
agora, sobre as atribulações de um independente de esquerda nestes tempos da III República ...
14 de abril de 2008
O fim da idade do gelo!

A acompanhar: Climate Progress » Blog Archive » Breaking News: The Great Ice Age of 2008 is finally over — next stop Venus!: "A top NASA scientist just emailed me the breaking news: “The ice age expired!” Even more shocking — the rate of warming this year has been just about unprecedented in the historical record — even faster than Climate Progress had predicted just last month based on the NASA data from February (see here)."
Como o óbvio há muito de sarcasmo nesta nota - apesar de serem reais (e preocupantes) os factos referidos - e esse tom é a réplica a muito do anda a ser dito, mais recentemente, pelos denegacionistas do aquecimento global: fim do aquecimento global, etc., etc. (ver aqui). Como é óbvio, também, não será o que está a suceder nestes dois últimos meses, em termos de temperatura, só por si, que irá determinar uma inflexão (negativa) da tendência do longo prazo do aquecimento global.
Estado e economia: a percepção dos políticos
"Uma coincidência acidental dos últimos dias suscita uma reflexão sobre o que está a passar-se na economia portuguesa e sobre o modo como os políticos a vêem. Na sexta- feira da passada semana, o Jornal de Negócios publicou uma entrevista de fundo com António Borges, destacando como chamada de primeira página a afirmação de que “temos um regime dominado como o do dr. Salazar”, o que pretende sublinhar o carácter de economia comandada politicamente e o excesso de intervenção governamental. Na terça feira seguinte, numa audição no Parlamento, o secretário de Estado da Indústria, Castro Guerra, procurava explicar a um deputado do PCP (que o interpelava sobre a não intervenção do Governo no fecho de fábricas de empresas multinacionais) que a política económica se rege hoje em dia por princípios contratuais e que, por consequência, as decisões do Governo têm que respeitar os contratos firmados anteriormente, pelo actual governo ou por outros.
Desde há anos – sobretudo desde que aderimos à UE – que o problema de fundo da política económica portuguesa reside em fazer a transição entre um sistema de decisões arbitrárias do poder político, determinadas pelas conjunturas e reversíveis em função delas, e um outro em que o Estado passa de emissor de comandos, produtor de serviços e determinante na decisão de investimentos para, respectivamente, regulador, supervisor e parceiro contratual.
Um dos aspectos mais problemáticos dessa transição reside no facto de a dificuldade em a concretizar se dever actualmente mais aos grupos de interesses que beneficiavam do anterior sistema que ao próprio Estado. Este foi já obrigado a aceitar a mudança, por força do enquadramento externo e, mais directamente, porque atingiu os limites do endividamento, dos fundos estruturais e da capacidade competitiva assente em actividades pouco exigentes em qualificação. Aqueles, porém, mantêm, à direita, a aspiração ao controlo do poder político e, à esquerda, as ilusões de que os salários ou o emprego se decretam, de que a saúde é gratuita, etc.
Prosseguimos, por isso, um debate ideológico estéril, não por falta de justificação para diferentes opções nesse plano, mas porque se procura impô-las pela conquista do poder, único instrumento que, nos termos deste debate, permitiria atingir os fins desejados. Acontece, porém, que tal postura não se coaduna com a alternância a que a democracia inevitavelmente conduz e apenas leva a oportunismos políticos que fragilizam as instituições e o próprio poder.
Falta-nos, assim, discutir seriamente problemas actualmente candentes como o da eficiência dos serviços públicos ou do investimento, a par com o da distribuição mais equitativa do rendimento, que já não pode ser ignorado, mas que não pode ser resolvido, nem por decretos governamentais, nem pela distribuição de fundos provenientes do exterior, nem pelo princípio liberal de que ‘a rising tide lifts all boats’. O crescimento a curto prazo esconde, de facto, durante algum tempo, as iniquidades, mas só para as tornar mais evidentes quando, usando a mesma metáfora, a maré baixa. Discutir estes problemas supõe debater o papel do Estado, mas não na forma que o reduz à transferência da prestação de serviços públicos para o sector privado, financiados pelo Estado em termos idênticos aos actuais. A simples transferência de rendas entre grupos de interesses não só não garante ganhos de eficiência, como dela não resulta a possibilidade de ganhos fiscais.
A mudança do papel do Estado tem de torná-lo num regulador, supervisor e parceiro contratual eficaz, o que supõe competências, formas de organização e até mentalidades que nunca foram privilegiadas entre nós. Os confrontos em matéria de avaliação mostram a dificuldade do tema e revelam também a convergência entre a esquerda e a direita em recusar a mudança efectiva do papel do Estado, não obstante retóricas (nem sempre) opostas. A retórica, porém, nunca resolveu problemas. Também neste caso não o fará, sobretudo se tentar inverter os termos da questão, qualificando de “regime dominado” aquele que está a pôr termo ao domínio, aliás com uma resposta da sociedade e da economia muito mais positiva do que a que transparece do discurso político."
China: o início do ajustamento?
13 de abril de 2008
Vida e vida inteligente extra-terrestre
Físico português versus Einstein
O exemplo islandês
Educação em Portugal (XV)
O "mais ou menos" português ...
A aceitação do “mais ou menos” como norma, em lugar da busca da excelência, torna-se numa desvantagem competitiva quando a competição se decide pela qualidade.Entre nós estão ainda muito presentes e bem visíveis à nossa volta, as reminiscências desta cultura do “mal acabado” e da aceitação do mais ou menos. É vê-las, nomeadamente, nas obras de intervenção ou reparação do espaço urbano, seja nos montinhos desleixadamente deixados no final, seja nos pronunciados desnivelamentos dos remendos das estradas, ruas ou passeios, seja nos desalinhamentos dos desenhos das calçadas, etc.Estes desalinhamentos, então, são um testemunho exemplar desta cultura de mediocridade. Muitos dos passeios da capital são ornamentados com os testemunhos decorativos da chamada calçada à portuguesa. No meio dessas calçadas existem tampas de alçapões destinados às tubagens dos telefones, águas, electricidade, etc. Para se integrarem com a decoração do passeio de que fazem parte, foram essas tampas também cobertas de calçada e esta foi alinhada com a decoração envolvente. Pois de cada vez que há uma intervenção técnica que obriga à abertura desses alçapões, só por efeito do acaso, voltará a tampa a ser posicionada de forma a alinhar o seu desenho com o do passeio de que é parte. O resultado é mais um testemunho da marca cultural do subdesenvolvimento, à vista de todos, sobretudo dos estrangeiros que nos visitam. O esforço necessário para repor o equilíbrio inicial seria praticamente nulo. Só requeria um mero cuidado do olhar e algum brio no que se faz. Mas seria preciso, previamente, que quem faz essas intervenções não fosse culturalmente insensível à qualidade e não lhe bastasse o “mais ou menos”. Enquanto subsistir esta insuficiência cultural, a nossa produtividade terá mais dificuldade do que seria necessário em “dar o salto” que precisa para nos sustentar no patamar de consumo a que nos habituámos. Ao nível das empresas que competem no mercado internacional, essa transformação vai-se conseguindo com um apropriado sistema de incentivos. Mas nas actividades protegidas – que são muitas – uma tal insuficiência perdura mais demoradamente."
12 de abril de 2008
Al Gore: a nova intervenção
Al Gore fala sobre a crise do aquecimento global e do que tem de ser feito.
"In Al Gore's brand-new slideshow (premiering exclusively on TED.com), he presents evidence that the pace of climate change may be even worse than scientists were recently predicting, and challenges us to act with a sense of "generational mission" -- the kind of feeling that brought forth the civil rights movement -- to set it right. Gore's stirring presentation is followed by a brief Q&A in which he is asked for his verdict on the current political candidates' climate policies and on what role he himself might play in future. "
- ver em TED Talks Al Gore: New thinking on the climate crisis (video)
9 de abril de 2008
Infraestruturação: experiências diferentes
- "Admite-se que 3% de crescimento gera 7% de movimento de mercadorias suplementar. Os 11% de crescimento médio da China equivalem seguramente a aumentos globais de tráfego superiores a 20%, origem de diversos estrangulamentos nomeadamente entre zonas de produção e portos. Juntemos a esta situação quase 20 milhões de automóveis particulares, inexistentes há uma década, e podemos concluir que estamos perante uma situação, no mínimo, difícil.
A resposta das autoridades chinesas a esta questão, foi tentar resolver simultaneamente toda a problemática, construindo portos, aeroportos, pontes, estradas, caminho de ferro convencional e de alta velocidade.Actualmente cerca de 400 mil milhões de euros serão gastos na execução destas infra-estruturas até 2012. Este número, obtido através da agregação de diversos planos e projectos, é seguramente inferior à realidade, dada a multiplicidade de alíneas orçamentais, autoridades e organismos responsáveis, bem como a uma certa opacidade tradicional da administração chinesa. Esta soma de per si gigantesca, não inclui todo um conjunto de infra-estruturas menores como rodovias e ferrovias tradicionalmente da responsabilidade dos diversos níveis de administração como regiões, províncias e cidades, todas com competência na área económica. Estas infra-estruturas serão origem de novas zonas industriais e de logística que terão na economia chinesa um forte efeito multiplicador.
A modernização e construção de 70 mil kms de linhas férreas, o que tornará, nomeadamente via electrificação, a rede chinesa de mercadorias uma das mais eficazes do mundo, já hoje aliás é o caminho-de-ferro que transporta mais toneladas por km de via. Pequim e Xangai estarão em 2012 ligadas por uma linha de alta velocidade em que circularão comboios tipo TGV de tecnologia chinesa.Em termos de portos é de assinalar a mega-estrutura de Xangai - Ningbo, já hoje o primeiro porto do mundo, estando em construção por cima do Delta uma ponte de cerca de 30 kms que encurtará a distância entre estes dois portos em cerca de 120 kms, permitindo o ‘transhipment’ rápido de mercadorias. A rede de auto-estradas prevista, que atingirá os 60.000 Km estará pronta em 2010. A construção e modernização de vários aeroportos internacionais, cerca de 120, tornará a China, segundo algumas projecções, o primeiro mercado mundial de transporte aéreo em 2020. "
Enquanto isso, nos EUA, ver de FT.com / Comment & analysis / Comment - Infrastructure is America’s best investment um excerto:
- "The American people deserve railways as good as Europe’s, ports that work as efficiently as modern Asian port facilities and public schools that are not in ruins. The Economist reports that China will invest $200bn in its railways between 2006 and 2010 – the largest investment in railroad capacity by any country since the 19th century – in addition to having built 53,000km of expressways since the 1990s. It plans over the next 12 years to construct 300,000km of rural roads, as well as 97 new airports. Here, according to the Brookings Institution, congested roads, in 2005 alone, cost $78bn in lost productivity and higher freight charges. There will be some who will say we cannot afford to meet our infrastructure needs, that our budget deficits are too large and our borrowing is too great. The reality is we cannot afford not to do this. Every year we delay will cause additional deficits and losses in productivity and employment. One of the most basic accounting concepts is the difference between capital investments and operating expenses. It is true our operating deficit is excessive and possibly out of control, much of it because of the war in Iraq. But our capital investments are woefully inadequate. To compete in the global economy, improve our quality of life and raise our standard of living, we must rebuild public infrastructure. It is with urgency that our commission has called on members of Congress, from both sides of the aisle, to begin this process by approving the National Infrastructure Bank Act of 2007. We hope they will follow in the footsteps of great American leaders who adopted a fresh perspective on our national wealth and how to increase it."
E quanto ao futuro, qual será a infraestruturação necessária e com que efeitos: ver excerto da Open Left:: Economic Meltdown Politics: George Soros Suggests Carbon Reduction Investments:
- "In terms of further prescriptions, he thinks we need to minimize the downturn by seeking to limit foreclosures in the short-term. In the longer term, he believes that the American consumer will no longer be acting as the key driver of the global economy (the 'mortar'). The next driver of demand, or the next 'mortar' of the global economy, should be infrastructure investments necessary to reduce and reverse global warming. There's trillions of legacy infrastructure that needs to be overhauled, and that's the only way we're going to find a new global equilibrium."
Quadros do quotidiano local e económico nos EUA
"Interest rates are falling, the housing market is tumbling and the word 'recession' is on almost everybody's lips. But how do these national trends affect everyday lives? For the second year in a row, the Op-Ed Page asked four writers from around the country to provide quarterly snapshots of their local economies. Here are their final dispatches."
- Vejam em Home Economics - New York Times: - as quatro crónicas são comoventes, informativas e com lições para todos (se bem percebidas algumas).
Produção de proteínas animais: factos
- Produção de carne (frango, porco, vaca e outra) em 2006, 276 milhões de toneladas - 4 vezes mais do que em 1961; o dobro nos últimos 45 anos.
- Captura de peixe em 2005, 140 milhões de toneladas - 8 vezes mais do que em 1950; o quádruplo nos últimos 55 anos.
- "Industrial meat production and fish harvests have dropped the economic cost of animal proteins in recent decades. But much of that fiscal savings has come at the expense of the environment. Wastes are not captured and destroyed or recycled. They're allowed to run into the ground or waterways, degrading ecosystems all along the way. These are costs that are not captured in traditional accounting."
- Ver em Food for Thought: The Costs of Meat and Fish, Science News Online.
Comunicação social e democracia
"Considero sempre muito relevantes todas as iniciativas de monitorização do estado dos sistemas informativos. Afinal, a informação é o alimento da cidadania activa. E, vista a evolução tendencial dos sistemas informativos, progressivamente tabloidizados, a analítica torna-se cada vez mais necessária. Tanto mais que se trata de um espaço onde a liberdade se joga de forma decisiva e onde se constrói ou destrói o consenso para o poder. Mas trata-se também de uma esfera onde a regulação é extremamente difícil, sendo sempre mais desejável a promoção da auto-regulação do que a regulação através de instrumentos legais impositivos. Por outro lado, a informação, sendo um bem público, mas ao mesmo tempo um produto mercantil, sofre os efeitos de um poderoso espartilho que gera um “hibridismo” informativo pouco desejável. Ou seja, a informação sofre de um paradoxo parecido com o daquele “serviço público” que, de tão asséptico ser, não consegue atrair público. O “hibridismo” informativo, pelo contrário, de tanto público querer acaba por não conseguir produzir verdadeira informação. Na tensão interna do “hibridismo” informativo, a dimensão que acaba por se impor é a do tabloidismo, do sensacionalismo, do “interesse humano”, do “negativo”. O mundo tende a ser visto sempre na óptica do “negativo”. Porque é cognitivamente mais fácil e imediata e emocionalmente mais forte. Logo, capaz de atrair mais espectadores, leitores, consumidores. Recentemente, o maior diário português, o “CM”, ao noticiar a nova organização judiciária, que prevê a transformação das 231 comarcas em apenas 39 circunscrições judiciais, fez a seguinte manchete: “192 vilas e cidades perdem comarcas”. Trata-se, como é evidente, de uma opção noticiosa que valoriza o lado negativo da notícia, em detrimento do positivo (racionalização, flexibilidade e maior responsabilização na gestão do sistema). Por sua vez, o “Jornal de Negócios”, numa coluna onde hierarquizava (do mais baixo ao mais alto) o IVA em 25 países da UE, colocava Portugal em 19.º lugar, optando por pô-lo no fim de uma lista de 5 países com a mesma taxa de IVA de 20%. Se o pusesse no início da lista – e a legitimidade era a mesma - Portugal ficaria colocado em 15.º lugar. Também aqui, a opção foi pelo negativo. Esta opção pelo negativo tem raízes históricas e confunde-se com as próprias origens da informação política e social, sobretudo a partir do século XVIII. Só que se tratava de uma crítica negativa dos poderes ocultos (“arcana imperii”) e da ausência de liberdade de informação. Pelo contrário, hoje, a “ideologia do negativo” tem mais a ver com a interacção produtor/consumidor do que com a promoção das funções de cidadania. A categoria do “negativo” é a categoria mais transversal do tabloidismo porque atravessa todos os géneros informativos, da política à economia, ao “interesse humano”. Trata-se, cada vez mais, de uma luta pelas audiências e da “sobredeterminação” dos critérios informativos pelo princípio mercantil. Uma simples consulta aos números das vendas dos jornais e das revistas portuguesas dar-nos-á uma visão clara do que estou a dizer. É por tudo isto que considero não ser muito relevante proceder a contagens de tempos de uso de antena por parte deste ou daquele agente político ou social sem assumir como decisivos os critérios de uma informação que contribua para a promoção das verdadeiras funções de cidadania. Por exemplo, o critério da “relevância” pública da notícia. Porque este é um critério decisivo do ponto de vista substancial (relevo público), formal (princípio central do código ético) e processual (meio de selecção das notícias). E porque, além disso, é um critério interno ao próprio sistema operativo da informação. Ora a procura da proporcionalidade entre a consistência eleitoral e a exposição noticiosa surge também como sobreposição ilegítima de um critério externo aos critérios próprios do sistema informativo. Por isso, é minha convicção que a “Entidade Reguladora da Comunicação Social” deveria repensar o modelo de análise da informação política, recolocando-se na óptica legítima dos grandes princípios que integram o património genético da informação para a cidadania. Tão ilegítima é a “sobredeterminação” mercan-til quanto a “sobredeterminação” política da informação."
O peso e a importância das "instituições"
- Economics and the rule of law Order in the jungle Economist.com "Thick definitions treat the rule of law as the core of a just society. In this version, the concept is inextricably linked to liberty and democracy. Its adherents say a country can be spoken of as being ruled by law only if the state's power is constrained and if basic freedoms, such as those of speech and association, are guaranteed. The “declaration of Delhi” drawn up by the International Commission of Jurists in that city in 1959 followed this line in saying that the rule of law “should be employed to safeguard and advance the civil and political rights of the individual” and create “conditions under which his legitimate aspirations and dignity may be realised.” Among other proponents of a thick definition are Friedrich Hayek, an Austrian economist, and Cass Sunstein of the University of Chicago. In their view, the rule of law includes elements of political morality. One account of growth—associated with Douglass North of Washington University in St Louis, Missouri—is “institutional”. It focuses on the importance of property rights, transaction costs and economic organisation. On this view, stable, predictable laws encourage investment and growth. Thin definitions of the rule of law fit this well. The other—associated with Amartya Sen of Harvard—says that if you expand people's “capabilities” (Mr Sen's term), they will do things that help countries grow rich. Freeing people to take advantage of their capabilities usually means lifting the oppressive burden of the state and guaranteeing certain basic rights—a much thicker concept. But as a generalisation, the efforts of the past few years have thrown up mixed messages. They suggest the rule of law can be improved sharply; that rule-of-law reform is at root a political not a technical undertaking; and that it is linked to growth, if weakly in the short term. But they do not really bear out the assertion that the rule of law is an underlying prerequisite for growth. Rather, the more economists find out about the rule of law, the more desirable it seems—and the more problematic as a universal economic guide."
- Governação dinâmica - DiarioEconomico.com "As forças do mercado são a pedra de toque duma economia eficiente. Mas o desempenho económico do país é fortemente determinado pela qualidade da governação e das instituições públicas que apoiam o mercado. O deficiente funcionamento das instituições do sector público é um efectivo constrangimento ao crescimento. Daniel Kaufman, director da ‘Global Governance’ do Banco Mundial, considera que os países que melhoram a eficácia da sua governação, no longo prazo, triplicam o nível de vida da sua população em termos de rendimento ‘per capita’. O que falta então em Portugal para alcançar este desiderato? Bastará adoptar “boas práticas” de governação? Num ambiente de mudança permanente, não basta. Porque há boas práticas que simplesmente se tornaram disfuncionais e deixaram de ser as melhores direcções para o futuro. O Estado, para ser relevante e eficaz, tem de ser dinâmico, hoje mais do que nunca. A governação exige adaptação dinâmica e mudança inovadora. Não apenas ao nível do Governo e da Assembleia da República mas também ao nível do conjunto das instituições públicas. Necessário que se publique legislação inovadora. Mas é insuficiente. Quer a incipiência de uma cultura institucional de apoio à mudança quer a razoável ausência de capacidades organizacionais proactivas na administração pública constituem os mais poderosos obstáculos a um sistema de governação dinâmica. Não basta a liderança dos governantes, o seu esforço e carisma. Faz falta desenvolver capacidades nas organizações públicas para resolver problemas. Faz falta uma boa capacidade de gestão da mudança. Faz falta uma generalização maciça da aprendizagem contínua no Estado que leve à compreensão dos acontecimentos globais e regionais que afectam e afectarão Portugal. Faz falta mais abertura para adaptar o conhecimento global às especificidades do país. O sistema de governação precisa de se fundar num conjunto de valores e crenças partilhadas por todos os seus agentes. Ancorado numa cultura de integridade e incorruptibilidade. Focalizado nas pessoas e nos seus méritos e fazendo o melhor uso dos seus talentos. Racional, pragmático, orientado para os resultados. Eficiente, usando os mercados mas intervindo sempre que a equidade social fica em risco. ‘Think ahead’, ‘think again’, ‘think across’ são capacidades cognitivas essenciais a uma governação dinâmica que precisam de ser adquiridas e internalizadas nas estruturas e processos do Estado. ‘Thinking ahead’. Preparar o futuro. Consiste em dar conta das mudanças no ambiente físico, económico, social, antecipar os problemas, compreender o seu impacto futuro no país e pôr em prática políticas que permitam à população lidar eficazmente com as ameaças. Mas tirando também partido das oportunidades que possam surgir. Nos domínios da globalização económica, da segurança energética, das alterações climáticas, do ensino superior e da investigação, ou mesmo da escalada de preços nos produtos alimentares. ‘Thinking again’. Melhorar o desempenho. Boas políticas e programas que funcionaram bem no passado desactualizaram-se. É preciso pensar de novo sobre a sua relevância e em que medida respondem às necessidades da sociedade ou carecem de ser revistas a fim de alcançarem objectivos fundamentais. Os terrenos sensíveis da organização e das práticas da diplomacia oferecem matéria para reflexão. ‘Thinking across’. A economia baseada no conhecimento assenta numa constante recolha de informação, na investigação de ideias e de práticas úteis que se possam adaptar ao país. É tempo de atravessar todo o tipo de fronteiras e aprender com os outros. E incorporar essas percepções, reflexões e conhecimentos nas nossas crenças, políticas e estruturas. Tal como os países nórdicos, alguns países asiáticos são excelentes fontes de inspiração. Os principais ‘drivers’ do desenvolvimento destas capacidades de governação dinâmica são profissionais competentes que lideram as instituições que concebem e põem em prática políticas públicas e que agilizam os processos de renovação e de mudança organizacional do Estado. Haja clarividência para melhorar os critérios de recrutamento, selecção e compensação de administradores da coisa pública."
Pobreza e desigualdade
- Economist's View: Is Poverty Caused by Irrational Behavior?: "Is the poverty trap caused by a fundamental change in behavior once the number of problems an individual faces crosses some critical threshold?". Esta ligação The poverty trap Free exchange Economist.com discute a tese referenciado na outra ligação: "Well, maybe. It seems to me that this depends on how much money you're talking about and how poor the recipients are. If I'm reading Mr Karelis correctly, then the state could cut a poor individual a very large check, but if that money fails to eliminate a critical mass of problems, then there's no reason to suspect it will be used to solve any problems. In that situation, targeted programs, while involving a bureaucratic cost, will at least be sure to treat one or two of those bee stings. A no-strings-attached check that failed to do its job may well be used to finance the accumulation of more problems."
- Começar de novo - DiarioEconomico.com. Artigo de Pedro Adão e Silva. Quanto à prática gramsciana da direita norte-americana ver também aqui:
"Na verdade, a administração Bush é o canto do cisne de um longo movimento conservador que rompeu com o consenso promovido pelo republicano Eisenhower em torno do New Deal de F.D. Roosevelt. Partindo de uma pequena base, tornou-se na força política dominante nos últimos 30 anos, expandindo os seus princípios muito para além dos EUA e nunca se circunscrevendo à influência estritamente política.
Naquilo que, aliás, foi a melhor das apropriações do conceito de hegemonia de Gramsci, esta combinação de proselitismo político com messianismo ideológico e desregulação económica percebeu bem a importância do “combate cultural”, promovendo as suas ideias em revistas, ‘think tanks’ e, mais tarde, em ‘blogs’. Bush foi apenas um dos homens escolhidos para personificar este movimento.É por isso que se hoje o mundo não encontra solução viável para o problema criado no Iraque, se os mesmíssimos actores que “regularam” o sistema financeiro nas últimas décadas aparentam lavar as mãos do caos instalado em Wall Street, as causas para que assim seja devem ser buscadas não em George W. Bush, mas, sim, no movimento político que, desde os anos 60, tem como principal objectivo contrariar as conquistas do New Deal. A sugestão de Krugman é olhar de novo para o New Deal. Naturalmente que o que está em causa não é aplicar as soluções que funcionaram no passado, até porque quer a natureza das circunstâncias, quer a dos problemas sociais variou substancialmente.
O que importa é sublinhar que sociedades mais igualitárias, onde as classes médias são dominantes, não emergem automaticamente, através da acção natural do mercado. Pelo contrário, têm de ser criadas através da acção política. Essa é, ainda hoje, a principal lição do New Deal: as desigualdades na distribuição de rendimento não são o resultado de forças que não podemos controlar e o reformismo político é um poderoso antídoto para o fatalismo. Desse ponto de vista, nenhuma das dificuldades que hoje enfrentamos é superior às que os EUA enfrentavam nos anos 20.
E hoje, como no passado, o objectivo político principal de um movimento progressista deveria ser o combate às desigualdades. Um tema particularmente relevante em Portugal, onde, garantidas as liberdades políticas, a persistência de intoleráveis desigualdades de rendimento continua a ser a principal ameaça ao exercício da liberdade individual."
- Forget Juno. Out-of-wedlock births are a national catastrophe. - By Emily Yoffe - Slate Magazine. É uma discussão já antiga nos EUA - as consequências sócio-económicas dos casais mono-parentais:
"In the last 50 years, there has been an extraordinary decoupling of marriage and procreation. In 1960 about 5 percent of births were to unwed mothers; that figure is now a record high of nearly 40 percent. Out-of-wedlock births used to be such a source of shame that families tried to hide them: Singer Bobby Darin was born to a teen mother and raised to believe she was his sister. But now out-of-wedlock births are greeted with a shrug. Some say they're an understandable response to economic realities. Others say they're a liberating change from the shotgun-wedding ethic that shackled two unsuitable people together for life." "... Scholar Kay Hymowitz, author of Marriage and Caste in America: Separate and Unequal Families in a Post-Marital Age, turns the argument around and says it's not that harsh economic conditions lead to women having children without fathers, but that the decision to have children without fathers leads to harsh, and self-perpetuating, economic conditions. She explains that having the belief that a solid marriage is central to one's life—that it precedes starting a family—encourages women and men to make important choices based on self-discipline and deliberation. This is a formula "needed for upward mobility, qualities all the more important in a tough new knowledge economy."
- Open Left:: Neo-Darwinism in action: Gap in life expectancy widens: A expectativa de vida reflecte as diferenças de rendimento (como será em Portugal e no resto da Europa):
"In 1980-82, Dr. Singh said, people in the most affluent group could expect to live 2.8 years longer than people in the most deprived group (75.8 versus 73 years). By 1998-2000, the difference in life expectancy had increased to 4.5 years (79.2 versus 74.7 years), and it continues to grow, he said"
Modos de actuação em política
Qualquer dos artigos, referenciados nesta nota, de um modo ou outro, tem a ver com modos de actuação em política, e qualquer deles é instrutivo. O primeiro lida com o modo como se exerce a liderança; os outros, com o modo como alguns (políticos, jornalistas, polemistas...) podem manipular a discussão e a informação pública, recorrendo a falácias retóricas - o último desses dois artigos (o de Vitor Bento) refere-se à questão da avaliação dos professores, mas, no entanto, devido ao seu argumento, considerei que ficaria melhor arrumado nesta nota.
- FT.com / Comment & analysis / Comment - Joseph Nye: Good leadership is deciding how to decide: "... deciding how to decide is as important as making the final decision. What should be the composition of the group the leader turns to? What is the context of the decision? How will information be communicated and how much control does the leader maintain over the decision? A leader who gets any of these factors wrong may be decisive, but also decisively wrong. ...Without contextual intelligence, being a “decider” is not enough. Understanding context is crucial to effective leadership. Some situations call for autocratic decisions and some require the opposite. There is an infinite variety of contexts in which leaders have to operate, but it is particularly important for leaders to understand culture, the distribution of power, followers’ needs and demands, time urgency and information flows. Ronald Heifetz, the leadership theorist, argues that the first thing a leader needs to diagnose is whether the situation calls for technical and routine solutions or requires adaptive change. In the former case, the leader may want to clarify roles and norms, restore order and quickly provide a solution. In the latter case, the leader may want to let conflict emerge, challenge unproductive norms and roles and let the group feel external pressures so that it learns to master the adaptive challenge. This may require delaying decisions. Leaders are often tempted to decide quickly to reduce followers’ anxieties rather than to use these anxieties as a learning experience. This is a very different image of leadership from simply being “the decider”... Why do some leaders succeed in one context and fail in another? A common answer is “horses for courses”: some run better on a dry track and some in mud. ... Contextual intelligence is an intuitive skill that helps a leader align tactics with objectives to create smart strategies in new situations. It implies a capability to discern trends in the face of complexity as well as adaptability in trying to shape events. Bismarck once referred to this as the ability to intuit God’s movements in history and seize the hem of his garment as he sweeps by. More prosaically, like surfers, leaders with contextual intelligence have the judgment to adjust to new waves and ride them to success. Contextual intelligence allows leaders to adjust their style to the situation and their followers’ needs. It enables them to create flows of information that “educate their hunches”. It involves the broad political skill not only of sizing up group politics, but also of understanding the positions and strengths of various stakeholders so as to decide when and how to use transactional and inspirational skills. It is the self-made part of luck. In unstructured situations, it is often more difficult to ask the right questions than to get the right answer. Leaders with contextual intelligence are skilled at providing meaning by defining the problem that a group confronts. They understand the tension between the different values involved in an issue and how to balance the desirable with what is feasible. ... " Contextual intelligence consists partly of analytic capabilities and partly of tacit knowledge built up from experience, which tends to be expressed in rules of thumb. In some situations, such “street smarts” are much more important to success than “school smarts”. But as Hillary Clinton and Barack Obama, the two Democratic presidential rivals, have recently debated, in novel situations judgment is more important than experience. Contextual intelligence also requires emotional intelligence. Without sensitivity to the needs of others, pure cognitive analysis and long experience may prove insufficient for effective leadership. ... The best leaders are able to transfer their skills across contexts. ... Many leaders have a fixed repertoire of skills, which limit and condition their responses to new situations. To use an information age metaphor, they need to develop broader bandwidth and tune carefully for different situations. That set of skills is contextual intelligence. "
- Getting Duped: How the Media Messes with Your Mind: Scientific American: O artigo revisita a "falácia do homem de palha" e o "argumento do homem fraco": "One common method of spinning information is the so-called straw man argument. In this tactic, a person summarizes the opposition’s position inaccurately so as to weaken it and then refutes that inaccurate rendition" Recently, in a 2006 paper co-authored with Scott F. Aikin, one of us (Talisse) documented a twist on the straw man tactic. In what Talisse dubs a weak man argument, a person sets up the opposition’s weakest (or one of its weakest) arguments or proponents for attack, as opposed to misstating a rival’s position as the straw man argument does Trolling for TruthWeak man tactics are harder to detect than those of the straw man variety. Because straw man arguments are closely related to an opponent’s true position, a clever listener might be able to spot the truth amid the hyperbole, understatement or other corrupted version of that view. A weak man argument, however, is more opaque because it contains a grain of truth and often bears little similarity to the stronger arguments that should also be presented. Therefore, a listener has to know a lot more about the situation to imagine the information that a speaker or writer has cleverly disregarded. Nevertheless, an astute consumer of the news can catch many straw man and weak man fallacies by knowing how they work. Another strategy is to always consider a speaker’s or writer’s motivation or agenda and be especially alert for skewed statements of fact in editorials, television opinion shows, and the like. It is also wise to obtain news from more balanced news sources. An alternative approach is to try to construct, in your own mind, the best argument against what you have heard before accepting it as true. Or simply ask yourself: Why should I not believe this?"
- Uma outra avaliação - DiarioEconomico.com: "A minha leitura sobre a mobilização dos professores contra a avaliação é a seguinte.Uma parte dos professores não quer ser avaliada. Porém, a recusa da avaliação, só por si, não seria suficiente para uma contestação de larga escala. A sociedade teria pouca compreensão para com “a causa” e muitos professores teriam grande relutância em se lhe associar publicamente. Mas de entre os que se não importariam de ser avaliados, uma grande parte – talvez uma larga maioria – discorda do modelo que o Ministério pretende aplicar, considerando-o imperfeito e inadequado às particularidades que considera relevantes. Eu não conheço o modelo do Ministério, mas tenho a certeza de que é imperfeito e, provavelmente, mal adequado a muitas situações particulares. E tenho a certeza disso porque todos os modelos de avaliação que conheço – e já lidei com vários, como avaliado e avaliador – são imperfeitos, não conseguem captar todas as particularidades e não agradam a toda a gente. O do Ministério não seria uma excepção. Nas empresas, havendo autoridade e prevalecendo o pragmatismo, os modelos de avaliação vão sendo aplicados e, à medida que se aprende com a experiência, vão sendo melhorados. No Estado as coisas são mais complicadas porque há a política pelo meio e esta faz-se também através dos corpos do Estado e da deliberada mistura entre legítimas preocupações sindicais e a prossecução de projectos políticos puros e duros. Sobretudo por parte de quem há muito se apercebeu de que, num regime democrático, a incapacidade de obter poder pelo voto, pode ser compensada pelo controlo sindical daqueles corpos ou dos órgãos do Estado cujo poder é “autónomo” dos mecanismos democráticos. Neste caso, a inevitável imperfeição do modelo de avaliação do Ministério forneceu o “motivo” que os dirigentes sindicais souberam aproveitar, inteligentemente, para “unir as massas”. Os dirigentes sabem perfeitamente que um dos mais eficazes truques políticos para desfazer qualquer obra humana – imperfeita por natureza – é contrapor-lhe uma ideia de perfeição: não há obra que resista à comparação! Sabendo isso e sabendo que não seria possível organizar a contestação baseando-a apenas na recusa da avaliação, compreenderam que seria possível mobilizar praticamente toda a gente contra “aquele” modelo de avaliação, qualquer que fosse “aquele” modelo.Neste caso, mesmo os professores que recusam a avaliação poderiam facilmente converter-se à defesa de um indefinido modelo ideal, que ninguém sabe qual seria exactamente, mas cujo único objectivo é fundamentar a recusa de “aquele”. Em última instância, cada um poderia aceitar ser avaliado por um modelo que tivesse em conta as especificidades que melhor protegem a sua situação particular, sendo esse o “seu” modelo ideal. No limite, poderia haver tantos modelos ideais quantos os manifestantes. Mesmo não tendo nada de concreto a contrapor e não querendo assumir publicamente a recusa da avaliação, os dirigentes sabiam que a “plataforma unificadora” a favor de “uma outra avaliação” acabaria por tornar qualquer avaliação impossível: todos se disporiam a ser avaliados por um modelo ideal, mas não existindo concordância sobre o ideal, ninguém poderia ser avaliado!Como sair do imbróglio? Sendo a avaliação indispensável à gestão e ao auto-aperfeiçoamento, os professores abertos à avaliação têm que ser convencidos de que nunca haverá um modelo que contemple todas as particularidades individualmente consideradas relevantes, mas que cada modelo concreto pode sempre ser melhorado, através da razão e da experiência recolhida. E que as soluções aplicadas em cada momento são sempre compromissos pragmáticos entre os ideais de cada um e o que a realidade permite.Para isso são necessários canais de diálogo e negociação entre o Ministério e os professores. Os sindicatos têm estado demasiado associados a agendas políticas para servirem eficazmente este propósito. O principal desafio, de ambos os lados, será então encontrar os canais mais adequados para o efeito."
Conjuntura
A situação económica mundial continua a não ser clara. Enquanto o Presidente do FED fala, pela primeira vez, de recessão, em público, há quem afirme que o pior - no referente às perturbações nos mercados financeiros - terá já sido ultrapassado devido às medidas tomadas. Não sei - o mais prudente é considerar que não vimos tudo o que temos para ver nesta matéria.
Abaixo dou conta de um conjunto de artigos, de que fui tomando notícia, ao longo dos últimos dias. Com o número de artigos referenciados e com os trechos que escolhi, isto vai dar uma nota extensa - mas quis arrumar o blogue e os rascunhos, neste particular.
FT.com / Columnists / Martin Wolf - The prudent will have to pay for the profligate: Pedagógico e instrutivo: explana quais as restrições de campo com que a política económica tem de lidar nesta conjuntura e dá pistas sobre o que poderá suceder - o reaparecimento da inflação, em força nos EUA, é uma possibilidade:
"You have enjoyed a debt-financed spending spree. But times are now harder: you find it impossible to roll over your debt; you have to pay much higher interest rates than before; or you find that the value of the assets you pledged as collateral is now less than your loan. What can you do? Provided enough of you are in trouble, you call for help from the fairy government-mother. Thus, George Magnus of UBS, among the wisest analysts of this crisis, has already observed, with some approval, that the crisis “is spawning an array of well scripted but highly unconventional public policy responses” – that is to say, rescues of various kinds.* Over-indebted individuals have just three choices: reduce spending below income, sell assets they own to somebody else or, if the worst comes to the worst, default. But one person’s debt is another person’s asset, one person’s expenditure is another person’s income; one person’s sale is another person’s purchase and one person’s default is another person’s loss. If very many individuals reduce their spending, in order to pay down their debt, the economy slumps. If many try to sell assets they own, their prices crash. If many default on their debts, financial intermediaries implode. The economics of an entire economy are not the same as the economics of a single household. That was perhaps the most important point John Maynard Keynes made.
... Hélène Rey of the London Business School has demonstrated ... three ways in which markets have malfunctioned: via the originate-to-distribute model, with its weak incentives to assess loan quality and wide diffusion of assets of unknown quality; via the vicious spiral in credit default swaps, with rising prices forcing a higher cost of funds on banks, so worse credit standing and so forth; and, finally, via tumbling market valuation of assets, with distressed sales in thin markets lowering solvency and forcing further sales. Each drowning institution drags others down with it. The solution they all desire is for the government to act as lender of last resort against illiquid instruments and buyer of last resort of impaired ones. While the former activity has been known since the days of Walter Bagehot’s Lombard Street, the latter is an overt bail-out. But for the sector as a whole, any other way of reducing excessive liabilities is far too slow, collectively ruinous, or both.
Now consider a second crucial sector: US households. They have been spending more than their income for a decade. Indeed, this spending has been the single most important counterpart of the persistent US surplus on the capital account (or deficit on the current account). In the process, households have accumulated ever more debt. How might households seek to reduce their indebtedness, collectively? They can try to sell assets. But they can sell houses only to one another, which would not, in aggregate, help. They can sell equities to the rest of the world, but their prices might crash first. They can default. Indeed, many seem likely to do so. But that would damage the financial sector’s solvency and, through that, either the government’s balance sheet, via bail-outs, or the balance sheet of other households, via losses on financial assets. Finally, they can cut back on spending. But that would guarantee a recession, if not a slump.
In the fourth quarter of 2007, household savings were still as low as ever, at 2 per cent of GDP. Imagine that they rose swiftly back to where they were in the early 1990s. That would be an increase of 4 percentage points of GDP. The result would be a deep recession. It is no surprise, therefore, that politicians are trying to rescue the housing market, while the Federal Reserve has been slashing interest rates with vigour. In such predicaments, the government always emerges as the lender, borrower and spender of last resort. It will act by bailing out insolvent people and institutions, by either replacing or guaranteeing the lending activities of the private financial sector and, not least, by running larger fiscal deficits, as private-sector financial deficits shrink.
...A jump in public debt is an invisible increase in long-term private obligations. But this is socialised private debt: the prudent pay for the profligate. An escape from the public sector’s debt trap exists: the mass default known as inflation. By destroying the purchasing power of money, the government can engineer a speedy reduction in indebtedness across the economy, at the expense of creditors, principally the elderly and foreigners. Inflation is a magic tax on creditors whose proceeds are directly transferred to debtors. The bottom line is simple. Neither households nor the financial sector, as a whole, can de-leverage swiftly, other than via a calamitous mass default or by shifting their debt elsewhere, usually on to the government. For an entire economy, particularly a huge one, to recover from debt-addiction is hard. However much one may loathe the idea, a private-sector financial mania will finish up as public-sector pain.
- Is this recession another Great Depression? Salon: Interessante leitura, embora deprimente (nada que não se saiba já) - faz um paralelo entre a situação actual e o que aconteceu após 1929: "We have not seen a nationwide decline in housing like this since the Great Depression," said the CEO of Wells Fargo late last year. "It is now clear that the U.S. and global financial markets are experiencing their worst financial crisis since the Great Depression," wrote economist Nouriel Roubini last week."
"... But we could get there. In fact, it would be all too easy. All we have to do is ignore what the markets and other economic indicators are telling us right now and continue down the disastrous path we've been merrily skipping along for the last 25 or so years. Want to see "The Great Depression: The Sequel"? Here's a handy three-step do-it-yourself action plan: 1. Continue to ignore growing income inequality and govern the United States for the benefit of the rich at the expense of the many. 2. Continue to whittle away at the safety nets that exist to cushion Americans from economic ill winds. 3. Continue to weaken government oversight of Wall Street. "
- Primavera em Berlim - DiarioEconomico.com: Um artigo de Bruno Maçães. Refiro-o aqui devido ao que diz neste excerto, mas o artigo deve ser lido na totalidade. A posição da indústria alemã é muito significativa e cruza com a discussão da actuação do BCE (ver aqui):
"A segunda ideia está relacionado com a crise que atravessamos e, mais especificamente, com a pergunta que todos querem ver respondida. Será que a economia europeia vai sobreviver à recessão americana e à valorização do euro? Recentemente, uma delegação da indústria alemã exigiu, para surpresa geral, a manutenção das taxas de juro da zona euro ao nível actual, parecendo mais preocupada com o risco de inflação do que com a perda de competitividade das exportações. A verdade é que as exportações alemãs continuam a crescer, independentemente da valorização aguda do euro, e para muitos a explicação reside num facto tão simples quanto extraordinário: muitos dos bens produzidos neste país são tão superiores à concorrência internacional que podem ser vendidos a qualquer preço. Há outras explicações, menos benignas, indicando que o crescimento recente das exportações pode depender de tendências mais ou menos passageiras da economia global. A questão é crucial: se a especialização da economia alemã em bens e sectores orientados para a exportação se atenuar, a vantagem comparativa dos restantes países da zona euro noutros bens e sectores também tenderá a desaparecer."
FT.com / Columnists / Clive Crook - Financial markets need more than a patch-up: Ém um artigo que refere as posições dos candidatos presidenciais e historia a conjuntura financeira. Vale aqui pela conclusão:
"The right answer may well be it is all of the above: innovation run amok; privately rational but socially harmful risk-taking; and an extra measure of moral hazard (thanks to the Fed’s new procedures) now thrown in. Each has its own implications for the future supervision of financial markets – but in one respect they point the same way. Running repairs alone will not do. We need an entirely new model."
- The Regulation of the Mixed Economy in Action Grasping Reality with Both Hands: Economist Brad DeLong's Fair, Balanced, and Reality-Based Semi-Daily Journal: Muito, muito interessante - uma lição de história sobre o modo como o mercado financeiro britânico foi supervisionado pelo Banco de Inglaterra, com uma citação de Marx e Engel, e transcrição dos artigos referidos abaixo. Termina de forma exemplar (ver abaixo todo o último parágrafo):
"Both the highly-intelligent Martin Wolf and the highly-intelligent David Wessel, I think, overstate the importance of what has happened in financial markets this month. Both of them--very smart as they are--talk as if there has been a big shift: an end to laissez-faire in financial markets: as if the Federal Reserve's discretionary actions to try to stabilize markets mark 'the day the dream of global free-market capitalism died' or 'the time the U.S. government discarded a half-century of rules... [o]n the Richter scale of government activism, the government's recent actions don't (yet) register at FDR levels.... But something big just happened.'"
From my perspective, at least, there never was such an animal as laissez-faire in financial markets...
...Why, then, are Martin Wolf and David Wessel with their Krell-like brains surprised at the fact that the Federal Reserve is composed of men (and women) willing to "assume a grave responsibility for the purpose of meeting" a financial crisis? I think that they are surprised because they--at some level--drank the koolaid, breathed in the miasma, were deranged by the effluvia of the vast right-wing conspiracy--the "drown the government in the bathtub" types. The argument against progressive income taxation requires a claim that the rich don't need any help from government, and is fatally undermined by any admission that the rich stand to benefit from the safety net as much--nay, enormously more in dollar terms--than the poor. But, as Robert Peel would put it, in financial matters the question is never laissez-faire vs. regulation, but always good smart regulation vs. bad stupid regulation."
- The financial system What went wrong Economist.com: A ler:
"And what of all the clever and misused wizardry of modern finance? Mr Greenspan was half right. Financial engineering can indeed spread risk and help the system work better. Like junk bonds, reviled at the end of 1980s, securitisation will rebound, tamed and better understood—and smaller. That is financial progress. It is a pity that it comes at such a cost."
Crises sistémicas e padrões de regulação - DiarioEconomico.com: Artigo de Luís Silva Morais
"A grande questão na actual crise do sistema financeiro diz respeito à dimensão dos cenários de intervenção pública."
- Robert J. Samuelson - Hold the Hysteria (For Now) - washingtonpost.com: Cruza com o artigo da Salon.com referido acima: "The Great Depression doesn't settle the issue. True, massive bank failures converted an ordinary recession into a calamity; but it's also true that government policy -- excessive rigidity by the Federal Reserve -- actually aggravated the banking collapse. Still, economic conditions in the 1930s (average unemployment: 18 percent) were so different from today's that casual references to 'depression' amount to fear-mongering. If catastrophe strikes, it will probably result from something we don't now know or haven't yet imagined."
- Ponto de viragem - DiarioEconomico.com: Artigo de Miguel Castro Coelho:
"...No último dia 16 de Março, o sr. Alan Greenspan classificou a situação actual como “a pior crise financeira desde o final da segunda guerra mundial” e tornou públicas três reflexões paradoxais que importa a este respeito recordar. Primeiro, segundo o sr. Greenspan, todos aqueles que (como ele) confiam no interesse próprio das instituições financeiras para proteger os interesses dos accionistas têm razões para estar em estado de choque perante os antecedentes da crise actual. Contudo, o ilustre ex-presidente da Reserva Federal Americana apressa-se a notar que seria um erro abandonar o sistema de auto-regulação financeira enquanto mecanismo de equilíbrio fundamental do mercado financeiro global.Segundo, o problema essencial, na perspectiva do sr. Greenspan, reside nas limitações dos actuais modelos de avaliação de risco e previsão macroeconómica, que não incorporam um tratamento diferencial apropriado entre momentos de expansão/euforia e recessão/medo. No entanto, reconhece ao mesmo tempo que a maior parte dos comportamentos duvidosos nos mercados financeiros em períodos de expansão/euforia não são o resultado de ignorância ou má avaliação de risco mas da necessidade dos operadores participarem na corrente de euforia para não perderem quota de mercado. Também reconhece que um hipotético aumento da eficácia dos modelos de gestão de risco na identificação de episódios de euforia poderia, por si só, ter como efeito o seu prolongamento e ampliação.Terceiro, perante isto, conclui que num futuro rescaldo da crise é fundamental proteger a concorrência e flexibilidade dos mercados enquanto forma mais fiável de protecção contra falhas económicas cumulativas.
A conclusão do sr. Greenspan ilustra bem aquele que é o maior risco que esta crise pode reservar para o futuro: o risco de nada se aprender, nada se fazer, e reincidir nos mesmos erros. Limita-se a desviar o olhar dos problemas nos sistemas de incentivos que caracterizam as instituições financeiras modernas e da sua capacidade para gerar crises e tomar como refém o resto da economia.
...Ignorar a tendência das instituições financeiras modernas para gerar resultados avultados no curto prazo, sem reflectir adequadamente os riscos que criam no médio/longo prazos e a sua capacidade para, mais tarde, tomar o resto da economia como refém quando os riscos vêm à superfície tem tanto de ingénuo quanto de perigoso. Ingénuo porque roça o fundamentalismo de mercado. Perigoso porque o fundamentalismo de mercado normalmente paga-se caro.
- The limits of change Free exchange Economist.com: "Given the scope of the challenges waiting for a new administration, it seems likely that attitudes toward institutional reform and conduct may end up being more important than attitudes toward policy. For years, the process of creating policy at home and abroad has moved fitfully. Success for the next president may be best judged by how well he or she was able to lubricate the world's political machinery and create consensus, rather than how much of the party platform became."
- An Explanation for Soaring Commodity Prices vox - Research-based policy analysis and commentary from leading economists: "The standard story for high commodity prices is rapid growth by China, India and company. But world growth is slowing, while commodity prices still hit new highs. This column suggests that the key may be low real interest rates. ..."
- Comment is free: Crony capitalism: "Geologists say they learn the most from extreme events like earthquakes that reveal the reality of the earth's crust. For the past 25 years, critics of the Fed have been dismissed, and the Fed's high standing has blinded the reality of its revolving door with Wall Street and its class-based conduct of policy. Now, the Fed's response to Wall Street's panic has revealed the reality of its crony capitalist world. That provides an opening for long-needed reform."
- Grasping Reality with Both Hands: Economist Brad DeLong's Fair, Balanced, and Reality-Based Semi-Daily Journal: Pois é! "When it comes to risky behavior in the market, America has a double standard. We're told that economic risk-taking as the key to entrepreneurial success, but when big entrepreneurs take big risks that fail it's amazing how often they get bailed out. Indeed, the history of modern American business is littered with federal bailouts, loan guarantees, and no-questions-asked reorganizations. Some are well known, such as the Chrylser bailout of 1979, the savings and loan bailout of 1989, and the airline bailout of 2001. Most occur in the relative dark, such as the 1998 bailout of giant hedge fund Long-Term Capital Management (courtesy of former Fed chair Alan Greenspan), the not infrequent bailouts of under-funded corporate pension plans by the government's Pension Benefit Guarantee Corporation, price supports for big agribusinesses facing market downturns, or the current bailout of Wall Street being engineered by Ben Bernanke's Fed...."
8 de abril de 2008
Euro versus o dólar