agora, sobre as atribulações de um independente de esquerda nestes tempos da III República ...
31 de janeiro de 2010
Confiar na tendência é perigoso, obviamente!
É bom saber
6 de outubro de 2009
E já agora...
16 de novembro de 2008
Leitura do Expresso desta semana
4 de novembro de 2008
A nacionalização do BPN
13 de junho de 2008
Regulação da produção alimentar (EUA)
- Op-Ed Columnist - Paul Krugman - Bad Cow Disease - Op-Ed - NYTimes.com Lately, however, there always seems to be at least one food-safety crisis in the headlines — tainted spinach, poisonous peanut butter and, currently, the attack of the killer tomatoes. .... How did America find itself back in The Jungle?
It started with ideology. Hard-core American conservatives have long idealized the Gilded Age, regarding everything that followed — not just the New Deal, but even the Progressive Era — as a great diversion from the true path of capitalism.
Thus, when Grover Norquist, the anti-tax advocate, was asked about his ultimate goal, he replied that he wanted a restoration of the way America was “up until Teddy Roosevelt, when the socialists took over. The income tax, the death tax, regulation, all that.”
15 de maio de 2008
Sobre a DGCI
17 de abril de 2008
Regulação dos mercados financeiros
Boeing would not survive if the aircraft it built fell out of the sky. Yet in the financial industry, huge blunders are also almost always made in common. If everybody is in the dance nobody is to blame and, in any case, governments, horrified by the consequences of a collapsing financial system, will come to the rescue...
...Yet I am not that optimistic about regulation either. Regulators are doomed to close the stable doors behind financial institutions that always find new and more exciting ways of losing money. It is, for this reason, crucial that the institutions, and unsecured creditors, feel some pain: the burned child fears the fire; singeing is less effective. Yet the fire must never burn too far, since that might destroy the entire economy. If regulation is to be effective, it must cover all relevant institutions and the entire balance sheet, in all significant countries; it must focus on capital, liquidity and transparency; and, not least, it must make finance less pro-cyclical. Will it ever work perfectly? Certainly not. It is impossible and probably even undesirable to create a crisis-free financial system. Crises will always be with us. But we can surely do far better than we have been doing. In any case, we are doomed to try."
9 de abril de 2008
Pobreza e desigualdade
- Economist's View: Is Poverty Caused by Irrational Behavior?: "Is the poverty trap caused by a fundamental change in behavior once the number of problems an individual faces crosses some critical threshold?". Esta ligação The poverty trap Free exchange Economist.com discute a tese referenciado na outra ligação: "Well, maybe. It seems to me that this depends on how much money you're talking about and how poor the recipients are. If I'm reading Mr Karelis correctly, then the state could cut a poor individual a very large check, but if that money fails to eliminate a critical mass of problems, then there's no reason to suspect it will be used to solve any problems. In that situation, targeted programs, while involving a bureaucratic cost, will at least be sure to treat one or two of those bee stings. A no-strings-attached check that failed to do its job may well be used to finance the accumulation of more problems."
- Começar de novo - DiarioEconomico.com. Artigo de Pedro Adão e Silva. Quanto à prática gramsciana da direita norte-americana ver também aqui:
"Na verdade, a administração Bush é o canto do cisne de um longo movimento conservador que rompeu com o consenso promovido pelo republicano Eisenhower em torno do New Deal de F.D. Roosevelt. Partindo de uma pequena base, tornou-se na força política dominante nos últimos 30 anos, expandindo os seus princípios muito para além dos EUA e nunca se circunscrevendo à influência estritamente política.
Naquilo que, aliás, foi a melhor das apropriações do conceito de hegemonia de Gramsci, esta combinação de proselitismo político com messianismo ideológico e desregulação económica percebeu bem a importância do “combate cultural”, promovendo as suas ideias em revistas, ‘think tanks’ e, mais tarde, em ‘blogs’. Bush foi apenas um dos homens escolhidos para personificar este movimento.É por isso que se hoje o mundo não encontra solução viável para o problema criado no Iraque, se os mesmíssimos actores que “regularam” o sistema financeiro nas últimas décadas aparentam lavar as mãos do caos instalado em Wall Street, as causas para que assim seja devem ser buscadas não em George W. Bush, mas, sim, no movimento político que, desde os anos 60, tem como principal objectivo contrariar as conquistas do New Deal. A sugestão de Krugman é olhar de novo para o New Deal. Naturalmente que o que está em causa não é aplicar as soluções que funcionaram no passado, até porque quer a natureza das circunstâncias, quer a dos problemas sociais variou substancialmente.
O que importa é sublinhar que sociedades mais igualitárias, onde as classes médias são dominantes, não emergem automaticamente, através da acção natural do mercado. Pelo contrário, têm de ser criadas através da acção política. Essa é, ainda hoje, a principal lição do New Deal: as desigualdades na distribuição de rendimento não são o resultado de forças que não podemos controlar e o reformismo político é um poderoso antídoto para o fatalismo. Desse ponto de vista, nenhuma das dificuldades que hoje enfrentamos é superior às que os EUA enfrentavam nos anos 20.
E hoje, como no passado, o objectivo político principal de um movimento progressista deveria ser o combate às desigualdades. Um tema particularmente relevante em Portugal, onde, garantidas as liberdades políticas, a persistência de intoleráveis desigualdades de rendimento continua a ser a principal ameaça ao exercício da liberdade individual."
- Forget Juno. Out-of-wedlock births are a national catastrophe. - By Emily Yoffe - Slate Magazine. É uma discussão já antiga nos EUA - as consequências sócio-económicas dos casais mono-parentais:
"In the last 50 years, there has been an extraordinary decoupling of marriage and procreation. In 1960 about 5 percent of births were to unwed mothers; that figure is now a record high of nearly 40 percent. Out-of-wedlock births used to be such a source of shame that families tried to hide them: Singer Bobby Darin was born to a teen mother and raised to believe she was his sister. But now out-of-wedlock births are greeted with a shrug. Some say they're an understandable response to economic realities. Others say they're a liberating change from the shotgun-wedding ethic that shackled two unsuitable people together for life." "... Scholar Kay Hymowitz, author of Marriage and Caste in America: Separate and Unequal Families in a Post-Marital Age, turns the argument around and says it's not that harsh economic conditions lead to women having children without fathers, but that the decision to have children without fathers leads to harsh, and self-perpetuating, economic conditions. She explains that having the belief that a solid marriage is central to one's life—that it precedes starting a family—encourages women and men to make important choices based on self-discipline and deliberation. This is a formula "needed for upward mobility, qualities all the more important in a tough new knowledge economy."
- Open Left:: Neo-Darwinism in action: Gap in life expectancy widens: A expectativa de vida reflecte as diferenças de rendimento (como será em Portugal e no resto da Europa):
"In 1980-82, Dr. Singh said, people in the most affluent group could expect to live 2.8 years longer than people in the most deprived group (75.8 versus 73 years). By 1998-2000, the difference in life expectancy had increased to 4.5 years (79.2 versus 74.7 years), and it continues to grow, he said"
Conjuntura
A situação económica mundial continua a não ser clara. Enquanto o Presidente do FED fala, pela primeira vez, de recessão, em público, há quem afirme que o pior - no referente às perturbações nos mercados financeiros - terá já sido ultrapassado devido às medidas tomadas. Não sei - o mais prudente é considerar que não vimos tudo o que temos para ver nesta matéria.
Abaixo dou conta de um conjunto de artigos, de que fui tomando notícia, ao longo dos últimos dias. Com o número de artigos referenciados e com os trechos que escolhi, isto vai dar uma nota extensa - mas quis arrumar o blogue e os rascunhos, neste particular.
FT.com / Columnists / Martin Wolf - The prudent will have to pay for the profligate: Pedagógico e instrutivo: explana quais as restrições de campo com que a política económica tem de lidar nesta conjuntura e dá pistas sobre o que poderá suceder - o reaparecimento da inflação, em força nos EUA, é uma possibilidade:
"You have enjoyed a debt-financed spending spree. But times are now harder: you find it impossible to roll over your debt; you have to pay much higher interest rates than before; or you find that the value of the assets you pledged as collateral is now less than your loan. What can you do? Provided enough of you are in trouble, you call for help from the fairy government-mother. Thus, George Magnus of UBS, among the wisest analysts of this crisis, has already observed, with some approval, that the crisis “is spawning an array of well scripted but highly unconventional public policy responses” – that is to say, rescues of various kinds.* Over-indebted individuals have just three choices: reduce spending below income, sell assets they own to somebody else or, if the worst comes to the worst, default. But one person’s debt is another person’s asset, one person’s expenditure is another person’s income; one person’s sale is another person’s purchase and one person’s default is another person’s loss. If very many individuals reduce their spending, in order to pay down their debt, the economy slumps. If many try to sell assets they own, their prices crash. If many default on their debts, financial intermediaries implode. The economics of an entire economy are not the same as the economics of a single household. That was perhaps the most important point John Maynard Keynes made.
... Hélène Rey of the London Business School has demonstrated ... three ways in which markets have malfunctioned: via the originate-to-distribute model, with its weak incentives to assess loan quality and wide diffusion of assets of unknown quality; via the vicious spiral in credit default swaps, with rising prices forcing a higher cost of funds on banks, so worse credit standing and so forth; and, finally, via tumbling market valuation of assets, with distressed sales in thin markets lowering solvency and forcing further sales. Each drowning institution drags others down with it. The solution they all desire is for the government to act as lender of last resort against illiquid instruments and buyer of last resort of impaired ones. While the former activity has been known since the days of Walter Bagehot’s Lombard Street, the latter is an overt bail-out. But for the sector as a whole, any other way of reducing excessive liabilities is far too slow, collectively ruinous, or both.
Now consider a second crucial sector: US households. They have been spending more than their income for a decade. Indeed, this spending has been the single most important counterpart of the persistent US surplus on the capital account (or deficit on the current account). In the process, households have accumulated ever more debt. How might households seek to reduce their indebtedness, collectively? They can try to sell assets. But they can sell houses only to one another, which would not, in aggregate, help. They can sell equities to the rest of the world, but their prices might crash first. They can default. Indeed, many seem likely to do so. But that would damage the financial sector’s solvency and, through that, either the government’s balance sheet, via bail-outs, or the balance sheet of other households, via losses on financial assets. Finally, they can cut back on spending. But that would guarantee a recession, if not a slump.
In the fourth quarter of 2007, household savings were still as low as ever, at 2 per cent of GDP. Imagine that they rose swiftly back to where they were in the early 1990s. That would be an increase of 4 percentage points of GDP. The result would be a deep recession. It is no surprise, therefore, that politicians are trying to rescue the housing market, while the Federal Reserve has been slashing interest rates with vigour. In such predicaments, the government always emerges as the lender, borrower and spender of last resort. It will act by bailing out insolvent people and institutions, by either replacing or guaranteeing the lending activities of the private financial sector and, not least, by running larger fiscal deficits, as private-sector financial deficits shrink.
...A jump in public debt is an invisible increase in long-term private obligations. But this is socialised private debt: the prudent pay for the profligate. An escape from the public sector’s debt trap exists: the mass default known as inflation. By destroying the purchasing power of money, the government can engineer a speedy reduction in indebtedness across the economy, at the expense of creditors, principally the elderly and foreigners. Inflation is a magic tax on creditors whose proceeds are directly transferred to debtors. The bottom line is simple. Neither households nor the financial sector, as a whole, can de-leverage swiftly, other than via a calamitous mass default or by shifting their debt elsewhere, usually on to the government. For an entire economy, particularly a huge one, to recover from debt-addiction is hard. However much one may loathe the idea, a private-sector financial mania will finish up as public-sector pain.
- Is this recession another Great Depression? Salon: Interessante leitura, embora deprimente (nada que não se saiba já) - faz um paralelo entre a situação actual e o que aconteceu após 1929: "We have not seen a nationwide decline in housing like this since the Great Depression," said the CEO of Wells Fargo late last year. "It is now clear that the U.S. and global financial markets are experiencing their worst financial crisis since the Great Depression," wrote economist Nouriel Roubini last week."
"... But we could get there. In fact, it would be all too easy. All we have to do is ignore what the markets and other economic indicators are telling us right now and continue down the disastrous path we've been merrily skipping along for the last 25 or so years. Want to see "The Great Depression: The Sequel"? Here's a handy three-step do-it-yourself action plan: 1. Continue to ignore growing income inequality and govern the United States for the benefit of the rich at the expense of the many. 2. Continue to whittle away at the safety nets that exist to cushion Americans from economic ill winds. 3. Continue to weaken government oversight of Wall Street. "
- Primavera em Berlim - DiarioEconomico.com: Um artigo de Bruno Maçães. Refiro-o aqui devido ao que diz neste excerto, mas o artigo deve ser lido na totalidade. A posição da indústria alemã é muito significativa e cruza com a discussão da actuação do BCE (ver aqui):
"A segunda ideia está relacionado com a crise que atravessamos e, mais especificamente, com a pergunta que todos querem ver respondida. Será que a economia europeia vai sobreviver à recessão americana e à valorização do euro? Recentemente, uma delegação da indústria alemã exigiu, para surpresa geral, a manutenção das taxas de juro da zona euro ao nível actual, parecendo mais preocupada com o risco de inflação do que com a perda de competitividade das exportações. A verdade é que as exportações alemãs continuam a crescer, independentemente da valorização aguda do euro, e para muitos a explicação reside num facto tão simples quanto extraordinário: muitos dos bens produzidos neste país são tão superiores à concorrência internacional que podem ser vendidos a qualquer preço. Há outras explicações, menos benignas, indicando que o crescimento recente das exportações pode depender de tendências mais ou menos passageiras da economia global. A questão é crucial: se a especialização da economia alemã em bens e sectores orientados para a exportação se atenuar, a vantagem comparativa dos restantes países da zona euro noutros bens e sectores também tenderá a desaparecer."
FT.com / Columnists / Clive Crook - Financial markets need more than a patch-up: Ém um artigo que refere as posições dos candidatos presidenciais e historia a conjuntura financeira. Vale aqui pela conclusão:
"The right answer may well be it is all of the above: innovation run amok; privately rational but socially harmful risk-taking; and an extra measure of moral hazard (thanks to the Fed’s new procedures) now thrown in. Each has its own implications for the future supervision of financial markets – but in one respect they point the same way. Running repairs alone will not do. We need an entirely new model."
- The Regulation of the Mixed Economy in Action Grasping Reality with Both Hands: Economist Brad DeLong's Fair, Balanced, and Reality-Based Semi-Daily Journal: Muito, muito interessante - uma lição de história sobre o modo como o mercado financeiro britânico foi supervisionado pelo Banco de Inglaterra, com uma citação de Marx e Engel, e transcrição dos artigos referidos abaixo. Termina de forma exemplar (ver abaixo todo o último parágrafo):
"Both the highly-intelligent Martin Wolf and the highly-intelligent David Wessel, I think, overstate the importance of what has happened in financial markets this month. Both of them--very smart as they are--talk as if there has been a big shift: an end to laissez-faire in financial markets: as if the Federal Reserve's discretionary actions to try to stabilize markets mark 'the day the dream of global free-market capitalism died' or 'the time the U.S. government discarded a half-century of rules... [o]n the Richter scale of government activism, the government's recent actions don't (yet) register at FDR levels.... But something big just happened.'"
From my perspective, at least, there never was such an animal as laissez-faire in financial markets...
...Why, then, are Martin Wolf and David Wessel with their Krell-like brains surprised at the fact that the Federal Reserve is composed of men (and women) willing to "assume a grave responsibility for the purpose of meeting" a financial crisis? I think that they are surprised because they--at some level--drank the koolaid, breathed in the miasma, were deranged by the effluvia of the vast right-wing conspiracy--the "drown the government in the bathtub" types. The argument against progressive income taxation requires a claim that the rich don't need any help from government, and is fatally undermined by any admission that the rich stand to benefit from the safety net as much--nay, enormously more in dollar terms--than the poor. But, as Robert Peel would put it, in financial matters the question is never laissez-faire vs. regulation, but always good smart regulation vs. bad stupid regulation."
- The financial system What went wrong Economist.com: A ler:
"And what of all the clever and misused wizardry of modern finance? Mr Greenspan was half right. Financial engineering can indeed spread risk and help the system work better. Like junk bonds, reviled at the end of 1980s, securitisation will rebound, tamed and better understood—and smaller. That is financial progress. It is a pity that it comes at such a cost."
Crises sistémicas e padrões de regulação - DiarioEconomico.com: Artigo de Luís Silva Morais
"A grande questão na actual crise do sistema financeiro diz respeito à dimensão dos cenários de intervenção pública."
- Robert J. Samuelson - Hold the Hysteria (For Now) - washingtonpost.com: Cruza com o artigo da Salon.com referido acima: "The Great Depression doesn't settle the issue. True, massive bank failures converted an ordinary recession into a calamity; but it's also true that government policy -- excessive rigidity by the Federal Reserve -- actually aggravated the banking collapse. Still, economic conditions in the 1930s (average unemployment: 18 percent) were so different from today's that casual references to 'depression' amount to fear-mongering. If catastrophe strikes, it will probably result from something we don't now know or haven't yet imagined."
- Ponto de viragem - DiarioEconomico.com: Artigo de Miguel Castro Coelho:
"...No último dia 16 de Março, o sr. Alan Greenspan classificou a situação actual como “a pior crise financeira desde o final da segunda guerra mundial” e tornou públicas três reflexões paradoxais que importa a este respeito recordar. Primeiro, segundo o sr. Greenspan, todos aqueles que (como ele) confiam no interesse próprio das instituições financeiras para proteger os interesses dos accionistas têm razões para estar em estado de choque perante os antecedentes da crise actual. Contudo, o ilustre ex-presidente da Reserva Federal Americana apressa-se a notar que seria um erro abandonar o sistema de auto-regulação financeira enquanto mecanismo de equilíbrio fundamental do mercado financeiro global.Segundo, o problema essencial, na perspectiva do sr. Greenspan, reside nas limitações dos actuais modelos de avaliação de risco e previsão macroeconómica, que não incorporam um tratamento diferencial apropriado entre momentos de expansão/euforia e recessão/medo. No entanto, reconhece ao mesmo tempo que a maior parte dos comportamentos duvidosos nos mercados financeiros em períodos de expansão/euforia não são o resultado de ignorância ou má avaliação de risco mas da necessidade dos operadores participarem na corrente de euforia para não perderem quota de mercado. Também reconhece que um hipotético aumento da eficácia dos modelos de gestão de risco na identificação de episódios de euforia poderia, por si só, ter como efeito o seu prolongamento e ampliação.Terceiro, perante isto, conclui que num futuro rescaldo da crise é fundamental proteger a concorrência e flexibilidade dos mercados enquanto forma mais fiável de protecção contra falhas económicas cumulativas.
A conclusão do sr. Greenspan ilustra bem aquele que é o maior risco que esta crise pode reservar para o futuro: o risco de nada se aprender, nada se fazer, e reincidir nos mesmos erros. Limita-se a desviar o olhar dos problemas nos sistemas de incentivos que caracterizam as instituições financeiras modernas e da sua capacidade para gerar crises e tomar como refém o resto da economia.
...Ignorar a tendência das instituições financeiras modernas para gerar resultados avultados no curto prazo, sem reflectir adequadamente os riscos que criam no médio/longo prazos e a sua capacidade para, mais tarde, tomar o resto da economia como refém quando os riscos vêm à superfície tem tanto de ingénuo quanto de perigoso. Ingénuo porque roça o fundamentalismo de mercado. Perigoso porque o fundamentalismo de mercado normalmente paga-se caro.
- The limits of change Free exchange Economist.com: "Given the scope of the challenges waiting for a new administration, it seems likely that attitudes toward institutional reform and conduct may end up being more important than attitudes toward policy. For years, the process of creating policy at home and abroad has moved fitfully. Success for the next president may be best judged by how well he or she was able to lubricate the world's political machinery and create consensus, rather than how much of the party platform became."
- An Explanation for Soaring Commodity Prices vox - Research-based policy analysis and commentary from leading economists: "The standard story for high commodity prices is rapid growth by China, India and company. But world growth is slowing, while commodity prices still hit new highs. This column suggests that the key may be low real interest rates. ..."
- Comment is free: Crony capitalism: "Geologists say they learn the most from extreme events like earthquakes that reveal the reality of the earth's crust. For the past 25 years, critics of the Fed have been dismissed, and the Fed's high standing has blinded the reality of its revolving door with Wall Street and its class-based conduct of policy. Now, the Fed's response to Wall Street's panic has revealed the reality of its crony capitalist world. That provides an opening for long-needed reform."
- Grasping Reality with Both Hands: Economist Brad DeLong's Fair, Balanced, and Reality-Based Semi-Daily Journal: Pois é! "When it comes to risky behavior in the market, America has a double standard. We're told that economic risk-taking as the key to entrepreneurial success, but when big entrepreneurs take big risks that fail it's amazing how often they get bailed out. Indeed, the history of modern American business is littered with federal bailouts, loan guarantees, and no-questions-asked reorganizations. Some are well known, such as the Chrylser bailout of 1979, the savings and loan bailout of 1989, and the airline bailout of 2001. Most occur in the relative dark, such as the 1998 bailout of giant hedge fund Long-Term Capital Management (courtesy of former Fed chair Alan Greenspan), the not infrequent bailouts of under-funded corporate pension plans by the government's Pension Benefit Guarantee Corporation, price supports for big agribusinesses facing market downturns, or the current bailout of Wall Street being engineered by Ben Bernanke's Fed...."
28 de fevereiro de 2008
SEDES e o mal português
- a ausência de líderes políticos - no actual panorama político nacional e europeu - definidos como sendo aqueles que antecipam os problemas e que actuam em conformidade - a contrário, a difusão do político enquanto "representante", vivendo da gestão do dia-a-dia da pequena política, daquela determinada pelas sondagens, etc.;
- a legislação é feita em grupos de trabalho que investigam quais são as melhores práticas e, depois, vertem isso na legislação nacional, esquecendo o facto do contexto ser diferente (o que altera as condições de eficácia dos dispositivos legais);
- como se efectua o processo de decisão sobre os grandes projectos e as grandes questões: não existe a prática dos livros verdes, brancos, a sustentar a sua discussão pública;
- o carácter asfixiante da regulamentação que dificulta, mas que possibilita, a posteriori, vender as "facilidades".
No que respeita à questão dos líderes, existe outra tipologia (do que conheço), mas confluindo com a referida por Campos e Cunha. Apanhei-a num livro de Howard Gardner (já lá vão mais de dez anos), Leading Minds - An anatomy of leadership, Harper Collins, 1996. Distingue entre: the ordinary leader; the innovative leader and the visionary leader:
"The ordinary leader, by definition the most common one,
simply relates the traditional story of his or her group as effectively as
possible ... does not seek to stretch the consciousness of his contemporary
audience. We can learn about the commonplace stories of a group by examining the
words and the lives of ordinary leaders; we are unlikely to be able to
antecipate the ways in which that group will evolve in the future.""The innovative leader takes a story that has been latent
in the population, or among the members of his or her chosen domain, and brings
new attention or a fresh twist to that story. In recent world history,
neither Thatcher nor de Gaulle ... created wholly novel stories. Rather, it was
their particular genius to have identified stories or themes that already
existed in the culture but had become muted or negleted over the years...
these innovative leaders may succeed in reorienting their times.""... the visionary leader... this individual actually
creates a new story, one not known to most individuals before, and achieves at
least a measure of success in conveying this story effectively to others... I
view individuals like Gandhi and Monnet as visionary leaders for our
time."
Que tipo de líderes necessitamos para os tempos que se avizinham?
24 de fevereiro de 2008
Expresso (23 de Fevereiro)
- Fernando Madrinha, sobre a entrevista de Sócrates, diz, a dado passo, a-propósito da pretensa deriva tecnocrática de Sócrates: “Mais ou menos o mesmo que certa “inteligência” dizia de Cavaco nos anos 90. Pois a desgraça da direita e a frustração da velha esquerda em relação a Sócrates resultam precisamente desse equívoco antigo e irresolúvel: esperavam uma espécie de Guterres e saiu-lhes, com as suas diferenças e sem ofensa para qualquer deles, uma espécie de Cavaco. Por isso lhes custa, como lhes custava com Cavaco, compreender porque é que, apesar de tantos defeitos, de tanta contestação e de tantas dificuldades, o primeiro-ministro manter ainda os índices de popularidade que mantém”. De acordo. Nunca votei em Cavaco; critiquei-o (calculem) por não fazer as reformas que o país precisava; ao Guterres dei-lhe o meu apoio, durante a primeira parte do seu primeiro mandato, porque não tinha maioria absoluta; nunca duvidei que Sócrates não seria uma “espécie” de Guterres.
Miguel Monjardino tem um artigo interessante sobre União Europeia. Afirma que além da ratificação do Tratado de Lisboa, a outra grande prioridade (assumida) da União é a de alcandorar-se a um papel de liderança internacional na gestão dos problemas de energia e alterações climáticas; que a União mantém claras ambições geopolíticas, apesar dos seus desaires de protagonismo na década de 90; que a Administração Bush serviu à União no sentido de enfatizar a necessidade dela assumir esse protagonismo; que a decisão tomada sobre o Kosovo vai nesse sentido (bater o pé à Rússia e ganhar espaço de manobra face à futura administração norte-americana); que essa trajectória de afirmação internacional, é conduzida de forma furtiva e é ignorada pela opinião pública europeia. Isto cruza com aquilo que Parag Khanna disse no New York Times sobre a futura dimensão da importância geo – estratégica da União Europeia (ver aqui). Quanto ao carácter furtivo desse trabalho de afirmação, não deixa também, no fundo, de reflectir uma característica transversal de todo o processo de construção europeia: a incapacidade e desleixo políticos em conquistar as populações para a necessidade dessa construção e do âmbito que ela deve ter.
- No caderno de Economia, há uma entrevista a Luís Fábrica, responsável pela comissão de reforma da Administração Pública, que me deixa preocupado e é de manter como referência para a apreciação futura da eficácia dessa reforma. Em particular, o que diz sobre a qualidade do texto da lei, é grave: mal feito, indiciando insuficiente técnica legislativa – a qualidade da produção legislativa é assunto muito sério que deveria estar na primeira linha de preocupações de toda a gente, mas não está (veja-se o modo como toda a discussão – inqualificável - da actuação da ASAE é enviesada porque ignora totalmente a questão determinante da qualidade da produção legislativa).
A-propósito da qualidade da produção legislativa fala, também, Saldanha Sanches, em A paralisia do poder. O que diz é que em Portugal, “o fim constitucional é que o poder paralise o poder”; “… ou fazer seja lá o que for, emperra em uma fila interminável de estruturas paralisadas e paralisantes que remetem a decisão de umas para as outras”; dá exemplos; fala das providências cautelares e da “inacreditável emaranhada teia de leis sobre o urbanismo”; tem palavras duras para os advogados, que são também deputados, na sua produção legislativa, e conclui com: “A proibição absoluta de mudar seja o que for é primeiro princípio do ordenamento jurídico português”.
Para concluir, uma referência, a um pequeno artigo, de Miguel Gouveia, da FCEE/UC, sobre a relação “entre o volume de actividade de uma unidade de saúde e a qualidade dos resultados”. Diz que a investigação é clara – pesquisar no Google “health care volume outcome effect”: unidades com pequenos volumes de cuidados (em qualquer área) “têm os piores resultados em termos de taxas de mortalidade ajustadas pelo risco, durações de internamento ou probabilidades de complicações e reinternamento”. Pergunta ao fim: quem será responsável, se o processo de racionalização e concentração dos cuidados de saúde for atrasado ou acabar, pelas mortes desnecessárias que ocorrerem no entretanto. Boa pergunta.
4 de fevereiro de 2008
ASAE (I)
Carros eficientes
1 de fevereiro de 2008
Crescimento, regulamentação e os outros
Jacques Julliard, do Nouvel Observateur, fala-nos do bom uso a dar ao relatório Attali. O relatório Attali discute e propõe um leque extenso de medidas destinadas a desbloquear o crescimento económico francês. Foi pedido por Sarkosy que promete cumpri-lo à risca - as medidas propostas são curiosas (a primeira é a de melhorar a formação dos educadores de infância) embora do grupo que vi - são trezentas e dezasseis medidas - muitas são específicas à situação sócio-política e económica francesa.
- Jacques Julliard diz coisas que são susceptíveis de serem tema de reflexão para outros contextos: " D'évidence, le rapport est d'inspiration libérale mais c'était sans doute inévitable. Il y avait peu de chances que, pour «libérer h croissance», on emmaillotât encore un peu plus les acteurs. «Libéral» ne s'oppose pas ici à «social», voire à socialisme, mais à dirigiste et même étatique." Isto cruza com aquilo que João Cardoso Rosas diz (referido numa nota deste blogue).
- Mas o que se segue, se serve de reflexão para o caso português, deve sê-lo com algum cuidado : "La conviction des membres de la commission, toutes opinions confondues, est en effet que la conception d'une société réglementée, qui continue de prévaloir en France, la rend incapable d'affronter les défis de la mondialisation et explique en grande partie son déclin, au moins relatif, dont aucun en vérité ne doutait." Em Portugal, grande parte da regulamentação (que é excessiva, do estrito ponto de vista legislativo: - o número de instrumentos legais a que está sujeita a actividade dos restaurantes, de acordo com a informação transmitida pelo presidente da associação empresarial do sector, no programa Expresso da Meia-noite, da SIC, é absurdo) não é uma restrição activa - existe na lei mas não é aplicada. Temos o pior dos mundos em termos de regulamentação: temos má regulamentação, e a boa não é relevada, e a nossa gente (todos), vive bem com isso. Quando a regulamentação (a má, a menos má, a razoável e a boa) é aplicada (porque é lei, e a lei é para cumprir - evidêncial trivial que não é trivial em Portugal), cai o Carmo e a Trindade - veja-se o caso das reacções à actuação da ASAE.
- Outra frase: "Alors que, dans toute la société, la notation règne en permanence, pour le médecin, le commerçant, l'artiste, le sportif, et maintenant le ministre, tous confrontés de facto aux performances de leurs concurrents, il est anormal que le fonctionnaire, supposé incarnation parfaite de l'Etat hégélien, échappe, à toute comparaison, à toute remise en cause." De novo, em Portugal, o problema não é, não haver avaliação - é o modo como é feita (o que por sua vez indicia problemas mais profundos e mais sérios).
- Ainda, mais outra: "Reste le fond du diagnostic : la France va mal et, dans tous les domaines, elle a besoin de remèdes de cheval. Soit. Mais il va falloir en convaincre les Français, et d'abord Nicolas Sarkozy lui-même qui, dès son arrivée en fonction, a tourné le dos à cette façon de voir. Au lieu du discours churchillien qui s'imposait, il a commencé à distribuer de l'argent à ceux qui n'en avaient pas besoin et s'est assis sur sa promesse de réduire la dette." Gosto muito da expressão: discurso churchiliano - a-propósito veja-se o que se diz na nota anterior sobre a importância da liderança política.
- E, finalmente, (gosto mesmo do conteúdo desta frase): "On le voit mal, dans ces conditions, épouser la logique d'un rapport fondé sur le pessimisme de l'analyse et l'optimisme de la volonté." Pessimismo da análise e optimismo da vontade - excelente.
PS(1): Ver também no Nouvel Observateur, por Claude Weill, uma crónica
onde se fala de Ségolène Royal e do que esta diz sobre o tema da esquerda versus
desigualdade e justiça social e de outras coisas. Descobri, agora (08.01.31), na Causa
nossa, uma referência à reacção da esquerda francesa ao Relatório Attali
(excepção feita da Ségolène Royal). (08.02.01) Luís Silva Morais, no Diário
Económico, faz referência ao Relatório Attali e faz a ligação a Portugal.
PS(2): Mais uma frase do Nouvel Observateur, duma entrevista
ao sociólogo Jean-Pierre Le Goff sobre a sociedade francesa : "Quand la
société ne trouve plus à s'insérer dans une histoire collective et un ordre
institutionnel stable, les individus sont autocentrés et les rapports
sociaux sont dominés par les affects et les sentiments."
PS (3): Para eu ficar comprometido comigo mesmo: tenho de
escrever sobre
a ASAE e sobre o Tratado de Lisboa (e queria falar de Correia de
Campos). A
irritação que sentia (e que sinto) com o processo ASAE, foi um dos
motivos
que me levaram a ter um blogue - para ventilar as minhas perplexidades e
irritações de cidadão.
19 de janeiro de 2008
Na esteira dos problemas do BCP
"A crítica que pode fazer-se ao texto reside apenas na
confiança que revela no papel dos accionistas que, diz o autor, “merecem
explicações melhores”, aparentemente esquecendo que, no actual modelo
financeiro, também a larga maioria dos accionistas actua segundo a mesma óptica
de curto prazo, procurando as remunerações enquanto elas se manifestam e
exigindo depois que as autoridades intervenham para resolver rapidamente as
crises e repor os seus ganhos. Se a descida das taxas de juro não bastar,
nacionalizam-se os prejuízos, um tema a que se refere um outro excepcional
artigo de Martin Wolf, também no “Financial Times”, que conclui pela necessidade
de intervenção das entidades reguladoras, mesmo considerando “horrível” a ideia
de tal actuação. Defende-a, no entanto, por temer “que a combinação da
fragilidade do sistema financeiro com as enormes remunerações que gera venha a
destruir algo ainda mais importante a nível global: a legitimidade política da
própria economia de mercado”.
18 de janeiro de 2008
Como estruturar a regulação a nível europeu
"...Várias razões justificaram esta progressiva construção do projecto da UE na base de um projecto de regulação da economia que se foi impondo aos Estados membros. Desde logo, o facto de a CE e depois a UE terem sempre assumido poderes muito limitados no plano da redistribuição da riqueza e da estabilização macro-económica (ainda hoje não existe um orçamento comunitário que traduza um real instrumento de política económica à escala comunitária). Esse aspecto fez avultar na construção comunitária a dimensão da regulação como uma intervenção indirecta na economia. Em segundo lugar, essa dimensão de regulação correspondeu a um reflexo dos processos de liberalização, mediante a extinção de anteriores monopólios públicos, sobretudo nos sectores tradicionalmente conhecidos como ‘utilities’. .... Conhecido é também o facto de a UE ter evoluído quase como um “laboratório” de experimentação institucional, pois o desenvolvimento destes fenómenos de regulação tem-se cruzado com o desenvolvimento paralelo de um sistema de ‘multi level governance’ (articulando a posição dos Estados membros e das instituições comunitárias). Esse cruzamento impôs alguns limites e equilíbrios à transferência de poderes de regulação dos Estados para a UE. A UE respondeu de forma criativa a esses limites, sobretudo através da criação de redes de autoridades reguladoras nacionais, articuladas com a Comissão Europeia ou com outros organismos comunitários. Trata-se de redes que funcionam nalguns casos com relativo grau de informalidade, sem prejuízo de alguns poderes de coordenação exercidos pela Comissão Europeia. Curiosamente, esta complexa arquitectura institucional tem apresentado virtualidades. Em especial, este original modelo complexo e relativamente descentralizado de regulação – com ‘checks and balances’ múltiplos entre o plano nacional e o plano comunitário – pode apresentar vantagens face a modelos mais concentrados de regulação, como o norte-americano.Entre outros aspectos, a sua própria fragmentação e descentralização – sem prejuízo de alguns elementos centrais de coordenação exercidos a partir da UE – pode tornar mais difíceis os processos, muito teorizados nos EUA, de captura dos reguladores pelos interesses regulados (muito glosados recentemente entre nós quanto ao sector financeiro, por más razões, com muitos equívocos e sem estes rótulos teóricos). Assim, importa ponderar com extrema cautela o passo de criação de novas autoridades reguladoras comunitárias, sobrepondo-se a autoridades nacionais. O mercado único não impõe forçosamente soluções únicas e os modelos mais descentralizados de regulação podem ainda ter virtualidades significativas a oferecer. Naturalmente, tal obriga a que não exista pensamento único e consigamos encontrar formas originais de combinar o aprofundamento da integração europeia com uma não completa diluição dos Estados. Pensar por antecipação nestas questões – em lugar de aceitar acriticamente soluções apresentadas como quase inevitáveis – será um bom programa para os próximos anos. ..."
10 de dezembro de 2007
Conjuntura, inovação financeira e regulamentação
Mas onde se encontra a tal dose de ironia que mencionei no início deste texto?
No facto de economistas liberais como Hayek e Mises colocarem a tónica na
centralidade do preço de mercado aberto e transparente, que consideram crucial
para a coerência do capitalismo liberal. O valor das coisas é fixado pelas
preferências subjectivas dos consumidores, pelo que o preço deixa de ter sentido
quando exterior à interacção dessas preferências subjectivas. O valor,
precisamente aquilo que o preço representa, não pode ser fixado por um modelo
estranho ao preço de mercado. Logo, o preço é a medida do valor, ou seja, não
existe outro sentido de valor associado aos bens económicos. Nesta perspectiva,
o preço constitui uma ferramenta informativa crucial para a economia de mercado,
pois indica onde está a procura e o que devem fazer empresários e fornecedores –
e quais os custos – para satisfazer a procura. Desvincular o valor do preço
significa que passámos para a esfera do irreal, do metafísico. A ironia reside
no facto de a grave crise nas economias capitalistas liberais poder abrir
caminho a uma maior regulação e intervenção governamental, e, in extremis, a um
maior nacionalismo devido à substituição da lógica de valor e preço por
concepções abstractas de preço, que não podem, enquanto tal, assumir o papel
indispensável até aqui desempenhado pelo preço na economia capitalista, visto
carecerem de uma base racional. Neste contexto, existem fortes razões para
pensarmos que os modelos matemáticos não podem captar nem conceptualizar valor.