31 de janeiro de 2009

"Freeport"

Ainda não é desta que faço um comentário estruturado sobre o assunto. No entretanto, chamo a atenção para o que a Causa Nossa tem vindo a escrever sobre o assunto: nomeadamente, hoje.

A primeira nota de hoje, Freeport (1), tocando a notícia sobre a casa comprada pela mãe de Sócrates, começa assim: "A campanha mediática contra Sócrates a propósito do Freeport está a atingir os limites da ignomínia jornalística [...]"

Continuar a ler em Causa Nossa.

PS: Perceberam (eu não percebi) que a casa (ou há mais de uma?) comprada pela mãe de Sócrates o foi em 1998 (o filho ainda não era ministro)?

O que, de facto, pensa o PSD...

Como disse a um amigo, os tempos que vivo são de "steady state" (auto-piada de econonomista para economista). Uma das manifestações dessa situação tem sido o nível de labor (opinativo) no blogue, e o acervo crescente de mensagens para publicar.


Para aquecer, deixem-me referir aquilo que António Borges, vice-presidente do PSD, disse numa entrevista, tal como a Causa Nossa o comenta. O mérito de António Borges é verbalizar aquilo que a elite que comanda o PSD nacional, neste momento, pensa do seu necessário (e devido) papel na cena política nacional. Não posso deixar de pensar que isso é relevante para perceber os contornos da conjuntura política que vivemos (estou deliberadamente a não ser claro).


A nota começa assim:" O vice-presidente do PSD, António Borges, não pára de surpreender nas suas singulares opiniões. Numa entrevista dada à Rádio Renascença, hoje trasncrita no Público, disse duas coisas extraordinárias: (i) que são de longe preferíveis as maiorias absolutas, mas desde que não sejam do PS (portanto, só as do PSD é que são virtuosas) [...]."


Para continuara a ler ir a Causa Nossa.

Clima, tempo e aquecimento global

Um erro habitual dos desatentos, é confundir "tempo" com "clima" - ajuizar da tendência de longo prazo, que é o clima, na base das condições metereológicas, prevalecentes num dado lugar, numa dada estação, que definem o "tempo" (ver aqui).












Recordo-me de ouvir, há alguns anos atrás, um comentador da TVI comentar jocosamente a possibilidade do aquecimento global face às condições de tempo, mais frias, prevalecentes, nesse Verão, em Portugal, embora - facto que não considerou - na mesma altura, a Grécia e a Turquia ardessem como tinha ardido Portugal no ano anterior.


As condições metereológicas que têm sucedido na Europa e nos EUA, este inverno, têm sido glosadas pelos "denegacionistas" do mesmo modo, apesar da evidência em contrário (aqui, aqui). Enquanto isso, no outro hemisfério, na Austrália (ver em Once-in-century Australian heatwave claims lives, homes):


"Australia's second-largest city Melbourne was struggling to cope Saturday with a once-in-a-century heatwave that has claimed dozens of lives and sparked wildfires that have razed up to 20 homes.More than 500,000 houses and businesses in the city of five million were left without power on Friday night after an electrical substation exploded in the heat.












[...] authorities said big fires continued to burn in the rural Latrobe Valley, 100 kilometres (62 miles) from the city, threatening a major power supply and a number of homes amid persistent 40-45 degree heat."These are unprecedented conditions. It's the hottest week since records began," said Victoria's state leader John Brumby."












Quer o que se passa no hemisfério norte, quer no hemisfério sul, nesta altura do ano, não pode ser, só por si, tomado como evidência da não existência ou existência do aquecimento global. Mas, se se mantiver a persistência de invernos muito frios e verões muito quentes, esse padrão será consistente com o aquecimento global do planeta? Parece que sim: um clima mais quente será caracterizado por maiores amplitudes de variação do tempo, por maiores perturbações metereológicas, de todo o tipo, num sentido e noutro.

27 de janeiro de 2009

Já ouviram falar de Charles Stross?

Eu não! E isso é caso de admiração porque é um escritor de Ficção Científica (FC), e suficientemente bom pelo que percebo desta notícia de Brad DeLong (aqui).

Um blogue de economistas, o Crooked Timber, realiza todos os anos uma apreciação colectiva de um livro. Este ano, em vez de um livro decidiram apreciar a obra de um escritor, Charles Stross. Podem aceder às críticas de Krugman, de Brad de Long, ... em Charles Stross book event — Crooked Timber.
Nem todos os economistas gostam de FC, mas há bons economistas a gostar da boa FC.

Curioso

"In 2000, Harry Markopoulos, a Greek-American leading expert on derivatives, wrote to the U.S. Securities and Exchange Commission's Boston office to inform the federal watchdog of markets that Bernard L. Madoff was running "the world's largest hedge fund fraud." He stipulated that his "name not be released to anyone other than the Branch chief and Team Leader in the New York region, without my express permission." Markopoulos was worried about his safety and that of his family. He said his report was written solely for the SEC's internal use. He was clearly afraid of assassination. But his red flag was only one of 28 such warnings to the SEC in the first eight years of the 21st century."


Ler o resto em Commentary: Ignorance is not bliss.

Árctico: pode ser que não seja nada - a previsão do degelo é para o médio e longo prazo






As notícias do Árctico têm começado, nos últimos, a ser interessantes a partir do final da primavera. Este ano, o interesse está a começar em Janeiro.




Um dos inventores da pílula esclarece o que disse

Carl Djerassi, um dos inventores da pílula, esclarece o que disse: Response: I never blamed the pill for the fall in family size Comment is free The Guardian: "I never blamed the pill for the fall in family size. It's not about birth control; people make choices for personal and economic reasons. "

Comunicação social e a percepção do grande público sobre os perigos do aquecimento global

Com um novo Presidente dos EUA a falar, amiudada e enfaticamente, dos perigos associados ao fenómeno do aquecimento global, discute-se a responsabilidade da comunicação social pelo facto da opinião pública, numa sua parte significativa, segundo parece, não estar sintonizada com esse discurso político.
Num aparte ao acima dito: é significativo termos um político que faz pedagogia sobre um assunto que detectou como sendo importante, mesmo face a uma opinião pública, ou hostil, ou indiferente, ou ignorante - usualmente, trata-se de dizer aquilo que se pensa que os cidadãos querem ouvir; é significativo termos um político que detectou isso, e perceba todas as implicações do que está em jogo, e actue em função disso; é significativo termos um político que fale disso, no contexto da maior crise económica e financeira, dos últimos 80 anos, percebendo como a resposta a uma, passa pela resposta a outra. Meus senhores: poupem-se a trabalhos (a leituras, a estudos e coisas quejandas); sigam o exemplo de Nobre Guedes, e inspirem-se em Obama - ou se me engano muito, ou isto poderá vir a ser mesmo um bom conselho (a ver vamos).


Ler em Pushing the mushy middle Gristmill: The environmental news blog Grist.

25 de janeiro de 2009

Dois gráficos sobre a conjuntura económica nos EUA: Deflação; A economia e o sector financeiro nos EUA;


Oh diacho!

"The financial turmoil and the various actions by central banks reminded me of a quote from 1867 by Karl Marx:
“Owners of capital will stimulate the working class to buy more and more expensive goods, houses and technology, pushing them to take more and more expensive credits, until their debt becomes unbearable. The unpaid debt will lead to bankruptcy of banks, which will have to be nationalized, and the State will have to take the road which will eventually lead to communism.”"

Lido em Words from the (investment) wise 1.25.2009 The Big Picture.

Expectativas


Stanislav Yevgrafovich Petrov

Via Grasping Reality with Both Hands: In Praise of Stanislav Yevgrafovich Petrov tomei conhecimento do papel deste oficial soviético em se ter evitado a guerra nuclear, devido a um erro de computador, em 1983. Para ler a notícia mais desenvolvida ir a FAQ.

24 de janeiro de 2009

Aquecimento global e morte de árvores no Oeste dos EUA


Já tinha referenciado o problema numa entrada na secção "Sem comentário", mas a figura é sugestiva.


Mercados e concorrência

Aquilo que Eliot Spitzer e Mark Thoma nos dizem sobre o modo como, efectivamente, para além da invocação ideológica, se respeitava e queria a concorrência, nos tempos antes da crise, nos EUA, é verdade, explica parte do que se está a passar, e não pode ser esquecido (ver aqui e aqui o que se disse sobre este assunto e sobre Adam Smith), porque, é claro, os inimigos do mercado não são só aqueles que lucraram com a mitificação do poder desse próprio mercado. E esses outros inimigos do mercado e da concorrência, não são só a extrema-esquerda, os comunistas e os socialistas-românticos.












  1. America's Fear of Competition, by Eliot Spitzer, Commentary, Slate:

    "Although everybody claims to love the market, nobody really likes the rough-and-tumble of competition that produces the essential "creative destruction" of capitalism. At bottom, this abhorrence of competition and change are the common theme that binds together the near death of the American car industry, the collapse of the credit market, the implosion of the housing market, the SEC's disastrous negligence, the Madoff Ponzi scheme, and the other economic catastrophes of recent months."




  2. Mark Thoma comenta o artigo de Eliot Spitzer:



    "Congress and the executive branch have, to a considerable extent, been devoted to business interests in recent years. In essence the argument is that what's good for business is good not just for America, but for the whole world. The ideological basis for this approach is that the interests of business and of greater society always coincide so that maximizing business interests maximizes social benefits at the same time, and that a hands off approach from government is the best way to allow those coincident interests to express themselves.

    Unfortunately, however, this ideological foundation incorporated a flawed understanding of the interaction between market structure and social benefits, particularly the ability of markets to self-correct when the market structures deviate from the socially optimal structure. The result of this, particularly as it came to be applied in the political arena, contributed to the existence of cronyism, rent-seeking, institutions that became too big, interconnected, and too powerful to fail, and other problems. Political power combined with rigid ideology built upon a false premise - the doctrine of immediate self-correction by markets - gave us a result that was far from the competitive ideal presented in textbooks, a world that was far from the ideal competitive model that produces such large benefits for society."