos factores que possibilitem ganhos de produtividade globais na actividade produtiva açoriana, em todas as suas variantes. Não se podem esperar contributos significativos para o crescimento económico açoriano com origem na evolução demográfica. No que respeita ao investimento,  pela fraqueza do seu efeito despesa - do seu efeito multiplicador no rendimento - e pela reduzida probabilidade de ver aumentado o seu peso relativo na despesa (quer pelo nível consideravelmente elevado já alcançado quer porque por esse aumento dependeria necessariamente do exterior) não se pode esperar que ele, por si só, assegure as taxas de crescimento que se impõem. O crescimento económico dos Açores terá de ser essencialmente do tipo intensivo, logo assente no aprofundamento da eficácia e eficiência na utilização dos recursos humanos e de capital que a região pode mobilizar. O aprofundamento da eficácia e eficiência na utilização dos recursos produtivos apela para o inculcar de valores, da implementação de práticas e a aquisição de saberes que possibilitem o alcançar e a aceitação por parte da população açoriana de níveis superiores de exigência, de profissionalismo, de mobilidade e de desafio. E isso além do mais, porque o crescimento económico nos Açores, devendo ser intensivo, terá de incorporar componentes fortes de experimentação, de abertura ao exterior (às influências económicas, culturais, tecnológicas), de diversificação, de upgrading das actividades produtivas já instaladas. O padrão de crescimento que se verificou na primeira fase da autonomia caracterizou-se por assentar quase exclusivamente no aumento da despesa e investimento público, viabilizados pela drenagem de recursos avultados do exterior, não sendo acompanhado, nomeadamente, pelo reconhecimento, por parte do poder político, da necessidade de acordar e de dinamizar a sociedade para um papel mais activo e autónomo nas tarefas, em todas as tarefas, do desenvolvimento. Não reconhecimento, falta de vontade ou incapacidade política em fazê-lo: o certo é que tudo isso, nitidamente, teve por contraponto a convicção de que era possível ascender a níveis progressivamente superiores de rendimento sem grandes alterações, sem grandes exigências, sem grandes reequacionamentos. O pecado mortal da velha autonomia foi a complacência1. O modelo seguido até aqui está esgotado!

Ao sistema de ensino caberá grande parte da tarefa da criação dos factores que possibilitem os ganhos de produtividade acima referidos. Essa tarefa é à partida extremamente dificultada pela percepção extremamente pobre e redutora que a esmagadora parte da população açoriana tem do ensino e do saber, o que se traduz quer numa procura pouco exigente do serviço prestado pelo sistema de ensino quer na hostilidade ao aumento da qualidade da oferta desse serviço, se esse aumento de qualidade passar, como deve passar em grande parte, por um acréscimo de exigência. Essa tarefa é dificultada pelo nível insuficiente de recursos que são canalizados para o sistema de ensino. Essa tarefa foi,  e está a ser, dificultada pela incapacidade do partido, até ao momento no poder nos Açores, de pensar estrategicamente os Açores, de pensar estrategicamente o desenvolvimento nos Açores e, logo, de pensar estrategicamente o ensino nos Açores, remetendo-se para uma gestão imediatista, burocrática, nada imaginativa, nada criativa, do sistema de ensino, e restringida ao mero dispêndio das verbas orçamentadas.
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[1]A guerra fria iria continuar ad aeternum; não necessitávamos de promover o turismo; não necessitávamos de nos preocupar com as questões ecológicas; os fundos da União nunca deixarão de vir (nunca?); tudo viria por acréscimo, sem grandes exigências e sem grandes ambições, etc.; no fundo, a internalização cultural da ultraperificidade.
 

Ainda no "departamento" de "há mais vida para além..."

Em troca de impressões com um amigo meu, questionávamos as razões para o percurso histórico menos satisfatório do nosso país. Podem escrever-se tratados sobre isso. Não tenho essa pretensão: mais que não seja, porque eu procuro sempre ter uma ideia, mais ou menos actualizada do que efectivamente não sei, e , porque, tudo o que diz respeito à sociologia e à história (e só depois, à economia) são os fenómenos mais complexos que há [não é a física, a cosmologia, todas as ciências "duras", aquelas que têm um domínio mais complexo de estudo; o que elas têm, isso sim, é o instrumental mais difícil de utilizar - outros já o tem dito]. Por isso, vou coleccionando histórias, pequenas amostras, que se adequadas, se representativas,  e se devidamente interpretadas, delas poderemos inferir, ou melhor, intuir, o que se passa ao largo.

Ora, uma dessas histórias pertence ao "departamento" do "há mais vida para além..." [ver a anterior nota para outro exemplo]. Isto surge na confluência daquela troca de impressões, daquilo que o meu amigo me contou sobre a filha, investigadora de craveira internacional [entrevistada há alguns anos pelo Expresso, onde dava conta do esforço e da disciplina necessárias para chegar onde chegou], e daquilo que a minha filha me contou anteontem. A minha filha estuda a sério; frequenta a biblioteca da faculdade onde está, diariamente (hoje, é domingo, e lá está) e tem-no feito, ao longo de todo o semestre - eu gosto disso, e incentivo-a a que o faça. Acontece - e aqui a história - que constatou, com espanto, o seguinte: uma sua colega, excelente moça (Portugal caracteriza-se por ter excelente pessoal), começou, inesperadamente, na altura dos testes, a frequentar a biblioteca, e a estudar de modo mais sistemático. E não é que a mãe alertou a filha,  preocupada, face a essa mudança de comportamento: "Toma atenção, que há mais vida para além da Universidade".

Na minha adolescência, porque li sempre muito, houve sempre "um espectro a ameaçar-me:" o do "esgotamento cerebral" - era uma tema recorrente no meio familiar e entre os amigos e conhecidos. Uma parte significativa dos pais portugueses ainda tem medo disso, ou joga com isso, ou isso insere-se num quadro amplo de má percepção das razões da importância da formação escolar: aqui, um dos motivos  (não  o único, claro) do sistema educativo não conseguir "levar a carta a Garcia". Ou dito doutra forma,  em jeito de epigrama, uma das razões do mal português tem a ver com o "departamento" do "há vida para além ... ".

Sempre preocupei-me com aquilo que o sistema político, e os seus agentes, poderiam fazer para alterar as percepções da população sobre a importância da educação. Escrevi sobre isso, aquando dos encontros da "nova autonomia", em 1996, antes da ascensão do PS na RAA. Reli o documento hoje: isso tem alguma piada, a esta distância - ver em que se mantém actual, ou ultrapassado. Vou reproduzi-lo nas próximas notas.

Manuel Alegre

Aquilo que Manuel Alegre disse, no discurso de apresentação da intenção de se candidatar a Presidente, sobre estatísticas, e sobre o défice, é mau, e, neste momento, não ajuda o país porque é exactamente o contrário que tem de ser dito por todos. Jorge Sampaio esteve mal quando disse que havia vida para além do défice. Pois há, logo que não se façam disparates e se tenha a casa em ordem. Manuel Alegre, mesmo com a evidência do que se está a passar, ainda não percebeu, que Jorge Sampaio esteve mal, e refina o disparate falando de "estatísticas": disparata-se sobre as ferramentas, e não sobre os mestres, quando a obra foi mal feita.

16 de janeiro de 2010

E continua ...


Note:  The NASA results are not yet official, but should be Friday.  The figure above does not have the December data, but the final figure will look almost identical.
  • Past decade the hottest on record | Grist: "The first decade of the twenty-first century was the hottest since recordkeeping began in 1880. With an average global temperature of 14.52 degrees C (58.1 degrees F), this decade was 0.2 degrees C (0.36 degrees F) warmer than any previous decade. The year 2005 was the hottest on record, while 2007 and 2009 tied for second hottest. In fact, 9 of the 10 warmest years on record occurred in the past decade." 
  • ambio: Malthus e as alterações climáticas: "Isto é, quando se apela a uma economia menos assente no carbono, as projecções do futuro de quem se opõe as estas restrições, partem do princípio de que tudo se manteria igual, excepto a restrição de carbono, esquecendo a força de transformação económica que, provavelmente, nos levaria para uma economia que não é nem a que conhecemos, nem a que conseguimos vislumbrar a partir da simples projecção do que seria esta economia com menos carbono."

Astronomy Picture of the Day - 2010 January 14: uma nova perspectiva da Galáxia M94


Nota: Clicar na imagem para aceder a uma versão maior
M94: A New Perspective Image 
Credit & Copyright: R Jay Gabany (Blackbird Obs.) Collaboration: I. Trujillo, I. Martinez-Valpuesta, D. Martinez-Delgado ( IAC); J. Penarrubia (IoA Cambridge); M. Pohlen (Cardiff) 

Explanation: 
Beautiful island universe M94 lies a mere 15 million light-years distant in the northern constellation of the hunting dogs, Canes Venatici. A popular target for astronomers the brighter inner part of the face-on spiral galaxy is about 30,000 light-years across. Traditionally, deep images have been interpreted as showing M94's inner spiral region surrounded by a faint, broad ring of stars. But a new multi-wavelength investigation has revealed previously undetected spiral arms sweeping across the outskirts of the galaxy's disk, an outer disk actively engaged in star formation. At optical wavelengths, M94's outer spiral arms are followed in this remarkable discovery image, processed to enhance the outer disk structure. Background galaxies are visible through the faint outer arms, while the three spiky foreground stars are in our own Milky Way galaxy."

Astronomy Picture of the Day, NASA (Archive, 2010 January 14)

Haiti

Duas referências ao contexto, e ao futuro do Haiti: uma relativa à história; outra, sobre a necessidade de um tipo diferente de resposta internacional no futuro, face ao perfilar no horizonte de outros problemas graves:
 
Open Left:: Time for America to repay Haiti's historic gift to us: "Haiti's successful slave revolution and its defense against the French attempt to re-enslave them was directly responsible for France's abandonment of its claims in the New World, including the sale of the Louisiana Purchase, without which the US would have been permanantly hemmed in to the Eastern Seaboard. Thus, America owes more to the people of Haiti than any other people on Earth--but, with few exceptions, we have only repaid them with suffering and sorrow."

The end of Haiti? | The Economist: "This tragedy will present an interesting challenge to the global community. Oddly enough, it may be one for which they'll need the practice. Within a few decades, there will be other island communities needing to relocate on a wholesale basis. If there is any positive to be taken away from this disaster, it may be that the world has the opportunity to begin developing the institutions it will need to peacefully manage climate refugees."

E continua ... em velocidade de cruzeiro


14 de janeiro de 2010

A China, a Internet, e a Google


Nota: Clicar na imagem para aceder a uma versão maior. 

Embora, se discuta muito o que poderá estar a justificar, em última instância, a atitude da Google, o certo é que sabe bem saber que alguém é capaz de fazê-lo. A imagem foi tirada da Information Is Beautiful, e aquilo que se transcreve em seguida, tem sentido.

What Does China Censor Online? | Information Is Beautiful


"3) BEST NON-ECONOMICS THING I HAVE READ TODAY: James Fallows: The Google news: China enters its Bush-Cheney era: In terms of information flow into China, this decision probably makes no real difference.... Anybody inside China who really wants to get to Google... can still do so easily, by using a proxy server.... For the vast majority of Chinese users, it's not worth going to that cost or bother, since so much material is still available in Chinese from authorized sites.... In terms of the next stage of China's emergence as a power and dealings with the United States, this event has the potential to make a great deal of difference -- in a negative way, for China. I think of this as the beginning of China's Bush-Cheney era.

To put it in perspective: I have long argued that China's relations with the U.S. are overall positive for both sides... that China is a still-poor, highly-diverse and individualistic country whose development need not 'threaten' anyone else and should be encouraged. I still believe all of that. But... a difficult and unpleasant stage of China-U.S. and China-world relations lies ahead. This is so on the economic front.... It may prove to be so on the environmental front -- that is what the argument over China's role in Copenhagen is about. 

It is increasingly so on the political-liberties front, as witness Vaclav Havel's denunciation of the recent 11-year prison sentence for the man who is in many ways his Chinese counterpart, Liu Xiaobo. And if... Google has... concluded that, in effect, it must break diplomatic relations with China because its policies are too repressive and intrusive to make peace with, that is a significant judgment. Everything in the paragraph above has the similarity of being based directly or indirectly on recent Chinese government decisions..."

Sem adjectivos...



Não me admiro nada. Aliás, algo de parecido tinha sucedido aquando do 11 de Setembro, e se não me engano, do Katrina. Embora, haja que reconhece-lo, este episódio tem requinte. Por esta e por outras, favoreço, dentro das religiões, aquelas com longa história, hierarquizadas, e onde a emissão de juízos doutrinais é monopolizada (há memes que devem ser regulamentados, canalizados, tutorizados, porque são perigosos quando manipulados por desmiolados), passe os impactos positivos que a Reforma teve - no entanto, tenho algum receio de que ainda não tenha terminado o pagamento desses benefícios. Bem, entendam isto como um desabafo irritado, e não party line. Os dois artigos devem ser lidos na totalidade.

Haiti - Salon.com: "One of the most callous reactions to the Haiti disaster thus far has come from televangelist Pat Robertson, who told viewers of his Christian Broadcasting Network on Wednesday morning that he knew the real reason for the quake: The country's long-standing pact with Satan."

Voltaire and Haiti | Andrew Brown | Comment is free | guardian.co.uk: "One of the consolations that any great natural disaster gives to the bystanders is the evidence that they were right all along about God. For atheists, it proves that he doesn't exist, and anyone who supposes he might is a loon and a moral criminal. For fundamentalists, likewise, it proves that they were right all along, and anyone who displeases him will come to a vile end. Anglicans, like John Sentamu, for the most part discover that God is extremely mysterious and confusing and anyone proposing to speak for him is probably wrong – but none the less righter than atheists. Within hours of the Haitian earthquake, all these reactions were on display, just as they had been after the Boxing Day tsunami. In this instance the most egregious fundamentalist and the quickest off his mark, was Pat Robertson, who blamed the whole thing on Voodoo."

Recessão a sério foi aquela - agora, em comparação, é a brincar...

Este artigo do FT é instrutivo a diversos títulos: lembra-nos que crise, mesmo crise, de consequências brutais, foi a que se sucedeu ao colapso abrupto, inesperado para os contemporâneos [por favor, tomem nota, do carácter inesperado, e da palavra colapso], do Império Romano do Ocidente, o período denominado de (alta) Idade Média; destaca as características em que o nosso mundo globalizado aprofunda aquelas que definiam o mundo mediterrâneo globalizado da altura (sofisticação e especialização); e conclui que, por isso mesmo, a haver uma crise da nossa civilização, as consequências fariam com que a (alta) Idade Média parecesse um picnic (sic) em comparação. Tenha-se em atenção que não se está a afirmar que a sofisticação, e a especialização, é que provocam a crise civilizacional, mas sim, se ela se verificar, elas potenciam o desastre, o colapso: "The more complex an economy is, the more fragile it is, and the more cataclysmic its disintegration can be". Mas, claro, só falar disso, é tremendismo, segundo o Pacheco Pereira.

Apetece-me, no quadro disto, não sei porquê [figura de retórica], citar uma citação feita num livro de Jared Diamond, The Third Chimpanzee, lido recentemente  (já aconselhara a leitura de outro livro dele - ora cá está -, o Colapso). A citação é de um senhor chamado Arthur Wichmann, que ao historiar os esforços de exploração da Nova Guiné, concluiu: " Nothing  Learned, and Everything Forgotten!", ou, de outra forma, como alguém disse, Churchill, penso eu: "Quem não aprende com os erros da história, tende a repeti-los".


E continua ... finalmente, em Janeiro

Ainda na limpeza de Dezembro - algumas sobre os EUA

Já o disse algures, neste blogue, após as presidenciais norte-americanas, que quanto a Obama, logo que conseguisse fazer passar a legislação sobre a eficiência energética, tudo estava bem para mim - não foi bem assim que disse, mas percebem a mensagem. O certo é que Obama, de lá para cá, desiludiu muito dos seus apoiantes à esquerda, nos EUA - cá, não sei: o politicamente correcto era, na altura, nos meios do PS, apoiar Obama. Eu, enquanto forte apoiante de Hillary Clinton não posso deixar de notar isso com alguma ironia, ao ler a nota de Krugman abaixo, não que eu tenha uma opinião definitiva sobre o Presidente: penso que o tribunal ainda não decidiu, e não ponho de parte a possibilidade, aliás, considerando a disfuncionalidade do sistema político norte-americano, que se venha a provar não haver outro modo de "levar a água ao moinho" lá.

O vídeo de Bill Moyers [para vê-lo, é necessário aceder ao local da referência] cruza com tudo isso, e em particular, a discussão substantiva a tal disfuncionalidade - é muito interessante. As duas últimas referências dizem respeito a um assunto curioso: de como uma dada estrutura de imposição fiscal, pelos incentivos que cria, poder vir a influenciar, positiva, ou negativamente, a longevidade dos idosos (seria divertido - daí o aproposito do vídeo dos Monty Python - se a questão não tivesse o potencial de não ser nada divertida para alguns dos implicados).

The WYSIWYG president - Paul Krugman Blog - NYTimes.com

Bill Moyers: Taibbi and Kuttner on Health Care Reform | The Big Picture



Stop, you’re killing me - Paul Krugman Blog - NYTimes.com

Hanging on | The Economist

13 de janeiro de 2010

Mais notícias do espaço


"Cassini captures Rhea and Saturn's rings" 
NASA/JPL/Space Science Institute

A equação de Drake foi a primeira formulação, em linguagem matemática, do problema de saber o número possível  de civilizações extra-solares, alienígenas, existentes na nossa galáxia. A equação teve o mérito de forma concisa - é uma qualidade associada, invariavelmente, à formulação matemática - inventariar as variáveis relevantes àquela estimativa. No entanto, aquando da sua formulação, grande parte dessas variáveis, não tinham associado qualquer valor âncora, pelo que os valores arbitrados eram, de todo, especulativos - por exemplo, na altura, nem havia comprovação da existência de planetas extra-solares. Daí para agora, houve progressos na delimitação dos valores possíveis de algumas variáveis: o mais recente avanço tem a ver com o número de sistemas solares, parecidos com o nosso, que existem "outdoor" - 10 a 15% dos sistemas solares são tipo "solar": é uma boa notícia como se comenta abaixo. Neste aspecto, os tempos que vivemos estão a ser magníficos. [para mais deste assunto, neste blogue, usar o motor de busca - em cima, à direita - para pesquisar "extra terrestre"]

More Saturn System Beauty from Cassini | Universe Today: [imagem acima tirada daqui].

How Common are Solar Systems Like Ours? | Universe Today: "On the whole, we'd like to think we're special, but we also hope we aren't alone in the Universe. Astronomers have been trying to figure out just how common solar systems like ours are across the cosmos, and during one moment of epiphany one scientist figured out how to make the calculations. It took a worldwide collaboration of astronomers to do the work, but they concluded that about 10 percent of stars in the universe host systems of planets like our own, with several gas giant planets in the outer part of the solar system"

Solar Systems Like Ours in the Minority| Centauri-Dreams: "And as Gould notes, given the number of stars in the galaxy, even narrowing the odds down to fifteen percent leaves several hundred million systems that could resemble ours. Nor should we assume that a system necessarily has to mimic our own for life to develop within it. Nonetheless, this is an intriguing result that reinforces our sense that extrasolar planetary systems come in a surprising variety, one we learn more about with every new detection." 

Astronomy Picture of the Day - 2010 January 13: A aranha e a mosca


The Spider and The Fly 
Credit & Copyright: Troy Tsounis 

Explanation: 
Bright clusters and nebulae abound in the ancient northern constellation of Auriga. The region includes the open star cluster M38, emission nebula IC 410 with Tadpoles, Auriga's own Flaming Star Nebula IC 405, and this interesting pair IC 417 (lower left) and NGC 1931. An imaginative eye toward the expansive IC 417 and diminutive NGC 1931 suggests a cosmic spider and fly. About 10,000 light-years distant, both represent young, open star clusters formed in interstellar clouds and still embedded in glowing hydrogen gas. For scale, the more compact NGC 1931 is about 10 light-years across."

Astronomy Picture of the Day, NASA (Archive, 2010 January 13)

Nota: Clicar na imagem para ter acesso a uma sua versão maior.