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| "Did humans evolve from earlier species?" Science, 2006 |
agora, sobre as atribulações de um independente de esquerda nestes tempos da III República ...
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1 de dezembro de 2011
7 de julho de 2011
Lições do Norte
Tem piada e faz uma boa leitura. Porque razão os suecos tem o sucesso que têm? O trecho transcrito abaixo termina a peça; é apresentado como aperitivo para uma leitura completa que, depois, permita listar as diferenças....
Here are my top ten tips to make your world a little more Swedish:1. Work hard every day you work, be modest, and don’t look for shortcuts.
2. Prioritize your private life, and refuse to compromise it away for work. If you need to, trade a higher salary for more time off.
3. Tell uncomfortable truths, and skip the jargon.
4. Always innovate. If it has been done before, do it differently or don’t do it at all.
5. Collaborate, and give credit where credit is due.
6. If you’ve got that sweet corner office, turn it into your team’s project room and move your desk back out onto the floor.
7. Keep structures and titles as flat as possible. You may need your title on occasion, but don’t take it too seriously or use it as a wall.
8. Promote the doctrine that everyone contributes ideas.
9. Kill your darlings for the good of the project.
10. Cultivate a culture of responsibility with freedom. Let people know that they’re allowed to fail, and don’t punish honest failure.
4 de julho de 2011
Desigualdade versus disfuncionalidades sociais
Clicar para aceder a uma versão maior.
Leitura do artigo recomendada - aliás, o Blogue Understanding Society deveria ser de acompanhamento obrigatório. Obviamente ter em atenção o posicionamento de Portugal
Leitura do artigo recomendada - aliás, o Blogue Understanding Society deveria ser de acompanhamento obrigatório. Obviamente ter em atenção o posicionamento de Portugal
25 de março de 2011
Educação
A situação portuguesa, em particular, no que respeita à educação vista pelo WSJ, via The Portuguese Economy:
"– Enviado através da Barra de ferramentas do Google"
23 de fevereiro de 2010
Pais, filhos, e mobilidade social
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Social mobility: Rising sons | The Economist via The Irish Economy » Blog Archive » Social Mobility
15 de fevereiro de 2010
Sem comentário
- Quadrennial Defense Review Should Spark Interagency Climate Conversation « Climate Progress: "The Center for American Progress recently argued that Northwest Africa is a region to watch in regard to climate and its impact on security and policy, both for the United States and the European Union. The outlook in the region is particularly worrisome according to Blair: “The effects of climate change in North Africa are likely to exacerbate existing threats to the region’s water and food resources, economies, urban infrastructure, and sociopolitical systems. Cities probably will face deteriorating living conditions, high unemployment, and frequent civil unrest. Climatic stress coupled with socioeconomic crises and ineffective state responses could generate localized social or governmental collapses and humanitarian crises. Climate change will likely increase the already substantial migration of North Africans to Europe. The region also will serve as a route for transmigration if Sub-Saharan Africans flee severe climatic stress.” A recent report by the Potomac Institute for Policy Studies also concludes that transit migration through the Maghreb—Morocco, Algeria, Tunisia, Libya, and Mauritania—to other locations contributes to the destabilization of Northern African societies. This instability in turn provides an operating environment for the rapidly growing regional branch of Al Qaeda, which operates in Algeria, Morocco, Tunisia, Libya, Mauritania, Mali, Chad, and Niger. “From their low point following 9/11, terrorist incidents in the Maghreb and Sahel have climbed to a staggering 204 in 2009, a new high level of intensity. This escalation represents a 558 percent increase in terrorist operations that have killed more than 1,500 people and wounded 6,000 others,” writes Yonah Alexander in the report."
12 de fevereiro de 2010
País: que dizer?
Um antigo gestor da Intel dizia que nos fazia sempre falta um bocado de paranóia. Ora, acontece que por vezes conhecemos os avisos, estamos de acordo, intelectualmente, com eles, mas não somos capazes de os interiorizar - eu, que o diga. Além de ser necessário um bocado de paranóia, ela tem de ser aplicada com inteligência - temos de escolher bem os nossos inimigos. Aí residem as minhas perplexidades com Sócrates.
A minha primeira perplexidade - perplexidade, digamos, de método - é: então, não sabia ele que estava a ser marcado passo a passo, e que não podia ter deslizes; que tinha de se resguardar; que neste país continua a não se poder falar, livremente, nem com os amigos, nem com a mãezinha, ao telefone. Sócrates se queria fazer coisas, das que são feitas pela calada [abaixo comento isso], não deveria utilizar o telemóvel, e ter cuidado com as coisas ditas em espaços públicos: tão simples como isso!
Mas, por outro lado, sobrou-lhe o sentimento no que respeita à comunicação social: - ora, ninguém desta poderia ter sido promovida a inimiga oficial do PM, independentemente, do nível de correcção, de verdade, de adequação intelectual, da honestidade, das pessoas em causa. Do ponto de vista de estratégia e táctica política, ninguém, nem mesmo aquela senhora da TVI - isso foi uma tontice [e sê-lo-ia mesmo no caso impensável que estivesse a denunciar faltas efectivas de Sócrates]. O PM, como político, não tem direito a estados de alma - pode utilizá-los só na medida em que eles estão estritamente instrumentalizados à prossecução de objectivos (políticos) bem pensados - não foi esse o caso, e se foi, é inconcebível o erro. A comunicação social que temos é, como muitas coisas, um dado do contexto, insusceptível de ser alterado no curto e médio prazo, e particularmente, recorrendo a meios que, muito correctamente, são assacadas, (ou deveriam sê-lo), pela esquerda democrática ao grande perigo que ameaça o sector - a saber, a sua captura pelos interesses corporativos e económicos, que privilegiam os sectores políticos que defendam a sua agenda. Se o PM acredita que é isso que está a acontecer, não conduziu o combate da melhor maneira, ou então, na ausência de armas e de exército (o partido: "o novo príncipe"; o trabalho político com os cidadãos; o trabalho político a longo prazo) deveria ter-se remetido, ao nível desse sector, à defensiva, e aguentar-se - aguentar estoicamente, e estar sempre à alerta, faz parte dos requisitos do ofício.
Sócrates não actuou bem a nível da condução política (e pessoal) do seu relacionamento com a comunicação social.
No entretanto, e por demais, se fez o que os outros afirmam que fez (para mim não está [ainda] adquirido que isso tenha acontecido - veja-se as notas da Causa Nossa abaixo) esteve mal ao nível do que deveria ser o perfil de actuação de um político da esquerda democrática. Os erros dos outros - estou convencido nesse particular que a matéria é, no mínimo, tão séria como a de que o PM é acusado - não autorizam e justificam os nossos. Isso é uma questão de inteligência e de ética, o que significa que a má prática, mesmo que ignorada, é inadmissível - tem sempre efeitos subliminares que se ramificam e potenciam. Já o disse: o confronto pelo poder dentro do PSD, alimentado pelo perigo sentido por alguns de uma sua possível irrelevância futura, produziu miasmas e externalidades negativas sobre a democracia portuguesa - tudo aquilo que tem sido visto nos últimos anos criou em muitos a sensação do jogo estar viciado, de ausência de "fair play", e de se estar a tentar, desesperadamente, ganhá-lo na secretaria. O preço que a democracia portuguesa irá pagar ainda disso, ver-se-á. Mas, mesmo aceitando isso, nada justifica o resto, e esse resto começa a azedar.
Abaixo, algumas leituras sobre o momento:
A minha primeira perplexidade - perplexidade, digamos, de método - é: então, não sabia ele que estava a ser marcado passo a passo, e que não podia ter deslizes; que tinha de se resguardar; que neste país continua a não se poder falar, livremente, nem com os amigos, nem com a mãezinha, ao telefone. Sócrates se queria fazer coisas, das que são feitas pela calada [abaixo comento isso], não deveria utilizar o telemóvel, e ter cuidado com as coisas ditas em espaços públicos: tão simples como isso!
Mas, por outro lado, sobrou-lhe o sentimento no que respeita à comunicação social: - ora, ninguém desta poderia ter sido promovida a inimiga oficial do PM, independentemente, do nível de correcção, de verdade, de adequação intelectual, da honestidade, das pessoas em causa. Do ponto de vista de estratégia e táctica política, ninguém, nem mesmo aquela senhora da TVI - isso foi uma tontice [e sê-lo-ia mesmo no caso impensável que estivesse a denunciar faltas efectivas de Sócrates]. O PM, como político, não tem direito a estados de alma - pode utilizá-los só na medida em que eles estão estritamente instrumentalizados à prossecução de objectivos (políticos) bem pensados - não foi esse o caso, e se foi, é inconcebível o erro. A comunicação social que temos é, como muitas coisas, um dado do contexto, insusceptível de ser alterado no curto e médio prazo, e particularmente, recorrendo a meios que, muito correctamente, são assacadas, (ou deveriam sê-lo), pela esquerda democrática ao grande perigo que ameaça o sector - a saber, a sua captura pelos interesses corporativos e económicos, que privilegiam os sectores políticos que defendam a sua agenda. Se o PM acredita que é isso que está a acontecer, não conduziu o combate da melhor maneira, ou então, na ausência de armas e de exército (o partido: "o novo príncipe"; o trabalho político com os cidadãos; o trabalho político a longo prazo) deveria ter-se remetido, ao nível desse sector, à defensiva, e aguentar-se - aguentar estoicamente, e estar sempre à alerta, faz parte dos requisitos do ofício.
Sócrates não actuou bem a nível da condução política (e pessoal) do seu relacionamento com a comunicação social.
No entretanto, e por demais, se fez o que os outros afirmam que fez (para mim não está [ainda] adquirido que isso tenha acontecido - veja-se as notas da Causa Nossa abaixo) esteve mal ao nível do que deveria ser o perfil de actuação de um político da esquerda democrática. Os erros dos outros - estou convencido nesse particular que a matéria é, no mínimo, tão séria como a de que o PM é acusado - não autorizam e justificam os nossos. Isso é uma questão de inteligência e de ética, o que significa que a má prática, mesmo que ignorada, é inadmissível - tem sempre efeitos subliminares que se ramificam e potenciam. Já o disse: o confronto pelo poder dentro do PSD, alimentado pelo perigo sentido por alguns de uma sua possível irrelevância futura, produziu miasmas e externalidades negativas sobre a democracia portuguesa - tudo aquilo que tem sido visto nos últimos anos criou em muitos a sensação do jogo estar viciado, de ausência de "fair play", e de se estar a tentar, desesperadamente, ganhá-lo na secretaria. O preço que a democracia portuguesa irá pagar ainda disso, ver-se-á. Mas, mesmo aceitando isso, nada justifica o resto, e esse resto começa a azedar.
Abaixo, algumas leituras sobre o momento:
- Causa Nossa: "Mas ao maleável Dr. Rangel, dá-lhe conforme sopra o vento: já com a presidência do seu Partido em disputa, no dia 29 de Outubro de 2009, foi avistado na RTP1 a fazer juras solenes - 'Eu digo aqui, peremptoriamente, que não estou nessa corrida [para a Presidência do PSD]' e acrescentou que 'não faria sentido, neste momento, que eu me candidatasse à liderança deixando o Parlamento Europeu. Eu acho que os eleitores não compreenderiam isso, seria um mau sinal dado à democracia.'"
- Causa Nossa: "Sim, e também penso que o Estado de Direito não está de boa saúde em Portugal. Quando os media divulgam reiteradamente matérias em segredo de justiça ou quando tripudiam sobre a reserva das comunicações privadas, transcrevendo abundantemente escutas telefónicas sem nenhuma relevância criminal -- ainda por cima ilegais --, e quando tudo se passa impunemente, apesar de em ambos os casos tais actos constituírem crime, é caso realmente para temer pelo Estado de Direito entre nós."
- Causa Nossa: "A imaginação fértil de um agente local do Ministério Público conseguiu ver numas conversas telefónicas (aliás ilegalmente registadas) um execrando plano de controlo de uma estação de televisão por parte do primeiro-ministro, apesar de ele nem sequer participar em tais conversas. O seu libelo acusatório foi, porém revogado pelo PGR, que não viu nas tais conversas nenhum indício dessa natureza. Apesar disso, foi a versão conspirativa que vingou nos media e no debate político para julgar e condenar Sócrates, como se verdade adquirida se tratasse. Como nos tempos da Inquisição vieram depois exigir do antecipadamente condenado que prove a sua inocência...."
PS: Isto está, definitivamente, a azedar, e não melhora se o fez por encomenda:
Causa Nossa:
"Eu não sei quem é esse tal Rui Pedro Soares, o boy sem cv que aos 32
anos foi alçado a administrador-executivo da PT pelo Estado, a ganhar
escandalosamente mais num ano do que o meu marido ganhou em toda a
vida, ao longo de 40 anos como servidor do Estado nos mais altos
escalões.
Socialista encartado, dizem. Será, nunca dei por ele, que eu saiba
nunca sequer me cruzei com ele.
Fraquinho no descernimento é, de certeza. Porque se não quis encalacrar
os socialistas, foi exactamente isso que logrou ao accionar uma
providencia cautelar para impedir a saida do jornal SOL com mais
escutas das suas ruminações telefonicas, justamente numa semana em que
os socialistas procuraram desmentir quem clamava contra a falta de
liberdade da imprensa."
8 de fevereiro de 2010
O momento português (e autonómico) (II)
- Intervalo lúcido | António Correia de Campos| Económico: "Claro que já conhecíamos uma ‘vulgata' de argumentos do tipo: a solução para o défice e a dívida é mais despesa social e melhores salários;[...] À medida que se agudizam as contradições do nosso pequeno mundo, quando chegamos ao fim de um modelo económico, sem termos ainda os projectos do novo, tendem a surgir novos desconchavos: os líderes esquerdistas, perdidos na demagogia, que acusam o Governo de despesismo e votam a favor de mais dinheiro para a Madeira; os que passaram a vida a criticar o Governo pela alta velocidade, aeroporto e auto-estradas e, salvo raras excepções, não têm uma palavra sobre o desbragamento despesista do dirigente madeirense; os que acham que Jardim é gastador compulsivo, mas entendem que se deve fechar os olhos a mais cinquenta milhões a crescerem anualmente, sobre uma dívida acumulada de 1200 milhões; [...] A doença não escolhe partidos nem ideologias. Também grassa entre os meus amigos: os que, dada a ordem para negociar, acham que tudo é negociável, sem limites de coerência nem decência; ou os que descobrem prazer em temas laterais obtusos, como o ‘strip-tease' fiscal. Perante crescentes sinais de insanidade, sabe bem encontrar quem se não encante com cânticos de sereia e resista à incoerência e ao disparate. Mesmo quando vindos dos que devendo defender o Estado, arrasam a sua reputação, protegendo despesismos recorrentes com o falso argumento de que se trata de migalhas. Não será possível prolongar o intervalo lúcido que nos trouxe, ao menos, a esperança de um orçamento? "
- Liberdade de imprensa | Económico: "É do interesse de Sócrates esclarecer o assunto e as suspeitas suscitadas pela transcrição de escutas que, não tendo relevância criminal, têm relevância política. Porque pior do que o seu silêncio é a ideia de que os visados (e os escutados propriamente dito) não têm outras explicações para além das que resultam da leitura de frases e palavras soltas, sem o seu contexto, transcritas num despacho judicial e na sua publicação. As pressões sobre jornais e jornalistas por parte do poder político e do poder económico sempre existiram, não são de hoje, não nasceram com José Sócrates, e vão continuar quando o actual primeiro-ministro deixar as suas funções. E os exemplos, na história recente de Portugal, são vários e em diversos órgãos de comunicação social. Cabe, por isso, aos jornais e jornalistas, aos órgãos de comunicação social salvaguardarem a sua independência, isto é, a autonomia para seguirem a linha editorial que entenderem por decisão própria e sem interferências e ingerências externas. Ora, José Sócrates tem, objectivamente, razões de queixa da comunicação social. Foi, é, o primeiro-ministro mais atacado e mais pressionado pelos media - às vezes por responsabilidade própria, por actos e omissões - mas esse é um risco que vem agarrado à função que desempenha. Tem de existir uma avaliação pública dos actos dos governos, de todos, e é sempre preferível um erro com liberdade de imprensa a qualquer forma de censura. A forma como o primeiro-ministro geriu, ao longo de mais de cinco anos, essa relação foi, é, também única. Sócrates tem agora, pelas piores razões, isto é, a divulgação de escutas, uma boa oportunidade para esclarecer de uma vez por todas o seu posicionamento em relação à comunicação social, sob pena de ficar para a história pelo que quis fazer e não pelo que fez."
3 de fevereiro de 2010
Portugal: as boas notícias
- Renewable energy: Blown away | The Economist - O gráfico acima foi retirado daqui.
"Today, this southern European country of 10.5
million people on the west of the Iberian peninsula has substantially
reduced its dependence on imported fossil fuels, and wind and solar
energy now provide 35.9 percent of the electricity it consumes.
And when adjusted to take into account the 23 percent shortfall in
hydroelectric power in 2009, wind and solar power represent 41.1
percent of electricity supply, according to the Portuguese Renewable
Energy Association (APREN).
The greatest expansion was seen in Portugal's wind energy industry, which has taken second place in the world after Denmark, displacing Spain to third place. According to Lurdes Ferreira, an environmental expert with the Lisbon newspaper Público, 15 out of every 100 watts of electricity consumed last year in Portuguese homes were generated by wind energy, while in Denmark, just over 20 percent of electricity came from wind energy, and in Spain the figure was 14.3 percent.
In 2009, according to an assessment report released in early January by Rede Electrica Nacional (REN), which operates Portugal's electricity grid, out of every 24 hours of electricity supplied, on average three hours and 36 minutes were wind-generated, an increase of 31.6 percent over 2008. [...]"
The greatest expansion was seen in Portugal's wind energy industry, which has taken second place in the world after Denmark, displacing Spain to third place. According to Lurdes Ferreira, an environmental expert with the Lisbon newspaper Público, 15 out of every 100 watts of electricity consumed last year in Portuguese homes were generated by wind energy, while in Denmark, just over 20 percent of electricity came from wind energy, and in Spain the figure was 14.3 percent.
In 2009, according to an assessment report released in early January by Rede Electrica Nacional (REN), which operates Portugal's electricity grid, out of every 24 hours of electricity supplied, on average three hours and 36 minutes were wind-generated, an increase of 31.6 percent over 2008. [...]"
Gostaria de corroborar estes números com outras fontes - eles são muito bons!
2 de fevereiro de 2010
A ver vamos - não me apetece fazer grandes comentários!
"Esticar a corda, Vital Moreira:
[...] O Governo deve fazer desta questão um teste de firmeza e de autoridade política da República contra o assalto de Jardim ao orçamento do Estado e contra a irresponsabilidade da oposição parlamentar. [...]"
Ler a nota completa em Causa Nossa
27 de janeiro de 2010
Portugal bem na fotografia
Nota: Clicar para aceder a uma versão maior
Information is Beautiful: giving aid to #Haiti #vizualisation | News | guardian.co.uk
25 de janeiro de 2010
Da profissionalização da política
De alguém com quem poucas vezes estou de acordo - desta vez estou mesmo de acordo, embora com algumas qualificações menores. Por exemplo, uma seria esta: os políticos. além de deverem ser profissionais, deviam ter uma cultura de banda larga, que lhes possibilitasse no mínimo saber aquilo que não sabem. A especialidade, a sua formação, dos políticos deveria caracterizar-se por ser generalista - não é um oximoro. Essa formação contribuiria para a minimização dos erros devidos ao analfabetismo sectorial de muitos - a chicana pode ser necessária a um político, mas não é metodologia para governar, nem expediente táctico a utilizar muitas vezes: tem o perigo de viciar.
"Há em Portugal a percepção de que os chamados “políticos profissionais” são prejudiciais para o país. Tenho a opinião contrária: os políticos profissionais são indispensáveis; desde que sejam bons e competentes, obviamente.
Se há algum problema no nosso país é o excessivo amadorismo de muita da classe política.[...] Há igualmente, em Portugal, em certo diletantismo em relação à política. Há quem julgue que basta gostar de política e ser brilhante para se tornar num político. É um erro. Não basta escrever opiniões inteligentes, dizer umas tiradas com graça e imaginar cenários para ter sucesso na política. Se isso acontecesse, seria o triunfo da preguiça.
Há, ainda, o que chamo a visão ingénua. Uma pessoa fez uma carreira profissional com sucesso, é de uma grande competência e seriedade profissional, percebe que o país enfrenta problemas e julga saber as soluções. Resolve então, perdoem a expressão, 'fazer uma perninha na política'. [...]
Uma das consequências inevitáveis da democracia é a profissionalização da política. Como actividade profissional, a política é simultaneamente única e semelhante às outras profissões. Exige, por um lado, uma vocação e uma intuição inatas que não se adquirem. Nisso, tem algumas semelhanças com as artes e os desportos. É ainda uma profissão muito dura, onde as pressões, os conflitos e os desafios exigem uma grande preparação e capacidade de trabalho. Tal como noutras profissões, só se atinge a excelência com muita experiência e após muitos anos de trabalho e dedicação plena. [...]."
Políticos profissionais | João Marques de Almeida| Económico (deve ser lido na totalidade).
Ainda sobre Manuel Alegre (II)
De alguém com quem tenha estado, quase sempre, de acordo - desta vez, não consigo enfatizar de modo adequado quão de acordo estou com o que se diz abaixo (o artigo deve ser lido na totalidade):
"Joana d´Arc e De Gaulle 'ouviam vozes'. Há sempre quem nos queira convencer de que responde a um apelo interior. É desta massa que nascem os mitos. Só que a situação não está para fantasias. Temos problemas imediatos e difíceis, não temos em frente de nós uma planura para despiques e correrias. Temos quem está, muitas vezes pouco bem, mas está e vai melhorar.
Se Alegre quer experimentar a lança que o faça nesse torneio, nos próximos doze meses. Que considere Cavaco o seu adversário, não Sócrates, os soaristas ou o PS relutante.
Que mostre arreganho, conhecimento, engenho e também tolerância para os seus amigos discordantes. Que nos fale de coisas terrenas, com estatísticas, não com mitos. Que nos diga se nos propõe estimular o Governo a controlar o défice e a dívida, ou se não trata dessas miudezas. Se vai valorizar a inovação, o risco, a competitividade, o espírito empreendedor, ou se acha que a solução da crise está em aumentar a despesa social.
Provavelmente não convencerá uma maioria, mas terá cumprido uma missão."
21 de janeiro de 2010
Ainda sobre Manuel Alegre
O Vital Moreira discute a candidatura de Manuel Alegre. Ver em Causa Nossa: "[...]
Quer isto dizer que o PS se deve pura e simplesmente render sem condições ao avanço unilateral 'potestativo' de Alegre? [...] Parece fácil antecipar que o PS só pode 'engolir o sapo' em contrapartida de um compromisso de Alegre no sentido de moderar o seu óbvio 'gaullismo' presidencial (que leva consigo o risco de uma inaceitável deriva presidencialista, que o PS sempre combateu), a moderar a sua hostilidade contra os rumos da integração europeia (que as suas críticas ao Tratado de Lisboa e ao mercado interno revelam) e a atenuar a sua oposição à modernização social-democrata da teoria e da prática política do PS (que o levou a uma afinidade electiva com o Bloco de Esquerda).
Um partido responsável não pode abdicar de 'red lines' nesta matéria, sob pena de oportunismo." Pois.
Eu nunca faria ao Manuel Alegre o insulto de considerar que o seu desejo de ser Presidente se sobrepõe à sua convicção da necessidade de defender aquilo que acredita, na Presidência, e aquilo em que acredita, é o que é sumariado, e bem, pelo Vital Moreira.
19 de janeiro de 2010
Algumas referências sobre educação
Das referências abaixo, a que merece especial destaque, é a primeira. É um texto, particularmente interessante, de Hugo Mendes, que a partir da óptica da Sociologia da Educação, examina o discurso crítico sobre a prática do "eduquês", e essa mesma prática, e qualifica-os. Eu, que sempre acompanhei as constatações críticas da situação da educação em Portugal, feitas por pessoas como o Nuno Crato, embora mantendo-as, sou levado a aceitar a contextualização feita aqui, mais que não seja, como um elemento de uma reflexão que está longe de qualquer conclusão definitiva. Leitura fortemente recomendada.
- O eduquês, os seus críticos e a sociologia da educação: como explicar e ultrapassar a “barreira de fogo” Hugo Mendes CESNOVA, FCSH-UNL Resumo Durante a década de 90 do seculo XX, num momento-chave do processo de universalização do ensino básico e de massificação do ensino secundário, ganhou visibilidade pública uma ideia crítica da organização, práticas e discursos do sistema educativo português: o “eduquês”. Colocado em circulação por vários actores dos meios académicos e intelectuais próximos do campo mediático, rapidamente se transformou na qualificação favorita de um conjunto de representantes de uma posição político-ideológica conservadora sobre a escola democrática. Quase hegemónico na avaliação publico-mediática que é feita do ensino não-superior em Portugal, o “eduquês” tem passado ao lado da reflexão crítica das ciências sociais, e em particular da sociologia da educação. Esta comunicação pretende reflectir sobre este fosso entre o discurso científico-social e o discurso mediático (ainda que produzido por alguns cientistas sociais) sobre a escola, fazendo uso da análise de alguns textos centrais na difusão do discurso e de conteúdos mediáticos dos últimos anos. O “eduquês” será analisado na dupla dimensão do discurso: a ideológica e a cognitiva. O “eduquês” existe efectivamente nas práticas e discursos dos actores e tem impacto na organização das instituições educativas? Ou trata-se de uma ficção construída pela projecção de preconceitos ideológicos conservadores em relação à escola democrática? E na medida em que a ideia tem alguma validade cognitiva, o que o caracteriza para além do impressionismo da sua caracterização mediática, e quais são as suas consequências efectivas para a qualidade do ensino e da aprendizagem? Estas são algumas das questões a que a sociologia da educação devia começar a dar resposta, na tentativa de qualificar o debate público-mediático sobre educação em Portugal, hoje quase monopolizado pelo discurso do “eduquês”.
- Latin America scores lousy on international standardized tests: is that part of why it grows slowly?
- The science of science education - latimes.com: "Treisman wanted to understand why, over a 10-year period, there was not a single year in which more than two black or Latino students at Berkeley received grades of B-minus or better in first-term calculus. He set up a study to follow 20 African American and 20 Chinese American students with comparable socioeconomic backgrounds. His findings defied the stereotypes. Treisman demonstrated that several widely held assumptions -- that black students were less motivated or less prepared or had less family support -- could not explain their lower grades. His conclusion was that 'the black students typically worked alone' while 'the Chinese students learned from each other.' Using this insight, he constructed 'an anti-remedial program,' open to all but populated primarily by minority students, which emphasized 'group learning and a community life.' The results were dramatic, with participants in the program not only outperforming their minority peers but their white and Asian American classmates as well."
- The Irish Economy » Blog Archive » The Returns to a College Education: "Click here for an entertaining analysis of the returns to a college education in the United States (double click the graphic to enlarge it)."
Algumas referências sobre Portugal, ou que o referem
Aqui vão algumas das coisas lidas sobre a situação de Portugal. Falam por si.
- Reduza o seu ordenado, Sr. PM! Srs. Deputados! - Maria Luísa Vasconcelos |Expresso.pt:
"Neste descalabro político e orçamental, ou tratamos de ser produtivos,
poupados e pioneiros, ou lá iremos parar, outra vez, às medidas de
austeridade bem nossas conhecidas, das intervenções do FMI. Ora, tão
perto de uma emergência económica nacional, não se percebe como, em
Portugal, demora ainda o congelamento da despesa, das progressões nas
carreiras, cortes nos níveis salariais de escalão mais elevado. Iniciar
estas medidas pelos cargos de eleitos políticos ou de nomeação seria um
bom indicador de esforço para o conjunto da economia. Reduza o seu
ordenado Sr. PM! Srs. Deputados!O meu também, claro. Sem estas medidas,
dificilmente será entendida a subida de impostos que, a seu tempo, não
haja dúvidas, mais afligirá as empresas e famílias em Portugal."
- Pessimismo ou despesismo? Económico Um dos aspectos mais impressionantes da
campanha eleitoral para as legislativas foi a forma como se ignorou por
completo a difícil situação económica do país. [...] A maioria alcançada pelas forças políticas mais
despesistas, atípica no contexto europeu actual, representa uma vitória
do facilitismo sobre o realismo dito "pessimista" que irá ter de se
confrontar com a dura realidade económica e financeira atrás descrita.
Mas uma coisa é certa. Mais despesismo e falta de rigor nesta fase irão
implicar mais impostos em breve e, muito provavelmente, mais
desorçamentação com passagem de despesa para os anos futuros, assim se
adiando a "factura". Mas mais tarde, ou mais cedo, ela chegará. Dela,
os mais jovens não conseguirão escapar.
- FRBSF Economic Letter: Global Household Leverage, House Prices, and Consumption (2010-01, 1/11/2010): "Going forward, the efforts of households in many countries to reduce their elevated debt loads via increased saving could result in sluggish recoveries of consumer spending. Higher saving rates and correspondingly lower rates of domestic consumption growth would mean that a larger share of GDP growth would need to come from business investment, net exports, or government spending.[...]"
- As trajectórias 3Ds | Económico: "Um sem número de políticos reconhecidamente prestigiados tem vindo, mais ou menos conscientemente, a construir um novo modelo ideológico de Estado moderno assente numa trajectória 3 D's (mais Despesa, mais Défice, mais Dívida). [...]"
- Córtex Frontal: O Empréstimo da República: "O Prof.Engenheiro Tribolet salvou ontem o programa Prós e Contras ao propor que se aproveitasse o centenário da República para lançar um empréstimo interno, possivelmente sob a forma de Obrigações do Tesouro, para fazer face aos problemas financeiros do Estado". À partida, também não desgosto da ideia.
- FT.com | Money Supply | Is Portugal the new Greece?: "Structural uncompetitiveness, coupled with the constraints of monetary union, mean Portugal will ‘bleed’ economic potential and tax-raising capacity." Não concordo com o comentário feito ao fim sobre a fragilidade relativa (em comparação com a grega) da recuperação portuguesa: penso que é ao contrário.
"The misery index is a crude addition of 2010 forecasts of unemployment and the fiscal deficit (as a percentage of GDP)"
- As fragilidades da economia |Bruno Proença| Económico: "E isto não é um ponto conjuntural. É estrutural. E o documento do Banco de Portugal explica ao pormenor as fragilidades da economia nacional. Baixo nível de qualificação da mão-de-obra; o funcionamento dos mercados de trabalho, do produto e do sistema judicial têm prejudicado o investimento com maior conteúdo tecnológico. Desta forma, é preciso 'melhorar os sistemas de educação, justiça, assim como implementar plenamente as recentes reformas de legislação laboral. Adicionalmente, seria importante assegurar uma regulamentação mais efectiva do mercado do produto de forma a aumentar os níveis de concorrência da economia'. [...] A receita para os problemas nacionais é conhecida há muito tempo. A verdade é que ninguém conseguiu ainda implementá-la de forma consistente"
- Moodys on Japan and the Eurozone - Stating the Obvious | afoe | A Fistful of Euros | European Opinion: "In this sense, the recent messages from Moodys on Japan as well as Greece and Portugal respectively sounds extraordinarily timely to me even if it is stating the obvious;"
A situação económica dos outros
O que se apresenta abaixo são referências de comentários e análises sobre as outras situações, aparentadas à nossa, na periferia sul e oeste da Zona Euro, lidas nos últimos dois meses. Todas acabam por carrear informação e análise que cruzam com a análise do que se passa, a nível económico e financeiro, em Portugal.
- Government sacrificing reform on altar of pay cuts - The Irish Times - Tue, Dec 08, 2009: "The savings would have come primarily through staff reductions, which will be the inevitable, permanent and calculable result of the Government’s ongoing recruitment embargo and other policies like the rationalisation of State agencies. The vision that we offered the Government was one where, in exchange for guarantees over pay, pensions and compulsory redundancies, staff would deliver the massive changes in work practices required to ensure that these falling staff numbers would not damage services. The proposed deal included explicit agreement on the redeployment of civil and public servants, within and between organisations, to ensure better services as budgets and staffing declined." (via The Irish Economy » Blog Archive » Public Sector Reform)
- So What’s It All About, Costas? | afoe | A Fistful of Euros | European Opinion: "As Titus Maccius Plautus reputedly put it, I am a rich man for just as long as I don’t have to pay back my debts, and of debts in Greece there were plenty, especially in the public sector. So the growth we saw in the first eight years of this century was hardly normal, since it was based on a model of growing indebtedness which was always going to fail one day or another. One consequence of this is that no one really knows what “trend” growth in Greece would look like at this point (the same goes for those other two Eurozone “star performers” Spain and Ireland) since we don’t really know how much of recent growth was valid, and how much was due to overheating, and we won’t really start to get a clear picture till we see what the downside is, and how far it runs."
- Why Standard and Poor’s Are Right To Worry About Spanish Finances | afoe | A Fistful of Euros | European Opinion: "Just how realistic is the view being taking by the Spanish administration at this point, and just what are the prospects of that imminent and sutainable return to growth in the Spanish economy on which everything seems to depend?"
- FT.com / Columnists / Wolfgang Munchau - Greece can expect no gifts from Europe: "[...] The EU’s authorities, rightly or wrongly, are more afraid of the moral hazard of a bail-out than the possible spillover effect of a hypothetical Greek default to other eurozone countries. If faced with a choice between preserving the integrity of the stability pact and the integrity of Greece, they are currently minded to choose the former. To safeguard what is left of the stability pact, they are determined to link any help to a country’s willingness to comply. Otherwise the EU fears it might lose all leverage over budgetary processes elsewhere in the eurozone.. So instead of helping Greece, the EU might be asking Greece to pay a penalty. [...] The current strategy of the EU is to raise the political pressure – perhaps even provoke a political crisis – with the strategic objective that the Greek government might eventually relent. It is a dangerous strategy that could easily backfire. Even if George Papandreou, the Greek prime minister, were sympathetic to the EU’s demand, he would face enormous political headwinds if he tried to implement draconian austerity measures. [...] The real problem is that the Greek people have not been prepared by their political leaders for what lies ahead. [...]In the absence of help from the eurozone, the Greek government would have to resort to the International Monetary Fund if it were to encounter difficulties refinancing the debt. Unlike Argentina, Greece cannot devalue, and leaving the eurozone is not a realistic policy option either. Latvian-style austerity could thus come one way or the other, with or without default. [...]".
- Roubini Global Economics - RGE Monitor -- Europe EconoMonitor: Quantifying Eurozone Imbalances and the Internal Devaluation of Greece and Spain "Essentially, what Greece and Spain now face (alongside Ireland, Hungary, Latvia etc) is an internal devaluation which has to serve as the only means of adjustment since, as is evidently clearly, the nominal exchange rate is bound by the gravitional laws of the Eurozone. Now, I am not making an argument about the virtues of devaluation versus a domestic structural correction since it will often be a combination of the two (i.e. as in Hungary). What I am trying to emphasize is simply two things; firstly, the danger of imposing internal devaluations in economies whose demographic structure resemble that of Greece and Spain and secondly, whether it can actually be done within the confines of the current political and economic setup in the Eurozone."
- FT.com / Columnists / Martin Wolf - The eurozone’s next decade will be tough: "What would have happened during the financial crisis if the euro had not existed? The short answer is that there would have been currency crises among its members. The currencies of Greece, Ireland, Italy, Portugal and Spain would surely have fallen sharply against the old D-Mark. That is the outcome the creators of the eurozone wished to avoid. They have been successful. But, if the exchange rate cannot adjust, something else must instead. That “something else” is the economies of peripheral eurozone member countries. They are locked into competitive disinflation against Germany, the world’s foremost exporter of very high-quality manufactures. I wish them luck."
- FT.com / Brussels / Economy - EU to plan 10 years of growth: "Equally, it remains open whether the EU should set targets in its 2020 strategy, as some experts advise. “Targets are important policy levers, even if they are not met. They allow countries to compare themselves with others, and provide crucial goals and milestones that policymakers can use to raise awareness,” said Ann Mettler, executive director of the Lisbon Council think-tank."
- FT.com / Comment / Opinion - Iceland would benefit from paying up: "Dear Icelandic friends, It is painful to observe your agony. A proud and independent nation is forced to vote in a referendum whether to pay billions of euros to the governments of the UK and the Netherlands. If you say No, your country will be seen as an unreliable partner. If you vote for the reimbursement, you will condemn your children to pay for the sins of their fathers. The national debt will balloon to roughly 200 per cent of gross domestic product – one of the highest levels in the world." Este é um finlandês a contar a experiência do seu país de como ser um pagador cumpridor tem consequências positivas no longo prazo.
18 de janeiro de 2010
Um exemplo da diferença entre eficácia e eficiência
Nota: Clicar para aceder a uma versão maior do gráfico
O gráfico relaciona a despesa per capita em saúde com um indicador, o da expectativa de vida. para diversos países, onde se inclui Portugal. Temos aqui a possibilidade de comparar a eficácia e a eficiência de diversos sistemas de saúde, com a ressalva de inferências, e juízos de valor, só na base de um indicador, deverem ser feitos com cautela. No entanto, a informação veiculada pelo gráfico é bastante interessante e levanta muitas questões. Deixo a interpretação aos meus leitores como TPC. É óbvio que os EUA é um caso espantoso de ineficácia e de ineficiência absoluta e relativa, neste domínio - convém cruzar esta informação com o que se diz aqui, na referência a Bill Moyers.
United States Health Care Spending « The Baseline Scenario
17 de janeiro de 2010
Ainda no "departamento" de "há mais vida para além..."
Em troca de impressões com um amigo meu, questionávamos as razões para o percurso histórico menos satisfatório do nosso país. Podem escrever-se tratados sobre isso. Não tenho essa pretensão: mais que não seja, porque eu procuro sempre ter uma ideia, mais ou menos actualizada do que efectivamente não sei, e , porque, tudo o que diz respeito à sociologia e à história (e só depois, à economia) são os fenómenos mais complexos que há [não é a física, a cosmologia, todas as ciências "duras", aquelas que têm um domínio mais complexo de estudo; o que elas têm, isso sim, é o instrumental mais difícil de utilizar - outros já o tem dito]. Por isso, vou coleccionando histórias, pequenas amostras, que se adequadas, se representativas, e se devidamente interpretadas, delas poderemos inferir, ou melhor, intuir, o que se passa ao largo.
Ora, uma dessas histórias pertence ao "departamento" do "há mais vida para além..." [ver a anterior nota para outro exemplo]. Isto surge na confluência daquela troca de impressões, daquilo que o meu amigo me contou sobre a filha, investigadora de craveira internacional [entrevistada há alguns anos pelo Expresso, onde dava conta do esforço e da disciplina necessárias para chegar onde chegou], e daquilo que a minha filha me contou anteontem. A minha filha estuda a sério; frequenta a biblioteca da faculdade onde está, diariamente (hoje, é domingo, e lá está) e tem-no feito, ao longo de todo o semestre - eu gosto disso, e incentivo-a a que o faça. Acontece - e aqui a história - que constatou, com espanto, o seguinte: uma sua colega, excelente moça (Portugal caracteriza-se por ter excelente pessoal), começou, inesperadamente, na altura dos testes, a frequentar a biblioteca, e a estudar de modo mais sistemático. E não é que a mãe alertou a filha, preocupada, face a essa mudança de comportamento: "Toma atenção, que há mais vida para além da Universidade".
Na minha adolescência, porque li sempre muito, houve sempre "um espectro a ameaçar-me:" o do "esgotamento cerebral" - era uma tema recorrente no meio familiar e entre os amigos e conhecidos. Uma parte significativa dos pais portugueses ainda tem medo disso, ou joga com isso, ou isso insere-se num quadro amplo de má percepção das razões da importância da formação escolar: aqui, um dos motivos (não o único, claro) do sistema educativo não conseguir "levar a carta a Garcia". Ou dito doutra forma, em jeito de epigrama, uma das razões do mal português tem a ver com o "departamento" do "há vida para além ... ".
Sempre preocupei-me com aquilo que o sistema político, e os seus agentes, poderiam fazer para alterar as percepções da população sobre a importância da educação. Escrevi sobre isso, aquando dos encontros da "nova autonomia", em 1996, antes da ascensão do PS na RAA. Reli o documento hoje: isso tem alguma piada, a esta distância - ver em que se mantém actual, ou ultrapassado. Vou reproduzi-lo nas próximas notas.
Sempre preocupei-me com aquilo que o sistema político, e os seus agentes, poderiam fazer para alterar as percepções da população sobre a importância da educação. Escrevi sobre isso, aquando dos encontros da "nova autonomia", em 1996, antes da ascensão do PS na RAA. Reli o documento hoje: isso tem alguma piada, a esta distância - ver em que se mantém actual, ou ultrapassado. Vou reproduzi-lo nas próximas notas.
Manuel Alegre
Aquilo que Manuel Alegre disse, no discurso de apresentação da intenção de se candidatar a Presidente, sobre estatísticas, e sobre o défice, é mau, e, neste momento, não ajuda o país porque é exactamente o contrário que tem de ser dito por todos. Jorge Sampaio esteve mal quando disse que havia vida para além do défice. Pois há, logo que não se façam disparates e se tenha a casa em ordem. Manuel Alegre, mesmo com a evidência do que se está a passar, ainda não percebeu, que Jorge Sampaio esteve mal, e refina o disparate falando de "estatísticas": disparata-se sobre as ferramentas, e não sobre os mestres, quando a obra foi mal feita.
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