16 de julho de 2011

O complexo de Deus ou uma boa lição de economia e do resto; ou de como o que é óbvio para uns, não o é para outros; ou, da importância de cometer bons erros...




Boa lição de economia; boa lição sobre sustentabilidade; boa lição de política ...




Tomando isto pelo seu valor facial, e esquecendo tudo o resto, não fico feliz com estas semelhanças

The Portuguese Economy: Portugal is not Greece, the US are neither Greece nor Portugal, but there are similarities

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Então, meu caro, tem estado atento à evolução das anomalias?

Warning: extreme weather ahead | World news | The Guardian:
"Drought zones have been declared across much of England and Wales, yet Scotland has just registered its wettest-ever May. The warmest British spring in 100 years followed one of the coldest UK winters in 300 years. June in London has been colder than March. February was warm enough to strip on Snowdon, but last Saturday it snowed there."





14 de julho de 2011

Informativo


"Tom Ferguson gives a crisp overview of some of the recent events in Eurozone crisis and how the desire to save banks from losses is making matters worse."



Para quem esteja interessado


"The OECD have released the latest edition of their comprehensive 'Government at a Glance' report, which compares the structure and effectiveness of governance in the OECD across a range of areas, from public procurement to e-government and transparency. This post and the accompanying infographics look at government employment, compensation, and hours worked in European members of the OECD."

  
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Vesta


NASA's Dawn spacecraft obtained this image of the giant asteroid Vesta with its framing camera on July 9, 2011. Image credit: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA

Planetas extra-solares ... fotografados!

Penso que não é a primeira vez que se faz este tipo de fotografias, mas, por vezes, temos estes sobressaltos de sermos apanhados pelo tempo presente. Acontece-me de vez em quando. Num livro de Régis Debray sobre a guerrilha sul-americana (de que não me lembro nada bem) dizia-se, ou citava-se alguém, de que nunca somos completamente contemporâneos do tempo que passa. Obviamente, isso é mais verdade para uns do que para outros, mas a todos apanha.

No nosso tempo, já se fotografam planetas extra-solares.


One of the discovery images of the system obtained at the Keck II telescope using adaptive optics system and the NIRC2 Near-Infrared Imager. Image shows all four confirmed planets indicated as b, c, d and e in the labeled image. Planet "b" is a ~5 Jupiter-mass planet orbiting at about ~68 AU, while planets c, d, and e are ~7 Jupiter-mass companions orbiting the star at about 38, 24 and 14.5 AU. Credit: NRC-HIA, C. Marois & Keck Observatory

Falência da Grécia




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13 de julho de 2011

Ah, e há o mar como alternativa ....

Em meados da última década descobriu-se, por cá, o mar: o mar como a próxima fronteira (económica) dos Açores, como uma das poucas alternativas possíveis, como a saída desejável no caso do soi-disant "ciclo da vaca" se esgotasse, ou de ele não ser, só por si, capaz de sustentar tudo o resto (no entretanto, a classe política regional, na totalidade, ainda não começou a refletir sobre o que fazer se o efetivo ciclo sob que a economia açoriana tem vivido - o das transferências - venha a terminar, já que a novidade,  agora, no momento que corre, é a de se poder vislumbrar cenários onde isso seria uma séria possibilidade).

Obviamente, foi mais um momento à "cargo cult", versão adaptada e europeia, e serviu para o que serviu.

No entretanto, a situação dos mares tem vindo a tornar-se cada vez pior: acidificação, poluição, zonas mortas, sobre-exploração dos pesqueiros, etc.. As notas referenciadas abaixo evidenciam-no. Numa delas, é referida a importância crescente da aquacultura no abastecimento de pescado - nesse particular, não sei o que se poderá fazer nos Açores, mas, e isso é importante para a Região (e daí a ligação ao que se diz no primeiro parágrafo), é referido o facto óbvio (o óbvio para uns, não o é para outros) que essa evolução irá valorizar economicamente, de sobremaneira, em termos relativos e absolutos, o produto da pesca tradicional. 

Ora, temos aqui uma janela de oportunidade. O que se deve fazer? É fácil (ironia fácil): é pescarmos à Islandesa: recuperação do nível ótimo do stock biológico dos mares açorianos, proceder à exploração económica ótima (logo sustentável) desse stock, e dominar-mos toda a cadeia de valor do pescado. Isso obrigará a coisas comezinhas como a gestão rigorosa, a fiscalização rigorosa, a criação de zonas vedadas à exploração pesqueira, etc. etc.. Para isso é necessário tudo aquilo que possam pensar (investigação, legislação, apoios, polícia marítima,...) e mais uma coisa: uma condição sine qua non - ter as populações, e os agentes do sector conquistados para todo esse rigor, e modo diferente de fazer a pesca. Para isso é necessário, como é obvio (não se esqueçam do que se diz do entendimento do que é óbvio) fazer política. Política, como alguém dizia, é convencer os cidadãos a seguir um dado caminho coletivo. Ora, nos tempos que correm, em que a política é feita pelo orçamento, em função do orçamento e para o orçamento - a verdade de que ninguém fala é que os políticos que mais denunciam o economicismo, são economicistas - toda esta conversa é música das esferas para a nossa classe política: não percebem a necessidade, e mesmo que tivessem essa inquietude, não sabiam como se desincumbir da tarefa. 


The End of the Line - TIME

But we may be coming to that realization too late, because it turns out that even the fathomless depths of the oceans have limits. The U.N. reports that 32% of global fish stocks are overexploited or depleted and as much as 90% of large species like tuna and marlin have been fished out in the past half-century. Once-plentiful species like Atlantic cod have been fished to near oblivion, and delicacies like bluefin tuna are on an arc toward extinction. A recent report by the International Programme on the State of the Ocean found that the world's marine species faced threats "unprecedented in human history" — and overfishing is part of the problem.

Read more: http://www.time.com/time/health/article/0,8599,2081796,00.html#ixzz1RW2r6lEL

Have jellyfish come to rule the waves? | George Monbiot | Environment | guardian.co.uk

A combination of overfishing and ocean acidification (caused by rising concentrations of carbon dioxide in the atmosphere) has created the perfect conditions for this shift from a system dominated by fish to a system dominated by jellyfish.

If this is indeed what we're seeing, the end of vertebrate ecology is a direct result of the end of vertebrate politics: the utter spinelessness of the people charged with protecting the life of the seas. In 2009 the Spanish fleet, for example, vastly exceeded its quota, netting twice the allowable catch of mackerel in the Cantabrian Sea, and no one stopped them until it was too late.

Last week, the European commission again failed to take action against the unilateral decision by Iceland and the Faroes to award themselves a mackerel quota several times larger than the one they agreed to, under their trilateral agreement with the EU and Norway. Iceland and the Faroes have given two fingers to the other nations, and we appear to be incapable of responding.

World’s oceans in ‘shocking’ decline, report finds ‘speeds of many negative changes … are tracking the worst-case scenarios’ | ThinkProgress

12 de julho de 2011

Isto é só parte da história ...

Gráfico interessante, mas no caso português, por um lado, é necessário ter em conta que não é referida a totalidade da dívida externa, mas por outro, que isto já reflete os efeitos dos aumentos dos juros devido à reação dos mercados, e, ora, a questão é mesma a de saber se essa reação é relativamente adequada: que merecemos apanhar, OK, e os outros? Não me convencem os comentários que acompanham a nota do Economist no que respeita à explicação do tratamento diferenciado dado à divida soberana dos diferentes países.

Debt management: My bills or yours? | The Economist


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Sobre o outro grande domínio de complacência actual: o que a ciência do aquecimento global sabe e não sabe


...The science of global warming is far from settled
Nigel Lawson, “An appeal to reason: a cool look at global warming”, 2008.

Climate skeptics often claim that although increasing levels of carbon dioxide may be causing global temperatures to rise, there are many uncertainties in climate science - with the implication that it would be unwise to put in place potentially expensive or disruptive measures to reduce emissions. For those not actively working within the field of climate science it can be difficult to determine just how sure scientists are of what they are saying.

In order to do so it is important to understand the method by which science proceeds. Science progresses by testing theories, examining results, repeating the tests and extending the theories. It's this process that allows valid results to be confirmed, and disproven theories to be abandoned. Over time, as a large supporting body of evidence is built and attempts to disprove a theory have failed, that theory can be considered sound. Although we can never be absolutely certain that a theory is true, we can be confident in it given a large volume of supporting evidence and numerous failed attempts to disprove it. (Well, that's the theory. In practice, the process is usually a bit messier). 

So here’s a brief article summarising what bits of climate science we have strong evidence for, and what we are less sure about. [Obviamente, é para continuar a ler.]

Não sei qual seria a epígrafe mais adequada, e não me vou dar ao trabalho de tentar descobri-la.

Foi num editorial do próprio Economist, em finais da década de 90, em que eu li que o grande perigo, ou o grande pecado passível de ser cometido no século XXI, seria o da complacência. Calou fundo em mim essa evidência - mas o que é evidente para uns, não o é para outros - , e essa história já a referi neste blogue. Muitos exemplos podem ser dados de processos em curso que se arriscam a demonstrá-lo: o que se passa no domínio da política económica nos EUA e na Europa é um deles, e o mais dramático no curto, curtíssimo prazo.

A nota abaixo é reproduzida na totalidade. É sintomática e reflete o espírito com que muitos estão a viver o momento. Preocupem-se:
 

READING about the economic policy debates of the interwar years is a painful experience. Time and again, leaders faced decisions with potentially momentous consequences, and all too often leaders got those choices wrong. A voice of reason was often at hand, sometimes tantalizingly close to winning the day. Few observers imagined the catastrophe that loomed ahead. It was difficult, then, to conceive of the idea that governments would pilot their economies toward avoidable disaster. And yet disaster struck all the same.

Ostensibly we've learned something from that experience. Supposedly, we're better at countercyclical policy, and we're better at preventing economic downturns from leaving people utterly destitute, and we have better institutions to help us contain crises and coordinate international action. And honestly, things could be much worse. Government intervention did prevent a collapse on the scale of the Great Depression. A recovery—albeit a weak one—has been sustained for about two years. The impression seems to have formed, across broad swathes of the rich world, that the economy came close to the brink but was yanked back, and now remains a safe distance away from disaster.

This may well turn out to be the correct view. Certainly, my sense of the American economy, at this point, is that growth is far weaker than it should be but is likely to improve over the next 12 months. Yet I inevitably qualify this statement with caveats about the potential shocks that could derail recovery. The really disconcerting thing about these threats is, first, that there are so many of them—and what are the odds that we manage to dodge every bullet?—and, second, that management of these ticking time bombs has been appalling.

In America, there is reason to be concerned about the Fed's ambivalence regarding unemployment and the government's enthusiasm for short-term spending cuts. But the big danger is that Congress will not reach an agreement to lift the debt ceiling before the Treasury runs out of money on or around August 2nd. If no agreement is reached and the Treasury is forced to begin prioritising spending, the economic blow would be severe; it would amount to an immediate cut in government spending of about 44%. And should the worst happen and a default occur, it's difficult to know what would happen to the global economy, but the outcome would almost certainly be something extremely bad.

Despite this, and despite the blanket coverage of debt talks, there is a remarkable nonchalance to the political negotiation over the debt ceiling. Now that could be because everyone knows there's a contingency plan to get something passed before the deadline. I'm not confident this is the case. And I have been stunned by the willingness in Washington to play games with this vote. Perhaps all will end well, or well enough. The fact is, the parties are flirting with one of the great political mistakes of modern times. And to no small extent, the lack of public outrage and panic makes the situation all the more worrisome; the politicians may begin to believe that failure to reach an agreement is acceptable.

As troubling as the debt-ceiling battle is, the situation across the Atlantic is worse. Europe's approach to its crisis has long been disappointing, but up until now it hasn't shaken my view that the euro zone could and would take the necessary steps to come through the mess in one piece. I'm no longer sure I believe that. The moves in debt markets over the past week threaten to place Italy and Spain squarely in the crisis mix. If markets lose faith in Spain and Italy, the euro zone's task becomes much more difficult. A real solution would require a unity of purpose and a financial commitment significantly greater than euro-zone governments have yet managed. Given the souring of public opinion around the continent and the weakness of European institutions, it seems probable that a major increase in stress would split the union rather than draw it closer together. The situation in Europe isn't unsalvagable, but again, the complacency and nonchalance with which euro-zone leaders are puttering about on the edge of a precipice is staggering.

Few of us expect very bad things to happen. And that's usually reasonable; very bad things don't often occur at global economic scale. But quite often bad things don't occur because people are working very diligently to prevent them from happening. So when I see leaders of major economies stuck in vulnerable positions dithering amid circumstances in which very bad things are a possibility, I grow concerned. I start to wonder if this isn't how things looked, a little at least, to observers during the interwar years. This is no time for complacency! It's a time to work very hard to try to prevent very bad things from happening! Will policymakers realise this before it's too late?

11 de julho de 2011

Reparos

A tese de  Marcelo Rebelo de Sousa de Portugal de ter sido usado como carambola para passar um aviso à União Europeia quanto ao modo como irá resolver o problema grego, tem todo o sentido: “Portugal foi atacado para atacar a Grécia” | Económico.

No entretanto, não me apercebi que, quando me referia aqui à Itália nestes termos: "....e isso poderá explicar em parte, porque, apesar da má saúde dos seus indicadores, ter passado ao lado, pelo menos até agora, da má vontade dos "mercados"", esse período de graça já tinha terminado.

Quanto ao momento europeu, gostei desta nota:


ALL along, it has been clear that sovereign-debt troubles in Greece, Ireland, and Portugal were primarily a political challenge, rather than an economic challenge, for the euro zone as a whole. Insolvency was and remains a serious issue for these smaller peripheral economies, but because they're small there was no question of Europe's ability to handle the mess, only a question of how costs might be shared.
There was a risk, however, that a badly mismanaged effort to deal with the debt mess in these small countries could shake market confidence in the debt of other and larger economies, most notably Spain and Italy. If Spain were plunged into a Greek-like situation, the fiscal math of the crisis would suddenly grow much more difficult. And should Italy fall into serious trouble. As a Schumpeter post from Friday put it:
If Spain has long been considered too big to fail, then a full-blown Italian debt crisis would be cataclysmic. The country’s bond market is the third-largest in the world, after America’s and Japan’s. That has been seen as a source of a comfort: bond investors find it hard to avoid a market that big and liquid. But it is also a source of widespread financial infection.

That post goes on to make a critical point: sovereign and bank exposures to Italian debt are far larger than are exposures to the debts of any other troubled country. If there have been fears that a Greek default might require a new round of bank recapitalisations, well, one shudders to think of the impact on banks of an Italian restructuring. [....]

10 de julho de 2011

Notícias do futuro ou o peso do consumo chinês em alguns produtos e matérias primas



Taxas efectivas de IRS na Europa

Effective EU Corporate Tax Rates - Blogs - IIEA - The Institute of International and European Affairs


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Notícias do futuro



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Para ilustrar um dos pontos da anterior nota ....

Economist's View: Top 5 Charts on the Bush Tax Cuts

E, no entretanto, nos States ...

Sou um indivíduo com muitas preocupações não-pessoais, como é bom de ver. Uma dessas preocupações prende-se com os EUA, e é uma preocupação holística - tem a ver com muitas coisas que se passam, ou não se passam lá. Se os EUA falham neste momento o futuro poderá ser excecionalmente problemático - tenho adquirido que vá sê-lo, problemático, em qualquer caso. Mesmo com o que se passa na Europa, a ter a importância que tem, isso não qualifica menos aquela outra preocupação - podem contagiar-se, aliás.

A crise económica mereceu, num primeiro momento, em todo o mundo, uma resposta keynesiana (renegada em seguida): aumentar a despesa pública como modo de suprir a quebra da procura privada em termos de consumo e de investimento. Essa resposta não foi a adequada em termos de intensidade em muitos países: - por não ser a suficiente ao que a situação exigia, como aconteceu no caso dos EUA e da Alemanha; por ser excessiva ao que a situação interna permitiria, como aconteceu no caso de Portugal - veja-se que no caso da Itália, por exemplo, devido ao estado das suas finanças públicas aquela resposta foi muito modesta e isso poderá explicar em parte, porque, apesar da má saúde dos seus indicadores, ter passado ao lado, pelo menos até agora, da má vontade dos "mercados".

Mas o caso dos EUA sobressai, e devido ao seu peso na economia mundial, esse efeito tem sido determinante na manutenção de um estado de recuperação económica titubeante. Um programa de estímulo económico mais ambicioso teria sido factível devido ao facto do Governo dos EUA poderem financiar-se de modo muito barato nos mercados - a situação monetária dos EUA conforma-se como sendo a da armadilha da liquidez - e pelo facto da imposição fiscal ter ainda uma margem muito grande de crescimento potencial seguro - os EUA tem níveis de imposto sobre o rendimento baixos em comparação com os europeus, e não tem o equivalente ao IVA. Isso tem sido verdade desde 2008, continua a sê-lo em 2011, mas ninguém sabe se continuará a sê-lo por muito mais tempo.

Que o programa de estímulo não foi o suficiente, prova-lo o sustentado nível de desemprego elevado, mesmo contando com o efeito dos programas de crescimento monetário promovidos pelo FED - economistas já apelidam a Grande Recessão de 2008-2009 de Pequena Depressão. Politicamente não há vontade de resolver o desemprego - ao desemprego é atribuído causas estruturais, e não cíclicas decorrentes de uma procura agregada insuficiente (se é estrutural não é resolúvel por um segundo pacote de estímulo orçamental). É recusada a possibilidade de recorrer ao aumento dos impostos, ou, tão simplesmente, fazer terminar os cortes de Bush, como modo de atenuar no médio prazo o peso e o perigo duma dívida pública excessiva. A saída apontada é a austeridade, a diminuição da despesa pública, que em retroação irá tornar mais fraca a recuperação - fala-se já da possibilidade séria do retorno da recessão.

Em síntese, os EUA poderiam fazer (ainda) aquilo que Portugal não pode: financiar um novo programa de estímulo à economia - aumento da despesa e investimento público - recorrendo ao aumento da dívida pública, financiada (ainda) a taxas de juro muito baixas, recorrendo ao aumento (moderado) dos impostos para sustentabilizar as contas públicas no médio prazo. Não é isso que sucede. Aliás, está a piorar: os republicanos recusam aumentar o nível autorizado de emissão da dívida, e ultrapassado o prazo para isso ser feito, o cenário poderá tornar-se muito grave - o rating da dívida pública norte-americana manter-se-á? Note-se que a emenda (um compromisso) poderá ser só um bocado melhor do que o soneto (a recusa de autorizar o nível de endividamento).

E tudo isso sucede por razões ideológicas e político-partidárias - a vontade de definhar o estado; a captura da máquina legislativa (e executiva?) por interesses privados e particulares; a vontade de impedir a reeleição de Obama (a Guerra Civil ainda continua a ser travada lá)..... Para tornar uma história longa numa curta - a nota vai comprida -, a razão está no facto, como dizia um comediante norte-americano, do Partido Democrata ter passado à direita, e o Partido Republicano ter entrado no manicómio.

Esta conversa toda para contextualizar um pouco o que se segue: 

9 de julho de 2011

Rir de coisas tristes


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Preguiça? Hum....


[....] The downgrade decision was justified by Moody's on two accounts. First, the low growth of the Portuguese economy, the high budget deficit, and the political uncertainty on the government's ability to change things. But, these problems are years-old news, and nothing in the past week made them look worse. In fact, with recent elections giving 80% of the vote to parties that are committed to the IMF program, and the announcement of a surprise tax hike, the news has been moderately positive on those concerns. The only backing I can find for this Moody's argument is the revision down of growth forecasts and poor numbers on government spending in the first quarter. But these are week-old news. So, at best, Moody's analysis are right, but lazy, taking weeks to digest simple news.

Second, Moody's points to the new plan to "voluntarily" restructure Greek debt, and the suggestion that this plan could be offered to Portugal's creditors as well. This makes a lot of sense to me, although the Sarkozy plan is very far from likely being adopted. As Alvaro puts it below, it puts the blame of the downgrade squarely on the EU's too-frequent grand announcements and retreats. But if this European shock justifies a 4-level downgrading of Portugal, how can it not involve an even modest change in outlook for Ireland, Spain or Italy? Again, the only explanation that I can come up with is that Moody is being lazy, and will downgrade those ratings too but only in the next few weeks, when it gets around to it.

Convirá ler a nota na totalidade. 

7 de julho de 2011

Lições do Norte

Tem piada e faz uma boa leitura. Porque razão os suecos tem o sucesso que têm? O trecho transcrito abaixo termina a peça; é apresentado como aperitivo para uma leitura completa que, depois, permita listar as diferenças....


Here are my top ten tips to make your world a little more Swedish:

1. Work hard every day you work, be modest, and don’t look for shortcuts.
2. Prioritize your private life, and refuse to compromise it away for work. If you need to, trade a higher salary for more time off.
3. Tell uncomfortable truths, and skip the jargon.
4. Always innovate. If it has been done before, do it differently or don’t do it at all.
5. Collaborate, and give credit where credit is due.
6. If you’ve got that sweet corner office, turn it into your team’s project room and move your desk back out onto the floor.
7. Keep structures and titles as flat as possible. You may need your title on occasion, but don’t take it too seriously or use it as a wall.
8. Promote the doctrine that everyone contributes ideas.
9. Kill your darlings for the good of the project.
10. Cultivate a culture of responsibility with freedom. Let people know that they’re allowed to fail, and don’t punish honest failure.

Boa síntese (ou o insuflar das velas) e boa questão


[....] No caso de Portugal, o Estado de Bem-Estar construiu-se soprado por três efeitos, que por vezes concorreram simultaneamente, por vezes alternadamente, no último caso insuflando um pouco mais as velas quando o efeito anterior deixou de se fazer sentir.

O primeiro foi o ‘crawling peg', o sistema de desvalorização mensal utilizado pelo país entre 1977 e 1990, que embaratecia as nossas exportações e dificultava as importações, permitindo evitar que nos confrontássemos com a nossa baixa produtividade.

O segundo foi o bónus do crescimento mundial (e europeu) da segunda metade dos anos 80, co-adjuvado por uma insólita vaga de investimento estrangeiro e pelos famosos "fundos estruturais" da CEE.

O terceiro seguiu-se a este e consistiu nas receitas das privatizações, acompanhadas da queda das taxas de juro resultante da política monetária para a entrada no euro; ambas as coisas permitiram uma estranha combinação: explosão da despesa pública, redução da dívida pública e reequilíbrio orçamental; como é evidente, isto só pôde existir muito transitoriamente.

Agora, haveria apenas uma maneira rápida de continuar na mesma rota: sair do euro e regressar à manipulação cambial para voltar a soprar as velas. Na incapacidade de o fazer, sobra o desmantelamento desta civilização, que é o que nos propõe a dita ‘troika' e o novo Governo: reduzir funcionários públicos, os programas de Saúde e de Segurança Social. Não é uma questão de ideologia. É uma questão de dinheiro. O PSD é tão responsável pela construção do Estado de Bem-Estar quanto o PS. O PS andou o último ano e meio a inaugurar estas hostilidades.

Mas se, no início, o grande problema é o dinheiro, no final não é: se vamos desmantelar esta civilização, qual será a que podemos oferecer em alternativa? Se a democracia de Bem-Estar não pode sobreviver, o que pode existir no seu lugar?

 Ler o artigo na totalidade.

6 de julho de 2011

Anomalias


This isn’t space and astronomy-related, but this video of the massive dust storm that swept through the Phoenix area yesterday is just amazing, if not apocalyptic! Mike Olbinski, a photographer from the area shot this timelapse, and on his website says, “There are really not many words to describe this dust storm, or what we call it here (and they also do in places like the Sahara Desert)…a haboob. This was a haboob of a lifetime. I’ve lived in Phoenix for my entire 35 years of existence and have never seen anything like this before. It was incredible.”

4 de julho de 2011

Desigualdade versus disfuncionalidades sociais



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Leitura do artigo recomendada - aliás, o Blogue Understanding Society deveria ser de acompanhamento obrigatório. Obviamente ter em atenção o posicionamento de Portugal

Ponto da (nossa) situação


Nessa perspectiva, tem-me vindo irresistivelmente à memória um texto que publiquei neste mesmo jornal em Outubro de 2002, intitulado "Os Nossos Problemas". Relendo-o agora, passados quase nove anos e quatro governos, a frustração é grande. Vejamos os problemas então enunciados:

• "Uma estrutura produtiva maioritariamente terceiro-mundista que, para ser competitiva, exigiria níveis salariais incompatíveis com o actual padrão de rendimento do país e com a localização europeia.
• Um nível educativo desajustado no tempo e no espaço que, de tanto querer evitar os elitismos, acabou por concentrar num pequeno escol as capacidades indispensáveis para singrar no mundo desenvolvido de hoje. A capacidade de processar informação que utilize um vocabulário um pouco mais elaborado que o dos ‘talk shows' televisivos, que exija a compreensão de dados quantificados ou de um mínimo de conceitos abstractos é hoje apanágio dos que provêm de famílias com essas aptidões ou dos que, por puro bambúrrio, caem numa boa escola.
• Uma tradição sócio-cultural que considera o Estado como um aparelho ao serviço dos poderosos para exploração dos desfavorecidos, tornando aceitáveis, quando não louváveis, todos os comportamentos destinados a ludibriá-lo.
• Um sistema político e judicial que tanto se preocupou em evitar as prepotências do Estado que acabou por impedi-lo de defender os que cumprem as regras e de penalizar os que prevaricam.
• Uma classe política que se especializou na conquista do poder à custa dos benefícios que promete e dos fundos que consegue obter algures; ficaram, assim, ela mesma e o país, reféns de uma ajuda externa raramente gerida com vista à mudança estrutural e cultural que devia ter contribuído para assegurar a competitividade da economia e a identidade nacional, em planos que ultrapassassem os baixos salários e a capacidade reivindicativa de estirpe madeirense.

Na prática, cumprido o desígnio de integração na UE e na moeda única (e tendendo para o esgotamento os generosos fundos que lhes estiveram associados), o que resta à luta política é o desenterrar de escândalos que o sistema se mostra tão incapaz de travar como de resolver e que, dia a dia, mais confirmam o velho perdão nacional ao "ladrão que rouba a ladrão".

Recomenda-se (fortemente) a leitura total do artigo.

3 de julho de 2011

Ponto da situação do sarilho em que estamos metidos (numa perspectiva europeia]


[....] From the worm’s-eye perspective which most of us inhabit, the general feeling about this new turn in the economic crisis is one of bewilderment. I’ve encountered this in Iceland and in Ireland and in the UK: a sense of alienation and incomprehension and done-unto-ness. People feel they have very little economic or political agency, very little control over their own lives; during the boom times, nobody told them this was an unsustainable bubble until it was already too late. The Greek people are furious to be told by their deputy prime minister that ‘we ate the money together’; they just don’t agree with that analysis. In the world of money, people are privately outraged by the general unwillingness of electorates to accept the blame for the state they are in. But the general public, it turns out, had very little understanding of the economic mechanisms which were, without their knowing it, ruling their lives. They didn’t vote for the system, and no one explained the system to them, and in any case the rule is that while things are on their way up, no one votes for Cassandra, so no one in public life plays the Cassandra role. Greece has 800,000 civil servants, of whom 150,000 are on course to lose their jobs. The very existence of those jobs may well be a symptom of the three c’s, ‘corruption, cronyism, clientelism’, but that’s not how it feels to the person in the job, who was supposed to do what? Turn down the job offer, in the absence of alternative employment, because it was somehow bad for Greece to have so many public sector workers earning an OK living? Where is the agency in that person’s life, the meaningful space for political-economic action? She is made the scapegoat, the victim, of decisions made at altitudes far above her daily life – and the same goes for all the people undergoing ‘austerity’, not just in Greece. The austerity is supposed to be a consequence of us all having had it a little bit too easy (this is an attitude which is only very gently implied in public, but it’s there, and in private is sometimes spelled out). But the thing is, most of us don’t feel we did have it particularly easy. When you combine that with the fact that we have so little real agency in our economic lives, we tend to feel we don’t deserve much of the blame. This feeling, which is strong enough in Ireland and Iceland, and which will grow steadily stronger in the UK, is so strong in Greece that the country is heading for a default whose likeliest outcome, by far, is a decade of misery for ordinary Greeks.

There is one country in particular where this disconnection between the political, the personal and the economic poses an acute threat to the world economic order. That country is Germany [....]

Recomenda-se a leitura na totalidade.

Ponto da situação da economia dos EUA


A situação não é bonita.

1 de julho de 2011

Já tinha percebido que os economistas não estavam a ter uma vida fácil na Administração Obama - e quem o confirma são economistas amigos

The Number of Vacancies in Top Economic Posts is "Stunning" | Economist's View

During the worst economic crisis since the Great Depression, you hope not to read that:
Even before Treasury Secretary Timothy Geithner made noises about stepping down, the number of vacancies in top economic posts within the Obama administration was stunning.
The article lists:
  • Federal Deposit Insurance Corp. Chairman Sheila Bair is on her way out.
  • Also departing is White House Council of Economic Advisers Chairman Austan Goolsbee.
  • There are two open seats on the Federal Reserve’s seven-member board.
  • The Office of the Comptroller of the Currency ... and the Federal Housing Finance Agency ... have been run by temporary directors and permanent replacements have not been named.
  • The White House hasn’t nominated anyone to run the new Consumer Financial Protection Bureau
  • it also hasn’t tapped people to fill three key Treasury posts – the ones that oversees banking policy, economic policy, and tax policy.
  • Treasury’s undersecretary for domestic finance, Jeffrey Goldstein, plans to leave soon himself.
(And this doesn't even consider other unfilled positions, e.g. federal judges. - e ainda outros aqui não referidos que já saíram no entretanto)

Senate approval is one obstacle, but recess appointments are an answer. Unfortunately, it's an answer the president refuses to use even though the economic situation more than justifies it. If Republicans make an issue of it, good, it's a chance for the administration to highlight the degree to which Republicans have put politics above the struggles facing typical households. But, nope, it's better to fight the fire short-handed -- a fire that has done and is still doing considerable damage to middle and lower class households -- than make Republicans mad. Republicans are running around with matches threatening to start new fires if they don't get their way, and the administration seems to think calm, rational negotiation in the face of all of this will somehow win the day instead of allowing Republicans to take them to the cleaners yet again.

Fail.


Pois! É óbvio, mas o que é óbvio para uns não o é para outros ....


Em suma, a resolução do problema é politicamente dolorosa mas perfeitamente viável em termos económicos. Os ingredientes em falta são a confiança e a vontade política. Os eleitores alemães não estão convencidos que a sua prosperidade está ligada à sobrevivência do euro; e os eleitores das nações mais endividadas precisam de ver uma luz ao fundo deste túnel.


Numa pequena conferência, organizada pela Fundação Oriente em Portugal, apresentei um discurso com o título "O regresso da Europa à Vestefália". A ideia desta tese é a de que a União está a retroceder umas centenas de anos ao voltar a sucumbir à pressão dos nacionalismos.


O estado moderno europeu nasceu do tratado de paz de Vestefália em 1648. A doutrina da soberania estatal substituiu a decrescente autoridade supranacional da Igreja. Este sistema manteve-se até meados do século XX, quando a devastação causada pela Segunda Guerra Mundial acabou por demonstrar aos líderes do continente de que os custos em manter a ordem europeia através do equilíbrio de poderes se tinham tornado demasiado elevados.


Hoje em dia, os Europeus acreditam que o poder cedido à União é autoridade retirada aos governos nacionais que, perante a exigência de maior segurança por parte dos seus cidadãos, respondem "enfrentando" Bruxelas e recusando ajudar os seus vizinhos. Isto não tem qualquer lógica. À medida que o centro gravitacional global se desloca rapidamente para as nações emergentes, a fragmentação da Europa apenas irá acelerar o seu declínio.

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Nota: a acompanhar e ver quem é esse Miguel Morgado!


Na verdade, a visão dominante no Governo é mais liberal-conservadora do que libertarista. O liberalismo deste Governo fica reduzido à esfera económica e social e é conjugado com uma postura conservadora em matéria de costumes, tal como defende o CDS. Isso nota-se em muitas passagens do programa, como por exemplo no recurso retórico aos valores da família (ao mesmo tempo que lhe são retirados benefícios reais).

Um aspeto em aberto é o de saber se o liberalismo anti-igualitário e conservador deste Governo será ou não democrático. Parece-me significativo que Passos Coelho tenha nomeado como seu assessor político alguém que considero ser o nosso mais talentoso crítico da democracia: o meu amigo e ex-aluno Miguel Morgado. Uma das ideias fortes do Miguel é a de que "todos os Governos funcionantes são autoritários" e que, em democracia, não é possível a existência de autoridade. Isso leva-me a pensar que a grande tentação do actual Governo, no seu afã de ser "funcionante", consistirá em invocar uma espécie de estado de emergência - a lembrar Carl Schmitt - devido à ameaça de bancarrota, impondo autoritariamente à sociedade portuguesa uma liberalização radical da economia e das funções sociais do Estado, muito para além do memorando de entendimento e contra o espírito da Constituição. Para isso não será necessário um golpe de Estado no sentido clássico. A invocação da absoluta excecionalidade do momento será suficiente, desde que os restantes órgãos de soberania, em especial o Presidente, deixem passar a procissão. 
 
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