28 de fevereiro de 2009

Mais uma opinião

- Retirado de Robert Johnson on PBS’ Bill Moyers Journal The Big Picture, onde podem aceder à segunda parte da entrevista. A entrevista incide sobre este momento preciso da conjuntura e é esclarecedora quanto a diversos tópicos: a resposta de Obama à crise bancária; influência de Wall Street na nova Administração; orçamento dos EUA; responsabilidades em presença; Àsia e Europa de Leste.

Risco ou a génese da crise explicada com um desenho


A crise em fotografias















- visto em Unsold Cars Around the World The Big Picture (tem mais). São fotografias de amontoados de carros novos à espera de serem vendidos, em diversos sítios do mundo.

Da falta de sabedoria práctica (vídeo) - TED

About this talk:


Barry Schwartz makes a passionate call for "practical wisdom" as an antidote to a society gone mad with bureaucracy. He argues powerfully that rules often fail us, incentives often backfire, and practical, everyday wisdom will help rebuild our world.

Why you should listen to him:

In his 2004 book The Paradox of Choice , Barry Schwartz tackles one of the great mysteries of modern life: Why is it that societies of great abundance — where individuals are offered more freedom and choice (personal, professional, material) than ever before — are now witnessing a near-epidemic of depression?
Conventional wisdom tells us that greater choice is for the greater good, but Schwartz argues the opposite: He makes a compelling case that the abundance of choice in today’s western world is actually making us miserable. Infinite choice is paralyzing, Schwartz argues, and exhausting to the human psyche. It leads us to set unreasonably high expectations, question our choices before we even make them and blame our failures entirely on ourselves. His relatable examples, from consumer products (jeans, TVs, salad dressings) to lifestyle choices (where to live, what job to take, who and when to marry), underscore this central point: Too much choice undermines happiness.
Schwartz’s previous research has addressed morality, decision-making and the varied inter-relationships between science and society. Before Paradox he published The Costs of Living, which traces the impact of free-market thinking on the explosion of consumerism -- and the effect of the new capitalism on social and cultural institutions that once operated above the market, such as medicine, sports, and the law.
Both books level serious criticism of modern western society, illuminating the under-reported psychological plagues of our time. But they also offer concrete ideas on addressing the problems, from a personal and societal level.
- ver em Barry Schwartz on our loss of wisdom Video on TED.com

[Recuperado] Oligarquia I e II

[Perdi estas notas - não sei bem como: desconfio que ao tentar rectificar uma etiqueta o vídeo do YouTube foi à vida. O que se segue é a sua reprodução.]

Deveriam ouvir esta entrevista que o jornalista Bill Moyers faz a Simon Johnson. Simon Johnson, é um antigo economista-chefe do FMI - não é um esquerdista, nem nada que se pareça. Na entrevista discute-se o poder da oligarquia financeira norte-americana. Esta entrevista será tanto mais interessante, se tiveram possibilidade de ver a descrição e os depoimentos de uma localidade norte-americana atingida pelo desemprego, que deu nos últimos "60 Minutos" da CBS, transmitidos pela SIC Notícias.

Retirado de Bill Moyers discusses the financial/ economic crisis The Big Picture.

Oligarquia versus crise (III)

- Visto em Michael Hudson: Six Minutes with the Renegade Economist The Big Picture. Cruza com aquilo que foi dito nas notas sob a epígrafe Oligarquia versus crise (I e II - foram desactivadas (?), mas vou tentar recuperá-las).

Uma apreciação do plano de recuperação da economia dos EUA

Christina Romer, presidente do Conselho dos Assessores Económicos da Casa Branca, discute o impacto do plano de estímulo à Economia de Obama, e responde a algumas críticas (até onde posso ver, não às que Krugman e outros têm feito à insuficiente dimensão do plano e ao peso que nele continuou a ter o desagravamento fiscal). Leitura instrutiva.

- Ler em Economist's View: Christina Romer Answers Criticisms from Robert Barro and "The Best Man at My Wedding, Greg Mankiw". Esta ligação reencaminha ao fim para a intervenção completa.

25 de fevereiro de 2009

Exemplar

"China said it would subsidise the sale of 100 million energy-efficient light bulbs this year to cut energy use and pollution, double the number subsidised in 2008 [...]

The government had offered subsidies for 50 million bulbs last year.The increase will "cushion the impact of the global financial crisis on producers of energy-efficient light bulbs" and "strive for bigger energy-saving and pollution-reduction results," the statement said.

The central government introduced the promotion programme last year, giving out 280 million yuan (40.9 million dollars) for subsidies of 50 percent for retail sales and 30 percent for bulk purchases, it said."
- Continuar a ler em China ramps up subsidies for energy-efficient light bulbs (Climate Ark News Archive)

Safa-se o consolo...


24 de fevereiro de 2009

Algo só para quem conhece o que se passou...

Do livro "Não percas a rosa", de Natália Correia, notícias editorial, a pp. 349, sob a epígrafe de "25 de Novembro de 1975", o seguinte trecho:
"[...] O Ralis, onde há dias, sob a asa narcotizada de Fabião, o juramento de bandeira de punho fechado teve um cunho horripilantemente nazi pintalgado de comunista pela saudação de uma operária aos "camaradas soldados"[...]"
Apesar de tudo, e tudo considerado, a esta distância, é um comentário divertido.

22 de fevereiro de 2009

A prevenção em saúde tem resultados financeiros positivos

Smoking Prevention Campaign Saving Billions In Smoking-related Care

ScienceDaily (2009-02-21) -- Researchers have estimated that "Truth", the nations' largest youth smoking prevention campaign, saved $1.9 billion or more in health care costs associated with tobacco use. ... > read full article

Um gráfico ilustrativo




Normalmente, a sabedoria convencional associa a direita, os conservadores, à rectitude orçamental, à atitude morigedora da prática assente nos valores da poupança, da contenção, e tudo o mais. Veja-se o que sucedeu nos EUA, nesse capítulo, desde o fim da segunda grande guerra - quanto mais ideologicamente de direita ...



Australia: são outro tipo de fogos

"To see what is in front of one's nose needs a constant struggle"
- George Orwell.


Continuar a ler em Australia: The fires of climate change (Climate Ark News Archive).

20 de fevereiro de 2009

Notícias da ultraperiferia (francesa)

Não tenho acompanhado o assunto. Vejo-o com pena. O excerto que coloco abaixo só tem o objectivo de dar conta do que diz o artigo - não sei, até que ponto, o que aí se diz, é uma boa pista para se compreender o que se passa; não sei também, se a mesma problemática se se aplica à Reunião e à Guiana Francesa (penso que não, particularmente, em relação à primeira).

"Like commentator and writer
Elizabeth Lévy, most of us knew nothing about the situation in the French Indies but when we heard Christine Taubira, MP for the French Guyana and twice candidate to the presidential elections, talk about the French Indies' quasi "social apartheid", we wanted to know more. Former French presidents such as Jacques Chirac had all managed to keep discontent quiet there. How long could it last? Those forgotten territories of the French republic, as Taubira calls them, suffer from high unemployment and low wages but, perhaps more importantly from the arrogance and monopolies of a handful of industrialists, often Béké, descendants of the white colonials, who despite representing only 1% of the population own half the land, 90% of the agro-industry and 20% of the overall economy."
Uma questão interessante seria discutir a responsabilidade daquilo que caracteriza a ultraperiferia europeia neste estado de coisas. Talvez o venha a fazer.

Continuar a ler em: Agnès Poirier: President Sarkozy must do something to improve the situation in Guadeloupe Comment is free guardian.co.uk.
PS: Ler também (muito esclarecedor): Editorial: The French empire on strike Comment is free The Guardian

"Apocalypse now"

"A disturbing development in the march of global warming, revealed in science's use of the English language.

Not long ago, most climate scientists stuck to the future tense when they talked about the impacts of global warming. Now, they are using the present tense -- and using it more and more often. Now, they tell us the damages have arrived in the United States.

In other words, climate change isn't just a problem for our kids anymore. It's here and now and getting personal.

What concerns climate scientists today is not only that the adverse impacts are showing up faster than they expected; it's that political leaders are moving slower than they should. Climate scientists from around the world will meet next month in Copenhagen "to warn the world's politicians they are being too timid in their response to global warming," according to The Guardian."


Continuar a ler em Apocalypse now Gristmill: The environmental news blog Grist.

19 de fevereiro de 2009

Arrhenius e o CO2 - já em 1896


Temperatura global em 2008

"From January 2008 to January 2009, the planet warmed a remarkable 0.37°C (see data here). This is 20 times (!) the annual rate of warming in recent decades and 20 times what most climate models have projected we should be experiencing."

[...]

"So now we have a quite warm January 2009, which ties with 1998 as the 5th warmest January in NASA’s temperature record, following on the heels of that moderately cool [OK, technically
31st warmest on record] January 2008. And that gives us the huge year-over-year warming, which should be making headlines around the online and traditional media, if they were consistent, which, of course, they are not."


- continuar a ler em Climate Progress » Blog Archive » Breaking news: Unprecedented global. warming in past year

Orquesta juvenil venezuelana do El Sistema (vídeo) - TED

About this talk
The Teresa Carreño Youth Orchestra contains the best high school musicians from Venezuela's life-changing music program, El Sistema. Led here by Gustavo Dudamel, they play Shostakovich's Symphony No. 10, 2nd movement, and Arturo Márquez' Danzón No. 2.


- ver em Gustavo Dudamel leads El Sistema's top youth orchestra Video on TED.com.

Como é que as sociedades respondem às crises



Tirado de YouTube - News Hour - author Jared Diamond - How nations respond to crisis.

PS: Sobre Jared Diamond ver também aqui e aqui.

18 de fevereiro de 2009

Quem viu; quem vê...

"In an interview with the Financial Times, former Federal Reserve Chairman Alan Greenspan officially came out in favor of temporary bank nationalization as a possible solution to the current economic crisis:

It may be necessary to temporarily nationalise some banks in order to facilitate a swift and orderly restructuring. I understand that once in a hundred years this is what you do."


Ler em Alan Greenspan supports bank nationalization - By Elizabeth Allen FP Passport.

16 de fevereiro de 2009

A discussão do carácter como argumento político

Pedro Adão e Silva, em A política do carácter Económico, discute a progressiva perda da importância da ideologia no combate político: "Credibilidade, seriedade, trabalho, verdade. Nos últimos anos, estes termos tornaram-se estruturantes da disputa política, diluindo progressivamente a diferença baseada em distinções ideológicas."

Recomenda-se a leitura.


Leituras diversas sobre a crise

Esta nota abrange um conjunto de leituras - das mais recentes para as mais antigas - tendo como denominador o modo como a crise está a ser discutida nos EUA.









  • Op-Ed Columnist - Paul Krugman - Decade at Bernie’s - NYTimes.com"

    "[...] the policies currently on offer don’t look adequate to the challenge. The fiscal stimulus plan, while it will certainly help, probably won’t do more than mitigate the economic side effects of debt deflation. And the much-awaited announcement of the bank rescue plan left everyone confused rather than reassured."



  • The trouble with Obama's rescue The Obama rescue The Economist

    "For all those shortcomings, the stimulus plan gets one big thing right. Given the pace at which demand is slumping, a big, and sustained, fiscal boost is vital for America’s economy. This package, albeit imperfectly, administers it.

    That makes the inadequacy of the financial rescue all the more regrettable. Fiscal stimulus, indispensable as it is, cannot create a lasting economic recovery in a country with a broken financial system. The lesson of big banking busts, such as Japan’s in the 1990s, is that debt-laden balance-sheets must be restructured and troubled banks fixed before real recoveries can take off. History also suggests that countries which address their banking crises quickly and creatively (as Sweden did in the early 1990s) do better than those that dither. This is expensive and painful, but cautious, penny-pinching governments end up paying more than those that tread boldly."







  • "Axel Leijonhufvud says fiscal policy will not be effective until private sector balance sheets are recapitalized. However, "the American ideological taboo against 'nationalisation' ... stands in the way of dealing with the matter in the straightforward way": No ordinary recession, by Axel Leijonhufvud, voxeu.org."





  • Op-Ed Columnist - Failure to Rise - NYTimes.com

    "[...]So far the Obama administration’s response to the economic crisis is all too reminiscent of Japan in the 1990s: a fiscal expansion large enough to avert the worst, but not enough to kick-start recovery; support for the banking system, but a reluctance to force banks to face up to their losses. It’s early days yet, but we’re falling behind the curve."



  • FT.com / Columnists / Martin Wolf - Why Obama’s new Tarp will fail to rescue the banks

    "Has Barack Obama’s presidency already failed? In normal times, this would be a ludicrous question. But these are not normal times. They are times of great danger. Today, the new US administration can disown responsibility for its inheritance; tomorrow, it will own it. Today, it can offer solutions; tomorrow it will have become the problem. Today, it is in control of events; tomorrow, events will take control of it. Doing too little is now far riskier than doing too much. If he fails to act decisively, the president risks being overwhelmed, like his predecessor. "







  • What the centrists have wrought - Paul Krugman Blog - NYTimes.com
    "The short answer: to appease the centrists, a plan that was already too small and too focused on ineffective tax cuts has been made significantly smaller, and even more focused on tax cuts."


  • Economist's View: Paul Krugman: On the Edge
    "Would the Obama economic plan, if enacted, ensure that America won’t have its own lost decade? Not necessarily: a number of economists, myself included, think the plan falls short and should be substantially bigger. But the Obama plan would certainly improve our odds. And that’s why the efforts of Republicans to make the plan smaller and less effective — to turn it into little more than another round of Bush-style tax cuts — are so destructive."









A Europa está em piores lençóis do que os EUA

"[...] according to the Telegraph, a confidential European Commission memo confirms this. To review, the basic problems, relative to the U.S., are:

  • Disproportionately large banking sectors (the Iceland problem) in some countries, such as the U.K.
  • High exposure to U.S.-originated toxic assets (up to 50% of those assets, I have heard estimated).
  • Major exposure to emerging markets, primarily Eastern Europe and secondarily Latin America, which have been harder hit by this crisis than anyone else.
  • Higher pre-crisis national debt levels (for many but not all countries).
  • For countries that use the euro, no control over monetary policy."

Ler em Europe Is in Bigger Trouble than the U.S. « The Baseline Scenario

Mais sobre eficiência energética...

"A report by the McKinsey Global Institute (MGI) is warning developing nations against using the recession as an excuse not to invest in energy efficiency -- the cheapest form of energy available.

Energy demand in emerging economies is expected to skyrocket in the coming years and supply is headed for a crisis. Efficiency -- using less energy for the same output -- is the most important and cost-effective fix. In fact, investing solely in existing efficiency technologies would yield billions in future savings across all developing regions, reports MGI in Promoting Energy Efficiency in the Developing World."


Ler (tem recomendações interessantes) em McKinsey’s Energy Fix for Developing Countries: Efficiency SolveClimate.com

Japão: situação económica

"Well, it isn’t only in Europe that we are having a hard time of things. Last week Kazuo Momma, head of the Bank of Japan’s research and statistics department, warned that Japan’s economy now faced an “unimaginable” contraction [...]".

Aquecimento: mais rápido do que se previa

"A leader of the the Intergovernmental Panel on Climate Change told the AAAS annual meeting in Chicago on Saturday that the world's climate is likely to change much faster than predicted, leaving the world with two choices: start cutting carbon emissions earlier, or make the cuts deeper [...] This is because the rate at which carbon is entering the atmosphere is increasing much faster than the IPPC modeled in its last report, issued in 2007. "


Ler em Climate Feedback: AAAS: Climate issue getting "more complicated".

15 de fevereiro de 2009

1929 a outra luz

Leitura curiosa: que paralelos para os dias que estamos a viver? Tenha-se em atenção o que se diz nas notas atrás: Oligarquia (I) e (II).

Índia: soluções para a sustentabilidade

Leiam isto, que tem piada: Op-Ed Columnist - Yes, They Could. So They Did. - NYTimes.com. THOMAS L. FRIEDMAN fala-nos do que se faz, na Índia, no campo de soluções para os problemas de sustentabilidade do mundo.

Oligarquia versus crise (II)

[Nota recuperada em 28.02.09]

Oligarquia versus crise (I)

[Nota recuperada em 28.02.09]

Instituições

A quantidade de gente, de todos os cambiantes, e de todas as cores, Santo Deus, que não percebe esta verdade comezinha:

"Ultimately, the institutions are only means. Where there's a political will, there'll be an institutional way. Where there isn't the political will, the best institutional arrangements in the world won't do the trick."

Israel v. Palestina: um triste imbróglio










Os "60 minutos" da CBS troxeram uma reportagem sobre Israel, cuja tese principal é a da possibilidade da paz, através da solução de dois estados: Israel e Palestina, ser cada vez mais remota. Infelizmente, tudo aponta para isso.


A este propósito, as declarações da líder de um dos colonatos na Cisjordânia, nesse programa, sobre estarem a cumprir uma missão prescrita por Deus, são a imagem negra do fanatismo religioso, tão semelhante, na sua essência, a todos os outros fanatismos religiosos - qualquer ateu respeita mais Deus, objectivamente, "in absentia", do que qualquer fanático religioso, e muitos dos outros crentes.


A realidade daquele território está em devir acelerado (veja-se as implicações, a médio prazo, do facto da população árabe aumentar mais depressa do que a população israelita), e como em tudo, a história terá uma solução: tenho é medo dos custos da solução, para a região e para o resto do mundo, que vier a resultar de tudo isto.









Os gráficos acima foram retirados do segundo artigo referênciado e ilustram bem a situação no terreno (veja-se a implantação dos colonatos) e a percepção das pessoas:






PS: Einstein, apesar de apoiar a causa sionista, dizia em 1929: "Se formos incapazes de alcançar pactos honestos e chegar a uma cooperação honesta com os árabes então é porque não aprendemos absolutamente nada nos nossos dois mil anos de sofrimento" pp. 315, Einstein - a sua vida e universo, Walter Isaacson, Casa das Letras. Acrescentaria, que a incapacidade disso ser conseguido, levaria a décadas e décadas de conflicto. E chamavam Einstein de ingénuo!

Grã-Bretanha: a situação económica







"How justified is Britain’s status these days as (some say) Europe’s new sick man? It is tempting to see in its fall from grace a simple morality tale: an economy with a swollen financial sector that borrowed a lot, ran a current-account deficit and had a huge housing boom has got its just deserts. But this caricature tells us little, for it is already apparent that supposedly virtuous countries such as Germany, which had current-account surpluses and avoided housing booms, are also in trouble. Among big economies, Britain is neck and neck with Germany and Japan in the race to the bottom, and there is plenty to worry about beyond the downturn. But its swing from paragon to pariah has gone too far."


- Continuar a ler em Britain's fallen star The Economist

Astronomy Picture of the Day - 15 de Fevereiro: Na Antárctica o gelo vai indo embora...



Antarctic Ice Shelf Vista Credit & Copyright: Helmut Rott (
U. Innsbruck)


Explanation: It's all gone but the mountains. Most of the sprawling landscape of ice that lies between the mountains visible above has now disintegrated. The above picture was taken in Antarctica from the top of Grey Nunatak, one of three Seal Nunatak mountains that border the Larsen B Ice-Shelf. The other two nunataks are visible in the picture taken in 1994. Over the past several years large chunks of the 200-meter thick Larsen B Ice-Shelf have been breaking off and disintegrating. The cause is the local high temperatures of recent years, part of a planet wide climate change called global warming. Over the past few years, the area that has disintegrated is roughly the size of Luxembourg. As ice-shelves break up, they unblock other ice sheets that fall onto the ocean, raising sea levels everywhere. Scientists are watching the much-larger Ross Ice Shelf, which, if it fully collapses, could cause global sea levels to rise five meters over the next few hundred years.




- Ver em Astronomy Picture of the Day, NASA (Arquivo, 15 de Fevereiro de 2008).

14 de fevereiro de 2009

Recessão: Zona EURO


Extremos de tempo num clima que aquece

"We're getting overall warmer, but during warming times we get more extremes,' he explains. "Although the typical Midwest [dos EUA] winter is warmer, we can expect our coldest winters to occur during a time of warming climate."

Ler em Moving to a warmer climate (Climate Ark News)

Tomar um duche (sempre) depois de um banho no mar

Não deve ser ainda o caso nos Açores. Penso que, por uma questão de hábito e higiene - tirar o sal - é o que a maioria faz, mas, na dúvida e à cautela, não esquecer:

"Holidaymakers should shower after swimming in the sea to reduce their chances of picking up the superbug, MRSA, according to scientists."

Ler em Shower after swimming to avoid MRSA, scientist advise Science guardian.co.uk.
PS: Aliás, tomar um duche, antes e depois!

Cenários sobre a progressão do aquecimento global


12 de fevereiro de 2009

Australia:para além dos incendiários...

"Victoria’s emergency services commissioner has drawn a direct link between the State’s bushfire tragedy and climate change.Bruce Esplin said the advice of climatologists was that the extreme conditions that prevailed across Victoria on Saturday, when temperatures touched 49C in the north of the State and wind gusts reached 100kmh, would become more common.He said Australians had to rethink their relationship with the bush in an environment more prone to extreme weather."


Ler em Australia: Extreme weather forces rethink on lifestyle (Climate Ark).

11 de fevereiro de 2009

À esquerda da esquerda

En França foi criado o "novo partido anti-capitalista" (penso que se chama assim mesmo). Foi fundado por ex-trotskistas. A nota da Telos, além de apreciar a "profundidade" do programa, aproveita esse facto para relembrar um conjunto largo de factos e assuntos que importa não esquecer, nesta conjuntura de crise do sistema e de arreganho de velhas correntes políticas e ideológicas já testadas pela história (embora, muitas vezes, surgindo sob cara nova).
Ler em Le versant sombre du petit facteur Telos

Sobre as razões da crise a nível mundial

Recomendo a leitura. O artigo discute as causas da crise e o papel dos desiquilíbrios da economia global, nomeadamente, o da poupança: Capital flows and the financial crisis When a flow becomes a flood The Economist.

Reduzir a incerteza

O Economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, afirma que a tarefa principal dos políticos, nesta conjuntura, é reduzir a incerteza - como é óbvio o sucesso da tarefa depende do programa de actividades: Blanchard exemplifica (por exemplo, com as infraestruturas; com medidas a antecipar consumos...).

Sobre a evolução



"Juros pagos pelo Estado em mínimos de mais de 2 anos" DEconómico

Interessante:

"O Estado realizou hoje o primeiro leilão de obrigações do Tesouro de 2009, pagando um juro de 3,834%. É a taxa mais baixa desde Junho de 2006."

10 de fevereiro de 2009

Krugman fala do programa de estímulo aprovado no Senado

Krugman aprecia o programa de estímulo à economia dos EUA, e não poupa palavras, nem críticas, para descrever o que foi aprovado e a actuação do Presidente.











Sobre o capitalismo

Reflexão oportuna sobre o capitalismo.

Ler em Dani Rodrik: Coming soon - Capitalism 3.0

A história repete-se, e repete-se ...

Sammy Wilson, é o Ministro do Ambiente do Governo da Irlanda do Norte que proibiu a divulgação de anúncios do Governo Britânico sobre a responsabilidade humana no aquecimento global. O artigo do Guardian fala disso, mas chamo a questão ao blogue pelo que se conta neste parágrafo - a história repete-se, e repete-se, mas, muitas vezes, não é como Marx disse; pelo contrário: é a farsa, atrás da farsa, até à (possível) tragédia final :

"I've been very lucky to have had the opportunity to work with climate scientists on two trips to the Arctic with Cape Farewell in 2007 and 2008. One of the most interesting things I read while there was in Wallace Broecker and Robert Kunzig's excellent book, Fixing Climate, where they discuss the introduction of underground sewage removal and the resistance to it from people I imagine to be very similar to Sammy Wilson. As underground sewage removal was proposed and planned, these towering Wilsons of their day claimed that it was too expensive to take the filth from the streets and carry it away underground and that the links between ill health and crap all over the pavements were unfounded. They lost the argument, mercifully, it cost us some money, but on balance I'm glad that I don't have to navigate my way through my neighbour's excrement to reach the station. If only CO2 emissions were as visible as sewage. It's so hard to make the case for leaving crap all over the place when people can see you're standing on a heap of it."


- Continuar a ler em Marcus Brigstocke examines the argument from climate change denier and environment minister Sammy Wilson Environment guardian.co.uk.

O inferno australiano na comunicação social norte-americana

Climate Progress discute o tratamento diferente que grande parte da comunicação social norte-americana dá da situação na Austrália - inferno no sudeste e dilúvio no nordeste - em contraste com o que faz a comunicação social internacional que não esconde a (possível) ligação com as alterações climáticas, mais que não seja como ante-visão do que irá suceder.


Ainda a-propósito do segredo de justiça

Diz Pedro Adão e Silva:
"A violação do segredo de justiça remete para o cruzamento entre duas instituições nucleares das sociedades livres: uma justiça fiel às liberdades e uma comunicação social independente. É precisamente pelo carácter nuclear destas instituições que o modo perverso como, ao violarem o segredo de justiça, se articulam é gravoso para o Estado de direito. De cada vez que temos acesso a uma informação parcelar, descontextualizada ou até materialmente falsa proveniente de um processo judicial que, por sua vez, é amplificada pela comunicação social, estamos, de uma assentada só, a deitar fora a presunção da inocência, o direito ao bom nome, o princípio do contraditório, elementos que estão na base de uma sociedade decente."



Continuar a ler em Quem guarda os segredos? Económico.

9 de fevereiro de 2009

Erro de diagnóstico, diz Vital Moreira

E eu estou, absolutamente, de acordo: "Há quem ache que o péssimo desempenho de Manuela Ferreira Leite nas sondagens eleitorais se resume essencialmente a uma "questão de imagem".Trata-se, porém de um óbvio erro de diagnóstico..."

Para continuar a ler, ver Causa Nossa.

Astronomy Picture of the Day - 9 de Fevereiro: Galáxia Anémica


Anemic Galaxy NGC 4921 at the Edge Credit: NASA, ESA, K. Cook (LLNL)


Explanation: How far away is spiral galaxy NGC 4921? Although presently estimated to be about 320 million light years distant, a more precise determination could be coupled with its known recession speed to help humanity better calibrate the expansion rate of the entire visible universe. Toward this goal, this image was taken by the Hubble Space Telescope in order to help identify key stellar distance markers know as Cepheid variable stars. Since NGC 4921 is a member of the Coma Cluster of Galaxies, refining its distance would also allow a better distance determination to one of the largest nearby clusters in the local universe. The magnificent spiral NGC 4921 has been informally dubbed anemic because of its low rate of star formation and low surface brightness. The remarkably sharp image was made with Hubble's Advanced Camera for Surveys, currently in need of repair. Visible in the image are, from the center, a bright nucleus, a bright central bar, a prominent ring of dark dust, blue clusters of recently formed stars, several smaller companion galaxies, unrelated galaxies in the far distant universe, and unrelated stars in our Milky Way Galaxy.

- ver em APOD: 2009 February 9 - Anemic Galaxy NGC 4921 at the Edge, NASA (Arquivo, 9 de Fevereiro de 2009)

8 de fevereiro de 2009

Estímulo

- Visto em Stimulis: Because all economies have performance issues The Big Picture.

Vitamina D

Polar ice caps melting faster

"THE ice caps are melting so fast that the world's oceans are rising more than twice as fast as they were in the 1970s, scientists have found.They have used satellites to track how the oceans are responding as billions of gallons of water reach them from melting ice sheets and glaciers.The effect is compounded by thermal expansion, in which water expands as it warms, according to the study by Anny Cazenave of the National Centre for Space Studies in France."



Ler em Polar ice caps melting faster (Climate Ark)

6 de fevereiro de 2009

Uma outra lição sobre a situação política-económica nos EUA



Itália: situação económica

É necessário ler a nota indicada ao fim para ter a idéia do que se passa (ou que se poderá passar) na Itália (e das implicações que tudo isso poderá ter no resto da Europa).

Um pequeno excerto para dar a "cor" do que se diz:

"OK, I think no regular reader of this blog could seriously suggest I have much sympathy for the sort of views you normally find being propagated by Italy’s Finance Minister Guilio Tremonti, but when he starts to send out the kind of red warning light danger signals that he has been doing over recent days, then I think we should all be taking note, and when the republic is in danger, then its all hands to the pumps, regardless of who is sounding the alert. This is not a brainstorming session, it is a real flesh and blood crisis."




- Ler em Italy Needs EU Bonds And It Needs Them Now! afoe A Fistful of Euros European Opinion

À beira do abismo

Krugman comenta a situação política-económica dos EUA Op-Ed Columnist - On the Edge - NYTimes.com.

Uma lição sobre o momento político-económico nos EUA



- tirado de The Word - The Audacity of Nope January 29th ColbertNation.com

Freeport (III)

O Causa Nossa alertou sobre esta análise da "campanha negra" contra Sócrates: Seis notas sobre a campanha em curso : O País Relativo. Cruza com aquilo que é dito aqui e aquilo que referi aqui.


E não é que a notícia sobre a reforma da mãe de Sócrates é falsa e que o Correio da Manhã pediu desculpa (atitude tendencialmente situacionista!!!) - ver na nota referenciada acima. No entanto, havia mais uma notícia sobre a mãe de Sócrates, relativa à compra da casa, que pelos vistos também está mal contada (ver aqui).

Evolução da Pobreza em Portugal



Tirado da Causa Nossa que referencia uma outra nota do Outubro sobre o mesmo tópico.

Mas isso é óbvio ...

Diz Paulo Pedroso aqui (convém ler a nota toda): Canhoto: Populismo do PSD contra Sócrates: uma coisa muito pouco subliminar"... estão a tentar convencer os portugueses de que Sócrates tem um defeito de carácter para, mais tarde, invocarem esse suposto defeito para benefício eleitoral do PSD". Mas isso é óbvio - veja-se aqui e aqui.


O que não é óbvio para mim é se isso é óbvio para todos.
PS: A este propósito ver, também, esta nota da Causa Nossa.
PS (II): E no entretanto, ver aqui, aqui e aqui.

PS(III): E, segundo parece - ver aqui - não é que é mesmo óbvio para (quase?) todos. Mas é curiosa a maneira como se anuncia o resultado da sondagem: comunicação social adequadamente morigerada pelo Pacheco Pereira? Ver aqui.

OCDE e EUA: previsões



"The outlook for the world’s developed economies is the bleakest since the oil shock of the early 1970s, an indicator of future activity released by the Organization for Economic Cooperation and Development showed Friday."

- Ler mais em Real Time Economics : OECD Sees Bleak Global Outlook.

Sobre desagravamento fiscal, despesa pública, situação económica e outras coisas

"Tomorrow's job report is likely to be awful. January's job losses could easily top half a million. We're deep into the most vicious of economic cycles: Consumers are slashing their spending because they're perilously in debt and worried about keeping their jobs. But as a result, businesses are facing shrinking sales of goods and services, so they're slashing payrolls, which of course makes consumers even more anxious and further reduces their spending power. Meanwhile, businesses are cutting way back on new investments in equipment, which hurts upstream suppliers, who are now slashing their payrolls. And so it goes, downward. The gap between what the economy could produce if it were running near full capacity and what it's now producing continues to widen. The shortfall is projected to be over a trillion dollars this year.

How do we get out of this downward plunge?"


- Continuar a ler (recomenda-se) em Robert Reich's Blog: Senate Republicans and the Stimulus: Playing Politics When the Economy Burns.

Alemanha: situação económica

"[...] Europe’s industrial powerhouse is in freefall. Figures released today showed that German industrial production fell by 4.6% in December, following big declines in earlier months. For a long time Germany’s capital-goods producers thrived on sales to cash-rich oil exporters and fast-growing Asia. No longer. Orders for German manufactures are down by quarter from a year ago. Forecasters think figures released on February 13th will show that German GDP fell at an annualised rate of 8% in the fourth quarter, twice as steep as the drop in America, and worse than in Britain."
- Ler mais em So much for thrift Free exchange Economist.com.

Espanha: situação económica


4 de fevereiro de 2009

No seguimento da nota anterior ...








  1. Estou a ler, com interesse e prazer, o diário de Natália Correia, "não percas a rosa" no período do 25 de Abril a 20 de Dezembro de 1975. É curioso e instrutivo de ler para quem, como eu, nesse período, esteve do outro lado da barricada. A dado momento - entrada de 15 de Dezembro de 1974 -, diz algo que é relevante para o actual momento político nacional, embora se refira ao que se passava na I República (transcrevo): "[...] Os partidos não se consideram uns aos outros como órgãos indispensáveis do poder burguês. Cada formação partidária concebe-se como a única capaz de gerir a sociedade. Ainda o aspecto feudalista neste culto sub-reptício do partido absoluto [...]". É óbvio que a ilusão da sua própria imprescindibilidade atinge todos os partidos, mas isso acontece de modo diferente, com intensidade diferente, por canais diferentes, e em face de conjunturas diferentes. A implicação é que para diferentes partidos, haverão diferentes níveis a partir dos quais a pulhice passa a ser justificada pelo superior interesse nacional (ou argumentação desse tipo), esperando nós, que pelo menos para alguns esse limiar, por tradição, por cultura própria, por convicção e disciplina ideológica, nunca seja ultrapassado.










    Um exemplo de como para alguns [parafraseando a citação anterior] se consebem como os únicos capazes de gerir a sociedade, vejam aquilo que se referiu aqui.



  2. Vejam estas duas notas: a primeira, In Concreto: O Cartaz; a segunda, Canhoto: PSD: não ganham nada com isto). A história que comentam tem a ver com o cartaz da JSD onde mostra-se Sócrates com nariz de Pinóquio. De acordo com o que dizem.
    É a divisão de tarefas no PSD: a Direcção assume a posição nobre (juízo do Ministro dos Assuntos Parlamentares) de não se pronunciar sobre o caso Freeport; todos os outros fossam no assunto como seria de esperar.
    Não queiram fazer de mim parvo.

3 de fevereiro de 2009

"Freeport" (II) ou de como, agradecia, não me tomem como imbecil







  1. De acordo com António Vitorino, que, no entanto, não disse tudo (muito longe disso): "origem selectiva [das fugas de informação], com a concorrência entre a comunicação social a explicar o resto [não sei se estou a reproduzir as palavras exactas, mas o sentido era este]".









  2. "Prós e contras" elucidativo: José Miguel Júdice, naquilo que diz sobre a resiliência da democracia portuguesa, poderá ter mais razão do que gostaria (ele e nós), quer estejamos ou não na Europa - a verosimilhança da possibilidade que vaticina pode ser qualificada pela probabilidade que se queira atribuir a um cenário futuro de Portugal com uma persistente fragilidade e decaimento sócio-económico, onde falhasse, por exemplo, o projecto de construção europeia na sua totalidade ou em alguma das suas componentes mais importantes (por exemplo, a União Económica e Monetária - fala-se disso). A capacidade endógena da democracia portuguesa de resistência a um crise grave, só por si, é baixa (e tem sido historicamente sempre baixa) - e as elites políticas tudo tem feito, por indiferência, por incompetência, para que assim continue e diminua. E de qualquer forma, não esquecer nunca, que no médio e longo prazo se perfilam as tensões e o stress sócio-económico gravíssimo a que as sociedades, os países, a União Europeia, serão sujeitos face a todas as consequências de todo o tipo, que advirão das alterações climáticas (não perceber isso é não ser contemporâneo dos tempos em que se vive; é ser provinciano no sentido pejorativo do termo).







    Aquilo que Saldanha Sanches disse, não duvido, será verdade, e é mau, mas quero acreditar que resultou do ratear de recursos a que obrigou o combate ao défice. Se resultasse de um esforço deliberado de furtar a actividade governativa ao esforço inspectivo das polícias, isso seria inqualificável.







    E depois houve o senhor professor universitário, que é comentador na televisão, de que não sei o nome, que perorava sobre a incorrecção do PM em falar de "campanha negra" e que deve ser, presumo eu, do PSD.







  3. Não acredito que o PM seja corrupto. Não descarto, no entanto, a possibilidade de que, à portuguesa, se tenha querido apressar as coisas antes das eleições para ir de encontro à vontade do Presidente da Câmara de Alcochete, ou para cumprir com a vontade de mostrar serviço. Não descarto também - a tal ida para a China substantiva a hipótese - a possibilidade dos seus familiares, à conta de terem o sobrinho, ou o primo, como Ministro do Ambiente, não tivessem incorrido em "abuso de confiança", criando o fogo. Mesmo quedando-nos pelo fumo (há sempre fumo na actuação da administração portuguesa, pelo menos em tese: veja-se o que se disse no programa da RTP), temos a carta anónima; temos a actuação da polícia (descrita, também, lá); temos o episódio de "aproveitamento" partidário comprovado em tribunal; temos o modo como a polícia portuguesa justifica face à inglesa o seu pedido de informação; temos o tempo que leva isto tudo, e temos em "boomerang", a carta precatória inglesa invocando o que os portugueses tinham dito.







    A técnica é velha; era utilizada pelos serviços de propaganda da União Soviética: planta-se uma notícia falsa num jornal qualquer, de um país qualquer, e depois essa notícia é citada, recitada, glosada, expandida, validada, e assim por diante. Carta anónima, e é o mesmo percurso.







  4. E se o PM é mesmo corrupto? Vamos admiti-lo como hipótese de discussão para nos concentrarmos no aspecto, mais obnubilado, da "campanha negra". É que, mesmo neste cenário admitido, as culpas do PM não desculpariam a ignomínia e a periculosidade desse procedimento para a democracia. A democracia é defendida pela lei, pelas boas práticas e pelos protocolos do que deve ser uma actuação política decente. Quando isso não sucede, vem o descrédito, vem a fragilização do regime democrático, vêm as réplicas, vêm as represálias, vem a desconfiança (isso já sucedeu, e sucedeu em Portugal, antes do Estado Novo). O facto da posição dos portugueses em relação à questão perfilar-se de acordo com as simpatias partidárias - é a transposição para a política do modo como se vive a paixão clubística: mesmo que haja trapaça, que o meu clube ganhe em qualquer caso - não ajuda em nada.







    E é mesmo de "campanha negra" de que se trata? Ou não estaremos só perante uma virtuosa fuga de informação, de pecadilho admissível contra o segredo da justiça?







    Aqui, parafraseando o Professor Pacheco Pereira, façam o favor de não me tomarem como parvo.







    Temos um centro emissor, que selecciona o que se transmite, em cada momento, ao longo de um período de tempo, rateando os nacos informativos, de modo a que se potencialize os efeitos pretendidos, na base de uma estratégia comunicacional claríssima. Não se trata de "agentes da justiça", ou quaisquer outros "populares" indignados com os poderosos, assanhados contra Sócrates, porque este os pôs a trabalhar mais um mês, ou por outro motivo qualquer. Uma mera fuga ao segredo da justiça, implicaria, como mais provável (nomeadamente, porque minimizando os riscos de detecção), uma entrega única do todo o acervo - aliás, pelo mesmo motivo, como aconteceu no Watergate, selecciona-se um, ou dois jornalistas (neste caso, quantos jornalistas receberam os "pacotes"?). E o que faria o jornalista que o recebesse, sabendo que outros jornalistas também o receberiam: lançaria tudo, de uma só vez, de modo a não ser ultrapassado pela concorrência. A não ser que, entre os jornalistas, houvesse um processo, como de cartelização, onde se contratualizasse quem diz o quê, e quando, o que não tem sentido de todo.







    Mas se fosse só isso. Houve o caso da licenciatura de Sócrates; houve o caso dos projectos assinados por Sócrates; houve o caso do homossexualismo de Sócrates; houve a versão inicial do Freeport; houve a relação entre o PS e a Casa Pia. Tomem isso como quiserem; atribuem-lhe em bloco, ou item por item, a veracidade que quiserem - "for the sake of argument" dou de barato tudo o que quiserem. Não dou de barato é a constatação de que todos os casos são ataques "ad hominem"- só no caso do Freeport está em causa uma prática pública -, que existe um padrão consistente de actuação de um centro emissor que, no melhor cenário, actua pró-activamente, investiga e apura os podres de um só sector da classe política portuguesa: o socialista - no pior cenário, inventa e calunia esse sector. Mesmo em relação ao melhor cenário, isso, em democracia, não é legítimo, não é admissível, é extremamente perigoso. A democracia necessita da crítica e da denúncia públicas, duras, trabalhadas, fundamentadas e comprovadas; não desta inqualificável ignomínia.







    Não, o que querem fazer de mim, é um imbecil.




No entretanto:










  1. A Direcção do PSD remete-se ao silêncio, de modo tacticamente inteligente.









  2. No entretanto, o Professor Pacheco Pereira, no seu blogue Abrupto, morigera a comunicação social portuguesa sobre os perigos do situacionismo; destaca para o efeito a prática menos consentânea de alguns jornais que nas suas capas não lincham adequadamente o PM; enaltece algumas capas como exemplo (caso da compra da casa pela mãe de Sócrates, mas desculpem, voltando atrás: se aceitando a tese da mera fuga ao segredo da justiça, como é que o "juíz", ou o "escrivão", ou o "polícia", ou o "procurador da justiça", responsável por essa fuga, teve conhecimento desse facto [ver, aliás, aqui]; não foi trabalho de investigação jornalística: surgiu ao mesmo tempo numa série de jornais e nas televisões).









  3. No entretanto, toda a nossa gente glosa o assunto, e "en passant" imputa a Sócrates o pecado de ser arrogante. Tenham em atenção que o que estou a dizer, é que nas intervenções de todos (ou quase todos [por uma questão de cautela]) os comentadores e dirigentes do PSD, a imputação de arrogante a Sócrates, é teclada, de modo insistente, de modo repetido, dir-se-ia quase de modo concertado [ver, também, aqui].









  4. No entretanto, o Professor Pacheco Pereira refere (ecoado por outros comentadores de, digamos, menor quilate) que as condições excelentes ao dispor de Sócrates permiter-lhe-iam ter resolvido de maneira cabal os problemas estruturais do país. Que a gravidade extrema dos problemas de Portugal resulta de terem uma raíz estrutural, tal é indesmentível; que problemas estruturais seriam possíveis de serem resolvidos em três anos, aventá-lo, é intelectualmente desonesto ou desleixado; que as condições que Sócrates teve sejam diferentes (para melhor) das de Durão Baroso, de Cavaco Silva, não dá para perceber; que pelo que respeita ao PSD, partido que governou o País por mais tempo, possa ser sugerido, implícitamente, que não tenha responsabilidade no perdurar desses problemas, não lembra ao Menino Jesus.


    Mas a verdade, é que este Governo, por erros que possa ter cometido - e cometeu-os e, desconfio que continua a cometê-los - conseguiu provar que este País é reformável [ver o que a Causa Nossa diz aqui], embora, há que reconhecê-lo, com a organização e tecnologia política disponível, esse esforço tenha sido, e continuará a ser, extremamente difícil.









  5. No entretanto, as próximas eleições legislativas são absolutamente dramáticas para o PSD e para o sector do partido que está no poder. Não ganhando as eleições, ou pelo menos, não retirando a maioria absoluta ao PS, esse sector arrisca-se à irrelevância. Tendo em conta que é, sem dúvida, o sector que em termos intelectuais e políticos, é o melhor que o PSD tem a oferecer ao País (do outro lado, ou dos outros lados, há riscos sérios de populismos e coisas quejandas) e que a conjuntura mundial vai no sentido da linha ideológica e programática do PSD ficar na defensiva nos próximos anos, tal irrelevância poderia transmutar-se num progressiva marginalização do PSD (o que poderia ser ajudado pelo aparecimento de um partido "alegrista" à esquerda do PS).









  6. Em conclusão, o PS desce finalmente, dirão alguns, nas sondagens.

PS: Acabei de ler: Manual de instruções para campanhas negras Económico de Pedro Adão e Silva. Leiam por favor. Explica o aspecto técnico da questão muito melhor do que eu conseguiria.