O artigo do Expresso, que transcrevo abaixo, vem confirmar a desconfiança que tenho sobre a relevância, ou o enviesamento do assunto.O facto de não gostar da pinta do novo presidente do CCB - eu sei, eu sei da qualidade intelectual do senhor, dos poemas, das traduções... -, e do modo que substituiu o anterior, não têm nada a ver com esta minha posição. Não percebo nada do assunto, mas fui influenciado de modo determinante por um livro velho que o meu pai tinha na sua biblioteca - publicado por volta do início da segunda década do século XX - onde se discutia a polémica do, à altura, novo acordo ortográfico (como relato na outra nota). A pepineira do tratamento dado à matéria, que tem paralelo com o que se passa agora, vacinou-me para sempre sobre a importância a dar à questão.
Na linha das declarações de muita gente, venho frisar que eu, a contrário, sigo o novo acordo ortográfico; e que se por acaso, naquilo que escrevo aparecer a grafia anterior é porque estou a cometer um erro de ortografia, ou porque estou a confundir a grafia barsileira com a portuguesa definidas pelo novo acordo: exemplo, facto continua a escrever-se facto e outras coisas quejandas...
Dedicado a Vasco Graça Moura e a todos os opositores do Acordo Ortográfico
A minha adesão pessoal ao Acordo Ortográfico (AO) tem a ver simultaneamente com confiança e humildade. Confio na sabedoria de quem o fez (não na sua infalibilidade) e sou suficientemente humilde para reconhecer que muitos aspetos que dizem respeito à etimologia e à fonética, tais como outros menos relevantes para este caso, me escapam. Além da confiança e respeito por nomes como Lindley Cintra ou António Houaiss, de que não vejo muita gente comungar, mas antes desprezar, dediquei eu próprio algum tempo ao assunto. E, uma vez que faço da escrita a minha profissão há mais de 30 anos, penso ter algo a dizer.
Rodrigues Lapa, que foi um mestre da língua portuguesa, filólogo distinto, sustinha que as mudanças de ortografia eram sempre violentas. Esta asserção é hoje inteiramente justificada pela quantidade de pessoas que apenas se opõem ao Acordo 'porque sim' - sem quaisquer argumentos.
A verdade é que ninguém se conforma, depois de ter sido obrigado a pôr um p em ótimo, agora lhe dizerem que afinal esse p (no qual nunca encontrou utilidade) não faz falta. Há quem argumente com esse pai tirano, o latim, e com a etimologia da palavra optimus. A palavra sem o p perderá a identidade. Alguns enxofram-se e dizem que lhes matamos o português! Mas qual português, Santo Deus (ou melhor diria Sancto Deus?). O português do assucar ou do açúcar? O de Viseu ou Vizeu?























