13 de janeiro de 2009

Resiliência


Building Civilizational Resilience from Jeriaska on Vimeo.

A resiliência é um conceito que me é caro. Ele sustenta, estrutura, como um dos seus instrumentos mais importantes, a (urgente) reflexão estratégica do futuro dos Açores e de regiões com um perfil de problemas semelhantes - futuro, que no caso da Madeira, parece ter afloramentos em alguns dos aspectos da sua conjuntura económica (veja-se aquilo que Alberto João Jardim anunciou a esse respeito).




No vídeo acima, James Cascio enuncia os elementos que devem corporizar a operacionalização do conceito: diversidade, redundância, descentralização, transparência, colaboração, capacidade de encaixar o falhanço ("graceful failure"), eficiência ("marginal footprint"), flexibilidade, abertura, previdência e previsão ("foresight"). Quanto à ligação entre a questão da resiliência de um sistema e a incerteza, um excerto de outro trabalho (ler aqui):




"Systems and strategies of optimization can work only when conditions are certain -- and conditions rarely remain certain for long. Resilience, conversely, is an especially viable strategy for dealing with uncertainty, as it does not presume stasis."



O vídeo foi retirado daqui:
Open the Future: Uncertainty and Resilience, onde podem encontrar os "slides" usados na apresentação.

Sintomas do futuro que vem (em princípio) aí...

Os números falam por si:


"...The biggest and most technically clever firms are American and European, but their predominance in research, innovation and production is being challenged by Asian companies. A new report by the OECD puts hard figures on the extent of this steady shift. document.write(''); Every year around $1 trillion is spent on research and development (R&D) in computing, telecoms and electronics; America accounts for over one-third. But while corporate R&D in America and Europe grew by 1-2% between 2001 and 2006, in China it soared 23%. ..."
Para continuara a ler ir a Research and development in East Asia Rising in the East The Economist.
No entretanto, a situação em Portugal, melhorou substancialmente neste particular, segundo o que o Nicolau Santos, do Expresso, anuncia (ver aqui).

Leonardo da Vinci ou de como as coisas à mesa no século XV eram diferentes das de hoje

Leonardo da Vinci aconselhava assim, os seus convidados, sobre o modo de se portarem à mesa:

"ACERCA DO COMPORTAMENTO IMPRÓPRIO À MESA DO MEU AMO Há hábitos impróprios que um convidado à mesa do meu Amo não deve contrair, sendo o catálogo que se segue baseado nas observações que fiz daqueles que tomaram assento junto do meu Amo durante o ano que passou:

  • Convidado algum se deve sentar em cima da mesa, nem de costas voltadas para ela, nem ao colo de outro comensal.
  • Nem deve pôr as pernas em cima da mesa.
  • Nem se deve sentar debaixo da mesa por qualquer tempo que seja.
  • Não deve pôr a cabeça em cima do prato para comer.
  • Não deve tirar comida do prato do vizinho, sem primeiro lhe pedir autorização..."

Para ler o restante ir ao blogue Canibais e Reis. Este é, aliás, um blogue muito interessante, com imensa informação sobre questões da nutrição e saúde, que recomendo vivamente.

Quotas e a participação das mulheres na política

A pergunta "Can political affirmative action reduce gender bias?" é feita por economistas que publicam notícia da sua investigação na Vox. A resposta é afirmativa, e tem por base a situação na Índia. Podem ler aqui. Além das notas que indico ao fim, tinha-me pronunciado já, de modo extensivo sobre o assunto (aqui): a minha opinião porta-se bem face à evidência careada por esta investigação.




Algumas estatísticas:






















"... As of July 2006, women accounted for only 17% of parliamentarians worldwide, and a woman headed the government in only seven countries (UNICEF, 2007). These numbers vary dramatically by region. In 2004, the highest share of female parliamentarians was found in the Nordic countries (39.7%), while the lowest was in the Arab States (6%). ... today, there are only 18% of women in the national assembly in France. In contrast, Rwanda, where a 30% gender quota has been mandated since 2003, has just become the first country in 2008 where female parliamentarians make up the majority of the legislative assembly (ver aqui)..."



Ver, neste blogue, sobre a participação política das mulheres, aqui e aqui (existem mais notas sobre a situação mais geral das mulheres sob a etiqueta género).





12 de janeiro de 2009

O regresso a Marx

"A absurda ideia de que há um "regresso a Marx" Se ao menos o "regresso a Marx" se traduzisse numa leitura de Marx, um dos autores fundamentais da nossa contemporaneidade, ainda valia a pena. Não é isso que se passa, mas a deterioração acentuada do pensamento da chamada "esquerda independente" e das modas mediáticas. E disso Marx não tem culpa."
Lido em ABRUPTO. Nada a qualificar e devem lê-lo.

Portugal: um país esmagado pelo Estado?




Receita pública em percentagem do PIB, países da UE, Noruega e Islândia, 2007
Fonte: Eurostat (
link)




O blogue outubro frisa que a "a escolha real tem sido menos sobre o “peso do Estado” e mais sobre a qualidade desse “peso".






Portugal: país de doutores?





O blogue outubro lembra que não. O gráfico dá conta da taxa bruta de escolarização universitária.

Configurações institucionais

João Cardoso Rosas debate em Universidades e detalhes (DiarioEconomico.com) o modo como o trabalho é desenvolvido de modo diferente nas Universidades portugueses em relação às congéneres estrangeiras.

O artigo é interessante, mas aquilo que quero destacar é frase - já que pode ser parafraseada em relação a outras situações, que não as vividas nas Universidades - que aqui cito: "Aquilo que marca a diferença das melhores universidades a nível internacional tem pouco a ver com grandes configurações institucionais e muito mais com práticas e culturas diferenciadas. "

Uma das pechas portuguesas, é da importância que se dá ao institucional, em detrimento dos aspectos operacionais, confundindo-se depois (em termos de proposta ou de crítica) a teoria e a reflexão estratégica, com os aspectos mais estéreis daquela prática.

Aquecimento global: um mês de notícias

É um mês de notícias e de artigos relativos a diversos aspectos da problemática, que fui acumulando nas "mensagens não publicadas" do blogue. Tentei arrumá-las por epígrafes para tornar mais fácil a consulta - breves excertos quando o título não é suficientemente.
O que é que se retira deste acervo, em síntese? Está a acontecer; é muito preocupante; isso é claro, cada vez mais, para a maioria dos que não estão distraídos; existem boas, e nem tão boas notícias na área política.


PS (13.01.2008): Podem ver aqui uma intervenção do novo conselheiro científico de Obama: Holiday Homework: Watch This Mini-Lecture by Obama's Science Advisor SolveClimate.com.

11 de janeiro de 2009

Economia em tempos difíceis - discussão na Universidade dos Açores

A sessão promovida pela Ordem dos Economistas - à qual tenho de aderir um destes dias - promoveu uma sessão para discussão da conjuntura económica, contando com a presença dos Professores Campos e Cunha e Gualter Couto, e Dr. Gualter Furtado. Muito interessante, com a mensagem a ser (muito) preocupante, no que se refere à sustentabilidade das finanças públicas e a vulnerabilidade criada com o aumento progressivo do peso da dívida externa portuguesa.














Por uma questão de memória, alguns apontamentos do que foi dito:














  • Campos e Cunha factualizou a crise e referiu o perigo da sua "Japonização" - subalternização da solução da crise bancária; o recurso a sucessivos de pacotes de estímulos orçamentais sem efeitos de resolução sustentados na crise económica e na deflação (no entanto, Krugman defende que o problema foi uma resposta orçamental não atempada e sem a dimensão adequada ao problema: ver, por exemplo: Deficits and the Future; Media cite Japan's "lost decade" to criticize Obama's economic stimulus plan, but economists disagree).





    Apontou a situação orçamental portuguesa - mesmo antes dos pacotes - como tendo piorado em 2008 (neste blogue convirá reler, ou ler, esta nota, para recordar o que o Professor pensa sobre a resolução dos problemas orçamentais portugueses).





    Chamou a atenção para a divergência crescente entre os valores do PIB e do RN nacionais, resultante dos pagamentos líquidos ao exterior com origem no pagamento dos encargos de uma dívida externa em crescimento acelerado (no caso da Irlanda, a origem está no repatriamento dos lucros gerados pelo forte investimento externo verificado naquela economia ao longo das últimas décadas) e para a vulnerabilidade induzida por esse comportamento da dívida externa portuguesa - crescimento do spread da dívida; possibilidade de contágio de eventuais crises de crédito de países em piores situações do que a nossa (caso da Grécia).





    À luz disso (sustentabilidade das finanças públicas, gestão da evolução da dívida externa) e da necessidade de dar resposta à crise, articulou as suas recomendações:





    Reduções de impostos, a acontecerem, só de forma limitada e cirurgica (estava a falar do país, mas, de novo, aproveito para relembrar que no caso dos Açores as razões para não haver desagravamento fiscal são ainda mais ponderosas);





    Privilegiar, em termos de despesa e investimento público, as pequenas obras, disseminadas por todo o país - controlo dos primeiros efeitos do multiplicador; (não me recordo se referiu a rapidez desses efeitos: - neste momento, nos EUA, discute-se se essa rapidez é determinante em todo o caso:Is the Implementation Lag for Infrastructure Investment a Problem?).
    A sua posição em relação aos grandes investimentos públicos ( Campos e Cunha it´s not dead) reiterou-a: ou são capazes de gerarem um fluxo positivo de rendimento (líquido do pagamento do seu investimento e dos custos do seu funcionamento) ou não devem ser concretizados (daí a necessidade dos famigerados estudos custo-benefício, que afirmou não existirem). Oposição feroz aos TGV, às auto-estradas - aceitação (relutante) do investimento nas barragens: referiu que investimento na via férrea de alta-velocidade asseguraria o aproveitamento dos fundos comunitários (a contrário do que foi mencionado aqui), e que, em qualquer caso, esses só cobririam 30% do investimento, ficando sempre de pé a necessidade de se verificar aquele fluxo líquido de rendimento (em que não acredita).



    Em suma, tudo - além da esfera privada da economia, a gestão orçamental, o investimento público, a resposta à crise, - desemboca, directa ou indirectamente, na conformação da evolução da dívida externa (a economia portuguesa não consegue gerar um nível suficiente de poupança que cubra as necessidades de financiamento da despesa agregada, pública e privada, portuguesa). Isso não significa que não se tenha de acudir ao que é mais premente - a resposta à crise assente na política orçamental -, mas que, aquilo que tenha de ser feito, o seja da forma mais eficiente possível - obter o máximo de resultados (eficácia) para um dado nível de recursos.









  • As outras duas intervenções centraram-se nos Açores (ambas úteis e interessantes): Gualter Furtado descreveu a situação do sector bancário dos Açores como sendo de inspirar confiança; não percebi o que quis dizer sobre o despesismo que vai por este mundo fora, no contexto actual: (crítica à dimensão dos pacotes orçamentais de estímulo?); e gostaria que tivesse concretizado o que queria insinuar quanto ao haver regiões em muita pior situação do que os Açores (embora, desconfie de quem estava a falar - não tenho é os "hard facts").


    Aquilo que Gualter Couto fez foi desmontar a eficácia, e nalguns casos, a correcção ("moral hazard") das medidas anunciadas pelo Governo à crise (à "soi-disant" turbulência). Afigura-se-me correctas as suas observações, e em relação a uma delas (a intervenção do governo regional no mercado imobiliário), eu próprio já a assumira como (totalmente) incompreensível (para pôr as coisas de modo suave), e isso também sustentado no que é dito neste artigo da Telos (terceiro parágrafo): Le mirage de la relance ciblée (devem ler o artigo todo):

    "L’argent va aux promoteurs immobiliers. Avant que les concurrents n’aient compris ce qui allait arriver, ils ont obtenu que l’Etat rachète les logements récemment construits mais pas encore vendus, et donc invendables pour l’instant... [ler o resto no link indicado imediatamente acima]"
    Não creio que a regulamentação, pelo menos desta medida, remende o pecado original da sua concepção.

PS (12.01.09): Esqueci-me de mencionar a posição de Campos e Cunha sobre as PPP (Parcerias Públicas Privadas): é (minha interpretação) de desconfiança - penso que referiu serem mais uma modalidade de bolha especulativa -, com resultados não seguros, não sendo certo o resultado final para as finanças públicas. A Alemanha não recorreu às PPP.

PS (II): A-propósito da Japonização, estímulos orçamentais, recuperação bancária, ler esta opinião de Krugman, What to Do, na The New York Review of Books. Alguns excertos:

  • "Now, the United States tried a fiscal stimulus in early 2008; .... The actual results were, however, disappointing, for two reasons. First, the stimulus was too small, accounting for only about 1 percent of GDP. .... Second, most of the money in the first package took the form of tax rebates, many of which were saved rather than spent. The next plan should focus on sustaining and expanding government spending—sustaining it by providing aid to state and local governments, expanding it with spending on roads, bridges, and other forms of infrastructure."
    "The usual objection to public spending as a form of economic stimulus is that it takes too long to get going—that by the time the boost to demand arrives, the slump is over. That doesn't seem to be a major worry now, however: it's very hard to see any quick economic recovery, unless some unexpected new bubble arises to replace the housing bubble."
    "... As long as public spending is pushed along with reasonable speed, it should arrive in plenty of time to help—and it has two great advantages over tax breaks. On one side, the money would actually be spent; on the other, something of value (e.g., bridges that don't fall down) would be created. Some readers may object that providing a fiscal stimulus through public works spending is what Japan did in the 1990s—and it is. Even in Japan, however, public spending probably prevented a weak economy from plunging into an actual depression. There are, moreover, reasons to believe that stimulus through public spending would work better in the United States, if done promptly, than it did in Japan. For one thing, we aren't yet stuck in the trap of deflationary expectations that Japan fell into after years of insufficiently forceful policies. And Japan waited far too long to recapitalize its banking system, a mistake we hopefully won't repeat."
























10 de janeiro de 2009

Astronomy Picture of the Day - 10 de Janeiro: Por-de-sol Marciano



Martian Sunset Credit: Mars Exploration Rover Mission, Texas A&M, Cornell, JPL, NASA







Explanation: This month, the Mars Exploration Rovers are celebrating their 5th anniversary of operations on the surface of the Red Planet. The serene sunset view, part of their extensive legacy of images from the martian surface, was recorded by the Spirit rover on May 19, 2005. Colors in the image have been slightly exaggerated but would likely be apparent to a human explorer's eye. Of course, fine martian dust particles suspended in the thin atmosphere lend the sky a reddish color, but the dust also scatters blue light in the forward direction, creating a bluish sky glow near the setting Sun. The Sun is setting behind the Gusev crater rim wall some 80 kilometers (50 miles) in the distance. Because Mars is farther away, the Sun is less bright and only about two thirds the size seen from planet Earth.


- visto em Astronomy Picture of the Day, NASA (Arquivo, 10 de Janeiro de 2008)

9 de janeiro de 2009

Entrevista ao Açoriano Oriental (I)

Ante-ontem fui entrevistado pelo João Alberto Medeiros, do Açoriano Oriental, a-propósito da passagem dos 10 anos da criação da União Económica e Monetária (UEM). Para mim, foi agradável falar, publicamente, de novo, sobre o Euro.



Aquilo que disse, reflecte a minha percepção do assunto como economista e aquilo que tenho vindo a ler sobre o assunto. A minha intervenção no Portugal Direct, há algum tempo atrás, (mas que continua pertinente no que respeita aos factos aí inventariados), incidiu sobre a mesma temática: o modo como a UEM, e o Euro que a integra, se tem comportado face à muito séria conjuntura económica e financeira actual(ver aqui). Por outro lado, já vão em muitas notas as referências neste blogue ao "Euro versus conjuntura" (ver: aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e haveriam mais a indicar).




Aproveitando o balanço, e de modo a disciplinar as idéias (e a informação), tentaria dar um enquadramento mais fundamentado àquilo que defendi naquela entrevista:








  1. É possível ser uma pequena economia aberta, muito dependente do exterior (comércio, investimento, financiamento); pertencer a um espaço económico como a União Europeia - onde prevalece um regime de livre circulação de bens, pessoas e capitais (e integração dos mercados) - e não estar sujeita à protecção de uma divisa forte, e a um regime de disciplina (relativamente mais apertado) da política orçamental, tal como o que a União Económica e Monetária faculta e obriga?
    A conjuntura responde com um rotundo não!
    Isso por diversos motivos. Os capitais movimentam-se determinados pelos diferenciais de remuneração existentes em diferentes localizações, com essas diferenças a serem originadas em situações e políticas económicas particulares. A pertença a espaços económicos como a União Europeia, ou a Área Económica Europeia facilitam esses movimentos. Esses movimentos facilmente tornam-se destabilizadores para economias naquelas circunstâncias, ou porque acomodam comportamentos orçamentais irresponsáveis (Hungria), ou induzem apostas financeiras arriscadas (Islândia). Mesmo pequenas economias abertas, de comportamento virtuoso, em termos da política orçamental e da sua política monetária própria (Dinamarca), que conseguiram até a convergência nominal e real com as economias líderes europeias, em situações de grande stress financeiro mundial, não conseguem assegurar a credibilidade suficiente face aos mercados para contrariar movimentos cambiais especulativos - aliás, discute-se se países da dimensão do Reino Unido não estarão, também, na mesma situação.
    Portugal, não tendo aderido ao Euro, não teria beneficiado dos ganhos de credibilidade que possibilitaram a convergência do encargo da sua dívida pública para níveis próximos da dívida pública alemã - dando lugar a folga orçamental considerável (os milhões que Cavaco, em tempo, referiu que tinham sido malbaratados - note-se que Cavaco nunca descriminou os items dessa lista ...); Portugal teria vivido com taxas de inflação - de novo a questão da falta da credibilidade - e de juros muito mais altas (todos os que se queixam dos arredondamentos provocados, alegadamente, pelo Euro - isentando o mau funcionamento dos mercados e a falta da concorrência -, teriam pago tudo - dos nabos e das couves na praça, até aos empréstimos hipotecários - muito mais caro); finalmente, sem o pacto de crescimento e convergência, potenciar-se-ia as possibilidades de maiores disparates (e agora com consequências piores) na condução da política económica portuguesa.
    Nesta conjuntura, pode-se afirmar, que em qualquer cenário previsível, estarmos fora da UEM, seria muito mau - ou, se quiserem, estaríamos sempre muito pior, numa situação de crise profunda.
  2. Uma consequência importante de pertencermos à UEM, é ficar arredada a possibilidade de sermos sujeitos a uma crise cambial: depois do 25 de Abril, as crises macroeconómicas em Portugal - desiquilíbrios orçamentais (défices), monetários (inflação) e económicos, traduzindo-se em perdas de competitividade face ao exterior, e logo em dificuldades no financiamento dos défices da Balança de Transacções Correntes (BTC) -, desembocaram sempre em desvalorizações da nossa divisa.
    Com o Euro deixou de haver possibilidade de sermos confrontados com problemas cambiais - embora, o haver défices na BTC, com o a contrapartida do crescimento da dívida externa, tem outro tipo de consequências, mais dilatadas no tempo, mas também de cariz preocupante. Como o diz, Martin Wolf, do Financial Times, deixou de ser possível crises cambiais, mas continuam a ser possíveis crises de crédito.
    Mas, antes de discutir isso, vincar um outro aspecto: o Euro evita as crises cambiais, mas impossibilita a utilização das desvalorizações competitivas, que são, há que admiti-lo, um instrumento de política económica com características muito apelativas: no que diz respeito à recuperação da competitividade externa, é eficaz e é de efeito rápido. Tem contudo contra-indicações: sem o acompanhamento adequado da política económica (evitando que seja necessário o seu recurso recorrente), cria incentivos a que não se atente aos aspectos estruturais daquela competitividade; torna-se viciante, e irá alimentar, a breve prazo, a inflação. Seria óptimo tê-lo à mão para uma situação de real aperto - o Reino Unido está a utilizá-lo neste momento - mas para Portugal, o que se perde em termos de conveniência, pela impossibilidade da sua utilização, ganha-se em termos do acesso a um novo quadro de incentivos para a sua política económica.

(continua)

Dunas em Marte


8 de janeiro de 2009

Um exemplo de como responder aos apertos da conjuntura com soluções para problemas estruturais

"In his big economic speech today at George Mason University, Obama pledged to jumpstart job creation and long-term growth by:
  • Doubling the production of alternative energy in the next three years.
  • Modernizing more than 75% of federal buildings and improve the energy efficiency of two million American homes, saving consumers and taxpayers billions on our energy bills."

Lido em Climate Progress » Blog Archive » Obama: “We will double the production of alternative energy in the next three years”.

O plano de Obama abrange um leque diversificado de objectivos, além dos aqui referenciados, mas estes são particularmente exemplares: não só porque articulam, como os outros, a resposta à conjuntura desfavorável com soluções para problemas estruturais, mas também porque são direccionados, quer para a alteração da composição da oferta energética, quer para a sua procura.

Como já o referi antes: não é preciso inventar a pólvora - tal seria óptimo, mas não contemos com isso; basta estarmos atentos ao que os outros estão a fazer. Tenho a certeza que é o que irá suceder nos Açores:
  • Por isso, teremos o Governo da Região, em breve, a anunciar, por exemplo: um estudo sobre a eficiência energética do parque imobiliária público e o que se pode esperar em termos de objectivos, de meios e de prazos para essa intervenção; as Câmara Municipais (e as oposições locais) a assumir a importância da temática, a discuti-a e, desde logo, assegurando que irá assumir uma visibilidade destacada nas eleições autarquicas, em termos de propostas - recuso-me a admitir que não se fale, e bem, disto, nessa altura.
    E muito mais se pode fazer no que respeita à articulação destas preocupações, com a defesa neste momento do emprego na construção civil na Região, e com as condições do crescimento da economia açoriana no futuro.

PS: Como um exemplo do que se pode fazer (do que se deve fazer - adaptado ao nosso clima. etc.) vejam aqui: Was that hell freezing over? Gristmill: The environmental news blog Grist.

5 de janeiro de 2009

Entrevista de Sócrates na SIC

Muito Bem! E ainda bem que temos Sócrates como Primeiro-Ministro, principalmente, neste momento - não quero com isto significar, no entanto, que Portugal consiga passar incólume a uma crise, de que não se conhece, nem a sua configuração, nem o seu momento final.




Algumas notas:








  • Ter em atenção todas as notas que abri no blogue hoje (foi por acaso). Enquadram bem aquilo que disse Sócrates sobre a crise;








  • Explicou bem a sua observação quanto ao bem-estar dos portugueses em 2009 (penso que falei sobre isso neste blogue mas, se falei, falei demais face à evidência que tinha);






  • Interessante a resposta sobre a dívida externa e a sua ligação à dependência e eficiência energéticas. Mais interessante teria sido (para mim; não para os objectivos políticos que prosseguiu na entrevista) que falasse de como se pode contrariar a determinante estrutural desse endividamento.





  • Verdadeira a afirmação sobre a situação do País no campo das energias renováveis e o reflexo disso no exterior (ver, por exemplo, aqui). E significativo também, é aquilo que um só Governo consegue, em três anos, nessa matéria, quando o Primeiro-Ministro não é um iletrado no assunto.





  • A grande vergonha da democracia portuguesa foi, efectivamente, deixar que a educação chegasse aonde chegou - onde chegou é documentado pela OCDE nas seus relatórios sobre a Educação (Education at glance).







  • Não sei se o PS irá ter maioria absoluta; tenho a certeza, contudo, se não o tiver, que será mau para Portugal - e isso explica, em última instância, a posição de Sócrates quanto ao Estatuto dos Açores (ou ainda não perceberam?).

PS: A crónica de hoje de Correia de Campos, sobre a mensagem do Presidente, serve de contraponto ao que acima se diz: ver em A suave mensagem Económico.

Privatização da Segurança Social? Perguntem aos Italianos!

Pergunta Krugman: "What would have happened if George W. Bush had actually succeeded in his plan to privatize Social Security? Ask the Italians." Leiam o resto em A bullet dodged - Paul Krugman Blog - NYTimes.com.

Miguel Sousa Tavares, numa crónica para o Expresso, do último fim-de-semana (3 de Janeiro), "2009: o ano de todos os perigos", de que gostei em grande parte: - o papel das corporações, etc. - refere o que fez Vieira da Silva, que bem atacado foi, nesta matéria - para os mais distraídos, à direita: a solução italiana era a proposta pelo PSD; à esquerda, a não ter sido feita a reforma, não haveriam pensões no médio prazo. Refere também a entrevista de Eduardo Barroso ao "Sol" onde este "explica de forma arrasadora como é que as reformas tentadas pelo ex-ministro da Saúde, Correia de Campos, eram essenciais para melhorar o serviço e conter gastos. E como é que elas foram derrotadas "por pressão da rua e da imprensa"". E mais não digo - irrita-me, às vezes, bater no ceguinho!

Uma citação de Jared Diamond

Já referi aqui a publicação do "Colapso", de Jared Diamond, em português. Uma recomendação de leitura que torno a fazer - a minha filha, aluna do 12.º, está a lê-lo, está a gostar e recomenda também.

The Big Picture faz um comentário e cita uma frase do livro, no quadro de tudo o que se está a passar - e apesar de tudo o que se estar a passar, não primar pela bondade, a minha grande preocupação, ainda está para lá, muito para lá (uma, duas, três décadas...?) desta conjuntura económica:

  • "Why do societies fail? With lessons from the Norse of Iron Age Greenland, deforested Easter Island and present-day Montana, Jared Diamond talks about the signs that collapse is near, and how — if we see it in time — we can prevent it.
    Note that he mentions the conflict of interests — when Elites “insulate themselves from the consequences of their decisions, advancing their own short term interests against the interests of overall society.”

Lido em Jared Diamond: Why Societies Collapse The Big Picture.

PS: O link referido acima tem também o vídeo TED, com Jared Diamond, que já tinha apontado aqui.

Mais sobre o desagravamento fiscal...

Mais sobre a utilidade de utilizar o desagravamento fiscal como instrumento de combate à crise. Como é claro, estamos a falar dos EUA, e não dos Açores. Mas, penso, que o argumento contra o desagravamento fiscal aqui é muito mais forte do que nos EUA (ver, por exemplo, esta nota). Vale a pena ler a nota de Krugman por outros motivos - aquilo que refere sobre o comportamento dos Republicanos face a uma proposta Democrata de corte nos impostos, reproduz aquilo que já se passou cá, e que se tornará a passar, por parte, respectivamente, do PSD e do PS.

"Let’s lay out the basics here. Other things equal, public investment is a much better way to provide economic stimulus than tax cuts, for two reasons. First, if the government spends money, that money is spent, helping support demand, whereas tax cuts may be largely saved. So public investment offers more bang for the buck. Second, public investment leaves something of value behind when the stimulus is over."
Ler o resto em Is Obama relying too much on tax cuts? - Paul Krugman Blog - NYTimes.com.

No entretanto, na economia...

A coluna de hoje, no NYT, de Krugman, começa assim:

“If we don’t act swiftly and boldly,” declared President-elect Barack Obama in his latest weekly address, “we could see a much deeper economic downturn that could lead to double-digit unemployment.” If you ask me, he was understating the case.


The fact is that recent economic numbers have been terrifying, not just in the United States but around the world. Manufacturing, in particular, is plunging everywhere. Banks aren’t lending; businesses and consumers aren’t spending. Let’s not mince words: This looks an awful lot like the beginning of a second Great Depression..."

PS(II): E ainda esta nota (muito interessante): Grasping Reality: Martin Wolf Puts It Better than Anyone Else I Have Seen.
PS(III): Nouriel Roubini diz que o pior ainda está para vir: Bloomberg.com: News.

Recados a propósito da crise

Esta nota em outubro» Arquivo » Portugal: um programa para o futuro, a propósito das medidas de combate à crise tem uma aplicação evidente, também, na Região. A nota deve ser lida na totalidade: abaixo dois excertos para induzir a leitura:


"... Neste sentido e para que as medidas tomadas [contra a crise] tenham ainda mais eficácia é importante analisar duas questões essenciais: a primeira tem a ver com a necessidade de pensar o país em termos de futuro (e não só no curto prazo) e aproveitar esta oportunidade para articular todas as medidas no quadro de um modelo de desenvolvimento estratégico do país que o prepare para os desafios deste século; a segunda tem a ver com a percepção das limitações e riscos dalgumas medidas para se maximizar o seu efeito útil..."



"... O país deve ter um plano estratégico que o projecte para daqui a 30 anos e tem de organizar-se em torno de cluster produtores de riqueza que potenciem os serviços (69% do PIB) e a indústria (26% do PIB). Na área da energia é preciso não esquecer o enorme potencial de um cluster virado para o mar, explorando os recursos da Zona Económica Exclusiva, incluindo as regiões autónomas, corporizando um novo conceito de Portugal como país-arquipélago. É preciso não esquecer a reorganização das cidades, convertendo-as em plataformas de serviços e tecnologias que as tornem competitivas e sustentáveis do ponto de vista ambiental e energético. É preciso rever o planeamento urbano à luz do desempenho energético e da eficiência energética e de um novo paradigma de transportes que favoreça o transporte público e a primazia da acessibilidade aos lugares de trabalho e lazer em detrimento da mobilidade (que não é um objectivo em si)..."

Lá e cá...?

Vital Moreira vinca em Causa Nossa que a Alemanha acaba de anunciar um novo pacote de medidas para a crise, muito semelhante ao português: investimentos em infra-estruturas, etc.

Aliás - a-propósito de investimentos em infra-estruturas, em particular, do investimento no TGV - convirá ler no Expresso, desta última semana (Economia, p. 22), uma opinião de Manuel Tao, especialista na área da Economia dos Transportes, que constata ser Portugal "uma exótica excepção na Europa [já que é] onde os empresários estão contra o TGV" - (no entanto, até que me expliquem melhor, continuo com dúvidas sobre o TGV Lisboa-Porto, embora o artigo comece por referir uma ligação de 55 kms entre Madrid e Valladolid! - no entretanto [continuando a referir-me ao mesmo], se abandonassemos o projecto TGV, de modo a preservar a saúde financeira do País, isso implicaria a devolução a Bruxelas de centenas de milhões de euros).
PS: Sobre a decisão alemã ver também Besser, danke Free exchange Economist.com.

2 de janeiro de 2009

A questão da Edge para 2009

A questão colocada pela Edge, este ano, a um leque alargado de cientistas e intelectuais foi:

"What game-changing scientific ideas and developments do you expect to live to
see?"

Vejam as respostas em The World Question Center 2009.

Eu prevejo para 2009... (diz o FT)


Uma carta a Obama

A letter to Obama Environment guardian.co.uk de Anniek e James Hansen. Algumas das recomendações não são consensuais, mas a análise, e o sublinhar da urgência em resolver o problema, isso são-o: "There is a profound disconnect between actions that policy circles are considering and what the science demands for preservation of the planet."

1 de janeiro de 2009

Idiotice pura

Primeiro, sou uma pessoa bem-educada; segundo, ainda não consegui ter a pachorra para falar do Estatuto - mas não posso deixar de qualificar, desde já, a tese de Pedro Lomba sobre o cerne da tomada de posição do PS nacional quanto ao Estatuto dos Açores, como idiotice pura.

A antevisão de Mário Soares

Vital Moreira diz:

"Se as pespectivas para 2009 não são favoráveis (especialmene em matéria de emprego), convém no entanto não exagerar nas cores negras. Em matéria económica e social as previsões pessimistas correm o risco de se tornarem self-fulfilling prophecies."

De acordo. Ler a nota completa em Causa Nossa.

Aquecimento global - as notícias mais importantes de 2008















A escolha é do Climate Progress, Climate Progress » Blog Archive » The top 10 global warming stories of 2008, e para mim é uma forma eficiente de despachar um conjunto grande de links, que tinha vindo a coligir para o blogue [... só algumas das notícias seleccionadas; para ver a lista completa ir à notícia original:]




















  1. "Team Without Rivals. A year ago, the head of the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), Rajendra Pachauri, desperately warned, “If there’s no action before 2012, that’s too late. What we do in the next two to three years will determine our future. This is the defining moment.” That means the next president and his cabinet, more than any other group, will determine my future and your future and our children’s future, and perhaps the future of the next 50 generations to walk the earth. Fortunately, the American people rejected the old greenwasher and new denier nominated by the Drill, baby, Drill crowd — and now we will be led by the greenest, most scientifically informed, radical pragmatists in the history of the Republic:




    Obama: “The science is beyond dispute… Delay is no longer an option. Denial is no longer an acceptable response.”
    / Top 5 reasons Chu is a great energy pick — #1: “It’s not guaranteed we have a solution for coal” ;/ For NOAA head, Obama appoints yet another scientist who gets climate;/ Obama’s strongest message on climate yet: John Holdren to be named Science Adviser."















  2. "Gas Pains.
    As
    NOAA reported, levels of methane rose sharply in 2007 for the first time since 1998. Methane is a far more potent greenhouse gas than carbon dioxide, especially over the near term. And the tundra has as much carbon locked away in it as the atmosphere contains today. Scientific analysis suggests the rise in 2007 methane levels came from Arctic wetlands. The tundra melting is probably the most worrisome of all the climate-carbon-cycle amplifying feedbacks — and it could easily take us to the unmitigated catastrophe of 1000 ppm. Though you should also worry that the methane might be coming the underwater permafrost, which is also thawing and releasing methane. Or from the drying of the Northern peatlands (bogs, moors, and mires). If methane rises again in 2008 — and NASA reported another brutally hot year for the Siberian tundra — then that will probably be among the top three global warming stories of 2008."

























  3. "The rise of sea level rise: 1 to 2 meters is the new 1 to 2 feet. This year saw major sea level rise reemerge as one of the biggest threats facing humanity this century from unrestricted greenhouse gas emissions (along with desertification). In 2007, the IPCC had advanced a lowball estimate that explicitly ignored the single most important likely contributor to sea level rise this century — “future rapid dynamical changes in ice flow.” That estimate, embraced (and misrepresented) by delayers like Bjorn Lomborg to argue that climate change was no big thing, was based primarily on data and analysis from before 2006. With all the actual melting ice, with the ice sheets appear to be shrinking “100 years ahead of [the IPCC] schedule,” it’s no surprise that 2008 saw so many top climate scientists reject the IPCC estimate and warn of far greater rise in the decades to come:




    US Geological Survey stunner: Sea-level rise in 2100 will likely “substantially exceed” IPCC projections; /Startling new sea level rise research: “Most likely” 0.8 to 2.0 meters by 2100; /Sea levels may rise 5 feet by 2100 ; /Report from AGU meeting: One meter sea level rise by 2100 “very likely” even if warming stops?"















  4. "Clean coal ain’t. This was the year Bush and the coal companies mismanaged and underfunded the country’s centerpiece carbon capture and storage (CCS) program, ‘Nevergen’, to death. Most other countries abandoned or slowed down their CCS efforts, while many independent analysts began to express serious skepticism that CCS would be a practical, affordable, and scalable strategy (see “Is coal with carbon capture and storage a core climate solution?“). The industry, however, began a well-funded advertising effort to sell clean coal, with marketing that bordered on Onion-esque self-parody. But a major environmental disaster revealed better than any ad campaign that coal is the dirties of fuels. And the EPA Environmental Appeals Board stopped new coal plants cold by, amazingly enough, realizing that when the Supreme Court ruled carbon dioxide was a pollutant and EPA needed to start regulating it under the Clean Air Act, they meant it — though the Bush administration tried to reversed that ruling and Congress is trying to reverse that reversal."















  5. "350 is the new 450. Led by the nation’s top climate scientist, James Hansen, a number of leading scientists argued that the “old” target scientists have been arguing for — stabilizing atmospheric concentrations of carbon dioxide at 450 ppm — isn’t enough: Stabilize at 350 ppm or risk ice-free planet, warn NASA, Yale, Sheffield, Versailles, Boston et al. In December, America’s leading spokesman for climate action, Al Gore, embraced the 350 ppm target."















  6. "Clean tech shines. While the rest of the financial system melts down, cleantech venture investment hit a record $2.6B in the third quarter. Is that a lot of money? Well, of that $2.6B, some $1.7B went to U.S. companies, which is about three times the comparable annual R&D budget in the Energy Department office I once ran, the Energy Efficiency and Renewable Energy (EERE) program, which did — and still does — the bulk of the federal government clean tech funding. And VCs like Kleiner Perkins ramped up funding while the Bush administration gutted some of the most important research and deployment EERE had.





    Some key clean technologies really began to shine in 2008, including perhaps the most important low-carbon energy source, solar thermal baseload, and the most important alternative fuel vehicle, electric cars and plug in hybrids. It should now be clear that all the technology we need to stabilize at 450 ppm (or lower) is here or will be in a few years (see “McKinsey 2008 Research in Review: Stabilizing at 450 ppm has a net cost near zero”)."

























  7. "Conservatives go all in on climate denial and delay. While the grim implications of the science and observational data discussed above have become painfully obvious to everyone else, conservatives simply refuse to accept reality. For instance, even though a very warm 2008 makes this the hottest decade in recorded history by far — and even though 2008 was about 0.1°C warmer than the decade of the 1990s as a whole (even with a La-Niña-fueled cool winter) for some deniers, “2008 was the year man-made global warming was disproved.” Seriously.





    The entire conservative movement, including pundits, think tanks, and politicians, now appears willing to stake the future of humanity on their willful ignorance.





    Virtually every conservative in the Senate voted against the Boxer-Lieberman-Warner climate bill even though that bill was inadequate to stopping catastrophic warming. James Sensenbrenner (R-WI) believes a cap & trade bill will return GOP to power “in 2010″. Grover Norquist asserts that calls to take global warming more seriously will be “cheerfully ignored“. 64% of GOP voters say global warming denier Palin is their top choice for 2012, “Several prominent party officials said they believe the GOP’s message is fundamentally sound when it comes to energy policy, pointing to that issue as one of the few political bright spots in recent years.




    The Heritage Foundation even opposes energy efficiency.





    The American Enterprise Institute is still
    crazy with denial and delay after all these years.





    The Cato Institute believes
    adaptation is cheaper than mitigation.





    Columns by Charles Krauthammer and George Will and John Tierney have become science-free zones that demand more climate research while inveighing against all serious climate action and against all non-nuclear clean tech.





    That’s why
    the deniers are winning, especially with GOP voters or rather only with GOP voters.





    If the Obama climate dream team is going to lead the nation and the world into a World War II scale effort to save humanity from self-destruction, they will be waging a difficult two-front war — against the ever-accelerating reality of climate change itself and against the immovable unreality of “
    anti-science conservatives.”




A-propósito...(IV)

Esta nota, Change: hard Gristmill: The environmental news blog Grist, comenta as dificuldades - objectivas e subjectivas - em promover mudanças, nomeadamente, no que se refere à eficiência energética. Mas, aquilo que é dito, tem implicações mais latas e em mais de um domínio (aliás, são apresentados nela exemplos disso: na economia, nas empresas..), que não podem ser esquecidas.

Fica aqui como referência.