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11 de agosto de 2011

Género: O que está a acontecer com os rapazes? O que está acontecer com as raparigas? E como é que a evolução sócio-económica, caso da classe média nos EUA, cruza com isso??




"Psychologist Philip Zimbardo asks, 'Why are boys struggling?' He shares some stats (lower graduation rates, greater worries about intimacy and relationships) and suggests a few reasons -- and he asks for your help! Watch his talk, then take his short 10-question survey: http://on.ted.com/PZSurvey"

What’s Happening to Men? | Kay Hymowitz | Cato Unbound

Women today are entering adulthood with more education, more achievements, more property, and, arguably, more money and ambition than their male counterparts. This is a first in human history, and its implications for both sexes are far from simple.

You can see the strongest evidence that boys and young men are falling behind in high school and college classrooms. Boys have lower GPAs and lower grades in almost every subject, including math, despite their higher standardized testing scores.[1] They are 58% of high school dropouts.[2] In the mid 1970s about 28% of men had college degrees. Since then, that number has barely budged. Meanwhile, the percentage of women with a college degree increased from 18.6 to 34.2%.[3] Women now earn 57% of college degrees; predictions have them at 60% in the near future.

People often assume that this “boy problem” as it is sometimes called, is really a “low-income boy problem,” primarily affecting Blacks and Hispanics. It’s true that the human capital disparities between women and men are especially pronounced in these groups. But there are signs that higher income boys are also falling behind. 

Can the Middle Class Be Saved? - Magazine - The Atlantic

In October 2005, three Citigroup analysts released a report describing the pattern of growth in the U.S. economy. To really understand the future of the economy and the stock market, they wrote, you first needed to recognize that there was “no such animal as the U.S. consumer,” and that concepts such as “average” consumer debt and “average” consumer spending were highly misleading.

In fact, they said, America was composed of two distinct groups: the rich and the rest. And for the purposes of investment decisions, the second group didn’t matter; tracking its spending habits or worrying over its savings rate was a waste of time. All the action in the American economy was at the top: the richest 1 percent of households earned as much each year as the bottom 60 percent put together; they possessed as much wealth as the bottom 90 percent; and with each passing year, a greater share of the nation’s treasure was flowing through their hands and into their pockets. It was this segment of the population, almost exclusively, that held the key to future growth and future returns. The analysts, Ajay Kapur, Niall Macleod, and Narendra Singh, had coined a term for this state of affairs: plutonomy.

11 de março de 2010

Sinistro

The Irish Economy » Blog Archive » The Irish “Masculinity Ratio”: "The current issue of The Economist has a leader on the growing imbalance between males and females in birth cohorts in China and India and some other countries. The sex ratio at birth, or “masculinity ratio”, is normally about 1.05. Amartya Sen and Ansley Coale drew attention to the high ratios emerging in China and India some twenty years ago. The ratio has continued to rise in these countries and has now reached 1.30 in some Chinese provinces."

6 de fevereiro de 2010

Más notícias (do que continua a suceder), e não tão boas como isso, no domínio dos problemas do género

  • In a First, Women Surpass Men on U.S. Payrolls - Economix Blog - NYTimes.com: "In fact, almost all of the gains in women’s relative employment over the last 20 years occurred during the three recessions. This means that a job market recovery and normal seasonal trends could push women back into the minority. Still, the long-term trend indicates that the basic parity between the sexes in the work force is more than a passing moment."
 

12 de janeiro de 2010

Pois, mas as quotas, pelos vistos, e por isso mesmo, continuam a ser necessárias

A primeira referência diz respeito a uma situação repugnante, a suceder em todo o lado, mas a não ser tratada de modo implacável nesta nossa Europa [o que se passa em Portugal, a este respeito?]- e depois queixem-se do que a direita norte-americana diz, nesse particular, da Europa. A segunda, é um comentário àquilo que The Economist publicou (e o Expresso da semana passada, também) sobre os ganhos de participação das mulheres no mercado do trabalho - é óbvio ser necessário introduzir quotas de participação das mulheres, para os cargos políticos e de direcção (o que tem sido dito, a esse respeito, neste blogue, pode ser encontrado via motor de busca sob a palavra quotas, ou género).

Stop tiptoeing around 'honour' killings | Poorna Shetty | Comment is free | guardian.co.uk: "Anyone who thinks murder is better than suffering the indignation of a community needs more than a softly-softly approach"

Have Women Done It? - Economix Blog - NYTimes.com: "The Economist notes that women remain underrepresented in management positions but registers considerable optimism concerning current trends. By contrast, recent research by the sociologists Philip Cohen, Matt Huffman and Stefanie Knauer showed that women’s entry into management positions in the United States slowed significantly in the 1990s. The Economist also cheerfully asserts that “Men have, by and large, welcomed women’s invasion of the workplace.” Their choice of words is surely ironic, but I was left wondering how well women are represented on the staff of the magazine. One of their correspondents has blogged about his informal calculations that about 23 percent of the journalists working there are women."
 

4 de dezembro de 2009

Lido hoje no Diário Económico - todas merecem ser lidas (e já agora, como TPC, qual é a parte que se aplica aos Açores?)

Como resolver o problema do défice? | Bruno Proença | Económico:
Há um problema de endividamento, nomeadamente do Estado, e falta competitividade externa. São dificuldades estruturais. Ou seja, já andavam por cá antes da crise internacional. E, portanto, agora que a tempestade está a passar, eles cá continuam. Durante os últimos dois anos, ninguém falou deles mas agora é altura de voltarem à agenda política.

E o mais urgente é o endividamento, particularmente o das Administrações Públicas. A verdade é que na saída da crise, o Estado português tem um défice acima de 8% e a dívida pública corresponde a 100% do PIB. Pior era difícil. O Governo argumenta que défices altos é uma realidade em vários países europeus e nos Estados Unidos. É verdade. Mas também é verdade que esses países têm um nível de riqueza superior e economias capazes de gerar níveis de crescimento mais fortes. Para Portugal, que está na cauda da Europa, resolver um défice desta dimensão é uma grande dor de cabeça. E, no final, a factura vai ser paga pelos mesmos: os contribuintes. Falta saber de que maneira.

Destruição criativa | Carlos Marques de Almeida | Económico:  
"Diga-se a benefício da verdade que a confusão está instalada. Primeiro, a oposição em bloco acredita piamente que ganhou as eleições ao retirar a maioria absoluta ao PS. Como tal, a oposição empenha-se na revisão da obra socialista porque entende ser esse o seu legítimo mandato. Não existe visão institucional nem perspectiva de alternativa viável, tanto mais que tudo se resume a uma deriva temperamental ditada por critérios políticos de oportunidade. No fundo, a oposição faz política mas não tem um conjunto de políticas. 

Depois é no Governo que reside a maior surpresa. O PS acredita que ganhou as eleições com mandato para governar, só que o Governo congelou a acção política refugiando-se numa peculiar expectativa. Desconfortável com a minoria, o primeiro-ministro perdeu o apetite para o exercício do cargo. O Governo não tem iniciativa, nem agenda, nem sopro reformador. Em minoria, o Governo do PS não governa, gere uma situação desfavorável e deixa o país político a apodrecer. [será cedo para o dizer, mas que há o perigo, isso há ...] [...]"

Crónica feminina | Marta Rebelo | Económico:
"[...] A discussão deste tema tem de ganhar mais rotina, porque quando olhamos para a representação feminina política, empresarial e até académica, somos forçados a concluir que a meritócracia é uma falácia, e tirando as excepções que confirmam a regra, só pela via da imposição ou da demografia - que faz antever um futuro de quotas masculinas - se faz a aproximação em órbita à tal 'paridade'. E uma enorme frustração para muitas, mas sobretudo para a minha geração."

14 de novembro de 2009

De novo, evidência sobre a questão das quotas

"India’s electoral affirmative action program, which assigns a random subset of districts to elect only female or low caste candidates, has been fodder for empirical researchers. The randomness, while rooted in principles of fairness, it also provides social experiments on a grand scale.

Raghabendra Chattopadhyay and Esther Duflo used it to show that female leaders invest in different types of public goods, like drinking water, that reduce work for women. They link up with Lori Beaman, Rohini Pande and Petia Topalova to show that exposure to women leaders doesn’t affect most people’s preference for male leaders, but it does reduce prejudicial attitudes towards women as leaders. That is, taste discrimination stays, but statistical discrimination goes down.

Today Rikhil Bhavnani is presenting a new paper here at Yale that looks at what happens when quotas randomly end. The answer? Constituencies previously reserved for women are five times as likely to elect a woman for office than ones that were never reserved for women.

Declining statistical discrimination might might be one reason that reservation effects persist. But Bhavnani argues that the main channel is a sort of incumbency and experience effect: reservations introduce a cohort of women into politics who are able to hold onto party tickets.

This is good news, but does this mean that quotas only have a temporary effect?"

Did affirmative action work for Indian women? – Chris Blattman.

É sempre agradável ver a nossa opinião confirmada de modo tão claro - ver aqui, e através do(s) motor(es) de busca deste blogue os apontamentos sob "género". Quanto à pergunta feita em último lugar, o tempo o dirá, mas a evidência apontaria, desde já, que as quotas funcionam exactamente como se esperaria - o que ficaria, ainda, "sob julgamento, seria o tempo necessário da sua aplicação para os seus efeitos (político-sociológicos) serem permanentes.

28 de outubro de 2009

Recensões da The New York Review of Books

Os livros têm como denominador comum as questões de género e desenvolvimento:
Half the Sky: Turning Oppression into Opportunity for Women Worldwideby Nicholas D. Kristof and Sheryl WuDunn 
"[...]And what are some of those facts? A girl in India dies every four minutes because her parents don't believe she's worthy of medical care; a third of all women worldwide are beaten at home; women between the ages of fifteen and forty-four are more likely to be maimed or die from male violence than from cancer, malaria, traffic accidents, and war combined ; according to the United Nations, 90 percent of females over the age of three were sexually abused in parts of Liberia during the civil war there; there are, very conservatively, according to the British medical journal The Lancet, ten million child sex slaves. If Kristof and WuDunn have their way, righting "gender inequality in the developing world" will be embraced as the moral battle of the twenty-first century, as totalitarianism was in the twentieth and slavery was in the century before that.[...]"   
Muitos, e isso acontece no nosso país, chamam às mulheres: "o gado".
Creating a World Without Poverty: Social Business and the Future of Capitalismby Muhammad Yunus, with Karl Weber 
"[...] Once Yunus and his team began to lend money, something unexpected happened: they found that women, who in most cases had never before handled money, were much more likely than men to use it responsibly and pay it back. Women tended to invest their earnings in their families—in education, housing, and health care. Men, on the other hand, were more likely to spend it on themselves. "Thus," Yunus concluded, "lending to women creates a cascading effect that brings social benefits as well as economic benefits to the whole family and ultimately to the entire community." Grameen has found the same pattern—men play, women pay—in every country in which it operates. In short order, Grameen changed course: its loans would be to women; if a man in the family wanted a loan, he could ask his wife to apply, and it would be up to her to decide if he was a good credit risk. Inevitably, the power dynamic between them shifted.[...]"

27 de outubro de 2009

Do poder, do género e das imperfeições do mercado político

Não sei se repararam, mas a posição contrária à imposição de quotas de representação das mulheres na política - as quotas sendo um instrumento provisório de alteração do perfil do controle do poder, conducente à criação de uma testa de ponte feminina no domínio do político - tem como sustentáculo argumentativo (como "rationale") a mesma linha da defesa à outrance da eficiência perfeita dos mercados na resolução dos problemas económicos. Quer num caso, quer no outro, existe a mesma fundação ideológica, e quer num caso, quer no outro, defende-se que os mercados - os políticos e os económicos - deixados ao seu livre arbítrio, darão lugar, invariavelmente, aos melhores resultados, aos resultados mais eficientes. Quando existem economistas, mesmo de esquerda, a negar a necessidade das quotas, deveriam ser lembrados, que também nos mercados políticos, existem entraves à livre entrada no mercado, além de muitas outras diferenças para a situação óptima do que seria o similar da concorrência perfeita naqueles.

No século XIX, nos EUA, antes da Guerra Civil, os esclavagistas mais sensíveis, defendiam que o problema da escravatura se resolveria de forma natural ao longo dos cinquenta, cem anos seguintes: - ora, como é bom de ver, no longo prazo, os problemas serão todos resolvidos; claro que estaremos todos mortos, mas, no entretanto, os beneficiários de tudo o que está mal, cuspirão o  "carpem diem", ou, se forem pulhas conscientes: "aprés moi, le déluge".

Tenho mais coisas escritas sobre isto (utilizar o motor de busca do blogue para procurar sobre género).

Ler em Political competition and gender quotas vox - Research-based policy analysis and commentary from leading economists: "As women are underrepresented amongst legislators, many governments impose gender quotas on candidate lists. This column examines Spain’s elections and argues that its political parties evade the quota. It claims that parties use female candidates as pawns chosen according to how their presence in the list would affect gender statistics and male candidates’ possibilities of success."

19 de julho de 2009

Da importância das escolas

José Cutileiro, na edição de ontem, do Expresso, congratula-se com o facto da opinião-pública britânica ser, agora, maioritariamente, a favor da participação militar do RU no Afeganistão. Para se perceber a satisfação do embaixador, será útil ler: Op-Ed Columnist - Teacher, Can We Leave Now? No. - NYTimes.com. Entre outras coisas, o artigo de Friedman informa que, desde 2007, os Talibã destruirão 640 escolas naquele país e 350 no Paquistão, das quais 80 % são escolas para raparigas.
PS: Sobre o mesmo tópico, ver, neste blogue, aqui.

12 de julho de 2009

Jimmy Carter fala da religião e das questões de género

Jimmy Carter é um grande senhor, e é género de cristão que não me coloca qualquer problema de convivência intelectual. Aqui em em The words of God do not justify cruelty to women | Jimmy Carter | Comment is free |The Observer, ele pronuncia-se sobre a incorrecção, do seu ponto de vista como cristão, de invocar os Livros Santos: a Biblia, o Alcorão, ..., para justificar a discriminação do género.

Merece ser lido. Um excerto para incentivar a sua leitura:

"II have been a practising Christian all my life and a deacon and Bible teacher for many years. My faith is a source of strength and comfort to me, as religious beliefs are to hundreds of millions of people around the world.
So my decision to sever my ties with the Southern Baptist Convention, after six decades, was painful and difficult. It was, however, an unavoidable decision when th e convention's leaders, quoting a few carefully selected Bible verses and claiming that Eve was created second to Adam and was responsible for original sin, ordained that women must be "subservient" to their husbands and prohibited from serving as deacons, pastors or chaplains in the military service. This was in conflict with my belief - confirmed in the holy scriptures - that we are all equal in the eyes of God."


14 de junho de 2009

Pathways

Pathways é uma revista da Universidade de Stanford dedicada a assuntos de pobreza, desigualdade e de políticas sociais - é grátis, e pode ser acedida em Stanford Center for the Study of Poverty and Inequality - Pathways. Recomenda-se.

O exemplar referente ao verão de 2009 saiu, e o seu índice é o seguinte:

"TRENDS:


RESEARCH IN BRIEF:
  • New research developments A surprising trend in wealth inequality, the biological determinants of poor children's academic performance, the long-term effects of job displacement, and other cutting-edge research.

GOING GLOBAL: ANTIPOVERTY LESSONS FROM AROUND THE WORLD:

  • Flexicurity Joshua Cohen and Charles Sabel argue that the time has come to build a 21st century labor market modeled on key principles of Denmark's "flexicurity" system.

INTERVENTIONS:

2 de junho de 2009

Mais sobre o género

António Ramalho em Incoerências de género Económico discute a dificuldade portuguesa de passar dos diagnósticos à fase da prioritização e, por último, à da concretização. Dá, como exemplo (ver a transcrição abaixo), o facto do peso das mulheres, em termos de formação superior, não corresponder à sua penetração ao nível das chefias das empresas - en passant recorda o facto de Portugal ser dos países europeus que mais investe e gasta com a educação.

"Ninguém diverge na necessidade de alterar a falta de competitividade do nível educativo português. A título de exemplo, recordemos que em 2001 apenas 44,6% da população jovem terminava o secundário contra 76,6% na Europa. Não foi, por isso, difícil escolher a educação como prioridade deste início de século. Portugal é um dos cinco países da Europa em maior investimento e custos educativos em percentagem do PIB.

O diagnóstico é consensual, a prioridade estratégica foi assumida, e, melhor ou pior, várias medidas foram implementadas. Todavia, esta prioridade implicou também uma alteração profunda de valorização do papel de uma nova geração de quadros na sociedade. Curiosamente, muitos desses quadros são mulheres. É natural. De facto, 60,8% dos jovens que atingem o secundário são mulheres. Na universidade, as mulheres representam 54% do total de alunos, mas, sublinhe-se, são 61,4% dos que atingem a licenciatura. É, aliás, esta a realidade de Portugal dos últimos 25 anos, que lhe permite ser o país com maior percentagem de população activa feminina (são mais de 2,6 milhões de trabalhadoras). No final desta década haverá mais doutoramentos femininos que masculinos (hoje representam 48%).
É por isso muito pouco coerente que Portugal compare tão mal no que respeita ao género no Corporate Governance Report de 2009, recentemente publicado pela Heydrick & Struggles. De facto, Portugal, que tem uma média de governação muito jovem (55,9 anos contra 59 média) é o país, a par de Itália, com menos mulheres nas administrações das empresas (3%) e é o país (isolado) com mais empresas sem qualquer mulher na administração (70% contra uma média de apenas 31% nos 14 países comparados).

Ora, esta situação não é culpa do diagnóstico, nem da prioridade, nem de falta de acção. Em rigor, não é culpa de ninguém. É só desperdício para todos."
De acordo com tudo, menos com a afirmação de em "Em rigor, não é culpa de ninguém". Absolutamente de acordo com a conclusão de ser um desperdício para toda a sociedade.
Duas pequenas notas:
  1. A dificuldade da entrada das mulheres ao nível do poder político, ou do poder empresarial, prende-se, em primeiro lugar, ao facto de estarmos a falar, efectivamente, de poder: do que é poder, como é que se estrutura o poder, das redes de poder - quem tem poder (grupos, interesses), não quer cedê-lo, restringe o seu acesso a quem não o tem, cria todas as barreiras à entrada dos "outros" (precisam de exemplos históricos?); a questão do género, antes, surgia como legitimação ideológica da marginalização social das mulheres - neste momento, no nosso país, perdeu grande parte dessa eficácia legitimizadora (pelo menos, publicamente): o que existe agora é o arrastar dos pés do sistema ("a burguesia já conquistou a sociedade, mas o Ancien régime veda-lhe ainda o acesso ao poder").
    Daí a necessidade da "revolução", da aplicação das quotas, ou, se quizerem - em "economês" - a necessidade de uma actuação regulamentadora que elimine "barreiras à entrada" artificiais, decorrentes do poder de mercado das "empresas" já estabelecidas (a analogia é imediata: a situação descrita acima é uma patente falha de mercado - do mercado social - que o próprio não consegue resolver por si só).
  2. Mas porquê a revolução?; porquê precipitar as coisas? porquê as quotas? - no médio e longo prazo, o peso das mulheres em todas as esferas de actividade, irá, dizem, inexoravelmente, fazer com que as mulheres ocupam o lugar devido em todas as esferas do poder. Talvez, mas no longo prazo, recorda-nos Keynes, estaremos todos mortos (tudo isto lembra a defesa, à outrance, da tese da auto-suficiência dos mercados).
    Porque, no entretanto, existe, como é dito acima, o desperdício. E o desperdício resulta de não se poder aproveitar o potencial de recrutamento de qualidade associado a metade da população com os requisitos para tal - de novo, em "economês", o desaparecimento das barreiras à entrada das mulheres na esfera do poder, aumentará a concorrência, e a qualidade dos intervenientes aumentará.
    E o desperdício é intolerável na situação em que vivemos, neste momento, no país.

O assassinato como arma de (alguns) militantes da Pró-Vida

Sem mais comentários, e tendo como objecto o assassinato do médico norte-americano que efectuava abortos em gravidezes avançadas, em situações extremas, algumas notas e algumas transcrições sobre a situação que se vive nos EUA, a esse respeito:
  • Two Comments on the Murder by Assassination of Dr. George Tiller
    Robert George of Princeton University: The Corner on National Review Online:
    "Whoever murdered George Tiller has done a gravely wicked thing. The evil of this action is in no way diminished by the blood George Tiller had on his own hands... "
    One of Dr. Tiller's patients, From the comments:
    "In 1994 my wife and I found out that she was pregnant. The pregnancy was difficult and unusually uncomfortable but her doctor repeatedly told her things were fine. Sometime early in the 8th month my wife, an RN who at the time was working in an infertility clinic asked the Dr. she was working for what he thought of her discomfort. He examined her and said that he couldn’t be certain but thought that she might be having twins. We were thrilled and couldn’t wait to get a new sonogram that hopefully would confirm his thoughts. Two days later our joy was turned to unspeakable sadness when the new sonogram showed conjoined twins.
    Conjoined twins alone is not what was so difficult but the way they were joined meant that at best only one child would survive the surgery to separate them and the survivor would more than likely live a brief and painful life filled with surgery and organ transplants. We were advised that our options were to deliver into the world a child who’s life would be filled with horrible pain and suffering or fly out to Wichita Kansas and to terminate the pregnancy under the direction of Dr. George Tiller.
    We made an informed decision to go to Kansas. One can only imagine the pain borne by a woman who happily carries a child for 8 months only to find out near the end of term that the children were not to be and that she had to make the decision to terminate the pregnancy and go against everything she had been taught to believe was right. This was what my wife had to do. Dr. Tiller is a true American hero.
    The nightmare of our decision and the aftermath was only made bearable by the warmth and compassion of Dr. Tiller and his remarkable staff. Dr. Tiller understood that this decision was the most difficult thing that a woman could ever decide and he took the time to educate us and guide us along with the other two couples who at the time were being forced to make the same decision after discovering that they too were carrying children impacted by horrible fetal anomalies. I could describe in great detail the procedures and the pain and suffering that everyone is subjected to in these situations. However, that is not the point of the post. We can all imagine that this is not something that we would wish on anyone. The point is that the pain and suffering were only mitigated by the compassion and competence of Dr. George Tiller and his staff. We are all diminished today for a host of reasons but most of all because a man of great compassion and courage has been lost to the world. "
  • Why Clinic Violence is Obama's Problem The American Prospect
    "From the immediate post-Roe years to the mid-1990s, clinic violence and blockades were a constant threat. After Dr. David Gunn was assassinated in 1993, Congress passed the Freedom of Access to Clinic Entrances (FACE) Act, which specifically banned such acts as blocking clinic doors, trespassing, making violent threats, arson, vandalism, stalking clinic employees, and other forms of violence. Many of these acts were illegal already, but the law made clear that targeting a clinic with these crimes merited a federal response.
    While FACE improved the situation (the number of clinics experiencing severe violence dropped from 52 percent in 1994 to 20 percent in 2000), it didn't succeed in ending the violence. Attacks against women's health clinics -- both those that provide abortions and those that do not -- continued throughout the Bush years. According to the National Abortion Federation, since 2000 abortion providers have reported 14 arsons, 78 death threats, 66 incidents of assault and battery, 117 anthrax threats, 128 bomb threats, 109 incidents of stalking, 541 acts of vandalism, one bombing, and one attempted murder. Add one murder to that list."

Enfim, nada de que não se estivesse à espera ...

A questão da participação das mulheres na política e a utilização do instrumento das quotas, com o aproximar das eleições adquire de novo alguma relevância no debate público (podem aceder às minhas notas sobre o assunto através da etiqueta género, ou pesquisando no Googgle do blogue - que o encima - por quotas) .



A notícia a que se faz referência nesta nota, tem o interesse de nos fazer recordar que - se existe nalguns países, uma correlaçã0 forte entre a inexistência de disparidade nos resultados obtidos em matemática, entre homens e mulheres, e o nível de igualdade de género atingido - ser precisamente aí que de modo mais sistemático se tem recorrido às quotas. Não estou a sugerir relações de causalidade, mas a chamar a atenção para o contexto, o caldo cultural e político, em que tudo isso sucede.








  • "It's not an innate difference in math ability between males and females," says Janet Mertz, a UW-Madison professor of oncology and one of the authors of the article that analyzes and summarizes recent data on math performance at all levels in the and internationally.



    "There are countries where the gender disparity in math performance doesn't exist at either the average or gifted level. These tend to be the same countries that have the greatest gender equality."

27 de janeiro de 2009

Um dos inventores da pílula esclarece o que disse

Carl Djerassi, um dos inventores da pílula, esclarece o que disse: Response: I never blamed the pill for the fall in family size Comment is free The Guardian: "I never blamed the pill for the fall in family size. It's not about birth control; people make choices for personal and economic reasons. "

17 de janeiro de 2009

Coisas tristes (V)

Desde o primeiro momento fui, totalmente, contra a II Guerra do Iraque; fui, mesmo antes do primeiro momento - o 11 de Setembro - a favor da invasão do Afeganistão. A minha posição, no segundo caso, resultou (nomeadamente) do conhecimento que tinha da situação miserável em que viviam as mulheres sob o regime talibã: estava a ver o segundo avião a bater nas torres, e a pensar comigo mesmo, com satisfação, que os americanos iriam ao Afeganistão.

As razões mantém-se:

"Ms. Husseini is a student at the Mirwais School for Girls outside Kandahar. Two months ago, as she was walking to school with her sister, a man on a motorcycle sprayed her with acid, burning her face and eyelids. Fourteen other students and teachers were attacked that day in an attempt to shut down the school. It failed.

As Ms. Husseini told our colleague Dexter Filkins, “The people who did this to me don’t want women to be educated. They want us to be stupid things.” Ms. Husseini’s parents told her “to keep coming to school even if I am killed.”

Ler o resto no Editorial - ‘They Want Us to Be Stupid Things’ - NYTimes.com.

PS (18.01.09): Naturalmente, isto cruza com o dito em Coisas tristes (IV) - embora, de que modo, e em que exacta medida, isso possa ser discutido. Comecei agora a ler o Expresso, que fala da questão, e gostaria de reter, da crónica de Henrique Monteiro, esta frase (susceptível de ser aplicada a mais de um contexto): "... Por isso preferimos raciocinar sobre construções a fazê-lo sobre a realidade para assim construirmos um mundo de fantasia."

16 de janeiro de 2009

Coisas tristes (IV)

Eu não ouvi o que o Cardeal Patriarca afirmou sobre o casamento entre mulheres cristãs e homens muçulmanos, mas aquilo que disse não deve ter sido muito diferente da posição que o Vaticano tomou sobre o assunto em 2004:



“When, for example, a Catholic woman and a Muslim wish to marry…bitter experience teaches us that a particularly careful and in-depth preparation is called for. During it [the preparation] the two fiancées will be helped to know and consciously ‘assume’ the profound cultural and religious differences they will have to face, both between themselves and in relation to their respective families and the Muslim's original environment, to which they may possibly return after a period spent abroad.”" Tirado de Muslim-Christian Marriage, With Eyes Open On Faith washingtonpost.com (opinião favorável aos casamentos entre cristãs e muçulmanos).
Esta questão é uma questão grave que tem afectado a vida de muita gente, e de modo muito desagradável. Tem a ver com diferenças culturais profundas como o afirma o Vaticano. E é bom perceber onde os problemas podem surgir. Existem inúmeros casamentos desse tipo, felizes e tudo o mais - e devem ser, não o duvido, a esmagadora maioria. Mas tudo é testado no limite, na margem - o que sucede quando este tipo de casamentos está no seu limite? Como, aliás, acontece nos casamentos em geral, os problemas sérios acontecem quando se verificam as crises - e as diferenças culturais é aí que são importantes porque moldam o modo como se gerem a crises, e as soluções que são encontradas para elas (ainda que a solução possa ser o divórcio).
Daí que o Cardeal Patriarca tenha razão - estou a partir do pressuposto de que não se afastou da declaração do Vaticano: devem haver cuidados prévios, e como disse Medeiros Ferreira (Bicho Carpinteiro), em todo o caso, no que respeita ao casamento convém sempre pensar duas vezes (estou a citar de cor).
Para mais informação sobre o tópico, é fácil (e viva a internet): pesquisa no Google com "muslim christian marriages": desisti de ver mais a partir da quarta, quinta entrada - a minha percepção (já antiga) sobre o assunto, confirmou-se...

13 de janeiro de 2009

Quotas e a participação das mulheres na política

A pergunta "Can political affirmative action reduce gender bias?" é feita por economistas que publicam notícia da sua investigação na Vox. A resposta é afirmativa, e tem por base a situação na Índia. Podem ler aqui. Além das notas que indico ao fim, tinha-me pronunciado já, de modo extensivo sobre o assunto (aqui): a minha opinião porta-se bem face à evidência careada por esta investigação.




Algumas estatísticas:






















"... As of July 2006, women accounted for only 17% of parliamentarians worldwide, and a woman headed the government in only seven countries (UNICEF, 2007). These numbers vary dramatically by region. In 2004, the highest share of female parliamentarians was found in the Nordic countries (39.7%), while the lowest was in the Arab States (6%). ... today, there are only 18% of women in the national assembly in France. In contrast, Rwanda, where a 30% gender quota has been mandated since 2003, has just become the first country in 2008 where female parliamentarians make up the majority of the legislative assembly (ver aqui)..."



Ver, neste blogue, sobre a participação política das mulheres, aqui e aqui (existem mais notas sobre a situação mais geral das mulheres sob a etiqueta género).





27 de novembro de 2008

Diversos sobre género