agora, sobre as atribulações de um independente de esquerda nestes tempos da III República ...
6 de março de 2008
Ciência, Política e Religião, nos EUA
Expansão dos desertos...

Início da nota: "Scientists have long projected that areas north and south of the tropics will grow drier in a warming world –- from the Middle East through the European Riviera to the American Southwest, from sub-Saharan Africa to parts of Australia.
These regions are too far from the equator to benefit from the moist columns of heated air that result in steamy afternoon downpours. And the additional precipitation foreseen as more water evaporates from the seas is mostly expected to fall at higher latitudes. Essentially, a lot of climate scientists say, these regions may start to feel more like deserts under the influence of global warming.
Now scientists have measured a rapid recent expansion of desert-like barrenness in the subtropical oceans –- in places where surface waters have also been steadily warming. There could be a link to human-driven climate change, but it’s too soon to tell, the scientists said.
5 de março de 2008
Titã: mar extra-terrestre

Terra: Água, Ar

EUA: e agora?
Bem. E agora? As coisas estão complicadas para o lado do Partido Democrata. É essa a sensação que perpassa a opinião de tutti quanti. As vitórias de Hillary Clinton repuseram-na na corrida; mas o consenso é de não ter possibilidades de chegar a Denver com mais delegados, mesmo que ganhasse todas as primárias até lá. Obama, por seu lado, embora com mais delegados, poderá também não conseguir descolar de Hillary Clinton. Assim, será o Congresso a decidir, através dos superdelegados.
Uma seleccão de opiniões:
- Economist Brad DeLong's Fair, Balanced, and Reality-Based Semi-Daily Journal: É uma declaração de apoio: "The Democratic Primaries Are Over. BHO and HRC each took about half the delegates on offer yesterday. Her failure to reduce the delegate gap that had opened up in February means that BHO is sure to go into the convention with a lead in delegates--albeit not a lead so large that the unpledged delegates decide as a block that HRC would make a better candidate in the fall. If they decide to do so, I'm fine with that: their judgment on these issues is likely to be better than mine. But I don't think they will--in part because I suspect that they think America's swing independents are more attracted to him, and for that and other reasons BHO would be the stronger candidate in the fall. And I agree that BHO would be the stronger candidate--and I think we have good reason to judge that he would make a better president as well. So I enthusiastically endorse Barack Obama as the Democratic candidate for president in 2008."
- Comment is free: No end in sight: É um artigo de discussão sobre as facetas da situação, concluído com esta tese curiosa: "There is one way to square this circle - and it is something that until very recently I would have rejected as foolish. It may still be. But perhaps the best way to unite the party and heal a damaging primary battle is a Clinton-Obama presidential ticket, or even an Obama-Clinton ticket. Whoever wins the nomination in Denver in August should openly, graciously and unconditionally offer the vice-presidential nomination to the other. Obviously it is then up to the losing candidate to accept or reject it, but even if he or she did reject it, the fact of the offer would do a great deal to mollify each campaign's supporters. One danger is that a Clinton-Obama ticket could be the worst of both worlds, gluing together the motivating force of Clintonophobia among Republicans and the barely-disguised racist repetition of Barack Hussein Obama. Perhaps. But in fact the worst of all possible worlds is the current reality: the Democratic party's two leading assets battling each other to the death. As Matthew records, 'What shall a man give in exchange for his soul?'"
- Hillary’s Math Problem Print Article Newsweek.com: Discute a matemática dos delegados: "I'm no good at math either, but with the help of Slate’s Delegate Calculator I've scoped out the rest of the primaries, and even if you assume huge Hillary wins from here on out, the numbers don't look good for Clinton. In order to show how deep a hole she's in, I've given her the benefit of the doubt every week for the rest of the primaries."
- Michael Gerson - Obama's First 100 Days - washingtonpost.com: É ficção científica, vertentes política e terror:"And this is not Agent Clinton's only contribution. By raising questions about Obama's foreign policy judgment, she has identified a potent issue -- an issue she cannot fully exploit because of the liberalism of her own party. But John McCain could. As a thought experiment, consider the foreign policy achievements of Obama's first 100 days in office."
Género nas eleições norte-americanas
Comment is free: Goodbye to all that #2: A posição de Robin Morgan tem de ser lida na totalidade. Tive dificuldade em escolher um excerto que exemplificasse a sua opinião.
Ruth Marcus-The Force of Gender-washingtonpost.com "The image of charismatic leadership at the top has been and continues to be a man," said Ruth Mandel, director of the Eagleton Institute of Politics at Rutgers University. "Barack Obama's appeal and charisma is uniquely his own, but it also fits with an age-old history of men who electrify followers. . . . We don't have an image, we don't have a historical memory of a woman who has achieved that feat. That may not be coming anytime soon. Gender isn't the most restricting force in American life. It remains a force to be reckoned with."
Black man vs. white woman - The Boston Globe: "But turn away from the campaign trail, and toward the laboratories where psychologists work, and a fascinating ortrait of the primaries emerges. For decades, researchers have been probing bias - how it arises, how it changes, how it fades away. Their work suggests that bias lays a more powerful role in shaping opinions than most people are aware of. And hey suggest that the American mind treats race and gender quite differently. Race an evoke more visceral, negative associations, the studies show, but attitudes oward women are more inflexible and -- to judge by the current dynamics of the residential race -- ultimately more limiting."
Mais sobre o pico da produção do petróleo

Retórica e política (V)
"O aspecto mais relevante da campanha de Obama – e que explica muito do entusiasmo gerado – não se prende com a apresentação de políticas assentes em soluções técnicas inovadoras. Pelo contrário, é difícil encontrar na primeira linha da sua argumentação propostas políticas concretas. Mas o que poderia ser visto como uma fragilidade é substituído por aquilo que é a sua principal força: a capacidade de mobilização pela palavra através da construção de uma narrativa sobre o passado dos EUA, mas que se projecta no futuro.Desse ponto de vista, a campanha de Obama veio relembrar o que tem sido frequentemente esquecido: a política é uma conversa colectiva dos cidadãos sobre a coisa pública. Ora, como tem acontecido um pouco por todo o lado, quanto mais esta dimensão é desvalorizada e substituída por uma disputa entre soluções técnicas alternativas, menos relevantes se tornam as clivagens políticas – o que, por sua vez, faz crescer a tendência para o afastamento dos cidadãos da política."
"...O discurso de Obama assenta em dois grandes pilares: por um lado, o envolvimento cívico e o espírito de comunidade – ou seja, a ideia de que o bem comum não depende necessariamente de mais governo, mas, sim, da participação de todos; por outro, o que pode ser classificado como optimismo realista – uma visão do futuro que não é cega face às dificuldades. Pelo contrário, reconhece que a dimensão das resistências à mudança implica a mobilização colectiva de vontades, baseada numa narrativa optimista quanto ao futuro."
"...Naturalmente que a definição de boas políticas é importante, mas Obama está aí para demonstrar que o fundamental é a capacidade de desenvolver uma narrativa mobilizadora, que olhe para o futuro com optimismo realista. Enquanto, como acontece por exemplo em Portugal, o essencial da política assentar em sucessivos acertos de contas com o passado, combinados com discursos de passa-culpas e com meia-dúzia de metas quantificadas, a possibilidade de, de novo, mobilizar as vontades de todos será irremediavelmente diminuta..."
Duas notas:
- Em Portugal, nem se discute, ao menos, as soluções técnicas alternativas, para os problemas do país (e para a região); fazê-lo obrigaria a afinar, necessariamente, também, as posições ideológicas alternativas (logo, obrigando à construção das ditas narrativas);
- Em Portugal, é perigoso dizer que "o fundamental é a capacidade de desenvolver uma narrativa etc.". Vai ser interpretado de modo incorrecto e restritivo como mais do mesmo. Deveria dizer-se que essa narrativa mobilizadora deve incorporar, também, mas não só, as boas políticas, assentes, mas não só, nas boas soluções técnicas.
Educação em Portugal (II)
"O novo regime de avaliação de professores não passa nos mais elementares testes de aptidão. Não tenho a mais pequena dúvida quanto à benevolência das intenções dos autores da iniciativa. E aplaudo com entusiasmo a vontade política para gerar mudança. No entanto, nos termos em que foi desenhado, este regime de avaliação apenas exprime uma tentativa de micro-gestão a partir do Terreiro do Paço talhada a falhar. Na prática, limita-se a acrescentar uma nova camada de requisitos burocráticos na gestão das escolas. Pelo caminho, comprou uma guerra desnecessária com os professores.Sejamos claros quanto à importância do tema em questão.
Dizem os estudos da economia da Educação que a “produção” de alunos de qualidade depende, em primeiro lugar, do nível socio-económico do aluno, e em segundo lugar, da qualidade dos professores. Um estudo recente da Universidade de Bristol sugere que a qualidade dos professores conta cerca de um terço da qualidade do aluno (incluídos os tais factores socio-económicos) para a “produção” de alunos de qualidade – uma estimativa que está, de resto, em linha com os resultados de outros estudos internacionais. Se se tiver em conta, contudo, que a qualidade de cada professor afecta vinte ou trinta alunos por cada turma, fica-se com uma ideia da importância desta variável para a qualidade global do sistema de ensino.
Perante isto, é conhecido o modelo do Ministério da Educação para estimular docência de qualidade: forçar sobre cada escola um regime de avaliação de professores uniforme, desenhado ao pormenor a partir do centro. Por outras palavras, um exercício de micro-gestão ao pior estilo ex-URSS; o exemplo acabado de centralização descontextualizada; e a prova de que está vivo o tradicional espírito legalista português, segundo o qual no mundo tudo se transforma por lei ou decreto-lei (pena é que, tal como na física, também por esta via nada se perca e nada se crie…).
O que, de facto, devia ter sido feito: (I) intervir a montante no recrutamento de professores (reservar o acesso a cursos específicos de formação de professores a candidatos com curriculum universitário de topo, capacidade de relacionamento interpessoal, comunicação, vontade de aprender e ensinar, excepcionais); (II) descentralizar a gestão do corpo docente para o nível da escola, e avaliar a ‘performance’ das escolas (e não dos professores) a partir do centro (i.e. do Ministério da Educação). Por outras palavras, transferir a capacidade de gerir a qualidade do corpo docente para gestores escolares profissionais (professores ou não), recrutados e responsabilizados pelos resultados do processo de avaliação das escolas a partir do centro.Para conseguir fazer uma avaliação objectiva do desempenho de cada escola por comparação com escolas congéneres, o Ministério da Educação tem que se tornar num ‘hub’ de informação sobre todo o sistema.
A má notícia é que está muito longe de o ser. Num projecto-piloto que abrangeu 100 escolas (Avaliação Externa das Escolas – Relatório Nacional 2006-2007, publicado a 27/02/2008) a Inspecção-Geral da Educação (um dos braços do Ministério da Educação) não conseguiu sequer reunir informação fiável sobre o contexto socio-económico das escolas… tão só e somente aquele que é, indiscutivelmente, o factor mais importante a ter em conta na avaliação do desempenho das escolas. Pior do que isto, só mesmo o caminho analítico que o relatório adopta: o da prosa oca, com ares pseudo-técnicos, muito similar ao da consultoria privada desinformada.
Em vez de tentar ensinar as escolas a avaliar professores, o Ministério da Educação devia esforçar-se por aprender a avaliar as escolas. A esse respeito, o trabalho até agora feito é de nível profundamente medíocre. Sei que há no país especialistas na matéria com créditos firmados ao nível internacional. Trabalho no meio e já perdi a conta ao número de excelentes artigos académicos publicados por portugueses em jornais internacionais de referência. Mais surpreendente é que algumas dessas pessoas trabalham para o próprio Estado (mais concretamente, estão no Banco de Portugal). A peça que falta no ‘puzzle’ é vontade de fazer uso dos melhores recursos do país."
Seca na Austrália
O futuro das universidades?
"...As grandes universidades mundiais, aquelas que conheço, fazem um péssimo trabalho de educação. São óptimos sítios onde se estudar, claro, porque toda a gente ou quase toda a gente que os frequenta é terrivelmente esperto, mas nada do que acontece durante os quatro anos de estudo é particularmente recomendável. Toda a gente sabe que é assim: um empregador não está minimamente interessado no que o aluno aprendeu. O que o atrai é a inteligência bruta do candidato, que a universidade se deu ao meticuloso trabalho de medir quatro anos antes e que nem a pior educação do mundo pode estragar [esta tese é já antiga]."
"Como será a universidade do futuro? Julgo que não me enganarei se disser que será semelhante às melhores empresas de hoje. Bem mais caótica do que as universidades actuais, um sítio onde a transmissão de conhecimento se fará mais eficazmente em situações informais, ao almoço ou no ginásio, do que na sala de aula. Uma escola sem disciplinas, onde tudo pode ser igualmente estudado, dependendo das circunstâncias. Um projecto global, sem ligações privilegiadas a um país ou a uma cultura. Uma empresa onde o dinheiro, muito dinheiro, seja visto como um meio de fazer grandes coisas, sem ascetismo ou timidez. Uma aventura onde não mudar de opinião seja considerado um fracasso e onde, ao fim do dia, de exaustão, só apeteça dormir."
Cenários de emissão de CO2 (reedição)

"Podem ver neste gráfico (milhões de toneladas de CO2 na ordenada versus anos na abcissa) as consequências, em termos de emissão de CO2, das diversas propostas de contenção das emissões (Kioto, propostas legislativas do presente Congresso dos EUA) em comparação com os cenários: "Deixa andar", "Estabilização a 450 ppm" e "Estabilização a 550 ppm" - estes dois últimos cenários são aqueles, que são apontados pelos cientistas, como ainda possibilitando um controlo razoável dos problemas. Deve-se ter isto em conta como referência futura.
PS: ppm = partes por milhão."
4 de março de 2008
Terra e Lua

Dúvidas e esperanças sobre Obama
A escolha do candidato democrata pode ficar resolvida hoje e - o que é mais previsível - poderá ser Barack Obama (Hillary Clinton terá de ganhar e de modo claro para isso não suceder). No entanto, as dúvidas continuam e foram aprofundadas por decisões de Obama sobre a composição do seu governo. Um dos aspectos mais interessantes de acompanhar, nos próximos anos, nesse magnífico laboratório político, que são os EUA, será, à luz do movimento criado, a actuação do provável presidente Barack Obama. Para já, e para memória futura, alguns apontamentos sobre as dúvidas e as esperanças criadas por ele.
- Paul Krugman no New York Times, diz, sem surpresa, em Deliverance or Diversion?, : "All in all, the Democrats are in a place few expected a year ago. The 2008 campaign, it seems, will be waged on the basis of personality, not political philosophy. If the magic works, all will be forgiven. But if it doesn’t, the recriminations could tear the party apart." A-propósito da posição de Krugman em relação ao Obama, Economist's View avança, em Backing Obama into a Corner, com uma hipótese de explicação.
- Já com surpresa para mim, Chris Bowers (apoiante acérrimo de Obama), na Open Left, em Obama To Put Conservatives in Cabinet, e aqui, relembra, e de modo crítico, a deriva centrista de Obama e manifesta desagrado sobre algumas indicações para o governo: "If I am missing something, I don't know where to look for it. Chuck Hagel as Sec Def is just the latest indication that Obama is more about placating High Broderism, Tim Russert and the Washington Post editorial board than he is about transformative progressive change. I'll work hard to help elect him, but I also don't intend to delude myself about what to expect when he becomes President." Também aqui: More Veepstakes: The Future Of the Party.
- O Economist's View refere outras opiniões, em Barack Obama and Bipartisanship. Numa, fala-se dos conservadores a votar em Obama (será isso que Obama quer com todo o seu centrismo e indicação de escolhas? Ele acredita nisso ou é mero expediente táctico?).
- Sobre a política da esperança defendida por Obama, uma opinião de esquerda: The Nation The History of Hope; uma opinião de direita: Yes, We Can’t by Fred Siegel, City Journal.
- No entretanto, economistas europeus criticam acerbamente a posição de Barack Obama quanto ao comércio internacional: The dangerous protectionism of Barack Obama vox - Research-based policy analysis and commentary from leading economists: "Barack Obama, the likely Democratic presidential candidate, has proposed tax breaks for US corporations that invest at home rather than abroad. This column argues that his proposal is protectionist, reactionary, and economically unsound."
3 de março de 2008
Não os ouvimos porque não usam as ondas de rádio
Enrico Fermi, nos anos quarenta, enunciou o paradoxo que tem o seu nome: "Se existem extra-terrestres, porque é que não aparecem?". Na verdade, podia argumentar-se que, dado o devido tempo, e com um nível tecnológico (não muito) superior ao nosso, haveriam soluções que possibilitariam qualquer espécie espalhar-se pela nossa galáxia. Uma outra versão dessa pergunta seria: "Se existem extra-terrestre, porque é que os não ouvimos?". A resposta é anunciada aqui: The Great Silence -Are We the Miss Lonely Hearts of the Milky Way? The Daily Galaxy: News from Planet Earth & Beyond. Um excerto:
"Drake goes on to point out that contrary to popular wisdom which believes that we could discover the existence of extraterrestrials from powerful beacons beamed our way from their vastly advanced civilizations, that if we use the Earth is an case study, that the more advanced the civilization, the less likely they are to emit powerful radio waves. With our evolution to cable and satellite transmissions, we are now leaking very little out to space. The earth is gradually becoming 'radio quiet' in a cosmic blink of the eye."
Notícias do futuro?
No debate sobre as consequências sobre o aquecimento global, as possibilidades das novas tecnologias são discutidas de modo diverso: para uns, fazem parte do conjunto de instrumentos e políticas que devem ser exploradas com vista a conter a emissão dos gases de estufa; para outros, são o argumento invocado para desculpar qualquer reacção da nossa parte - se o problema existe (o aquecimento global), o desenvolvimento tecnológico futuro resolvê-lo-á.
O prognóstico, de que se fala abaixo, a ser confirmado (não tanto o prazo como a sua factibilidade) sublinharia, de modo categórico e diferente, a frase: "de o futuro, já não ser, o que era", e daria razão àqueles últimos - a história, por vezes, dá razão a quem não a tem (e neste caso, eu e todos nós deveríamos ficar muito felizes com isso: vejam aqui).
Ver Gucci Genes -Designer Life Forms to Convert CO2 to Fuel The Daily Galaxy: News from Planet Earth & Beyond: "We have modest goals of replacing the whole petrochemical industry and becoming a major source of energy,' Venter told Al Gore, Google co-founder Larry Page and other attendees at the Technology, Entertainment and Design conference held recently in Monterey, California. 'We think we will have fourth-generation fuels in about 18 months, with CO2 as the fuel stock.'"
Educação em Portugal (I)
Rússia: que fazer?
Bio-degradável
Pois é. As cascas das laranjas são bio-degradáveis.
A virtude (e a eficiência de uma sociedade, em todos os seus domínios de actividade) começa na disciplina que imprimimos aos nossos pequenos gestos e às nossas pequenas rotinas, em todos os aspectos da nossa vida.
2 de março de 2008
O inverno vai frio (a nível mundial) - o aquecimento global foi às urtigas? (II)

Esta nota vem a complementar outra sobre o mesmo assunto (ver aqui). Ver no blogue Climate Progress o comentário sobre o mesmo assunto: Media enable denier spin 1: A (sort of) cold January doesn’t mean climate stopped warming: "Our deep understanding of the climate is, as I’ve noted, based on hundreds of peer-reviewed studies that themselves are based on countless real-world observations over decades (and paleoclimate data extending back hundreds of thousands of years). It can’t be undercut by a few weeks of cool weather – and the really annoying thing, you may be surprised to learn, is they haven’t even been remarkably cool!" Vejam o gráfico.
Bancos Centrais, a política monetária e a inflação
A sua tese é do problema maior, agora, ser a degradação do poder de compra dos salários mais baixos - dá exemplos (são muito esclarecedores) - e não o desemprego, donde uma dose moderada de monetarismo conjugada com subsidiação direccionada e alívio aos problemas no mercado hipotecário, poderia ser a solução. Mas esse não é o caminho seguido: iria contra os interesses da classe média (necessidade de manutenção do seu padrão de consumo) e dos donos de acções, (e da saúde das instituições financeiras) e, viria a contrário da linha ideológica desta administração. Relembra, também, que a responsabilidade deste surto inflacionista sendo imputável a causas externas, tem uma componente interna incontornável.
Esta análise é escorada, pelo menos, em parte, por outras. O blogue Political Calculations, nesta nota Choosing Inflation diz: "Allowed to go on for too long, you would end up with the same kind of imbalances and economic nightmare had you chosen the shock therapy approach instead. Only now, lots of people cannot afford anything like their previous standard of living because everything costs so much more." Discute as opções e confirma que tudo aponta para o FED ter optado pela saída mais fácil, no curto prazo: a inflacão.
Por seu lado, o blogue Free exchange (Economist.com) fala de The consumer squeeze: "Now, however, inflation is primarily being driven by increasing raw materials prices, which squeeze corporate margins. That squeeze and a weak economy rule out significant wage increases for most workers. As such, real wages fall with inflation. This forces consumers to reduce their spending, further undermining the economy. The result is substantial pain for most households and a rather large headache for Ben Bernanke."
Em suma, e até prova em contrário, o BCE está a actuar bem e, da minha parte, estou muito satisfeito com o euro, por esta e por outras razões - mesmo, implicando isso, que pague mais caro (afirma-o a vox populi) a bica e outros produtos do que pagaria se continuasse com o escudo.
PS (08.03.04): No entanto, Paul Krugman considera que o FED está a fazer aquilo que deve ser feito (ver aqui).
PS(08.03.04): E mais sobre este assunto no Economist's View, em Fed Watch: Inching Closer to the Reality of Stagflation. Outra apreciação, focando mais a situação geral da economia norte-americana: An economic slowdown? The San Diego Union-Tribune.
PS(08.03.04): As coisas estão pretas: mais do mesmo, no Free exchange (Economist.com) - From tightrope to hurdles.
Iraque: notícias sobre o próximo futuro
Conjuntura
- Economic sentiment is down in the Eurozone...
- While European sentiment is at a three year low, American consumer confidence has fallen to its lowest level since 1992...
- ...American consumer spending rose more than expected in January. The 0.4 percent increase in consumer outlays largely reflected higher consumer prices; after adjusting for inflation spending was essentially flat. Incomes were up 0.3 percent and saving down 0.1 percent, reflecting anecdotal evidence that households are drawing on savings to maintain spending levels.
- ...And home prices in Britain fell for a fourth consecutive month, according to Nationwide. Declines are orderly and mild, so far, and most economists do not currently see an American-style slowing in the country's housing markets.
George Washington: sobre o Iraque
"On Sept. 14, 1775, Washington wrote two letters to Col. Benedict Arnold, who led an American force into Canada. Five of Washington's points for invasion merit particular attention
¿ First, if the citizens don't want us there, don't go. Washington told
Arnold, ...;
¿ Second, the safety of American personnel depended on
how they treated people...;
¿ Third, proper treatment of prisoners was
necessary...;
¿ Fourth, any Americans who mistreated Canadians should
be punished...;
¿ Fifth, respect the people's religion..."
Enfim, nada que um, qualquer, político competente, não devesse saber.
Aborto, gravidez indesejada e planeamento familiar
Convém ler o artigo, por todos os motivos: tem, nomeadamente, estatísticas muito interessantes, mas não só. Vejam este excerto (tem aplicação regional):
"There is also a clear relationship between sex education and falling rates of unintended pregnancy. A report by the United Nations agency Unicef notes that in the Netherlands, which has the world's lowest abortion rate, a sharp reduction in unwanted teenage pregnancies was caused by "the combination of a relatively inclusive society with more open attitudes towards sex and sex education, including contraception". By contrast, in the US and UK, which have the developed world's highest teenage pregnancy rates, "contraceptive advice and services may be formally available, but in a 'closed' atmosphere of embarrassment and secrecy".
O inverno vai frio (a nível mundial) - o aquecimento global foi às urtigas? (I)

O inverno tem sido rigoroso em diversas partes do mundo, com descidas significativas de temperatura (ver gráfico acima) - (embora, aqui, nos Açores, a impressão que tenho é de temperaturas maiores do que o habitual para esta época do ano, e com maior precipitação -posso estar errado). Esta descida da temperatura tem vindo a ser invocado pelos cépticos do aquecimento global como prova de estarem certos. Andrew C. Revkin, do New York Times, discute o assunto em Skeptics on Human Climate Impact Seize on Cold Spell. A interpretação, do que se passa, gira à volta da diferença conceptual entre tempo e clima (ver mais aqui).
O futuro já não é o que costumava ser... (I)
"Climate science maverick James Lovelock believes catastrophe
is inevitable, carbon offsetting is a joke and ethical living a
scam."
"Lovelock believes global warming is now irreversible, and
that nothing can prevent large parts of the planet becoming too hot to inhabit,
or sinking underwater, resulting in mass migration, famine and epidemics.
Britain is going to become a lifeboat for refugees from mainland Europe, so
instead of wasting our time on wind turbines we need to start planning how to
survive. To Lovelock, the logic is clear. The sustainability brigade are insane
to think we can save ourselves by going back to nature; our only chance of
survival will come not from less technology, but more"
"What would Lovelock do now, I ask, if he were me? He
smiles and says: "Enjoy life while you can. Because if you're lucky it's going
to be 20 years before it hits the fan."
Aqui, têm uma ligação para outra entrevista de James Lovelock, agora na Rolling Stone, sobre o mesmo assunto - a previsão é aí mais precisa sobre os contornos do que irá suceder (na sua opinião).
A incerteza científica é razão de preocupação, não de complacência (II)

1 de março de 2008
Frases
- John Husing
China: perspectivas diferentes
O principal mecanismo de transmissão dos perigos que a situação social e ambiental na China (os seus sub-padrões sociais e ambientais) acarreta ao resto do mundo, não é o comércio internacional na parte que diz respeito à sua oferta produtiva, às suas exportações. É o efeito sobre o clima global, através da emissão de gases de estufa e da sua poluição (ver aqui, aqui); são as pressões sobre os equilíbrios macroeconómicos mundiais decorrentes das suas políticas económicas, e as implicações, potencialmente destabilizadoras, em termos de segurança internacional, das consequências futuras de uma resposta local, menos adequada, aos seus problemas sociais, ambientais, e políticos - necessidade da manutenção do aumento do emprego; reforço do sistema de segurança social e de saúde e combate à desigualdade (ver aqui). Todas os ganhos chineses continuam a ser contestáveis, e regredíveis, face à dimensão e evolução dinâmica destes problemas. A China não tem de ser contida (por motivos proteccionistas); tem é de ser influenciada no sentido de dar resposta aos seus problemas internos, pelo seu próprio bem e o nosso - queremos uma China, rica, segura, estável, que produza de modo o mais eficiente possível, e exporte e importe muito (ver aqui).
A incerteza científica é razão de preocupação, não de complacência (I)
Face à incerteza científica quanto à verdadeira dimensão das alterações climáticas induzidas pela actividade humana, deveríamos ficar mais preocupados (e não menos). Uma das razões é simples: as coisas poderão ser bem piores do que os cientistas afirmam neste momento - veja-se as críticas do relatório do IPPC por parte dos defensores da tese da influência humana no clima: é o caso de Joseph Romm que num artigo na Salon.com, The cold truth about climate change, afirma: " The science isn't settled - it's unsettling, and getting more so every year as the scientific community learns more about the catastrophic consequences of uncontrolled greenhouse gas emissions. The big difference I have with the doubters is they believe the IPCC reports seriously overstate the impact of human emissions on the climate, whereas the actual observed climate data clearly show the reports dramatically understate the impact."
Excerto do artigo do FT:
If the original models were biased, your best guess of the height of future floods is now lower. But if the models merely underestimated the uncertainty, the range of plausible outcomes is now greater, so flood defences would need to be higher for us to feel safe. Likewise, if our understanding of climate systems is flawed, our best guess about the dangers we face may be less pessimistic, but extreme outcomes are more likely. Mr Klaus is probably right that there are fewer certainties than many claim. Even commentators who support the conclusions of the Intergovernmental Panel on Climate Change point to methodological weaknesses in its economics. A UK High Court judge recently required that a list of “scientific errors” be sent to schools that show Mr Gore’s remarkable polemic, An Inconvenient Truth – confirming the impression that the film goes some way beyond established facts (Mr Gore is also a politician) [Isto não está bem contado: ver aqui, no Real Climate, aquilo que sucedeu].
But we hardly need Mr Klaus to teach us that experts’ models can be incomplete and a strong consensus can be badly flawed. ... How confident can we be about the way a system as complex as earth will respond to conditions it has never encountered before? Although greater uncertainty means climate change might be less bad than we fear – for example, an “iris” effect means increases in cloud cover may slow global warming – it also means it might be much worse. While the central predictions of climate change models are arguably not so much worse than many other difficult problems the world faces, the worst possibilities are far, far nastier.
Consider the “clathrate gun hypothesis” that warming seas could lead to clathrates (the frozen chunks of methane at the bottom of the sea) exploding into the air, which is what might have caused mass extinction at the end of the Permian era. Or the concern that the carbon dioxide could cause hydrogen sulphide gas to build up first in the oceans then in the atmosphere, exterminating most of life (and potentially also attacking the ozone layer, permitting the sun’s ultraviolet radiation to kill remaining life) – this, too, has been blamed for previous mass extinctions. I am not losing any sleep about these specific scenarios. In part that is because they seem so improbable (in spite of Mr Klaus’s eloquent expositions of how little we really know). But it is also because the fact that we have already thought of these risks means that, if it becomes necessary, we probably have time to organise a last-ditch geoengineering solution (seeding the ocean with an antidote, for example) that would at least mitigate the very worst consequences [muitos não concordam com isto: os remédios podem ser piores do que a cura].
But what of completely unanticipated possibilities? Even Donald Rumsfeld, former US defence secretary, understood that it is the “unknown unknowns” that should really worry us. Serious scientists worry that feedback effects such as release of methane from the Siberian permafrost (or those underwater clathrates), or reductions in the earth’s reflectivity due to polar ice loss, could cause runaway greenhouse warming, with unforeseeable outcomes that would look like bad science fiction from today’s perspective. The continuing scientific uncertainty about the pace of climate change should make us more concerned, not less. And it is those who doubt the climatologists’ models who should be the most frightened."
Retórica e política (IV)
- Does Obama's baritone give him an edge? Salon: "Aside from the symbolism of finding a new hero who might displace the shame and fear that has poisoned American public life since Martin Luther King's murder in 1968, there is something in the very essence of Obama's voice -- its tone, its timbre, its resonance -- that has struck deep chords among Americans and foreigners in this year's campaign season. Not since King's 'I Have a Dream' speech in 1963 has a black American moved so many other Americans, white or black. And once the matter of voice was raised for Obama, a not always flattering parallel immediately arose concerning the voice of the first real female candidate in U.S. history: Hillary Clinton"
- Michael Gerson - Words Aren't Cheap - washingtonpost.com "...From the Greek beginnings of political rhetoric, the wise have described a relationship between the discipline of writing and the discipline of thought. The construction of serious speeches forces candidates (or presidents) to grapple with their own beliefs, even when they don't write every word themselves. If those convictions cannot be marshaled in the orderly battalions of formal rhetoric, they are probably incoherent. The triumph of shoddy, thoughtless spontaneity is the death of rhetorical ambition. A memorable, well-crafted speech includes historical references that cultivate national memory and unity -- "Four score and seven years ago." It makes use of rhythm and repetition to build enthusiasm and commitment -- "I have a dream." And a great speech finds some way to rephrase the American creed, describing an absolute human equality not always evident to the human eye. Civil rights leaders possessed few weapons but eloquence -- and their words hardly came cheap. Every president eventually needs the tools of rhetoric, to stiffen national resolve in difficult times or to honor the dead unfairly taken. It is not a failure for Obama to understand and exercise this element of leadership; it is an advantage. Some Obama critics go even further, accusing him of inducing a "creepy," "cultish" "euphoria." A candidate delivers a good stump speech, adds a dose of personal magnetism and suddenly he is a sorcerer, practicing the dark arts of demagoguery."
Repensar a esquerda?
"Quinta questão. E o Estado, como se comporta perante tal evolução? Não terá de se transformar para responder às novas exigências emergentes? ... Sexta questão. E os partidos políticos, como é que podem responder a estas transformações, garantindo uma efectiva autonomia, capacidade de agenda e relação orgânica com a sociedade ao mesmo tempo que resolvem o bloqueio burocrático interno? ... É confrontando-se com estes temas que se pode responder à pergunta sobre a esquerda."
