31 de outubro de 2008

Nature apoia a eleição de Obama

Não é mais do mesmo: mais um apoio da comunicação social, que eu refiro, ainda que da área científica. É aquilo que é dito sobre o papel que a informação científica deve ter na conformação das decisões políticas; da metodologia a usar na discussão das alternativas; ... mas é principalmente é o frisar da ausência de desculpas para os políticos que não aprendem, que não se instruem - o exemplo de McCain quanto à sua assumida (e complacente) ignorância das questões económicas é exemplar (a mais de um título, e mais não digo para já).

Tudo isto tem aplicação à classe política nacional e regional.

Por tudo isso, desta vez faço a transcrição de todo o texto que o Climate Progress também reproduziu:

The election of a US president almost always seems like a crossroads, but the
choice to be made on 4 November feels unusual, and daunting, in its national and
global significance.

Science and the research enterprise offer powerful
tools for addressing key challenges that face America and the world, and it is
heartening that both John McCain and Barack Obama have had thoughtful things to
say about them. Obama has been more forthcoming in his discussion of research
goals, but both have engaged with the issues. McCain deserves particular credit
for taking a stance on carbon emissions that is at odds with that of a
significant proportion of his party.

There is no open-and-shut case for preferring one
man or the other on the basis of their views on these matters. This is as it
should be: for science to be a narrow sectional interest bundled up in a single
party would be a terrible thing. Both sides recognize science’s inspirational
value and ability to help achieve national and global goals. That is common
ground to be prized, and a scientific journal’s discussion of these matters
might be expected to stop right there.

But science is bound by, and committed to, a set of
normative values — values that have application to political questions. Placing
a disinterested view of the world as it is ahead of our views of how it should
be; recognizing that ideas should be tested in as systematic a way as possible;
appreciating that there are experts whose views and criticisms need to be taken
seriously: these are all attributes of good science that can be usefully applied
when making decisions about the world of which science is but a part. Writ
larger, the core values of science are those of open debate within a free
society that have come down to us from the Enlightenment in many forms, not the
least of which is the constitution of the United States.

On a range of topics, science included, Obama has
surrounded himself with a wider and more able cadre of advisers than McCain.
This is not a panacea. Some of the policies Obama supports — continued subsidies
for corn ethanol, for example — seem misguided. The advice of experts is all the
more valuable when it is diverse: ‘groupthink’ is a problem in any job. Obama
seems to understands this. He tends to seek a range of opinions and analyses to
ensure that his own opinion, when reached, has been well considered and exposed
to alternatives. He also exhibits pragmatism — for example in his proposals for
health-care reform — that suggests a keen sense for the tests reality can bring
to bear on policy.

Some will find strengths in McCain that they value
more highly than the commitment to reasoned assessment that appeals in Obama.
But all the signs are that the former seeks a narrower range of advice. Equally
worrying is that he fails to educate himself on crucial matters; the attitude he
has taken to economic policy over many years is at issue here. Either as a
result of poor advice, or of advice inadequately considered, he frequently makes
decisions that seem capricious or erratic. The most notable of these is his
ill-considered choice of Sarah Palin, the Republican governor of Alaska, as
running mate. Palin lacks the experience, and any outward sign of the capacity,
to face the rigours of the presidency.

The Oval Office is not a debating chamber, nor is
it a faculty club. As anyone in academia will know, a thoughtful and
professorial air is not in itself a recommendation for executive power. But a
commitment to seeking good advice and taking seriously the findings of
disinterested enquiry seems an attractive attribute for a chief executive. It
certainly matters more than any specific pledge to fund some particular agency
or initiative at a certain level — pledges of a sort now largely rendered moot
by the unpredictable flux of the economy.

This journal does not have a vote, and does not
claim any particular standing from which to instruct those who do. But if it
did, it would cast its vote for Barack Obama.

- Lido no Climate Progress » Blog Archive » Nature: “The values of scientific enquiry … suggest a preference for one US presidential candidate.”

30 de outubro de 2008

Europa e a crise

Algumas das coisas que li sobre a situação da Europa versus crise económica nestes últimos dias; sobre a situação na Europa de Leste e sobre os problemas e a capacidade de atracção da zona Euro.

O artigo de Martin Wolf - última referência - é mais genérico e é sobre o quadro mais geral.

Não esquecer as entradas na secção "Sem comentário" - à direita, neste blogue, sobre economia e tudo o resto.

PS: E mais este: The shelter of the euro Seeking shelter The Economist.

A quem possa interessar: futubol, cultura nacional e violência

É interessante. Ver em The Monkey Cage: Cultures of violence on the soccer pitch.

Um erro a evitar

Um dos erros mais graves que podem ser cometidos por um responsável político neste momento, é ele esquecer-se da necessidade de manter em agenda a questão do preço da energia e a do seu uso mais eficiente possível - e isso pelos mais diversos motivos, mesmo quando o preço do petróleo calapsou das alturas a que chegou meses atrás.

Estas três entradas abordam essa questão de diversos ângulos:

John Hodgman: A brief digression on matters of lost time - TED

About this talk:

Humorist John Hodgman rambles through a new story about aliens, physics, time, space and the way all of these somehow contribute to a sweet, perfect memory of falling in love.

Why you should listen to him:

You may know him only as the PC in Apple’s PC vs. Mac smackdown ads, or as the Daily Show’s Resident Expert, But John Hodgman has many other claims to fame. He’s the author of The Areas of My Expertise, which provides vital and completely fake details on the great lobster conspiracy, hoboes, nine US presidents who had hooks for hands, and how to win a fight, and the new More Information Than You Require.

He is a contributing writer for the New York Times Magazine; host of the Little Gray Book Lectures, a monthly series that has aired on This American Life; and an actual former professional literary agent.

-Ver em John Hodgman's brief digression Video on TED.com.

" ... the times are getting emocional"

Ler em Open Left:: I Voted.

The Economist apoia a eleição de Obama

Ler em Barack Obama should be the next president of America It's time The Economist.
Falta alguém?

Barack Obama no The Daily Show

- Visto em Barack Obama - The Daily Show - NewsCloud.com.

29 de outubro de 2008

It's a small, but very powerful story...

Pois é. Não necessita de ser parafraseada: It's a small, but very powerful story. Mete 3 velhinhas judias; o acto de voto; roupa apropriada e alguém que muda o sentido do seu voto a pensar no que dirá aos netos. Leiam em The Magnes Zionist: And Now, Something Nice for a Change. Fui encaminhado para ela por esta nota (ver aqui) do TPM Cafe.

28 de outubro de 2008

Investir ou não investir?

Pedro Adão e Silva pergunta-se Investir ou não investir? - DiarioEconomico.com e a resposta, a contrário do que diz Ferreira Leite, é afirmativa, embora (mas deve ser sempre assim, não é?) com critério.

Confesso que a questão me incomoda, e incomoda-me exactamente pelos motivos invocados pela Ferreira Leite quanto ao nível do endividamente externo português - não estou em condições (não sei - teria de ler uns coisas mais) nem de avaliar a gravidade do problema; nem de como essa gravidade se articula e potencia face à conjuntura; nem de qual o mecanismo de transmissão em causa. Existem, contudo, indícios que apontariam que uma eventual fragilidade da zona euro pudesse levar ao perigo de falência de EM da União (ver aqui, por exemplo). Portugal não tem o nível de exposição aos problemas do seu sector financeiro que têm outros estados europeus - o compromisso que assumiu de fiador em relação ao sistema bancário sendo significativo em termos de PIB está longe da extensão de outros compromissos; tem as contas públicas sob controlo, mas é um facto ter um nível de endividamento externo elevado. Não fosse esse facto não teria qualquer dúvida: o momento era de contrariar a possibilidade de recessão com um programa público de estímulo à economia real.

Por isso gostaria de ter mais informação sobre as posições de Augusto Mateus e Luís Campos e Cunha, que segundo parece (ouvi na televisão) estariam também contra o programa de investimentos do Governo.
PS: Ver a reflexão sobre esta questão de Pedro Pita Barros em Perdemos o futuro? - DiarioEconomico.com.

Pode ser pior que a grande depressão (?)

Quando se puxa para um lado contrabalançando o desequilíbrio no outro sentido, importa no entanto não esquecer que puxar demasiado deste lado pode criar um desequilíbrio oposto ao inicial - estou a falar de política orçamental, de estímulos e de défices. Os tempos são mesmo interessantes. Não creio que a advertência se aplique, até onde posso ver, a Portugal, mas ...

Conservadores por Obama

Não convém embadeirar em arco, mas todos sinais são mesmo promissores. Ver este: Conservatives for Obama The rise of the Obamacons The Economist.

O mais parecido a votar nas eleições nos EUA

Já não me recordo onde, e quem disse que todos deveríamos ter possibilidade de votar nas eleições presidenciais dos EUA - não é preciso fundamentar a razoabilidade do sonho em causa.

O The Economist está a proceder a uma sondagem que é o mais próximo possível disso. Em Daniel Franklin: Vote for Obama or McCain in the Economist's Global Electoral College Comment is free guardian.co.uk explica-se o que está a ser feito e como "votar" - o mapa dos resultados por países é curioso.

Raça e filiação partidária nas eleições nos EUA

Muito interessante - é uma análise sociológica de como as questões da raça e outras condicionam, e em que medida, o voto dos norte-americanos.
Ver em Where have all the Clinton Voters Gone and what does Race have to do with it? - CSDP Election 2008.

As respostas dos suecos às crises

Se já tinha ouvido falar disto, esqueci-me, não retive a informação.

Trata-se da importância dos economistas da Escola de Estocolmo na resposta sueca à crise de 1929, que antecipou os remédios propostos por Keynes. O modo como os nórdicos resolveram a sua crise financeira do início dos anos 90 antecipou, igualmente, a resposta britância que influenciou todos os outros.

Sobre o que deve ser feito

27 de outubro de 2008

Um retrato sombrio dos EUA

Existem efectivamente motivos para ficarmos perplexos com os EUA, mas sempre existem explicações para as coisas serem o que são. Esta coluna de George Monbiot: How these gibbering numbskulls came to dominate Washington Comment is free The Guardian é um excelente repositório de algumas delas.

Diversos sobre a conjuntura económica

Fala-se da possibilidade de crises cambiais e de problemas nas economias emergentes em Op-Ed Columnist - The Widening Gyre - NYTimes.com e em Economist's View: Is a Currency Crisis Next?.

A estabilidade da zona euro e as suas fragilidades são discutidas em Simon Johnson: Recession will test the single currency to breaking point Comment is free guardian.co.uk. Portugal é referenciado, mas acho que de modo incorrecto. Ainda sobre a "governança" da zona euro ler FT.com / Columnists / Wolfgang Munchau - Sarkozy’s attempted EU coup fails – for now.

Esta nota Does the Democrats’ Stimulus Package Make Economic Sense? - Economix Blog - NYTimes.com é pedagógica quanto aos méritos da utilização da política orçamental (despesa e investimento público) para combater a recessão da economia.

Qual é o mecanismo por onde se transmite a crise do sector financeiro à economia real e o que pode ser feito? Ver a discussão em FT.com The Economists’ Forum A co-ordinated asset purchase programme: reversing a huge asset deflation overshoot.

Algo a ver...

Indo aqui: Economist's View: Bill Moyers Interviews James Galbraith, podem aceder ao vídeo (ou à sua transcrição) desta entrevista. A entrevista é oportuna e muito esclarecedora: fala de Greenspan e da sua recente e surpreendente autocrítica; da razões políticas e ideológicas da crise; dos problemas potenciais que a Zona Euro pode enfrentar e do que pode ser feito para contrariar.

Obama é a melhor escolha para o Financial Times

Ver em o editorial de apoio à eleição de Obama: FT.com / Comment & analysis / Editorial comment - Obama is the better choice.

Sondagens (III)

Mais sobre o modo como as sondagens estarão a ser feitas nos EUA - dá-me a impressão que o mesmo não sucederá cá. Ver em TPMCafe Talking Points Memo How Media Polls "Manufacture" Public Opinion.

26 de outubro de 2008

O provável impacto do plano McCain para a energia nuclear no abastecimento dos EUA

Agora, algo sobre energia: o impacto no abastecimento do petróleo e da produção de electricidade, respectivamente, (por volta de 2030) da abertura de mais poços de petróleo na costa norte-americana (tema candente, antes do agravar da crise, nas eleições nos EUA: Drill, baby, drill!) e da construção das 45 (são mesmo 45) centrais nucleares prometida por McCain. Ver em Architecture 2030 E-news Live, baby, live Gristmill: The environmental news blog Grist.

Sondagens (II)

Ver em Obama's big lead in the polls is real Salon uma discussão das sondagens norte-americanas e da correcção técnica de algumas delas.

Economistas por Obama

Esta nota justifica-se como forma de chamar atenção para o blogue dos Economistas por Obama (ver a comparação dos planos de desagravamento fiscal por classe de rendimento de Obama e McCain) e por outro motivo.

Este apontamento Economists for Obama: Rogoff and Redistribution chama a atenção para a perplexidade de ver nas fileiras de McCain um economista como Kenneth Rogoff que diz coisas como aquelas que se podem ler nesta entrevista ao Spiegel: SPIEGEL Interview with Economist Kenneth Rogoff: "Unbridled Capitalism Will Lead to Very Real Problems" - SPIEGEL ONLINE - News - International.

A entrevista vale por aquilo que é dito como pelo momento em que aconteceu - em Abril de 2006.

Definição de recessão

As diversas maneiras de definir o que é uma recessão. Ver em First, define the problem Free exchange Economist.com.

Editoriais e opinião no NYT de hoje

É a forma mais eficiente de fazê-lo: olhem para o conjunto de artigos de opinião contidos no The New York Times > Editorials and Opinion sobre as eleições norte-americanas. Não os li todos, mas que prometem, prometem ...

PS: Bem, não posso deixar de salientar este: Op-Ed Columnist - In Defense of White Americans - NYTimes.com. Fala, nomeadamente, de como o famigerado "efeito Bradley" não se verificará nestas eleições.

Leiam isto:

Confessions of A Born Again - marytkelly - Open Salon

Eleições, economia e comunicação social

Brad DeLong comenta um artigo de Paul Krugman sobre os motivos que poderão levar McCain a perder as eleições, e discute o papel da comunicação social nisso tudo. Ver em Grasping Reality with Both Hands: The Semi-Daily Journal Economist Brad DeLong: Why Is It Likely That McCain Will Lose?

Astronomy Picture of the Day - 26 de Outubro: Estrelas maciças

Massive Stars in Open Cluster Pismis 24

Explanation: How massive can a normal star be? Estimates made from distance, brightness and standard solar models had given one star in the open cluster Pismis 24 over 200 times the mass of our Sun, making it a record holder. This star is the brightest object located just above the gas front in the above image. Close inspection of images taken recently with the Hubble Space Telescope, however, have shown that Pismis 24-1 derives its brilliant luminosity not from a single star but from three at least. Component stars would still remain near 100 solar masses, making them among the more massive stars currently on record. Toward the bottom of the image, stars are still forming in the associated emission nebula NGC 6357, including several that appear to be breaking out and illuminating a spectacular cocoon.

- Ver em Astronomy Picture of the Day, NASA (Arquivo, 26 de Outubro de 2008)

Krugman fala do Nobel, da conjuntura, do capitalismo, de Obama...


Eleições, fraudes, medos, estereótipos, nervos, ...

- Ver e ler em Talking Points Memo Who Do You Believe?

23 de outubro de 2008

Frank Capra, em 1958, alerta para os perigos do aquecimento global

O contexto é diferente como diferentes são os instrumentos ...

- ver e ler em Open Left:: Four Years Later, Great Ideas Are Going Direct To Voter.

Keynes e a responsabilidade orçamental

Importa não esquecer isto, por uma questão de manter as perspectivas abertas, nos tempos que correm: Meghnad Desai: He may be fashionable, but remember, Keynes' work emphasised fiscal responsibility Comment is free guardian.co.uk.

A importância de utilizar a política orçamental como instrumento de combate à recessão que se avizinha - que já chegou? - não pode desculpar os disparates que se estão já a reivindicar ou aqueles que se (podem) perfilar no futuro.


Eu tenho um amigo que afirma eu estar a ficar "passado" com as eleições norte-americanas. Está a ser injusto: penso é que existem, pelo menos, níveis diferentes de informação em causa a explicar a nossa diferença de opiniões, quer sobre a sua importância, quer sobre o seu resultado. Em todo o caso, mesmo que fosse verdade o que me é imputado, o certo é que estas eleições merecem toda preocupação deste mundo e eu estaria muito bem acompanhado nesse sentimento.

É meramente uma questão técnica...

- ver em Moment of Zen - NewsCloud.com.

22 de outubro de 2008

Elogio à governação socialista

Uma apreciação muito positiva dos últimos anos nos Açores: A visão que veio do Atlântico - DiarioEconomico.com. Fica aqui para futura referência. Não ponho em causa os factos; discutiria a interpretação; equacionaria a sustentabilidade do modelo defendido e, assim, por aí adiante...

Para reflectir...

Bruno Proença, num editorial do Diário Económico: Assim não - DiarioEconomico.com, destaca traços fundamentais da economia portuguesa, que todos deveriam conhecer. De acordo, sem reticências, com grande parte do que diz.

20 de outubro de 2008

Uma da Administração Bush

Hoje, já tinha prometido não fazer a entrada de mais notas, mas existem algumas incontornáveis: esta, por exemplo, Economist's View: "The Best Way to Help the Unemployed".
Do que trata: do modelo mais eficaz e eficiente de gerir nos EUA o processo de arranjar colocação para os desempregados. O assunto foi estudado; a conclusão é a do sistema introduzido aquando do New Deal ser o mais adequado; isso contraria a posição da Administração Bush que favorece o outsourcing desse trabalho para empresas privadas de âmbito local. Implicação: a publicação dos estudos aconteceu 4 anos depois e não mereceu publicidade.

Uma questão de valores

- Ver em 'A 'values' voter speaks her mind on Obama' by Now on PBS - RichardDawkins.net. Note-se que a opinião da senhora importa porque é representativa de uma parte significativa do eleitorado norte-americano. Haveria muito mais para dizer...

"Obama é anti-americano"

- Ver em Talking Points Memo Minnesota House Race Goes National.
PS: Mais informação sobre esta senhora aqui.


Gostei de ler esta crónica: Nick Cohen: Let's talk about class rather than colour Comment is free The Observer .
Vejam, por exemplo, este excerto:

"Lowles has been studying the history of anti-fascism and thinks we are in a far worse position than in the Thirties or Seventies, when the left last battled the far right. Without wishing to romanticise the past, you can at least give the old left credit for having an ideology that encouraged immigrants and natives to see themselves as fellow members of the working class or - when feeling particularly high-minded - 'the brotherhood of man'. "
Na verdade, na Europa (mas não - até onde consigo ver - nos EUA) houve e há um "povo de esquerda". Ele criou-se nas lutas sociais do século XIX, na luta contra os atropelos (e conservadorismo) do capitalismo inicial, e, nomeadamente, na luta contra o fascismo no século XX. Continua a existir, de modo precário, vivendo ideologicamente do que resta desse património - vai restando cada vez menos porque, como devia ser sabido, quando não se investe no mínimo para repor o que se gastou pelo uso e pela obsolescência, perde-se aquilo que se herdou. Muito do que resta desse património são alguns bons sentimentos, alguma boa consciência, algumas regras empíricas de avaliação e de actuação, e pouco mais.

A esquerda europeia socialista, social-democrata, constatou a falência da alternativa comunista ("anti-fascista"), mas não foi capaz - nem considerou isso necessário - actualizar a sua alternativa ideológica face ao que tinha mudado e àquilo que prometia suceder. E aquilo que foi tentado - a "terceira via" do partido trabalhista - é denegrido de modo ignorante e chocarreiro. A esquerda europeia não-comunista não tem, por isso, uma "visão do mundo" coerente que imprima um sentido estratégico à sua actuação. Ela desistiu de transformar o mundo, e essa tarefa é mais do que nunca premente - ela não assume como suas e não responde de modo reflectido, articulado, coerente, às questões da regulação do sistema económico e financeiro; à necessidade de se ultrapassar o uso das energias fósseis; aos problemas colocados pelo aquecimento global e, assim, por diante.
A implicação é preocupante; as consequências serão diversas conforme os países e as regiões (veja-se o caso do RU retratado no artigo), mas em todos os casos a situação é definida pela impreparação e pelo desarme político, ideológico, estratégico, do "povo de esquerda". É a "pobreza da política".
A "pobreza da política" traduz-se, por um lado, no estreitar do horizonte que se pode perspectivar de problemas e de possibilidades; por outro, na redução da profundidade considerada desse horizonte. Naturalmente, isso acaba por explicar a predominância das ditas soluções tecnocráticas e de curto prazo: na ausência de uma política que se questione de modo estratégico, fundado e conhecedor sobre as alternativas técnicas de concretização daquilo que perspectiva, temos políticos que perguntam aos técnicos - no melhor cenário - o que se pode fazer, dentro deste prazo e no quadro deste orçamento - e estes fornecem o leque de alternativas que têm em cada momento e que aprenderam a utilizar; no pior cenário - nomeadamente quando a restrição orçamental é lassa - nem se pergunta, e mesmo o potencial daquilo que existe de factível e oportuno, do ponto de vista técnico, não é concretizado.

A verdade nua e crua sobre a direita norte-americana

Só lendo, mas asseguro-vos que o Vasco Graça Moura não o lê (ver aqui - é o segundo artigo referenciado)- ele não sabe, mas face aos critérios da extrema direita norte-americana, ele pertenceria à extrema esquerda, honra lhe seja feita. Ler Michael Tomasky: The Republicans have lifted the lid off their rightwing id Comment is free The Guardian.

Capitalismo e virtude

Raymond Plant escreve sobre Capitalismo e virtude - DiarioEconomico.com. Merece ser lido.

Astronomy Picture of the Day - 20 de Outubro: Cores de Saturno

Moons, Rings, and Unexpected Colors on Saturn Credit

Explanation: Why would Saturn show such strange colors? The robotic Cassini spacecraft currently orbiting Saturn has beamed back images showing that the northern hemisphere our Solar System's most spectacularly ringed planet has changed noticeably since Cassini arrived in 2004, now sporting unusual and unexpected colors. No one is sure why. Although the cause for many of Saturn's colors is unknown, the recent change in colors is thought to be related to the changing seasons. Pictured above, the unusual colors are visible just north of the dark ring shadows. The razor-thin plane of ring particles is visible nearly edge-on across the bottom of the image. The cloudy moon Titan looms large just above the rings, while close observation will reveal three other moons. Cassini arrived at Saturn in 2004, sending back data and images that have not only led to a deeper understanding of the Jovian world's atmosphere, moons, and rings, but also raised new mysteries.

- ver em Astronomy Picture of the Day, Cassini Imaging Team, SSI, JPL, ESA, NASA (Arquivo, 20 de Outubro de 2008).

Colin Powell versus McCain

- Ler em Talking Points Memo He Sees It Too.

18 de outubro de 2008

Perspectivas económicas para o próximo ano

"Accordingly, we now expect a major recession for the world economy over the year ahead, with growth in the industrial countries falling to its lowest level since the Great Depression and global growth falling to 1.2%, its lowest level since the severe downturn of the early 1980s. We also see a steep drop in global inflation to 3.1% next year thanks to a collapse of energy prices and rising unemployment."
- Ler em Econbrowser: Rapid Downward Revisions in Expected Growth.

No longo prazo estaremos todos mortos...

We are all dead

President Bush, this morning:

In the long run, the American people can have confidence that our economy will
bounce back.

John Maynard Keynes:

But this long run is a misleading guide to current affairs. In the long run we
are all dead. Economists set themselves too easy, too useless a task if in
tempestuous seasons they can only tell us that when the storm is long past the
ocean is flat again.

- Lido em We are all dead - Paul Krugman - Op-Ed Columnist - New York Times Blog

O povo de McCain

- ver em Talking Points Memo McCain's Legions.

17 de outubro de 2008

Destruição criadora no sistema financeiro

Jagdish Bhagwati acentua o facto da destruição criadora na área financeira não é a mesma da que ocorre na economia real. Ler em FT.com / Comment & analysis / Comment - We need to guard against destructive creation.

Lembra também que "Keynes once wrote that the inevitable never happens, it is always the unexpected".

"Barack Obama for President" - tomada de posição do Washington Post

O Washington Post apoia a eleição da Obama. Ver as razões que invoca em: Barack Obama for President - washingtonpost.com.

Aquecimento global e o árctico: as últimas

A evidência é cada vez maior - e não apetece dizer muito mais. Vejam as últimas do Árctico em Climate Progress » Blog Archive » NOAA’s arctic report card shows stronger effects of warming in Greenland and permafrost. As figuras falam por si mas convirá ler o texto.

Daily Show - Vão ficar fulos quando souberem que McCain recicla...

16 de outubro de 2008

A aprendizagem da Islândia

A Islândia foi um dos fulcros desta crise financeira. Esta coluna trata dessa experiência. Ver em Ben H Murray: Women clean up the bankers' mess Comment is free guardian.co.uk.

Neo-liberalismo e liberalismo

João Cardoso Rosas em Porque dobram os sinos - DiarioEconomico.com fala, à luz da conjuntura actual, de neo-liberalismo, da síntese liberal-conservadora e de como o liberalismo não está morto. Interessante e instrutivo.

Conjuntura económica: mais ...

Há mais sobre a conjuntura económica (mas não só) na secção deste blogue "Sem comentário" - coluna à direita. A situação continua em devir completo e não se podem arredar quaisquer cenários - certo parece ser que a crise está a contaminar a economia real e aquilo que aí vem vai ser, nas palavras de Krugman, "nasty, brutish, and long".

No entretanto, eu sugiro a leitura deste artigo de J Bradford DeLong: Will partially nationalising US banks stave off a depression? Comment is free guardian.co.uk onde se historia o processo de sucessão de planos para debelar a crise financeira. Vejam como é que termina: "If Plan F fails, we move to Plan G: we pull the Keynesian fire alarm and begin an enormous government infrastructure building programme in the whole North Atlantic to keep away depression. But as of now there is every reason to hope that it will work - that this time, for sure, what our magicians pull out of the hat will be the desired rabbit."

Eleições regionais

Voto calma e friamente no Partido Socialista, e isso, apesar de ter sérias e fundadas dúvidas de que aquilo que a Região necessita da actuação governativa - atendendo ao que se pode esperar do futuro, e à luz das características definindo a especificidade açoriana - venha, ao menos, a ser reflectido e perspectivado.

A alternativa é, convenhamos, a "emenda pior do que o soneto".

Daily Show - 10000 McCainiacs

14 de outubro de 2008

Gordon Brown está na mó de cima!

A contracorrente..

Bruno Maçães em Excesso ético - DiarioEconomico.com. Isto vem a contracorrente, neste momento, mas merece a atenção para já - obriga a reflectir, mesmo que não suscite concordância.
PS: A contrário vejam Raymont Plant em A ironia das ironias - DiarioEconomico.com.

Novos papéis, novas responsabilidades, ...

Pedro Adão e Silva em A gestão do risco e o OE - DiarioEconomico.com fala de diversas coisas: do tipo de incerteza e risco que temos nas sociedades actuais; do papel da política e dos políticos nestas novas circunstâncias, e de como a crise veio alterar os parâmetros da situação política portuguesa.

É um artigo interessante. Naturalmente, impõe-se acrescentar, os políticos, na sua esmagadora maioria, estão mal preparados para essas novas tarefas: mais do que nunca, parafraseando Keynes, os políticos falam sempre em nome de um economista morto, de quem (a maior parte das vezes) não percebem quase nada do que afirmou.

Astronomy Picture of the Day - 14 de Outubro: Enceladus vista da Cassini

An Enceladus Tiger Stripe from Cassini

Explanation: What creates the unusual tiger stripes on Saturn's moon Enceladus? No one is sure. To help find out, scientists programmed the robotic Cassini spacecraft to dive right past the plume-spewing moon last week. Previously, the tiger stripe regions were found to be expelling plumes of water-ice, fueling speculation that liquid seas might occur beneath Enceladus' frozen exterior. Such seas are so interesting because they are candidates to contain extraterrestrial life. Important processes in tiger stripe formation may include heating from below and moonquakes. Visible above is terrain on Enceladus so young that only a few craters are visible. This newly released raw image shows at least one type of false artifact, however, as seeming chains of craters are not so evident in other concurrently released images of the same region. The large tiger stripe across the image middle is impressive not only for its length and breadth, but because a large internal shadow makes it also appear quite deep. Cassini will next fly by Enceladus on October 31.

- ver Astronomy Picture of the Day, NASA (Arquivo, 14.10.2008)

13 de outubro de 2008

Palin vista por um conservador

A opinião é de um conservador norte-americano: Gettin’ All Mavericky by Heather Mac Donald, City Journal 13 October 2008. Leiam.


Mais um a falar dos CDS (ver aqui): FT.com / Columnists / Wolfgang Munchau - Brown offers Europe a lesson in leadership. Um excerto:
"But there are still many dangers ahead. The market for credit default swaps [CDS] may explode at any time. A severe recession could trigger a sharp rise in defaults with reverberations in credit markets and banks. And if we squander money rescuing the wrong banks, which we have done in parts of Europe, we may not have enough leeway to launch an effective stimulus programme. At best we may have succeeded in calming the markets for a week. But we have not solved this crisis yet."

Economistas: sobre Paul Krugman

Diversos depoimentos:

As lições da história

Barry Ritholtz, here's Richard Whitney, President of the New York Stock Exchange, advocating against regulation of the markets in 1934. Ah, conservatives. Whitney was put in jail a few years later for theft."
- ver em Open Left:: Opening the Day: Neel Kashkari Speaks, Will the Markets Listen?


António Correia de Campos em ‘Fidutia’ - DiarioEconomico.com. De acordo. Aquilo que diz no último parágrafo, sobre as consequências potenciais, nesta conjuntura, de termos continuado isolados (não na União Europeia; não na zona Euro) ecoa aquilo que se disse ontem e noutros momentos (ver aqui).

Prémio Nobel da Economia

Só soube agora, ao abrir o Diário Económico: Paul Krugman é o prémio Nobel de economia deste ano. Magnífico. Em termos académicos, os contributos de Krugman em termos da teoria do comércio internacional e a recuperação da importância da geografia para a teoria económica, são fundamentais e justificam a atribuição do Nobel. Krugman é desde há muito um nobilizável - a conjuntura económica mundial e a conjuntura política nos EUA, poderão ter ajudado a facilitar (a apressar) a atribuição do prémio neste momento.

Por outro lado, Krugman é um homem de causas e da participação cívica - o seu combate como cronista do NYT contra os males dos consulados Bush, é um exemplo disso. E foi um dos economistas que avisou a tempo que a actuação de Greenspsan à frente do FED estava a potenciar as condições para uma nova bolha especulativa; e que o mercado hipotecário norte-americano estava a ir por mau caminho (neste blogue, há muitas referências a Krugman sob as etiquetas de blogue, conjuntura económica, eua, eleições norte-americanas).

Krugman ainda ontem elogiava a actuação dos governos europeus em seguirem o exemplo britânico de resposta à crise - Krugman defendeu o plano Paulson como o possivel, no momento em que foi enunciado, mas referindo sempre como o mais adequado o modelo que os suecos seguiram para debelar a sua crise financeira em inícios da década de 90: a solução britânica é aparentada a esse modelo.
PS: O modo mais eficiente para recuperar as notas que referenciam Krugman é utilizar o motor de busca que encima o blogue (digitaliza-se Krugman).
PS (1): A apreciação de Krugman sobre o plano britânico e a actuação dos europeus: Economist's View: Paul Krugman: Gordon Does Good

12 de outubro de 2008

Com um bocado de sorte ...?

"With a bit of luck, by the time I wake up tomorrow morning, most of the west-European banking system and a fair number of other highly leveraged systemically important institutions like insurance companies, will be in public ownership, with the US not far behind."

Coisas assustadoras...

Das coisas assustadoras que li sobre esta crise esta é das mais assustadoras (se não for a mais assustadora - espero que amanhã as coisas estejam mais calmas, e assim nos dias seguintes): Will Hutton: Without real leadership, we face disaster Comment is free The Observer.

Mas não só eu que está assustado: ver em Boom goes the CDS Free exchange Economist.com. Vejam o último parágrafo e rezem.

Para amenizar um tanto ou quanto a nota vejam em FT.com Willem Buiter’s Maverecon Iceland’s bank defaults: lessons of a death foretold os custos para a Islândia de não pertencer ao Euro. A-propósito, como estaria o sistema financeiro português e a economia portuguesa se, neste momento, não estivessemos no Euro? Para recordar ver aqui. Para já, e para só falar de um item, não teríamos um défice orçamental de 2 e tal por cento, e tenham em atenção, vamos ter ainda pena que o défice não esteja mais baixo.

"Sem comentário" - as últimas adições

Na secção "Sem comentário" - lado direito deste blogue - há muito material novo. A maior parte é sobre a crise - alguns são assustadores. Inspeccionem: é fácil e não dá trabalho.

EUA: as guerras da cultura

Em Op-Ed Columnist - The Mask Slips - NYTimes.com Bob Herbert pergunta-se "... como é que os republicanos, apesar de tudo, tem sido capazes de convencer muitos dos pobres norte-americanos que a sua política, objectiva e subjectivamente em favor dos ricos, não só é a melhor para eles como a sua aceitação é um acto de patriotismo (tradução muito livre). A pergunta justifica-se de todo e a resposta pode ser sintetizada em duas palavras: nas guerras da cultura".
A direita norte-americana ao longo de trinta anos conseguiu hegemonizar a agenda ideológica, cultural e política norte-americana. Do ponto de vista de técnica política, a sua actuação foi exemplar. A direita norte-americana conseguiu fazer política: a política, não sei quem o disse (e gostava de sabê-lo) é (parafraseando) a arte de persuadir um povo a seguir um dado destino, um dado percurso, de aceitar um dado conjunto de desafios. E como disse Curzio Malaparte toda a arte tem a sua técnica - e aqui, os instrumentos ideológicos foram o ressentimento, o anti-intelectualismo, o fundamentalismo religioso, mas também a capacidade de mobilizar intelectualmente, a capacidade propandística e organizativa.... A contrario, quase todos os outros - nos EUA e fora dele - deixaram-o de o fazer, por inércia, por desconhecimento, ...: a política é tão-somente o pagamento das promessas, o impressionar pela gestão da coisa pública ...
Esta tese é defendida por muitos. Mesmo, neste blogue, foi referida por mais de uma vez (ver aqui e aqui - neste último ver artigo de Pedro Adão e Silva - e há mais sobre a epígrafe EUA e eleições EUA).
As referências que aponto abaixo, de uma forma ou outra, tratam desta questão e dos seus afloramentos nesta campanha - que foram tão longe que vozes da própria direita se viraram contra as suas manifestações mais virulentas. Sem compreender isso não se consegue perceber o que se passa nos EUA. Entretenham-se (os artigos não estão por ordem de data, e alguns deles tem mais a ver com aspectos da campanha ou com outros aspectos da política norte-americana).


Isto aplica-se também à Euribor, não é? Ver em Interfluidity :: Crocodile tears and the LIBOR-OIS spread. Deveria haver atenção política a este mecanismo onde se escorra o preço dos empréstimos ao publico.
É com estas e com outras que, por momentos, dá pena (bem, isto é uma figura de estilo) o marxismo-leninismo ter-se revelado históricamente um beco, uma via sem saída.
PS: Fiquei na dúvida, ao ouvir (não apanhei bem) o comentador da economia da RTPN, se a possibilidade dos bancos se endividarem junto do BCE já está em vigor. Não estando mais uma razão para que não aconteça à Euribor o que estará a suceder com a Libor.

11 de outubro de 2008

Custos das intervenções nos mercados

Mais um artigo pedagógico da Telos sobre as consequências (encargos) do modo como se está a lidar com a conjuntura financeira (e económica). Ver em Crise financière : qui va payer ? Telos.

Mais do mesmo

Ler John McCain's supporters are madder (and scarier!) than he is. - By John Dickerson - Slate Magazine. É uma outra versão do que se referiu nas notas imediatamente abaixo.

Só visto!

- Ver em Talking Points Memo Weird. Sad. Surreal. A nota intitula-se: "Estranho. Triste. Surreal". McCain tenta apagar os fogos que iniciou: - não que o blogue donde isto foi tirado considere o esforço sincero.

Antecipação Obama

- Ver e ler em Grasping Reality with Both Hands: The Semi-Daily Journal Economist Brad DeLong. Para além de estar de acordo com a tese defendida por Obama: - é mais arriscado não mudar do que mudar (nos EUA, note-se), - é de realçar que Obama antecipa os ataques que lhe vão ser feitos pela campanha de McCain.

Estado versus mercado

Gosto do que aqui é dito: David Marquand: Situation vacant: a theorist is sought to succeed Mr Keynes Comment is free The Guardian. Uns dizem "os mercados são bons; os estados são maus"; os outros dizem o contrário - estão ambos errados (e a história económica prova-o).

10 de outubro de 2008

Mais sobre o modo como a direita norte-americana está a actuar...

Na sequência da anterior nota vejam o vídeo, mas leiam Open Left:: Conservatives Unmasked.

O que se pode esperar da direita dos EUA se Obama ganhar?

"Not about the financial crisis

The crisis isn’t the only scary thing going on. Something very ugly is taking shape on the political scene: as McCain’s chances fade, the crowds at his rallies are, by all accounts, increasingly gripped by insane rage. It’s not just a mob phenomenon — it’s visible in the right-wing media, and to some extent in the speeches of McCain and Palin.

We’ve seen this before. One thing that has been sort of written out of the mainstream history of politics is the sheer insanity of the attacks on the Clintons — they were drug smugglers, they murdered Vince Foster (and lots of other people), they were in league with foreign powers. And this stuff didn’t just show up in fringe publications — it was discussed in Congress, given props by the editorial page of the Wall Street Journal, and so on.

What it came down to was that a significant fraction of the American population, backed by a lot of money and political influence, simply does not consider government by liberals (even very moderate liberals) legitimate. Ronald Reagan was supposed to have settled that once and for all.

What happens when Obama is elected? It will be even worse than it was in the Clinton years. For sure there will be crazy accusations, and I wouldn’t be surprised to see some violence.

The next few years are going to be very, very tough."

Quem são os responsáveis pela crise? A população pobre!

Vejam em Sasha Abramsky: Conservatives are blaming the poor for the financial crisis Comment is free guardian.co.uk. É muito pedagógico e esclarecedor não só dos incentivos associados à prática da concessão dos empréstimos hipotecários "subprime"como o que se passou é "racionalizado" pelos ideólogos de uma certa direita norte-americana.
PS: Adicionei o vídeo "a-posteriori". Este aproveitamento cruza com o apontamento referido acima.
PS (2): Ainda sobre o mesmo ver em Economist's View: "The New 'Welfare Queens'".

O preço do petróleo

O preço do petróleo poderá baixar ainda mais, no curto prazo, se a sua procura, em resposta a uma situação de recessão económica acentuada, diminuir de modo sustentado. Naturalmente, isso não será verdade, no médio e longo prazo. Vejam no Climate Progress » Blog Archive » Q: Will we see $3 gasoline before $5?. O gráfico acima retrata o comportamento (moroso) da extracção do petróleo (da sua oferta) mais recentemente, embora com o seu preço a subir da maneira que subiu.

Um dia na bolsa!

E se McCain e Palin ganham?

- "C'mon, Move to Canada! If John McCain and Sarah Palin win in November, it's likely to be more than many Democrats can stand. Slate V imagines how the Canadian government might try to capitalize on this liberal anxiety." Ver em Slate V - C'mon, Move to Canada! Muito mais que divertido...

Que fazer? Krugmam responde...

Krugman, numa opinião que prima pela clareza, diz o que tem de ser feito já - nos EUA e na Europa! Ver em Op-Ed Columnist - Moment of Truth - NYTimes.com.

Sinais do clima: glaciares no Alaska

"Most glaciers in every mountain range and island group in Alaska are experiencing significant retreat, thinning or stagnation, especially glaciers at lower elevations, according to a new book published by the U.S. Geological Survey. In places, these changes began as early as the middle of the 18th century."

PS: E já agora esta notícia sobre a Gronelândia: : "U.S. atmospheric scientists say satellite data indicates northern Greenland experienced a record number of melting days this summer."

- Ler em North Greenland had record summer snowmelt, também na Terra Daily.

PS (2): E ainda mais esta:

This image was created with data acquired by the Atmospheric Infrared Sounder, AIRS, during July 2008. The image shows large scale patterns of carbon dioxide concentrations that are transported around the Earth by the general circulation of the atmosphere.
Image credit: NASA/JPL.
"A NASA/university team has published the first global satellite maps of the key greenhouse gas carbon dioxide in Earth's mid-troposphere, an area about 8 kilometers, or 5 miles, above Earth."
- Ler em Maps Shed Light On CO2's Global Nature, Terra Daily.

9 de outubro de 2008

Uma demasiado boa para não referir

"In 1987, on the eve of Prime Minister Margaret Thatcher's third victory, the head of her Conservative Party told a visiting columnist: 'Someday, Labour will win an election. Our job is to hold on until they are sane.'"
Retirado de George F. Will - McCain in a Bear Market - washingtonpost.com.
Achei demasiado boa para não referir. Aplicada em outros contextos (na região, mas também, por exemplo, na Madeira) exigiria uma realaboração com um tom e sentido diferentes.

Vídeo recusado pela TV norte-americana ABC

- Vejam em EcoGeek - Clean Technology.

8 de outubro de 2008

As diversas soluções para a crise das instituições financeiras

Vejam em Crise de liquidité ou de solvabilité ? Telos uma explicação (muito pedagógica) das diversas alternativas de solução para a situação periclitante de alguma banca estrangeira - estou a pressupor que a nossa está de saúde (acredito nisso) e recomenda-se.

A crise vista na perspectiva da esquerda que percebe o mundo em que está...

Vital Moreira discute as consequências da crise financeira em O fim de uma era - DiarioEconomico.com. Como habitualmente, muito bom.

Teses do XVIII congresso do PCP

A informação e o comentário são de Pedro Adão e Silva Convergência à esquerda? - DiarioEconomico.com - parece que Sócrates mencionou-as (as teses), hoje, no Parlamento. Naturalmente, estou de acordo com aquilo que é defendido pelo articulista.

6 de outubro de 2008

A resposta da Europa à crise financeira (II)

Que interessante! A participação na zona Euro será uma inevitabilidade para o Reino Unido (e não só). A situação actual estaria a demonstrá-lo: ver em John Stevens: The UK will soon be forced to rethink joining the Eurozone Comment is free guardian.co.uk. Dados preocupantes sobre o RU.

Ver também aqui para terem uma visão mais completa do que se passa na Europa.

A resposta da Europa à crise financeira

A resposta europeia à crise financeira está a ser adequada? Existem sérias dúvidas. Diversos economistas definem as características que a resposta deve assumir: ver em Crise financière : que faire ? Telos.
No mesmo sentido se pronuncia Wolfgang Münchau, no FT, em The case for a European rescue plan (ver o artigo na seccção "Sem comentário" - aqui, no blogue, na coluna da direita - onde há mais sobre a crise, eleições norte-americanas e, porque não, sobre assuntos relacionados com espaço).

Saturday Night Live - VP Debate Palin / Biden

Saturday Night Live - VP Debate Open: Palin / Biden - Video - NBC.com

5 de outubro de 2008

Gas From The Past Gives Scientists New Insights Into Climate And The Oceans

ScienceDaily (2008-10-04) -- In recent years, public discussion of climate change has included concerns that increased levels of carbon dioxide will contribute to global warming, which in turn may change the circulation in the Earth's oceans, with potentially disastrous consequences. Ice core and ocean deposit comparisons show complex links between carbon dioxide levels, ocean currents and climate, which may help explain past, present and future climate trends. ... > read full article

Sinais do clima: mar, CO2 e acidificação

Pois é. Sinais. Não que, infelizmente, sejam novidade. Vejam em Seas turn to acid as they soak up CO2 Environment The Observer.

A-propósito da política da saúde

Há alguns dias, num programa da RTP A, um cardiologista referia que está demonstrado - em termos de análise custo-benefício - ser a divulgação de informação sobre os cuidados a ter com a saúde, junto dos cidadãos, um investimento com retorno extremamente elevado.
A uma qualquer política de saúde é exigido que seja eficaz - os cuidados prestados produzam os resultados exigidos - e que seja eficiente - a quantidade/qualidade desses resultados sendo a mais elevada por unidade de custo. A eficiência é necessária porque as necessidades neste domínio são sempre superiores à dotação de recursos financeiros susceptível de ser mobilizada para esse efeito em qualquer momento - a afirmação de que tem de haver sempre dinheiro para cobrir as despesas com a saúde, sem outra qualificação, é perigosa e é demagógica.
Na região e no país não se gasta o suficiente no esclarecimento dos cidadãos, nem se pensa em quais poderão ser as estratégicas mais adequadas, do ponto de vista comunicacional e organizativo, para passar a informação. Mas não é só aqui: veja-se em Health: Millions are ignorant about causes of cancer Science The Observer o que se passa no Reino Unido:

"Millions of Britons are increasing their chances of getting cancer because they do not know that alcohol, processed meat and poor diet can cause the disease. Many people are confused about what raises or reduces someone's likelihood of becoming a victim of the country's second biggest killer."
Seria interessante conhecer como a RAA se posiciona em termos de doenças - dos diversos tipos de cancro, mas de outras doenças - no âmbito das diversas regiões do País, e já agora, da Europa - existem indicadores, pelo menos em relação a alguns casos. Na discussão desta política, como de muitas outras, a abordagem é estritamente "economicista" ("contabilistica"): quanto se gasta! E depois são os economistas que são "economicistas".
PS: Isto: Robert Yates: Don't blame Jamie for a nation's ills Comment is free The Observer, tem a ver com o que digo acima - e por favor não pensem que aquilo que vos vier à cabeça, numa primeira observação, é aquilo que me leva a fazer a conexão.