13 de fevereiro de 2008

Rússia, para variar...

Para variar um pouco: Rússia. Martin Wolf, do Financial Times, afirma-se apreensivo com a Rússia de Putin e explica porquê: Why Putin’s rule threatens both Russia and the west (o acesso pode exigir o registo). Alguns dos factos referidos que ilustram os seus juízos de valor (e a frase com que termina a coluna):



"True, between 1999, the year before Mr Putin became president, and 2007, the
Russian economy expanded by 69 per cent. But the economies of 11 of the 15
former republics of the Soviet Union expanded by more than Russia’s. Indeed,
only Kyrgyzstan did markedly worse. A number of the former Soviet republics did,
it is true, benefit from an oil and gas bonanza. But so, too, did Russia: its
oil and gas exports jumped from $76bn in 1999 to $350bn last year. Even so, the
Russian economy expanded by less than Ukraine’s."
"Like all post-communist countries, Russia’s economy suffered
a steep initial decline, which reached its trough in 1998. Countries that
reformed more decisively, such as Poland, bottomed out more quickly and are now
far ahead. Again, Russia’s recovery is in no way exceptional: tiny Estonia has
done far better. Maybe this is why the Kremlin hates the Baltic state so
much."

"Mr Putin has eliminated all independence in television and most of it in the
press; he has destroyed the autonomy of regional government; he has emasculated
parliament; and he has eliminated competition for power. The political
divergence between Ukraine, increasingly free, and Russia, increasingly
despotic, is as clear as it is disturbing."

"In 2006, Russia ranked a mediocre 96th out of 175 in the World Bank’s “ease of
doing business” index, its worst ever position. In the World Bank’s governance
indicators for 2006, the effectiveness of Russia’s government was ranked in the
38th percentile from the bottom. Its rule of law ranking was in the 19th
percentile, well behind Ukraine’s 27th and Poland’s 59th. If one judges a state
by its ability to serve the people and protect them from the powerful, including
itself, Russia’s is ineffective. That vast numbers of Russians like such a state
makes this no less true, merely more depressing."


"Let us rid ourselves of illusions. This is no new cold war, not least because
Russia offers no enticing new ideology. But it is a cold peace. That is a
tragedy. It is also a reality. It is one the west must live with, probably for a
long time to come."

Antárctica (mais ainda)

O RealClimate comenta neste apontamento: Antarctica is Cold? Yeah, We Knew That as determinantes da evolução climática do continente em resposta ao aquecimento global e pergunta se os climatólogos teriam previsto o que se passa, historiando o processo de investigação do assunto. Dá informação sobre o papel dos oceanos na mediatização dos efeitos das alterações climáticas. Deve ser lida aqui, na Science Daily, notícia sobre a perda de gelo, nalguns sítios da Antárctica.

Astronomy Picture of the Day - 13 de Fevereiro: Galáxia Elíptica NGC 1132


Ver na Astronomy Picture of the Day uma poeira de galáxias e uma galáxia elíptica tal como era no tempo dos dinossáurios.

Desemprego em Portugal

A história é demasiado instrutiva para não ser reproduzida aqui. Vem num editorial do DiarioEconomico.com, Desemprego, a propósito do problema do desemprego em Portugal - o editorial fala de aspectos conhecidos que condicionam a evolução do fenómeno em Portugal. Infelizmente, não estou nada convencido que o Governo tenha o condão para resolver o problema no curto prazo - quanto muito pode criar as condições para isso e para o médio e longo prazo. A história é a seguinte:


"Durante uma aula de MBA em Harvard, o professor pediu aos alunos que explicassem o que fariam nas suas empresas se soubessem que viria a caminho uma recessão económica. Uma a uma, as sugestões chegaram: corte no investimento publicitário, corte nos prémios anuais, congelamento de contratações e de salários, suspensão dos projectos de expansão. O habitual quando se prevê uma redução acentuada do consumo das famílias. O professor ouviu em silêncio, até que um aluno disparou a matar: eu despediria 25% dos funcionários, aproveitando o pânico para limpar as gorduras. A explicação foi interrompida a meio. Sem o deixar falar mais, o professor ordenou-lhe que abandonasse imediatamente a sala. O aluno sentia a cabeça à roda, o chão fugia-lhe debaixo dos pés: o que teria ele feito para provocar reacção tão violenta? Olhando para a sala, o professor resolveu a dúvida: agora ficam todos a perceber o que significa ser despedido sem ter contribuído directamente para esse desfecho."


12 de fevereiro de 2008

China: Smog

Como dizem: uma imagem vale por mil palavras - vejam aqui, no blogue de Brad DeLong, um fotografia da Nasa, sobre o smog sobre a China. Sem mais comentários.

China's 2030

As emissões de CO2 da China em 2030 serão (a manter-se o ritmo actual) iguais ao nível de emissão mundial actual, segundo um artigo da Wired.com, China's 2030 CO2 Emissions Could Equal the Entire World's Today. O artigo também rectifica uma informação que corre sobre a China: não está a pôr em funcionamento uma central a carvão por semana - são duas e não uma. Do lado positivo, o artigo confirma a seriedade com que a China está a encarar o problema: vejam, por exemplo, o ritmo de florestação (para mais: etiqueta China).


Porque tantos odeiam Hillary? - de novo!

Ricardo Reis, no Diário Económico, retoma a questão do saber Porque tantos odeiam Hillary? (ver aqui também). O artigo é duro para alguém como eu que "puxo" pela sua escolha como candidata democrata. É duro para mim, não pelas coisas que são elencadas - são conhecidas; são discutíveis quanto à sua factualidade e à sua interpretação e são relativizadas no quadro da aplicação das "Clinton rules" (ver na nota já acima indicada) - mas por aquilo que é dito ao fim, quanto à opinião de Brad Delong sobre o seu nível de competência. A citação:

"Outro problema com Clinton é que a sua única experiência governativa foi um desastre completo. Entre 1993 e 1994, Hillary esteve à frente do maior projecto da presidência de Bill Clinton: a reforma do sistema de Saúde. Este foi também o seu maior fracasso. Hillary não conseguiu que o congresso e o senado aprovassem qualquer mudança, e a sua campanha foi de tal forma impopular que levou a enormes perdas do partido democrata nas eleições para o congresso apenas dois anos depois da vitória de Bill nas presidenciais.O professor Brad de Long da Universidade da Califórnia em Berkeley trabalhou de perto com Hillary neste projecto. A sua descrição da ‘performance’ de Hillary aqui há alguns anos foi: “Ela não teve nem uma compreensão do tópico, nem a capacidade de gestão, nem a inteligência politica para fazer o trabalho” De Long, um proeminente economista do partido democrata, concluiu que: “Não há razão para pensar que ela não será algo senão uma presidente abismal.”

Outra coisa que não gostei de ler - não me tinha apercebido de haver essa opinião :
"Por fim, virando-me para a economia, a equipa de campanha de Hillary para estas eleições tem sido uma desilusão para os economistas democratas. A equipa é dominada por advogados aguerridos e argumentativos, mas com falta de bagagem no conhecimento técnico das questões. Os disparates que Clinton tem proposto para lidar com os problemas no mercado das hipotecas são testemunha disso."


PS: Mas a novela continua: vejam aqui, uma nota do blogue The horse's mouth sobre as "Clinton rules".
PS(08.02.16): Brad DeLong numa nota no seu blogue reconhece que não foi justo nas críticas que fez a Hillary Clinton.

Eficiência da banca portuguesa

O artigo de Paulo Soares de Pinho, no Diário Económico, Eficiência, começa assim: "Um dos “factos” estilizados mais propagados entre nós é o de que o sistema bancário português, não apenas é um dos sectores mais desenvolvidos do país, como nada tem a dever aos seus pares europeus. " Pois é. A surpresa é, esse facto, não corresponder à verdade. E existem estudos que o comprovam. Um recente, da consultora Arthur D. Little entitulado “Cost Efficiency of Leading European Banks” posiciona Portugal no 14.º lugar em 15 países. O articulista aponta(o bold é meu):




"Este estudo centra-se na análise dos rácios custo/proveito dos diferentes bancos, calculados segundo uma metodologia homogénea e sistemática, que anula os aspectos mais criativos utilizados na contabilidade bancária. Ou seja, retirados certos “efeitos especiais” de tipo mais “cinematográfico”, verifica-se que os grandes bancos portugueses não conseguiram acompanhar o enorme esforço de melhoria da eficiência que foi seguido pelos seus pares espanhóis. Este aspecto contrasta com as elevadas margens que a banca nacional regista nos mercados de depósitos (entre as maiores da Europa) e as sucessivas subidas de comissões. O que significa que o problema não estará nos preços praticados, os quais se situam ao nível (e nalguns casos acima) do praticado no resto da Europa, mas sim na estrutura de custos e na capacidade de lançamento de mais e melhores produtos que aportem valor para o cliente. No que diz respeito aos custos, os bancos portugueses enfrentam claras desvantagens ao nível da distribuição, com redes de balcões sobre-dimensionadas para a dimensão da população. "

"No end in sight..."

Bob Herbet, sobre o processo eleitoral democrata, sobre as suas virtualidades e seus perigos face a Novembro. Merece ser lido: No End in Sight - New York Times.

EUA: projecções demográficas para 2050

O NYT refere as conclusões das projecções demográficas, feitas por um estudo da Pew Research Center, para os EUA, em 2050. Rácio de dependência (2050): 72%; Imigrantes trabalhadores (2050): 23%; Hispânicos trabalhadores (2050): 31%; Estrangeiros (2050): 19% etc.. É de manter como referência. Ver aqui: Study Foresees the Fall of an Immigration Record That Has Lasted a Century - New York Times. Um excerto: "What such an outcome could portend, other analysts have said, is a nation riven politically between older, whiter, voting retirees who are increasingly supported by a younger, darker, working population that, as immigrants, may be disproportionately ineligible to vote."

Ilha de Páscoa: colapso - uma lição para os nossos dias

Physorg.com dá conta da construção de um modelo matemático (simples) aplicado à explicação do colapso da sociedade da Ilha de Páscoa, depois da colonização polinésica e a chegada dos primeiros europeus. Todas as civilizações dependeriam da "capacidade de carga" (carrying capacity) do ecosistema onde estão localizadas, com a sua população a dever oscilar entre um mínimo que permita a sua viabilidade e um máximo coincidente com o nível de equilíbrio que assegure a reprodução indefinida da sociedade em causa. Isso é particularmente evidente para ecosistemas fechados - caso das ilhas. Alcançado um dado nível de população (e logo de recursos e de ritmo de produtividade na sua utilização) todos os ecosistemas (por maiores que sejam) são ilhas. É o caso do planeta Terra. As implicações são imediatas. A notícia pode ser lida aqui: Model of Easter Island Collapse Might Reveal Message for Today.

11 de fevereiro de 2008

Ponto da situação das eleições americanas

O objectivo é arrumar um conjunto de informação sobre as eleições (para os eventuais interessados; para futura referência e para ver se passo a outra coisa - têm leitura para muito tempo)



















































  1. A dinâmica de vitória de Obama é inegável (ver aqui número de delegados) e impressiona pela sua dimensão, apelo e penetração em alguns quadrantes - não é o candidato do establishement democrata (do partido democrata, entenda-se - esse, continua a ser Hillary Clinton) mas é o candidato dos negros, dos jovens, dos homens brancos democratas, e dos eleitores com rendimentos superiores (ver aqui e aqui).


































  2. No entanto, Hillary Clinton (latinos, mulheres, trabalhadores, eleitores mais idosos) - "the underdog" neste momento - não está fora da jogada, embora todo o mês de Feveiro não lhe prometa ser fácil. Eleições determinantes serão as do Texas e do Ohio, em 4 de Março (ver aqui, da Open Left, um colaborador apoiante de Obama).


































  3. Como tudo isto vai terminar? Esse é o título do artigo How will it all end? que a Salon.com dedica às eleições para a escolha do candidato democrata e onde os diversos cenários são explicitados. Uma séria possibilidade - devido à escolha dos delegados obedecer ao critério da proporcionalidade - é a do processo ter de desembocar no congresso democrata com os superdelegados (as "inerências") a determinar o resultado - opinião interessante sobre o papel destas inerências, face às objecções feitas à importância que poderão ter no processo, é a de Matthew Yglesias.


































  4. Uma dúvida colocada por muitos, é a de saber até que ponto a questão da raça e do género está a influenciar esta campanha. Já se referiu isso (aqui, no fim da nota). Um apontamento da American Prospect, de algum tempo atrás, assegura que sim, e de modo positivo (aqui). Uma interessante sondagem (de que não consigo descobrir a ligação) sobre os aspectos que mais condicionariam, de modo negativo, o sentido de voto, posicionavam a pertença religiosa aos mórmons e aos evangélicos (estilo Huckabee) como tendo muito mais peso do que ser negro ou mulher - no entanto, ser negro tem um peso negativo menor do que ser mulher.


































  5. O facto de ser mulher - é questionado - poderia explicar o ódio a Hillary Clinton? Stanley Fisher recorda a dimensão do fenómeno (aqui); discute as possíveis razões para ele e o eventual papel que o sexismo tem nisso (e aqui). O tema do ódio a Hillary Clinton é retomado por Paul Krugman que vê nele o resultado de uma campanha deliberada da direita americana - aplicação das " Clinton rules" - que, avisa, podendo estar a favorecer Obama, neste momento, se estenderão a ele se for escolhido como candidato democrata (aqui). Ele chama a atenção, noutra nota, para a apreciação (correcta) feita, por um apoiante de Obama, do tratamento dada pela comunicação social da chamada "carta racial" jogada pelos Clinton (ver aqui a opinião de Clive Crook - artigo deste no FT, aqui).


































  6. Já tendo em vista as eleições em Novembro, temos: um apontamento da Open Left, Goodbye red State America? onde se compara as votações democratas e republicanas até agora verificadas; outro da The American Prospect (aqui) sobre a evolução da agenda política evangélica e do voto da direita religiosa (isto cruza com a matéria desta nota).

António Barreto sobre a devolução das escolas às comunidades

O Blasfémias transcreve parte do artigo do António Barreto, no Público, O que os centralistas não concebem , sobre a devolução das escolas às comunidades. De acordo. Ver o fim do artigo: "A entrega das escolas às autarquias, com responsabilidade e competências, teria ainda a formidável consequência de retirar a maior parte do trabalho ao ministério, reservando-lhe as suas funções nobres, que cada vez exerce menos: inspeccionar, avaliar, prever, assegurar os direitos fundamentais e cuidar da coerência nacional. Já se pensou no que poderia ser um ministério da educação sem nomeação de professores, sem definição de horários, sem autoridade sobre os técnicos de apoio, sem concursos de aquisição de bens, sem capacidade para aprovar, dia sim dia sim, regulamentos pedagógicos e normas de execução? Já se imaginou na utilidade de um ministério que se dedicasse a pensar, a apoiar e a inspeccionar, em vez de administrar, recrutar, fazer obras e ditar regras de comportamento? Após tantas décadas de miséria educativa e de caos escolar, com os péssimos resultados que se conhecem, merecíamos melhor. Nós todos e também os professores, os alunos e os pais."

Frases

  • "But Chulohn, who loved the bleack places of the worlds because they are fearful, understood that churches are shelters against the intimidating majesty of the Almighty" Jack McDvitt, A Talent for War.






  • "É-se creativo quando se consegue retirar um zero ao orçamento do nosso projecto" Jaime Lerner, Vídeo TED.

10 de fevereiro de 2008

Vídeos da TED




  • Jaime Lerner (brasileiro) fala-nos, numa conferência TED: Sing a song of sustainable cities, das cidades, da sua sustentabilidade, dos sistemas de transporte citadinos e da sua interconectividade, dos espaços multiuso.





  • Robin Chase, fundadora do Zipcar (car-sharing), fala-nos, numa conferência TED: Getting carsoff the road and data into skies, do transporte rodoviário, da densificação e interconectividade das redes wireless na base do transporte rodviário, da utilização dos preços para alterar o modo como utilizamos os carros e as estradas, e do impacto disso tudo na redução da emissão de gases de estufa.




  • Ben Dunlap, presidente da South Carolina's Wofford College, fala-nos, numa conferência TED: The story of a passionate life, da Húngria, de húngaros, da vida, do conhecimento e do futuro - magnífico, embora, com ritmo e acento sulista que torna a compreensão do inglês difícil, às vezes.

PS: Qualquer dos vídeos é soberbo e merece ser visto.

New York Times comenta os resultados de ontem

O NYT comenta os resultados de ontem: Obama Gets Convincing Wins in 3 States - New York Times. O que há a notar é, do lado dos democratas, a dimensão da vitória de Obama nos três estados (não a vitória em si), e do lado dos republicanos, a preocupante resiliência de Huckabee - preocupante, não só pelo que representa (ver aqui e aqui) mas pela possibilidade de John McCain o escolher para candidato a Vice-Presidente, atendendo aos resultados que tem obtido - lembrem-se da idade de John McCain!

9 de fevereiro de 2008

Ligações recomendadas: ciência

Ligações recomendadas: economia

Ligações recomendadas: saúde









Ligações recomendadas: mar e pesca

John McCain e o aquecimento global

Joseph Romm, colaborador da Gristmill (entre muitas outras coisas), explica na Salon News, no artigo No climate for old man, as razões porque descrê que McCain consiga dar a resposta que o aquecimento global exige - embora seja o único candidato republicano, nestas primárias, a reconhecer o problema. O artigo deve ser lido: dá a verdadeira dimensão do problema político que aquela resposta deve enfrentar nos EUA; das dificuldades governativas e técnicas; da verdadeira dimensão do trabalho a fazer - note-se que tudo isso, acaba por ser, a contrário, aquilo que um presidente democrata terá de fazer. As lições para nós, serão óbvias.

Krugman sobre a "provável" recessão

Krugman no NYT, A Long Story , discorre sobre as possibilidades de haver recessão, à luz dos números mais recentes - segundo ele, isso será cada vez mais provável. A recessão a verificar-se, combinaria as causas das duas anteriores: estouro de uma bolha especulativa (agora, do mercado hipotecário) e um aperto no crédito; acompanharia, em princípio (e no melhor dos cenários) a evolução das outras. Neste particular, previne que as consequências negativas se estenderiam, de modo quase certo, para além do período de vida oficial imputado (8 meses no caso das anteriores) - a recuperação do mercado de trabalho, nas duas últimas recessões, chegou aos dois anos. Discute, também, as medidas tomadas e o nível previsível da sua eficácia.








Tudo isso sublinharia a importância e a responsabilidade do próximo(a) presidente. Percebe -se a mensagem que quer passar:



"But we won’t get any innovative action to help the economy unless the next president has a couple of key attributes.
But we won’t get any innovative action to help the economy unless the next president has a couple of key attributes.
First, he or she has to be free of the ideological blinders that make the current administration and its allies fiercely oppose the idea that the government can do anything positive aside from cutting taxes.
Second, he or she has to be knowledgeable about and interested in economic policy. Presidents don’t have to be their own chief economists, but they do need to know enough to take the right advice.
Will we have that kind of president? Stay tuned."

Crítica de livros: Religião e Política nos EUA

Um dos factos salientes do panorama político norte-americano, nas últimas décadas, foi a capacidade do partido republicano de responder às preocupações e à agenda da direita religiosa, e de capturar parte significativa do eleitorado religioso (religioso enquanto tal).














Nesta crítica do NYT aos livros The Party Faithful - How and Why Democrats Are Closing the God Gap de Amy Sullivan, e Souled Out - Reclaiming Faith and Politics After the Religious Right de E. J. Dionne Jr., faz-se eco da tese, defendida nestes livros, que a responsabilidade passou, também, pelo Partido Democrata:
"The leadership of the Democratic Party, to its misfortune, has tended to confuse the religious right with religion, period. As a result, they can now look back at a long campaign of successful efforts to alienate white Christians, who make up two-thirds of the American electorate." e "In short, the Democratic Party’s long string of counterproductive responses to the enduring influence of the religious right has had the cumulative effect of driving away any type of base with the word “faith” attached to it, and opening the door to the Republicans’ shrewd, if cynical, courting of religiously conservative white Christians. It’s been a self-defeating failure, since there are millions of moderate and progressive Christians ready to embrace a reasonable alternative."








Ambos os livros defendem que a situação está a mudar, e vai mudar ainda mais, havendo uma agenda de esquerda susceptível de ser apoiada pela maioria dos eleitores religiosos moderados:
"Strikingly, both authors announce the demise of the religious right and proclaim the advent of a new era of religious engagement in the direction of what might be called faith-friendly liberalism. “American politics is at a turning point,” Dionne asserts. “Evangelical Christians are an increasingly diverse group,” broadening their political agenda to include environmental issues and a commitment to international human and religious rights, as well as to economic policies that address poverty. Mainline Protestants and Roman Catholics are poised to renew their “rich history of social concern,” Dionne says, and he concludes, “There is very good reason to believe that in the coming years, America’s religious communities will no longer be seen as the natural allies of political conservatism.”



A ver vamos! Existem indícios disso mas o tempo dirá.

A Europa vista dos EUA (II)

É mais um apontamento sobre os diferentes modos como a Europa é vista nos EUA (ver aqui outros exemplos). Este é uma crítica do NYT a um livro de James J. Sheehan, Where Have All the Soldiers Gone? , (magnífico título) sobre a guerra e a paz na Europa durante o século XX, e que vem a contrário da tese (imbecil) de que os norte-americanos são de Marte e os europeus são de Vénus. Um excerto:
"However that may be, it’s a surely astonishing fact that no European war has been fought for more than 60 years, at least outside the ruins of Yugoslavia. Western Europe has become politically and socially demilitarized to a degree once unimaginable; after so many centuries of bloody conflict, Europeans don’t want to study war no more. In his scintillating tour d’horizon — and de force — Sheehan suggests that such obsolescence of war is specifically “the product of Europe’s distinctive history in the 20th century,” and he argues that it has created a new kind of European state along with “a dramatically new international system within Europe.”"

8 de fevereiro de 2008

A Google propõe-se fazer mais pelas energias renováveis do que a Administração Bush

A notícia de que a Google se preparava para entrar no negócio da produção de energia, a partir de fontes renováveis, é de Novembro passado (ver aqui também). A decisão tem todo o sentido, do ponto de vista empresaria,l atendendo que a Google é uma forte consumidora de energia - acresce que essa actuação contribui para a sua boa imagem e fidelização dos clientes (e não se pode descartar as próprias convicções dos fundadores da empresa).








Aquilo que o Daily Galaxy vem precisar: - Google Prepared to Spend More on Green Energy than U.S. Gov't -, é onde a intervenção da Google irá ter lugar: não na criação das novas tecnologias - elas existem (pelo menos na fase de protótipo) e cada uma é dada com diferentes soluções (ver aqui e as notas deste blogue com a etiqueta energia) - mas no financiamento da fase seguinte, aquela onde passam ao estádio de projectos comerciais e onde devem adquirir a dimensão produtiva (economias de escala) que lhes permita descer os custos a níveis competitivos com as alternativas baseadas nos combustíveis fósseis. Essa fase é a mais difícil, o que realça a importância estratégica do que a Google quer fazer.








No entretanto, a dimensão do esforço financeiro da Google, nesta área, é superior ao Governo Federal Norte-Americano. Como é afirmado no artigo: "Bush Administration has made some token statements and gesture to support green energy, real change is far from their main agenda. With a grossly disproportional amount of our national budget invested in warfare, it seems there’s no money left over for creating a livable future [ver aqui]. In reality, the Feds are in happily in bed with big oil and the torrid love affair looks set to continue—that is, until innovative corporations like Google step up to the plate." O contraste com outros países é muito significativo (a nota anterior referia o caso da China; podem ver aqui e aqui, referências à actuação da Alemanha - sabiam que 7% das suas necessidades de electricidade são satisfeitas pela energia éolica? Este número estará certo? Ver aqui Portugal, como comparação)

7 de fevereiro de 2008

A China e as energias renováveis

A China leva a sério a questão da produção das energias renováveis - mais a sério do que a actual administração norte-americana. Vejam aqui: China's Clean Energy Performance Outpacing USA SolveClimate.com. São boas notícias, embora, a "pegada ambiental" chinesa seja, e será cada vez mais, brutal. Solve Climate tem uma ligação para a informação mais desenvolvida.







Alguns factos:






Renewable energy mandates






  • China's Renewable Energy Law, effective since February 2005, has set the world's most aggressive and legally binding target. By 2020, 15 percent of all energy is to come from wind, biomass, solar and hydropower energy, compared to its present 7 percent.
  • China is to have 137 gigawatts (GW) of renewable power generation by then, plus vehicle fuels with at least 15 percent renewable energy content. Estimated total investment needs for realizing these target amounts to nearly U.S. $270 billion.
  • The U.S. has yet to establish a national renewable energy platform. Congress is tussling over a two year extension to vital tax credits for clean energy companies, which if extended for a full decade, would cost $5 billion.





Fuel Economy Standards






  • By 2008, average Chinese passenger vehicles will be required to meet a 36 miles per gallon (mpg) requirement.
  • Currently U.S. passenger vehicles are meeting a 27.5 mpg standard, which must now rise to reach 35 mpg by 2020.
  • China is also in the process of setting fuel economy standards for trucks and agricultural vehicles. These policies combined are going to reduce China's GHG emissions by 488 million tons of CO2 by 2030.






Closing Small, Inefficient Coal-Fired Power Plants






  • In 2006, China announced plans to decommission hundreds of smaller, older coal-fired power plants.By the end of November 2007, China had closed 365 small plants with a total capacity of 11,000 megawatts, according to statistics from the National Development and Reform Commission.

Duas crónicas sobre o momento político português

A crónica política sobre Portugal no seu melhor: O tempo do bem e do mal - DiarioEconomico.com, de João Cardoso Rosas. Dois excertos para aguçar o apetite da leitura:

  • "Apesar de tudo, é da mais elementar justiça reconhecer que este foi um Governo sério e que fez muito do mal necessário, daquele mal de curto prazo que é o verdadeiro bem a longo termo. O Governo também prescindiu daquele bem aparente que é um mal que se paga no futuro e que outros não hesitariam em praticar, mesmo que à custa do equilíbrio orçamental, da autoridade do Estado e da salvaguarda das suas funções sociais."
  • "Este é um desafio tanto para o Governo como para o PSD. Mas, entre reforma e acalmia, o PSD e o seu pobre príncipe não sabem o que hão-de fazer. Um dia pedem tréguas e compreensão pelas vítimas do mal praticado, no outro dizem que o próprio Estado deve ser desmontado e, dessa forma, o mal ainda mais agravado. A contradição é evidente. O Governo, pelo menos, praticou o mal enquanto podia e o bem sempre que lhe foi possível. O PSD quer praticar o bem e o mal ao mesmo tempo e isso não é exequível nem respeitável. "

Outra crónica, também no Diário Económico, de Paulo K. Moreira sobre o actual momento na saúde, intitulada: Olá, Senhor Socialismo? Pergunta ao fim: "Vêm aí tempos difíceis para os pragmáticos. Terá começado um período dominado por românticos e prática discursiva da subjectividade?" É uma boa pergunta.

Uma outra maneira de ver as primárias norte-americanas

Uma opinião diferente (e refrescante) sobre as primárias americanas. É do escritor norte e afro-americano Percival Everett e merece ser lida. Saiu no Nouvel Observateur (ver aqui). A parte final da opinião (é uma exortação que se aplica a toda a gente, de toda a parte): "Il est temps que les Américains acquièrent un peu de subtilité et de maturité politique. Nous devons comprendre que le simple fait de voter ne suffit pas à faire de nous de bons citoyens. Certes, nous sommes trop peu nombreux à exercer ce prétendu droit ou privilège. Mais il ne faut pas se contenter de mettre son bulletin dans l'urne. Encore faut-il le faire en toute connaissance de cause, et cela implique que nous soyons plus exigeants envers nos hommes politiques et les médias qui relaient leur discours. Apparemment, tout le monde se satisfait de voir ces primaires se réduire, sous leurs dehors prestigieux, à un concours de popularité simpliste. Une fois de plus."

"Participação pública e ambiente" - coluna do Açoriano Oriental

Artigo interessante, a diversos títulos, hoje, no Açoriano Oriental, de Virgílio Cruz. O artigo é intitulado: Participação pública e ambiente. O artigo lamenta a falta de participação pública nos "processos de tomada de decisão, em matérias de ambiente", apesar daquela estar prevista na legislação, e terem sido previstas soluções para faciliar a compreensão dos potenciais interessados do que está, em cada caso, em jogo, e a sua participação. Essa não participação, por não permitir a incorporação de um conjunto diversificado de informações, poderia facilitar a concretização de soluções menos boas em termos de eficácia e de eficiência. Isso é indiscutivel e, poderia ser acrescentado, digo eu, que nos casos em que os projectos, na gestão dos seus efeitos, passa pela qualidade de utilização que os cidadãos dão deles, mais o é.








Interessante é, também, a ênfase colocada na necessidade de mobilização dos cidadãos - a ser efectuada por todos (instituições e ONG); o desenvolvimento de "estratégias que permitam motivar a participação efectiva dos interessados, dotando-os da devida informação, para que as contribuições possam ser por seu turno positivas". Não diz, mas poderia ter dito, que a mobilização, o delinear de estratégias, etc., neste particular, é trabalho eminantemente político.







Mas aquilo, que em última instância, me levou a escrever esta nota (fica como referência futura) é a notícia que dá sobre os níveis habituais de participação dos cidadãos nestes processos (estudo de Boshwort - não encontrei referência na net): 55% não quer participar; 30% tem de ser encorajada; 15% tem predisposição para; 5% é militante. Isto é, se generalizarmos isto a toda a esfera potencial de intervenção dos cidadãos, há muita gente com quem se pode (se deve, se tem) trabalhar politicamente. Porque fazê-lo? Pelas mesmas razões que são aduzidas no artigo para a participação dos cidadãos nos processos do ambiente: mais eficácia e eficiência no delinear das soluções e, depois, na sua concretização e gestão - haveria a invocar, para isto ser politicamente correcto, todo aquele tipo de grandes princípios com que se enfeitam os discursos nos dias solenes, sobre democracia, etc. (eu acredito nisso; para mim não são verbos de encher; só que gosto de usá-los com conta e medida...).

Astronomy Picture of the Day - 7 de Fevereiro: Galáxia NGC 4013 e o seu rasto de estrelas



A imagem da galáxia, em si, não é (comparada com outras) especial, mas o rasto de estrelas que a acompanha já é curioso: ver em Astronomy Picture of the Day.

6 de fevereiro de 2008

Astronomy Picture of the Day - 6 de Fevereiro: Sol


Ver na Astromy Picture of the Day as primeiras manchas solares do novo ciclo solar.

Ligações recomendadas: eleições americanas, Terça Feira, 5 de Fevereiro (II)

Ligações recomendadas: eleições americanas, Terça Feira, 5 de Fevereiro (I)


PS: Mais disto, da parte da tarde.

Ligações recomendadas: espaço

Pico da produção do petróleo: 2012-2015?

Sem muitos comentários: alguns analistas defendem que se aproxima o momento em que a extracção do petróleo deixa de crescer e isso, acontecerá, ao mesmo tempo que a procura acelera. Este analista considera que tal sucederá já em 2012-2015, com os problemas a começarem a acontecer em 2010. Ver em: The Energy Blog: Oil Shortages Start in 2010; Peak Oil Hits 2012-2015

5 de fevereiro de 2008

Apoios de Obama - opinião de um jornal conservador

Coluna da City (jornal conservador nova-iorquino) sobre os apoios de Obama, à esquerda e à direita, e sobre o perfil do candidato em termos partidários e no que respeita aos assuntos internacionais: Bizarre Bedfellows for Barack by Fred Siegel, City Journal 4 February 2008.

Últimas sondagens sobre as primárias americanas

Ver em: Open Left:: Final Super Tuesday Polls And Predictions.

Krugman sobre Obama

Tony Blair, Presidente da UE?

Bem, não me sinto muito confortável com a tese de Neil Clark, Comment is free (Guardian) sobre as consequências de Blair tornar-se Presidente da UE : Blair, EU president? Non, merci, mas fica como referência e para reflexão. Ao Tony Blair assaco a responsabilidade de não ter visto o que iria ser o Iraque - no resto, foi fazendo e dizendo coisas das mais merecedoras de atenção. Mais do que isso...?

Interessante é aquilo que Neil Clark propõe, não tanto pelo objectivo, como pelo método : "What is urgently required is a grassroots pan-European campaign to mobilise opposition to Blair's candidacy." Quando é que os activistas, de todo o tipo, e de todas as causas, irão perceber que têm de pensar e actuar como europeus, em toda a amplitude da União, na prossecução dos seus objectivos, com tudo o que isso implica de organização, redes de contactos, etc., etc.? Eu não estou a referir-se ao mero "lobbying" junto das instituições comunitárias ...
PS: (08.02.11) Vital Moreira é, também, contra. Ver aqui.

O Abrupto sobre Obama

Ora, aí está algo com que estou de acordo com o Pacheco Pereira - não seria, contudo, tão enfático na descrição da "pretensa" vacuidade de Obama - se tiver que ser, o homem até pode fazer-se (dava, para já, um apresentável VP).
Em qualquer caso, tenho de me ir preparando para a possibilidade de ter defender Obama contra McCain (embora, de modo muito mais descontraído, do que fosse com qualquer outro candidato republicano).

Correia de Campos (II)

Já tinha focado as questões de saúde (ver etiqueta saúde) e referi, nomeadamente, o artigo de Vital Moreira sobre o que se tenta fazer em Portugal (a ler, se não o fizeram). Aquilo que estava (está) a ser feito era-o (é-o), de modo indispensável, em defesa do SNS. Um SNS ineficiente abre o caminho para a sua implosão, ou, se quiserem, a diminuição significativa do perímetro da sua actuação – a quem isso interessa? Um SNS ineficiente – Daniel Bessa afirma-o – não fornece um serviço de qualidade.
A defesa intransigente do SNS, por parte da esquerda, obrigaria que esta atacasse de modo implacável: as más práticas, os abusos, os interesses instalados, a desorganização, a má utilização dos recursos, a redundância, etc. – não devendo haver apriorismos ideológicos quanto às soluções e quantos aos instrumentos (um hospital público obtém um recorde de transplantes – o mecanismo que o explica, segundo parece, é um prémio à produção; a Ordem de Médicos é contra: porquê? Têm medo de que se criem novos padrões de comparação para todos os outros?).
E para conseguir isto os números são fundamentais; não há gestão sem quantificação - a-propósito, o que se passa, neste particular, no SNS - é só no SNS? - brada aos céus, e explica muita coisa – vejam o que se diz, neste artigo de Paulo Kuteev Moreira, Um sistema de desinformação, sobre o modo como são apurados os números do SNS.


O objectivo da eficiência do SNS foi prosseguido por Correia de Campos, de modo corajoso, coerente e sistemático, em nome da sua sustentabilidade, da sua defesa e da qualidade dos serviços prestados. Não correu tudo bem. Não percebi, confesso, como fechavam urgências sem se acautelar serviços de substituição – era mau para as populações e era mau em termos da condução política do processo. Quanto à comunicação e às explicações, foram aquelas que a democracia nos habituou – o que acontece é que a sua ausência passa a ser dramática (para todos, políticos, governantes e cidadãos) quando se tem de alterar, a sério, as coisas. Cometeu erros de táctica política? Admito-o. Tudo visto, merece todo o meu respeito enquanto governante e homem de esquerda.


O PM fez bem em substitui-lo face à sua deriva recente em termos de presença política? Vamos admiti-lo. O que não será admissível é que as reformas em curso sejam paradas – quanto muito, deverão ser melhor sincronizadas na concretização dos seus diferentes elementos.
Não gostei de saber que a Ministra da Saúde – antes de o ser – tenha afirmado que os números não podem ser o único critério. O que é que isto quer dizer? Quais os números a que se refere – o orçamento da saúde em percentagem do PIB? O que se gasta bem e o que se gasta mal?O número de operações? O número das listas de espera? Etc., etc. Estava a falar para a sua plateia, usando a velha tecla do "economicismo"? Tomada pelo seu valor facial, a afirmação é um mero truísmo mas, pode ser lida, de outras formas e pode, no limite, implicar outras coisas – esperemos que não.
PS(08.02.11): A história dos incentivos tem mais que se lhe diga do que percebi na tv. Em todo o caso, os incentivos, devidamente delineados, podem (e devem) ser utilizados para obter ganhos de produtividade no SNS.
PS(08.02.21): Paulo Kuteev Moreira no Diário Económico, Incentivos na Saúde? discute a questão dos incentivos.

Correia de Campos (I)

A primeira vez (e única) que ouvi Correia de Campos, ao vivo, foi em Lisboa, ainda no tempo do Guterres, num qualquer colóquio (não me recordo qual), sobre um qualquer assunto (idem), com um qualquer ministro (idem). Correia de Campos era um dos intervenientes. Fez uma intervenção incisiva, frontal – questionando o ministro se não era isso (o que propunha) que devia ser feito – e o que disse (tinha a ver com o modo como a administração pública devia intervir naquele assunto) marcou-me pela qualidade. Ficou-me, na memória, a impressão sobre o estilo e a substância – muito contrastantes com o que é habitual na democracia portuguesa. Acompanhei com interesse a sua primeira (e curta) experiência governativa e, particularmente, esta que agora acaba.


Sobre a actuação de Correia de Campos, falam outros melhor do que eu.


O professor Paulo Kuteev Moreira, num artigo do Diário Económico, em Dezembro do ano passado, Expectativas para 2008, discutia o que se esperava da equipa de Correia de Campos, para 2008. A leitura é bastante sugestiva e instrutiva.


O professor Jorge Simões, no Expresso da Meia-Noite, de sexta-feira passada (não vi o programa na totalidade) assegura que a evolução anterior da despesa do SNS era insustentável (9% ao ano é, devemos convir todos, efectivamente, insustentável) e que Correia de Campos tinha sustido o descalabro.


Daniel Bessa agradece-lhe no Expresso desta semana e não poupa nos adjectivos: “luta titânica”; “caiu…em pleno combate”; e produz apontamentos de relevar. Vejamos: “…um conjunto de orientações que espero tenham ficado”; “…há na saúde uma componente de gestão, essencial, mais do que para poupar dinheiro, para assegurar a qualidade do serviço” – isto é tão óbvio, que deveria ser criticado de trivial, não fosse a iliteracia impante no domínio da gestão por parte de alguma classe política; diz coisas interessantes sobre a organização da saúde e, termina, de forma lapidar com “Caiu numa luta desigual contra os interesses e sobretudo contra o preconceito, autoproclamado humanista e vestido de esquerda” – não poderia estar mais de acordo.

(Continua)

4 de fevereiro de 2008

ASAE (I)

Pois é. Queria escrever sobre a ASAE - estou a exigir isso a mim mesmo, já lá vai algum tempo - mas as semanas vão passando. Não perdi no entanto a esperança e a vontade - daí o título ter um (I). Para já, queria só chamar a atenção para este artigo, no Diário Económico, de António Monteiro Fernandes, Os galináceos corredores. Como é normal - quando alguém escreve aquilo que vai ao encontro do que pensamos - a minha apreciação do artigo é de ele ser excelente. Lê-lo é um exercício de sanidade face ao despautério que grassou a propósito da famigerada (e caluniada) inspecção. Há algo de insidiosamente mal neste país e nas suas elites.

Vantagem de Obama

Penso ser significativo - um dos colaboradores da Open Left, que tem fortes reservas sobre Obama, reconhece que a maré está a mudar contra Hillary Clinton: Open Left:: Obama's Edge.
PS(08.02.23): Uma rectificação - colaborador em causa, acabou por apoiar Obama.

Carros eficientes

O Presidente da Shell afirma que a União Europeia deveria banir carros ineficientes - carros que fazem menos de 35 milhas por galão - menos de 56,3 kms por 4,6 litros: BBC NEWS Science/Nature EU 'should ban inefficient cars'

Ligações recomendadas: ciência

  1. A evolução tende a repetir-se (richarddawkins.net).
  2. How Did the Universe Start? Cosmic Variance.
  3. Genes "telepáticos" reconhecem as similiaridades uns dos outros (richarddawkins.net).
  4. Uma nova forma de ver como é o centro do mundo, a morte e o renascimento dos continentes (SpiegelOnline)

Concentrações versus emissões de gases de estufa

A discussão das consequências do aquecimento global e de como elas poderão ser evitadas, assenta em muita má informação e não compreensão do que está em jogo. Uma confusão muito espalhada tem a ver com as dinâmicas de evolução relativa da concentração de gases de estufa e a taxa de emissão desses gases - o facto de ser necessário reduzir a taxa de emissão para estabilizar o nível de concentração desses gases, não é, na esmagadora maioria dos casos, entendido. Podem ver um vídeo (em inglês) muito bom a explicar isso: Climate Change Bathtub Simulation.

3 de fevereiro de 2008

ExxonMobil, lucros e aquecimento global

Notícias sobre os lucros da ExxonMobil e um lembrete sobre o papel que tem tido na criação de um clima de cepticismo sobre o aquecimento global, sobre as suas consequências, e a responsabilidade do homem: Gas Prices Up, Globe Still Warming and ExxonMobil Earnings Soar DeSmogBlog.





Um excerto - sigam as ligações:
"Expected annual earnings for ExxonMobil in 2007 are a whopping $39 billion - or about $106 million a day, $4.4 million an hour and $73,000 a second.
On another entirely unrelated note, ExxonMobil and their
heavily sponsored third-party associations have decried solutions to global warming as just too darn expensive. In fact, until very recently, ExxonMobil did not even acknowledge that global warming was anything to worry about.
Many more have claimed that attempts to put a cap on greenhouse gas emissions would
cripple industry, cause huge upswings in the price of oil, and inevitably the price of gas for the everyday consumer."

Mais notícias sobre sacos de pástico

Já tinha feito aqui uma referência ao assunto: sobre a decisão chinesa de banir a utilização de sacos de plástico. Este artigo faz o ponto da situação a nível mundial e, em particular, do que aconteceu na Irlanda: Motivated by a Tax, Irish Spurn Plastic Bags - New York Times.

O sexo feminino, a educação, o trabalho...

Já é sobejamente conhecida a evolução (positiva e muito significativa) das raparigas no sistema educativo, por toda a parte (onde aquele não está enviesado contra elas). Mas os problemas continuam a subsistir no mercado do trabalho. Esta entrevista, no Nouvel Observateur, actualiza a informação e discute outros assuntos relacionados com essa problemática.

EDP, Portugal e as renováveis

Solve Climate fala da EDP e de Portugal, na produção de energia eólica: Another Wind Power Giant Sprouts in Iberia SolveClimate.com. A Macaronésia surge no mapa.

"Más práticas"

Crítica no Spectator, do livro de Nick Davies, "Flat Earth News - The vile behaviour of the press". O livro retrata "más-práticas" da comunicação social britânica. I wonder... Ver em Flat Earth News Nick Davies Review by The Spectator

Astronomy Picture of the Day - 3 de Fevereiro: Erupção estelar


Ver na Astronomy Picture of the Day o resultado da erupção da estrela V838 Mon que a transfomou na estrela mais brilhante da nossa galáxia em Janeiro de 2002.

Obama versus McCain?

No respeito do espírito de "serviço público" (por favor tomem isto com um amigável meio-sorriso) que este blogue almeja cumprir, chamo a atenção para este artigo: Will Obama face McCain? We’ll know after Super Tuesday The Spectator. Não é favorável a Hillary Clinton (daí a minha referência a serviço público feita acima); foca, no entanto, questões merecedoras de atenção e para as quais não estava atento: a atração dos independentes e republicanos por Obama; a importância desta eleição para o juízo que a história fará da presidência de Bill Clinton - tudo o resto, mantém-se: nomeadamente, as consequências de uma campanha prolongada. De relevar a afirmação que do lado republicano as coisas estão decididas para McCain - o que é um descanso, isso a confirmar-se, já que, no cenário em que o candidato democrata não é eleito Presidente, o republicano não é doido e está atento às questões importantes (e.g., alterações climáticas).

2 de fevereiro de 2008

"Dieu partout"

Editorial de Jean Daniel, Dieu partout, no Nouvel Observateur, sobre como os alemães comemoram o 75º ano da subida de Hitler ao poder, sobre a repressão em Gaza, sobre o laicicismo e a democracia. Começa assim: "Une actualité particulièrement riche ne doit pas faire ignorer ce qui se passe en Allemagne depuis deux jours et qui revêt une signification éclatante. On y commémore partout le 75e anniversaire de la prise du pouvoir par Adolf Hitler et le parti nazi, d'une manière qui fait dire à un ancien ambassadeur d'Israël à Berlin : «Où, dans le monde, a-t-on jamais vu une nation ériger tant de monuments pour immortaliser sa propre honte ? Seuls les Allemands ont cette audace et cette humilité.» Il est non moins rare d'entendre un héritier des victimes rendre un hommage si fervent aux héritiers des bourreaux...".
Façam um exercício: leiam este editorial (a primeira parte, pelo menos) e, em seguida, cruzem-no com a leitura da crítica da City ao livro de Pierre Manent - a parte relativa ao "tratamento" que a Europa daria aos judeus e a Israel (2º ponto desta nota).

Os sindicatos nos EUA

Daquilo que vou vendo, uma das coisas que mais me impressionou (de modo negativo) foram as notícias sobre a situação que vive o movimento sindical norte-americano, nos dias que correm. Aquilo que lá se passa, neste domínio, não tem qualquer comparação com a situação homóloga em qualquer país europeu. É um dos sintomas mais evidentes da deriva direitista dos EUA (a nível político, a nível ideológico, a nível de hegemonia cultural - ver notas sobre isso: etiquetas - eua, política). O que se passa pode ser ilustrado por três tipos de informação.

Uma - tomemos-la como exemplo - ilustra a situação a nível de uma empresa - e não de uma empresa qualquer. Brad DeLong relata o modo como o jornal Washington Post trata os seus funcionários: "A message from the Communications Workers of America, about the Washington Post: Background: The 400 production workers at the Washington Post have not seen a wage increase in five years. Five years. For much of that time, since May 2003, the workers have been fighting for a fair labor contract. But the Post has been holding things up. And now the Post is after the workers’ employee-funded pension plan....". Têm de ler tudo para ficarem com a verdadeira dimensão da actuação do jornal.
A outra dá o grande quadro. Gregor Gall (Guardian - Comment is free) apresenta os factos que caracterizam a situação do movimento sindical nos EUA:
  1. ...In 2005, over 31,000 workers were disciplined or fired for union activity - that's one every 17 minutes of the year. And the number of workers being disciplined or fired is increasing - between 1993 and 2003, the average was 22,633.
  2. ... In the late 1970s, unions organised around 7,500 recognition elections per year via the NLRB, with a 37% success rate. By 2006, they organised just 1,600 (albeit with a higher success rate of 57%).
  3. ...These bald figures hide a lot more. Research has found that 49% of employers threaten to close their operations when faced with unionisation attempts and 91% of employees are forced to have one-to-one meetings with supervisors to dissuade them from joining when attempts are made to unionise workplaces.
  4. ...Even when workers successfully unionise and gain union recognition, only a third of these agreements ever lead to collective bargaining. So two-thirds of employers that concede union recognition say to themselves "we've lost the battle but not the war" and they get another opportunity to stymie union recognition by simply refusing to bargain.
  5. ...In this environment, you can then understand why more than half (58%) of the US workforce - some 60 million workers - say they would join a union if they could. But they do not, because employers impose costs on workers for joining a union. They make it a risk-laden activity.This explains, in the main, why in 2006 overall union density in the US was just 12%, comprising 35% density in the public sector and 7% density in the private sector. These figures are just a third of what they were in 1955, the highpoint of organised labour in the post-war period.
  6. For many years, the union movement in America has been trying to get the law changed and government to be more sympathetic. Attempts under Carter in the 1970s and Clinton in the 1990s failed to get past the initial stages.
    Ironically, the best opportunity is probably now taking place under Bush's watch. In 2007, the
    employee free choice bill was presented to Congress and passed through the House of Representatives. It is meeting resistance in the Senate and will then need presidential sanction to become law.
    With the presidential election looming, it will be interesting to see not only whether the Democrats win through but also which Democrat will be selected as candidate. Relatively speaking, John Edwards and Hilary Clinton are more pro-union than Barack Obama. But, of course, that still does not say that much. More will depend upon what the composition of the Congress is - whether it is more or less Democratic - and what pressure unions can put on the Congress members to continue to support the bill and get presidential authorisation. If the bill can become an act, it will be one small step towards levelling out a very, very unlevel playing field between workers and employers. But even if gets passed, the "American dream" will still remain elusive for most of America's workers.


Finalmente, a última retrata a situação dos apanhadores (imigrantes) de tomate na Florida. O artigo é da The Nation (o New York Times também focou esta história) e intitula-se Slavery in the Union, o que não é nenhum exagero de descrição face aos factos relatados. Só um excerto: "These farmworkers pick the tomatoes many Americans eat at McDonald's, Taco Bell, Burger King and other fast food chains. They are paid 45 cents for a 32-pound bucket of tomatoes. It's grueling work, as Fast Food Nation author Eric Schlosser noted recently in a New York Times op-ed : "During a typical day each migrant picks, carries and unloads two tons of tomatoes." For that two tons the worker can expect about $50, and annual wages of $10,000-$14,000. Wages have been stagnant for more than two decades. Two weeks ago, six people were indicted on slavery charges for beating workers, chaining and locking them inside U-haul trucks, and threatening physical harm if the workers left their jobs. This is far from a rare occurrence, as the Miami Herald wrote, "… farm crew slavery stories and the brutal exploitation of undocumented workers have long since lost their shock value in Florida."


Robert Reich, no seu livro Supercapitalism (já fizera uma referência a esse livro), descreve bem (mas não tão bem as causas) o contexto mais lato enquadrador das relações de trabalho na economia americana (leitura do Nouvel Observateur do livro): "Les faits : l'âge d'or du capitalisme, avec sa concurrence organisée, ses syndicats puissants, ses patrons soucieux du bien public, son emploi à vie, est mort. Et l'avenir est sombre car «les outils traditionnellement utilisés pour tempérer l'exubérance irrationnelle de la société américaine» - redistribution par l'impôt, éducation publique, syndicats - agonisent. Mais cet état des lieux que Reich, démocrate engagé, «déplore», est aussi incontournable que la mondialisation qui l'a engendré. Autant prendre conscience de cette réalité si nous voulons la changer car en économie la nostalgie n'est pas une catégorie recevable.
Délits d'initié, scandale Enron, «bonus» colossaux, stock-options gargantuesques et maintenant «subprimes» : nous savions vaguement que la globalisation de l'économie, sa financiarisation portée aux nues par la doxa libérale faisait des ravages. Théoricien de l'économie mondialisée, aujourd'hui professeur de politique publique à Berkeley, Bob Reich met les points sur les «i». Dans les années 1980, le PDG d'une grande entreprise américaine touchait quarante fois le salaire moyen versé par son entreprise. C'était 400 fois en 2001 . En 1976, les plus riches (1% du pays) possédaient 20% de l'Amérique. En 1998, ils accumulaient le tiers de la richesse de la nation. En revanche, le salaire moyen n'a pas progressé au cours des trois dernières décennies. Et «pendant les neuf premiers mois de 2006 - cinquième année de la reprise économique -4,5 millions d'Américains en moyenne ont quitté leur emploi ou ont été licenciés chaque mois».


A tese de Reich é a de que é a globalização, a responsável por este estado de facto. A globalização é portadora, de modo inegável, de forças que contribuem para fragilizar a capacidade negocial dos sindicatos, mas imputar-lhe a totalidade da explicação, é ir longe de mais. Um sindicalismo forte nos EUA, seria factor corrector dessa evolução e, a sua inexistência - podendo ser explicada em parte por factores objectivos - funda-se, no entanto, e de modo mais significativo, na história sócio-política norte-americana mais recente, na deriva que se falou acima. As consequências da globalização são susceptíveis de serem lidadas sem rotura da solidariedade social e dos níveis de vida adquiridos - na Europa, alguns países, pelo menos, estão a demonstrá-lo.

1 de fevereiro de 2008

Krugman sobre John Edwards

Ao ler as colunas de Krugman sobre as eleições americanas, sempre considerei que se inclinava para Hillary Clinton. As escaramuças com a candidatura de Obama mais me escoraram a impressão. Lendo The Edwards Effect, sobre o impacto que a campanha de John Edwards teve nas idéias e programas dos outros candidatos - e esse impacto foi, inegavelmente, muito importante -, fico na dúvida.

Crescimento, regulamentação e os outros

Jacques Julliard, do Nouvel Observateur, fala-nos do bom uso a dar ao relatório Attali. O relatório Attali discute e propõe um leque extenso de medidas destinadas a desbloquear o crescimento económico francês. Foi pedido por Sarkosy que promete cumpri-lo à risca - as medidas propostas são curiosas (a primeira é a de melhorar a formação dos educadores de infância) embora do grupo que vi - são trezentas e dezasseis medidas - muitas são específicas à situação sócio-política e económica francesa.

  • Jacques Julliard diz coisas que são susceptíveis de serem tema de reflexão para outros contextos: " D'évidence, le rapport est d'inspiration libérale mais c'était sans doute inévitable. Il y avait peu de chances que, pour «libérer h croissance», on emmaillotât encore un peu plus les acteurs. «Libéral» ne s'oppose pas ici à «social», voire à socialisme, mais à dirigiste et même étatique." Isto cruza com aquilo que João Cardoso Rosas diz (referido numa nota deste blogue).
  • Mas o que se segue, se serve de reflexão para o caso português, deve sê-lo com algum cuidado : "La conviction des membres de la commission, toutes opinions confondues, est en effet que la conception d'une société réglementée, qui continue de prévaloir en France, la rend incapable d'affronter les défis de la mondialisation et explique en grande partie son déclin, au moins relatif, dont aucun en vérité ne doutait." Em Portugal, grande parte da regulamentação (que é excessiva, do estrito ponto de vista legislativo: - o número de instrumentos legais a que está sujeita a actividade dos restaurantes, de acordo com a informação transmitida pelo presidente da associação empresarial do sector, no programa Expresso da Meia-noite, da SIC, é absurdo) não é uma restrição activa - existe na lei mas não é aplicada. Temos o pior dos mundos em termos de regulamentação: temos má regulamentação, e a boa não é relevada, e a nossa gente (todos), vive bem com isso. Quando a regulamentação (a má, a menos má, a razoável e a boa) é aplicada (porque é lei, e a lei é para cumprir - evidêncial trivial que não é trivial em Portugal), cai o Carmo e a Trindade - veja-se o caso das reacções à actuação da ASAE.
  • Outra frase: "Alors que, dans toute la société, la notation règne en permanence, pour le médecin, le commerçant, l'artiste, le sportif, et maintenant le ministre, tous confrontés de facto aux performances de leurs concurrents, il est anormal que le fonctionnaire, supposé incarnation parfaite de l'Etat hégélien, échappe, à toute comparaison, à toute remise en cause." De novo, em Portugal, o problema não é, não haver avaliação - é o modo como é feita (o que por sua vez indicia problemas mais profundos e mais sérios).
  • Ainda, mais outra: "Reste le fond du diagnostic : la France va mal et, dans tous les domaines, elle a besoin de remèdes de cheval. Soit. Mais il va falloir en convaincre les Français, et d'abord Nicolas Sarkozy lui-même qui, dès son arrivée en fonction, a tourné le dos à cette façon de voir. Au lieu du discours churchillien qui s'imposait, il a commencé à distribuer de l'argent à ceux qui n'en avaient pas besoin et s'est assis sur sa promesse de réduire la dette." Gosto muito da expressão: discurso churchiliano - a-propósito veja-se o que se diz na nota anterior sobre a importância da liderança política.
  • E, finalmente, (gosto mesmo do conteúdo desta frase): "On le voit mal, dans ces conditions, épouser la logique d'un rapport fondé sur le pessimisme de l'analyse et l'optimisme de la volonté." Pessimismo da análise e optimismo da vontade - excelente.

PS(1): Ver também no Nouvel Observateur, por Claude Weill, uma crónica
onde se fala de Ségolène Royal e do que esta diz sobre o tema da esquerda versus
desigualdade e justiça social e de outras coisas. Descobri, agora (08.01.31), na Causa
nossa
, uma referência à reacção da esquerda francesa ao Relatório Attali
(excepção feita da Ségolène Royal). (08.02.01) Luís Silva Morais, no Diário
Económico
, faz referência ao Relatório Attali e faz a ligação a Portugal.

PS(2): Mais uma frase do Nouvel Observateur, duma entrevista
ao sociólogo Jean-Pierre Le Goff
sobre a sociedade francesa : "Quand la
société ne trouve plus à s'insérer dans une histoire collective et un ordre
institutionnel stable, les individus sont autocentrés et les rapports
sociaux sont dominés par les affects et les sentiments."
PS (3): Para eu ficar comprometido comigo mesmo: tenho de
escrever sobre
a ASAE e sobre o Tratado de Lisboa (e queria falar de Correia de
Campos). A
irritação que sentia (e que sinto) com o processo ASAE, foi um dos
motivos
que me levaram a ter um blogue - para ventilar as minhas perplexidades e
irritações de cidadão.

Portugal: a boa consolidação orçamental?

É uma apreciação (indirecta) da política orçamental seguida em Portugal, pelo Governo Sócrates: "... sem "verdadeiros cortes" na despesa não há consolidação orçamental". Fico preocupado por aquilo qué é dito e por quem é dito: Professor Campos e Cunha. Ele aplica à situação portuguesa as "10 lições acerca de consolidação orçamental", de Jens Henriksson. Jens Henriksson, foi secretário de estado das finanças no governo sueco e participou num dos processos mais duros, e com sucesso, de consolidação orçamental, nas últimas décadas, na Europa - o défice orçamental sueco, no período 1995-1999, passou de um défice de 17% do PIB para um excedente. É um documento notável, conciliando o bom conhecimento económico com o bom senso e a boa táctica política - pode ser lido por qualquer interessado na articulação dessas duas áreas, com proveito e prazer, mesmo sem grandes conhecimentos de economia. As lições têm aplicação "urbi et orbi".

Alguns "sound bites":

  1. It is not a paper about how to get rid of the welfare state. On the contrary, it is about how to strengthen the economic foundations for whatever kind of social model that is preferred. The budget consolidation in Sweden was dramatic but it preserved, and in many ways modernised and improved, the welfare system.
  2. My view is that a deep crisis certainly increases the understanding of what needs to be done. It played a huge role in Sweden. But there are other ways of doing it. Never underestimate political leadership. A strong politician can portray important problems as the salient issue in a country.
  3. Good policy is not knowing how to get out of a crisis. Good policy is avoiding getting into one in the first place.
  4. A country which can avoid making policy mistakes is a country that will outperform most others. Risk aversion is king in economic policy.
  5. A large deficit can also keep up demand in an economic downturn. It is not a problem if a country runs a deficit in public finances as a part of an active stabilisation policy. But if you argue like that, you have to be consistent and be just as strong an advocate of running a surplus in good times. It is easy to get support and friends when you argue for running a deficit during downturns, but it and they will disappear when the good times come. Then you will be fighting alone. Remember, the future has no lobbyists.
  6. Sometimes we tend to forget the moral dimension of what we are doing. There is no questioning that in a country with a large deficit and debt, citizens will sooner or later lose respect for the political system. In the end confidence in democracy itself will diminish, since everyone knows that something has to be done, but nothing is happening.
  7. A priority is only of interest when it is tested against other priorities. The same applies for goals.
  8. By the way, if the economists do not complain, you are in trouble. Remember that everyone should complain!

Haveria muito mais ...